<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-1046236902026556368</id><updated>2011-11-30T18:55:47.877Z</updated><title type='text'>THE ETERNAL SPECTATOR</title><subtitle type='html'>THE ETERNAL SPECTATOR</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://loudspectator.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://loudspectator.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>The Eternal Spectator</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00321387098754660424</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/SZbtOjbBTaI/AAAAAAAAABU/H4f5h14KMmI/S220/moonspell_1.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>63</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1046236902026556368.post-4441318744844387488</id><published>2011-03-29T20:42:00.001+01:00</published><updated>2011-03-29T20:43:17.931+01:00</updated><title type='text'>Inquérito da revista Blitz</title><content type='html'>A revista Blitz deste mês é tem como tema maioritário a música de intervenção, inscrevendo-a na situação actual de crise do nosso país. Para esse efeito elaboraram um inquérito que colocaram a algumas figuras da cena musical Portuguesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu também tive a oportunidade de prestar o meu contributo e deixar o meu testemunho. Fica aqui a transcrição, com os meus agradecimentos ao Blitz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. A palavra ainda é uma arma?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Moon: A palavra será sempre uma arma. A falta dela (a quebra de promessa), alias, tem sido a principal arma contra todos nós. É lamentável como ainda nem nos encaminhamos para uma fiscalização séria do trabalho dos gestores e dos politicos. Até os artistas tem o seu público como juíz. Mas sim “a pena é mais forte do que a espada”, ainda me revejo neste adagio. Funciona é nos dois sentidos, no da reinvindicação mas também no da opressão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Que canção de protesto gostaria de ter escrito?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;How fortunate the men with none do Bertold Brecht. É pura poesia, ironia e desprendimento. Os Dead can dance fizeram um tema ao estilo deles. Mas a letra vai ao âmago da nossa história e humanidade. SE a musicasse fazia uma coisa épica, à Tyler Bates na banda Sonora do 300.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. A revolução vai passar na televisão, no Facebook ou na rua?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai passar na televisão, ditada pelos gostos, direcção politica e audiências. Vai ser combinada no Facebook, esquecidas as banalidades, e vai acontecer na rua, dos gabinetes não se espera nada. Importante é não esquecermos que somos nós que vamos fazer a opção e teremos de viver com ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. Existe uma geração parva?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não. Há é gente parva, como todas as gerações. Também não me parece que a canção dos Deolinda seja um hino dessa geração, ou sequer uma canção de intervenção. Só se a intervenção for a contemplação do óbvio.Estudar, por exemplo, é sempre uma forma de enriquecimento pessoal e nos tempos que correm já podemos, muito mais facilmente, usar a nossa imaginação e criatividade para vencer o desemprego e a inércia. Parece-me mais uma canção para quem ainda espera que o estado social lhe resolva os problemas, indicando o caminho. Eu, pessoalmente, conto cada vez menos com isso, reinvidico é justiça no tratamento. Há mais pessoas a estudarem porque o ensino se democratizou e ainda bem!  Eles que me desculpem. É, para mim, um retrato nada feliz, desajustado da realidade. A geração no poder é a anterior à nossa, e quando a nossa tiver as condições reunidas para lhe suceder, estou optimista que faremos melhores escolhas. O segredo é pegar nas pequenas histórias de sucesso de Portugal a nível de gestão, novos mercados, tecnologias, desporto e artes e torná-la a realidade de um país. Mas antes os velhos modos (no governo, na indústria musical, por aí fora) terão de desaparecer e irão desaparecer, quanto mais não seja por exaustão. Não adianta fazer o retrato dos parvos, o importante é pintar por cima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. Cairo é: um exemplo a seguir, uma música dos Táxi, ou o cenário de algo que nunca veremos a acontecer em Portugal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece-me que os árabes,apesar de tudo, são dos únicos povos que ainda conseguem sonhar e que tem objectivos mais nobres do que enriquecer, mantendo o status quo. Estas pessoas querem nações, tem fome de ser um país que viva em função dos seus habitantes e não para alimentar em exclusivo uma família real ou de governantes. Toda esta revolução acontece por causa dessa fome. Foi insustentável para os governantes manterem a farsa. Espero muito honestamente que estes novos exemplos não regridam no período pós-revolucionário como aconteceu ao Irão com a Revolução Islâmica. A Europa é uma federação de povos cépticos. Os Ingleses orientam-se porque são mais civilizados para o fazer em conjunto com as elites. Os povos de Sul não conseguirão dessa maneira. A Europa também se fartou de guerras, não podemos ter cidades em ruínas em 2011, não é o nosso cenário. Mais uma vez repito que a haver revolução sera pela inteligência, pela justiça e pela exaustão em relação à dualidade de critérios dos governos. Não sei se pegaremos em armas. Mas algo irá acontecer, talvez não tão radicalmente, mais demoradamente, à Europeu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6. Que música dedica ao Governo português?&lt;br /&gt;Fuck the system, dos Exploited. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«E eu e tu o que é que temos que fazer?» (completar a gosto a letra do tema do Abrunhosa)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;talvez sobreviver&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Destaque ainda para a belíssima entrevista de um dos homens mais esclarecidos que já conheci em Portugal no meio musical, José Mário Branco:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://blitz.aeiou.pt/gen.pl?p=stories&amp;op=view&amp;m=17&amp;fokey=bz.stories/72077&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Divulguem, comentem e uma boa semana a todos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1046236902026556368-4441318744844387488?l=loudspectator.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://loudspectator.blogspot.com/feeds/4441318744844387488/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1046236902026556368&amp;postID=4441318744844387488&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/4441318744844387488'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/4441318744844387488'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://loudspectator.blogspot.com/2011/03/inquerito-da-revista-blitz.html' title='Inquérito da revista Blitz'/><author><name>The Eternal Spectator</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00321387098754660424</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/SZbtOjbBTaI/AAAAAAAAABU/H4f5h14KMmI/S220/moonspell_1.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1046236902026556368.post-4005492083254736575</id><published>2011-03-21T17:30:00.000Z</published><updated>2011-03-21T17:30:17.743Z</updated><title type='text'>Filosofia e Rock</title><content type='html'>Caros amigos e bloggers. Deixo-vos aqui o texto que me serviu de base à lição da FLUL, no mês passado, no âmbito do programa 100 LIÇÕES da Reitoria da Universidade de Lisboa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(o texto sofreu algumas alterações na apresentação oral)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um abraço e boa semana:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Filosofia e Rock- como viver no mundo da poesia eléctrica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nestes anos todos tenho vivido diversos paradoxos. A minha passagem pelo Curso de Filosofia, trouxe-me, pelos menos alguma capacidade para os identificar e integrar no meu quotidiano, que muito tinha de estranho mas que por outro lado ia fazendo sentido. Muitas vezes na estrada, nas digressões, as pessoas trocam algo mais que banalidades, e muitas vezes me perguntavam, por causa das letras, a minha formação. À resposta de cursei filosofia a reacção era de inevitável esclarecimento: sim faz todo o sentido. Às vezes eu que ficava desarmado mas por pouco tempo já que a história do Rock e do Metal e das Humanidades era longa, frutífera, sólida, analisada e documentada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazia sentido porque talvez haja algo de ainda místico no encontro entre um fã do Médio Oriente e um cantor de Heavy Metal de Portugal. Por questões da imagem prestigiante de poetas e filósofos Portugueses que se encontra, com ou sem espanto, por todo o mundo. Porque Portugal é ele também um paradoxo lunar, com a sua costa banhada pelo Sol deslumbrando uma terra de pura e complexa melancolia. Fazia sentido à senhora mais velha, em outras andanças minhas, que via o elemento estranho de um grupo popular como alguém que pensa e que por isso parece assim: vestido de negro, anéis nas mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É deliciosa esta estranheza que ainda desaprova a profissão do filosofo (ou do investigador filosófico) mas cuja repulsa é minada, por dentro, pelo fascínio que o filosofar ainda desperta, até pela questão de como gerir o nosso pouco tempo da vida, gasto a pensar, mapeado pela dúvida, numa época cruelmente pragmática e material. Consigo perceber, até mesmo identificar-me com esta reticência das pessoas comuns porque eu me colocava assim mesmo, como um comum, perante a leitura de Kant. A sua matéria era para mim como visualmente circular, estando eu, através de mapas e esquemas cedidos pelo autor, a construir, pela abstracção, como que tubos acrílicos que ajudassem a fluir o vapor do pensamento e sair do outro lado, por uma torneira bonita, de ouro, num fiozinho de água, claro aos nossos olhos. O que eu mais admirava ainda era aquilo que, mais coloquialmente, digo a amigos em conversas filosóficas de café que mantemos entre copos: imaginem o Kant sentado. Pensando em como se pensa e depois elaborando documentos com notas precisas do que são feitas as ideias. Penso que esta é a imagem mais próxima que tenho da abstracção, fisionomicamente substanciadas pelo pensamento comum, num processo que envolvia tudo aquilo que Kant descrevera ao fazer exactamente isto. Um pouco como aquela imagem nos programas antigos da RTP 1 em que aparecia um Sr. Na Televisão com uma televisão que transmitia aquele Sr na televisão com uma televisão no ângulo superior direito, vezes sem conta, numa repetição que nunca esqueci e que me permitiu melhor perceber o infinito. Tal como o Kant a sentar-se para pensar sobre pensar me ensinara a abstracção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de me tornar profissional da música, dei explicações em part time de Filosofia e Inglês. Tinha um conceito dinâmico, explicações ao domicilio, intensificadas pela proximidade dos testes que me fizeram perder concertos importantes (quando os G’N’Roses vieram a primeira vez a Portugal, estava eu a explicar a morte da religião de Hegel numa torre de apartamentos na Quinta da Luz de onde se ouvia ao longe o concerto). Chegados ao esquematismo dos conceitos puros do entendimento de Kant, muitas vezes recorria à vulgaridade inocente de pegar num prato e num círculo para designar objecto e ideia de objecto. Bem sei que era uma comparação simplisticamente abusiva mas uma parte de mim gostava desse minimalismo de puto que estuda Filosofia e consegue explicar a outros, fazendo avançar a roda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por incrível que pareça o auditório 1 da FLUL foi o primeiro palco que enfrentei a sério, descontando a meia dúzia de concertos  com a banda em condições inimagináveis por terras de Portugal corria o ano de 1993. Lembro-me perfeitamente do Dr. António Pedro Mesquita ter desenvolvido uma iniciativa que consistia numa série de apresentações orais perante as turmas e o próprio professor, em jeito de aula, onde durante uma hora tínhamos oportunidade não só de apresentar o nosso trabalho mas também de vestir melhor a pele e  avisão do professor, uma das duas alternativas que teríamos no mercado do trabalho. A outra seria a de investigador. Ou inesperadamente: cantor de uma banda heavy!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse dia vesti até uma roupa que seria (e por vezes foi) mais apropriada para um concerto com os Moonspell: calças de cabedal, presas por fios nas laterais, camisa branca e colete de cabedal. Atei o cabelo mais em cima e foi com este aspecto medieval e pagão que me apresentei perante a minha audiência (onde se incluíam alunos do terceiro ano com a disciplina de Filosofia Antiga “ pendurada”) para debatermos em conjunto o tema que eu propunha: Diversos aspectos da inauguralidade do pensamento parmenídeo no contexto da filosofia antiga.&lt;br /&gt;Algumas notas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Inauguralidade era a minha palavra preferida da época e usava-a em tudo o que podia, desde trabalhos para o curso às letras e cartas escritas pelos Moonspell.&lt;br /&gt;- Adorava usar a palavra parmenídeo em vez do simples de Parménides. A palavra fazia com que tudo fluísse e ao mesmo tempo substantivava e adjectivava (se tal fosse possível) o pensamento do Pré-Socrático. Ai está uma palavra que não gostava tanto. Por fim, a utilização do E depois do M e o acento agudo no I depois do N tornavam-na uma palavra irresistível de repetir.&lt;br /&gt;- Diversos aspectos foi o inicio escolhido para título de vários trabalhos meus (por exemplo Diversos aspectos do cogito agostiniano em Filosofia Medieval) e cujas razões são simples de perceber e andarão entre a ingenuidade e a Chico-espertice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A memoria que guardo da aula conta-se entre as memorias mais felizes que tenho.  O Dr. Pedro Mesquita dirigiu-se a mim perante a turma gabando-me a coragem e a fluidez da aula tendo também em conta alta os vários discernimentos duvidosos e acepções erradas eu que tinha apresentado à turma! Esta justiça de comentário não me esmoreceu, pelo contrario, entreguei o meu trabalho final exactamente sobre o mesmo tema, ajuntando algumas leituras e comentários ao corpo do texto sob o qual tinha baseado a aula. Passei à disciplina com quinze valores aos quais acho que o meu acto de bravura no auditório não é alheio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atalho, para depositar a esperança, de que a recordação de hoje também encontre lugar neste deposito arejado onde se encontram os melhores momentos da minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe um mito que os artistas e as pessoas que estão a comprar casa partilham. É o mito do clique. Aquela faísca meio pentecostal que surge dentro da nossa cabeça, faz o ar passar mais farto entre a garganta e o coração, acelerando ambos quando na presença dessa experiência. Foi isso que esta aula me deu. E que a faculdade e o curso de Filosofia me passou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sou um rapaz dos subúrbios, do tempo em que os subúrbios eram um mundo e viajar até Lisboa uma viagem interplanetária. Alguns de nós seguiam vidas sem regras. Outros liam Dostoivesky, viam Woody Allen, compravam a K do Miguel Esteves Cardoso e, sem acesso a muita coisa, tínhamos um acesso ilimitado à nossa inteligência e poder criativo e especulativo e sobretudo uma sede de conhecimento só saciável pelas fontes que estes edifícios centenários encerravam. Quando vinha na camioneta da Brandoa até ao Colégio Militar e numa viagem de ficção toda a linha do metro até à Cidade Universitária, ouvindo sempre música e lendo sempre um livro, tinha tempo para pensar, romantizar, sentindo ganas e nervos pelo ambiente, pelas lições, pela partilha que se realiza na Universidade. Muitas vezes me senti num labirinto académico, com contra-senhas bizarras: reprografia azul, departamento, pavilhão no Campo Grande. Muito me valeram as minhas colegas, bússolas infalíveis para alguém com a cabeça na lua. Passados uns tempos já soavam familiares aos meus ouvidos o Kirk &amp; Raven, o Izusquisa, a livraria da Gulbenkian e o bar onde se comia mais barato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era a idade da pedra desta geração. Quase com Internet. Mas ainda sem ela. Não era melhor, nem pior, tínhamos outras confusões mas outras orientações também, que equilibravam uma tradição de boas intenções com o já irrequieto desejo que os noventa se fossem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Moonspell são contemporâneos e como tal uma mistura destes mundos. Eu sou incrivelmente reconhecido como um filosofo no Metal e do Metal. É paradoxal, pomposo e estranho. Mas não há publicação que não comente isso quando fala comigo. No Expresso fui o filosofo metálico numa edição da revista Única. Na Alemanha, na revista Metal Hammer, que vende 60.000 unidades por mês, chegando agora a uma comunidade virtual de 300.000 pessoas, focou muito o aspecto de uma das nossas canções Handmade God (Deus feito à mão) ser influenciada pelo ateísmo hermenêutico de Feuerbach da Essência do Cristianismo, ou os fãs romenos contentes por eu conhecer alguma da obra de Cioran e ter usado essa leitura noutro tema. São estes brilharetes que o privilégio de ter cursado aqui na Universidade de Lisboa, Faculdade de Letras me permitiram fazer. E por isso estou profundamente agradecido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha vida é, em definitivo, um paradoxo aparente de algo que é universal, verificável e emocionalmente sentido. Há bem pouco tempo estive com os Moonspell a tocar num cruzeiro de Heavy Metal entre Miami, EUA e Cozumel, México. Quarenta e oito nações presentes para ver quarenta bandas numa Babel de afectos, comunhão e diversão a todos os níveis bíblica. Hoje elaboro aqui a minha experiência e vivência da electricidade da poesia e da filosofia. Afinal, se me permitem, nós somos ainda o dedo por trás dos botões, os olhos por detrás do ecrã, o garante de funcionamento de todo o mundo e civilização e, ao mesmo tempo, o seu maior e mais iminente perigo. Esta pujança não pode, nem vai deixar de ser pensada e entendida; e nunca a validade deste paradoxo entre barcos cheios de decibéis e salas como esta cheia de notáveis amigos que gostam e muito de pensar, fez, para mim, mais sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um muito obrigado a todos por terem vindo. A todos os meus colegas e professores do tempo do Curso. A todos os responsáveis por este amável convite, que em boa hora para mim se lembraram de mo endereçar, muito obrigado. Uma longa vida à Universidade de Lisboa e ao Seu Exmo Reitor e a todo o corpo docente e administrativo e de alunos desta nobre instituição, um humilde agradecimento. Sapere aude. Ousa saber.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1046236902026556368-4005492083254736575?l=loudspectator.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://loudspectator.blogspot.com/feeds/4005492083254736575/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1046236902026556368&amp;postID=4005492083254736575&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/4005492083254736575'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/4005492083254736575'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://loudspectator.blogspot.com/2011/03/filosofia-e-rock.html' title='Filosofia e Rock'/><author><name>The Eternal Spectator</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00321387098754660424</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/SZbtOjbBTaI/AAAAAAAAABU/H4f5h14KMmI/S220/moonspell_1.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1046236902026556368.post-6298046407700343060</id><published>2011-03-11T16:21:00.001Z</published><updated>2011-03-11T16:23:28.317Z</updated><title type='text'>À rasca com a chuva</title><content type='html'>Estas últimas semanas, na minha opinião, tem sido dramáticas para o país. A juntar à crise, provocada pela sobranceria das elites e governantes, está o espírito de rebanho de um povo que, tendo muitas razões de queixa, não consegue reunir a força, a moral e a personalidade que lhe permita combater, com eficácia, a corrente pela qual foi arrastado, muitas vezes por estar simplesmente a descansar nas margens. Temos de aprender a criticar a nossa acção de modo a que consigamos encontrar caminhos mais independentes do Estado e da Sociedade Civil. Temos de aprender a gerir as nossas expectativas e a alimentar a esperança com mais razão, coisa que só podemos encontrar na inteligência e dedicação com que gerimos a nossa actividade, seja ela qual for.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portugal é um país com um potencial impressionante mas esse potencial é ignorado pela maioria das pessoas com poder executivo e de decisão. No entanto, isso não quer dizer que as coisas não se façam. Não é preciso criar um gabinete de exportação da música nacional como condição sinequanon de internacionalização da música. Bandas já o conseguiram sem dinheiro estatal. Não só bandas, como agentes individuais de cultura ou grupos de teatro. Isto a exemplo de que não pode ser regra que a cada intenção de, por exemplo, exportação de cultura se tenha de desenhar um plano que envolva dinheiros públicos. É esse círculo vicioso que faz com que existam centenas de fundações, empresas público-privadas, associações que vieram apenas consumir recursos e dificultar, tecnocraticamente, os processos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivemos num país em que muito gente se sobrevaloriza. Todos já o fizemos. As pessoas com maior sucesso no nosso país são sempre as mais realistas, as que conseguem gerir a expectativa e o trabalho focado nessa expectativa da melhor maneira. Os Portugueses começam a sobrevalorizar as suas crianças logo desde as primeiras gracinhas de bébé, mas na hora de se apostar na educação e na direcção dos seus jovens, o país é tradicionalista e oportunista e prefere a solução e o caminho mais curto do que pensar a prazos mais longos. É natural que haja um colapso nas vagas de emprego para onde houve mais formandos. As pessoas, os estudantes preocuparam-se com o imediato, esquecendo a exaustão e a finitude dos recursos. O sistema de emprego Português também não facilita e é profundamente desequilibrado. Por exemplo em Medicina há uma exigência quase elitista e muitos dos nossos profissionais terão de emigrar pois num país mais desenvolvido, que valoriza a experiência e o dia-a-dia, as suas notas lhes permitem uma colocação interdita em Portugal que prefere importar médicos a equilibrar a colocação de alunos com uma média superior mas que não chega para os hospitais nacionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No capítulo das Artes temos de acabar com a expectativa do mecenato e elaborar uma lógica de subsistência própria. Há imensa gente de muito valor mas o fiel da balança muitas vezes pende para uma actividade artística divorciada do público e como tal separada, à nascença, da receita e do retorno que a Arte, em todo o mundo, em qualquer patamar, pode e deve gerar. O mundo artístico é um mundo que conheço bem e muitas vezes me deparo com situações de dolo, preguiça, leviandade. Metade das casas que uma ou outra vez frequentei, metade dos jantares e get togethers a que fui, e por aí fora são exemplos de que muitos artistas vivem bem melhor que a média da população e essa vivência é subsidiada pelo contribuinte, facto pura e simplesmente ignorado pelo fosso criador-consumidor que a cena, especialmente em Lisboa, alimenta de forma errada. Digo isto por contacto directo. Qualquer pessoa do teatro ou especialmente do cinema tem uma casa, carro e condições melhores que as minhas, que vivo da música, que tenho de investir com regularidade na minha actividade a nível de material, por exemplo, e que considero Moonspell como um projecto bastante activo, com centenas de concertos por ano, lançamentos mais ou menos constantes, isto para não falar dos outros projectos em que me envolvo regularmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito mais que a questão de a relva do outro lado da vedação ser mais verde, esta é uma realidade que observei e que não  consegui computar mas que pode ser facilmente verificada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanhã não irei à manifestação por não me identificar com a sua semântica e participantes. Por outro lado, longe de mim censurar quem luta mas terei de esperar que a esta manifestação se siga o rumo natural de tentar melhorar em casa, no escritório, no estúdio antes de se sair à rua. Na rua tudo acontece, mas entre paredes tudo se pensa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixo-vos três apontamentos que achei que dignificaram a discussão, apresentando pontos de vista válidos que subscrevo na sua maior parte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro é um texto que criou polémica com a nova geração. Tenho 37 anos e identifico-me com a maioria das palavras de Isabel Stilwell e acho que as devemos saber escutar antes de contra-atacar a verdade com argumentos umbilicais. Podem ver esse texto aqui:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.destak.pt/opiniao/87876&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O outro texto é de Pedro Boucherie Mendes que faz o historial necessário, contextualizando a acção de Jel/Neto, Homens da Luta. Conheço o Jel há coisa de quinze anos e sempre foi uma pessoa da intervenção. A criatura politica do momento também é um comediante: Jon Stewart. O Festival da Canção pode ser um pormenor para mim, enquanto músico e cidadão, mas os Homens da Luta serão algo mais complexo e aberto que os malucos que o país precisava para sucederem, na moda de intervenção, aos Deolinda. Fica o texto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.ionline.pt/conteudo/109069-um-homem-que-luta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por fim uma citação do músico B Fachada (do qual manifestamente me distancio musicalmente e semanticamente) mas que respondeu com brilho a uma entrevista da revista Blitz de Março da qual destaco este excerto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"(...) Eu não quero fazer parte dos anos Zero portugueses, tenho a ambição de uma profissionalização mais abrangente. Ouço aqueles discos (tinha citado Joanna Newson, John Grant, Ariel Pink) e o meu, ao lado deles, soa fraquinho- e isso não me satisfaz. &lt;b&gt;Não me interessa perseguir um lugar nobre numa cultura pobre.&lt;/b&gt; Temos que conseguir melhorar os nossos estúdios, fazer com que os músicos trabalhem como se trabalha lá fora. Já chega de &lt;i&gt;para português, não está mau.&lt;/i&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui se aplaude essa inquietação num país que parece, musicalmente, cada vez mais fechado sobre si mesmo, desistindo de se mostrar e de ser por em bicos de pé. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui no estúdio Inferno trabalha-se com afinco, prazer e expectativa num novo disco que irá seguir à risca o lema do equilibrio entre o que fazemos e o que podemos esperar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A todos um bom fim-de-semana e boa leitura!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1046236902026556368-6298046407700343060?l=loudspectator.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://loudspectator.blogspot.com/feeds/6298046407700343060/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1046236902026556368&amp;postID=6298046407700343060&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/6298046407700343060'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/6298046407700343060'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://loudspectator.blogspot.com/2011/03/rasca-com-chuva.html' title='À rasca com a chuva'/><author><name>The Eternal Spectator</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00321387098754660424</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/SZbtOjbBTaI/AAAAAAAAABU/H4f5h14KMmI/S220/moonspell_1.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1046236902026556368.post-2709642927530536543</id><published>2011-03-10T16:52:00.000Z</published><updated>2011-03-10T16:52:29.747Z</updated><title type='text'>Conquistadores- report Maxmen 70.000 tons of Metal</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-s4lDJlDTbOw/TXkBTU815UI/AAAAAAAAAD4/t2hupiEW6zI/s1600/191526_10150171736377457_188860832456_8664655_3226952_o.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="262" width="400" src="http://2.bp.blogspot.com/-s4lDJlDTbOw/TXkBTU815UI/AAAAAAAAAD4/t2hupiEW6zI/s400/191526_10150171736377457_188860832456_8664655_3226952_o.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Por mares nunca assim navegados”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dias antes de zarparmos para esta nova aventura, os comentários dos nossos amigos e familiares sobre o Titanic cresceram de tom, sem nós queremos acreditar que o mais negro dos humores se instalava dentro do nosso próprio núcleo de amigos e familiares. Afinal, era-nos complicado explicar que íamos tocar num cruzeiro de Metal. Cinco dias entre Miami, Estados Unidos e Cozumel, México and back. Dois concertos, um num teatro do barco, um sítio maravilhosamente luxuriante, com talha fingida e candeeiros de sereias; outro, à volta, num palco montado exactamente na piscina,sete horas antes do Majesty of the Seas partir, e concluído minutos antes da chaminé começar a cuspir os primeiros fumos. Connosco, tocavam mais trinta e nove bandas, para uma lotação esgotada de 2000 pagantes, mil euros por bilhete, quarenta e oito nacionalidades. Arábia Saudita, Estados Unidos, Japão, Holanda, um grande contingente Alemão, quer  em bandas, quer em festivaleiros, Espanha, Costa Rica, México e...Portugal! Explicar que não havia backstage, aliás a ideia era exactamente um open space, onde todos pudéssemos beber copos ou fazer jacuzzi juntos.&lt;br /&gt;Foi sob o signo da incompreensão terrena e desejo Luso pelo Mar que saímos de Portugal de avião...Prometia a viagem: Lisboa- Londres (3 horas de espera)-Chicago (8 horas de espera)-Guatemala City, primeira paragem desta mini-epopeia de dez dias que para alem do cruzeiro, incluía dois concertos, um em Guatemala, outro na cidade do México e depois os dois do barco. Guatemala City foi uma confusão de pagamentos e sonos, lembro-me vagamente de secar a roupa do concerto com uma ventoinha e de todos as refeições serem pequenos-almoços. Teríamos ido ainda à Costa Rica mas o promotor disse que tinha partido uma perna e que não podia receber-nos como ele desejaria. Down to México. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O México é sempre a valer! Sala esgotada, duas mil e quinhentas almas, merecendo o melhor. Por isso tocamos na íntegra o nosso primeiro álbum Wolfheart e saímos sobre uma chuva de aplausos, dois soutiens e pedidos de encore. Acho que nem passámos 24 horas no México. Quando dei por mim já estava no Bubba Shrimp, um diner enorme inspirado no filme Forrest Gump, a comer marisco frito com batatas fritas e ketchup e cerveja americana. Comprados os essenciais para o barco, fomos fazer o check in no Majesty of the Seas, o enorme paquete que serviria de cenário, sobre as águas do Golfo do México, ao festim metálico do século!!! O primeiro problema foi arranjar transporte para o porto. Havia dois dias que dois policias da Miami Dade tinham sido executados por membros de gangs e esse dia era o funeral. Quando acordei vi a cidade parada e um desfile fúnebre de centenas de carros policiais, durante pelo menos vinte minutos. À grande e à Americana. Depois de muita negociação, chegámos, via shutlle/hotel/brazilian connections, finalmente ao porto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao principio nem vimos o barco. Estava atrás de uma estrutura ainda maior que o escondia e onde fizemos o check in. Deram-nos um cartão tipo hotel, ligado ao nosso cartão de crédito, cash não era bem vindo a bordo, um cartão mágico que a organização já carregara para os músicos com a quantia de cem dólares para nós gastarmos como quiséssemos durante a viagem. A isto chamo saber receber. Depois da foto da praxe à porta do barco, onde conseguimos ficar todos mal fazendo com que a origem da foto pudesse ser ali no Terreiro do Paço, depois do exercício obrigatório de salvamento, que só o Pedro Paixão, o nosso teclista prestou atenção, subimos ao convés, vimos Miami anoitecer e começamos a investir o nosso crédito, mandando vir um balde cheio de Coronas on Ice, to get in the mood. Tínhamos finalmente zarpado em direcção aquilo que não tínhamos conseguido explicar convenientemente aos mais próximos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve uma altura no barco em que toda a gente se sentiu como numa reunião do liceu. Afinal a cena metaleira e o mundo são mesmo uma concha. Afinal estas bandas que aqui estavam já se tinham cruzado em imensos festivais e desde logo se instalou um ambiente impecável. Os fãs deambulavam, tiravam a fotografia do costume, o autografo mas desde logo perceberam que estavam ente iguais e durante os dias todos que passámos ali foi espectacular compreender que não só cada um respeitava o seu espaço como a relação era fluida. Falava-se de música, da vida, dava-se os bons dias ao pequeno-almoço. Este barco fez muito pela cultura da proximidade. No primeiro dia não tocámos mas observámos e socializámos. Também é importante. Conhecemos os Portugueses que tinham vindo (uma saudação a todos!), cinco no total, fora nós. Um rapaz mais da nossa idade, com um bom emprego e uma vida sólida, e dois rapazes mais novos, acompanhados pelas mães se bem que nunca os tenha visto juntos, dois thrashers de alma e coração. Também conhecemos o André Seixas que me enviou um abraço juntamente com a conta do meu crédito. O André trabalhava no barco e estava muito entusiasmado com a nossa participação. No primeiro concerto lá estava ele com a camisola da selecção e nós a partilhar com a mesma intensidade que ele o orgulho de ser português, de estar entre iguais em terras ou mares estranhos, uma coisa que é boa apesar do pudor do Português em ser Português. Ao André, um abraço!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro concerto foi atribulado. Já em mar alto as coisas iam de outra maneira e nas manobras velocistas do Comandante  para cumprir obrigações, o concerto começou mal com problema técnicos (uma constante infelizmente devido à natureza do evento) mas acabou em franca beleza com mais e mais público a chegar de outros concertos e a juntar-se, em boa hora, ao ritual lusitano. Acabei a noite numa situação comum mas com personagens incomuns, ao redor de uma fatia de pizza (servida até às cinco da manhã) à mesa com um venezuelano (Aires, o nosso baixista), e mais quatros pessoas, um canadiano, um saudita, um chileno (que baptizamos de Capitan Chile e que se houvesse prémio de simpatia no cruzeiro o teria arrebatado!), e uma rapariga da Nova Zelândia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, contar a experiência que foi este cruzeiro, uma actividade insólita que acabou por fazer história no Metal, nestas linhas é quase impossível. Haviam executivos, representantes da marca AVON no México, à biqueirada no concerto de Exodus; passavam hordes alemãs com cervejas num copo com a forma e o tamanho de uma bota alta; os hamburgers e as danças coreografadas dos empregados do Johhny Rockets; o dia de folga em Cozumel, bezerrando pelas praias de cerveja na mão; gente no jacuzzi, 24 horas por dia, gordos, magros, homens, mulheres, tatuados, limpinhos; demos com um Espanhol e com uma Canadiana a fazerem jogging ao som de Moonspell. Cinco dias, cinco noites numa Babel flutuante, conquistando os mares quinhentos anos depois , como escreveu o André no meu recibo que vou guardar para sempre, como se fosse o diário da viagem nada trágica mas orgulhosamente marítima dos Moonspell.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não gostarem olhem só para as fotografias :)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.facebook.com/maxmen.pt&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um abraço&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1046236902026556368-2709642927530536543?l=loudspectator.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://loudspectator.blogspot.com/feeds/2709642927530536543/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1046236902026556368&amp;postID=2709642927530536543&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/2709642927530536543'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/2709642927530536543'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://loudspectator.blogspot.com/2011/03/conquistadores-report-maxmen-70000-tons.html' title='Conquistadores- report Maxmen 70.000 tons of Metal'/><author><name>The Eternal Spectator</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00321387098754660424</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/SZbtOjbBTaI/AAAAAAAAABU/H4f5h14KMmI/S220/moonspell_1.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-s4lDJlDTbOw/TXkBTU815UI/AAAAAAAAAD4/t2hupiEW6zI/s72-c/191526_10150171736377457_188860832456_8664655_3226952_o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1046236902026556368.post-5798245389020864460</id><published>2011-03-01T15:32:00.000Z</published><updated>2011-03-01T15:32:36.252Z</updated><title type='text'>Ibéria Rocks</title><content type='html'>Corria o ano e 1988 e eu já me mandava para fora de pé, nos meus quase 14 anos. Tinha descoberto o ano passado as maravilhas do inesperado Metal, depois da iniciação com Maiden, Dio, Ozzy, Metallica, Whitesnake, Slayer. Agitavam os meus sentidos agora bandas como Celtic Frost, Bathory, King Diamond, que tinha conhecido por intermédio de amigos mais velhos e colegas da escola e estas descobertas tinham, em definitivo, mudado a minha vida. Daí ao vento mais underground do Metal Brasileiro, Sarcófago, early Sepultura, Genocídio, entre Europas do Norte, Polónia, Noruega, cassetes com nomes como Unknown Soldiers of Thrash, como bandas como Vader, ou gemas em bruto como Emperor, Old Funeral (que dariam origem aos Immortal), Nihilist, enfim centenas de documentos em cassete que descansam em busca de mais tempo pessoal, para lhes tirar poeiras e revisitar tempos que me marcaram profundamente. É sempre curioso que o pessoal do Underground que me apontam o dedo não tenham sequer vivido um por cento desta formação de uma cena que se tornou gloriosa, polémica mas sempre vibrante. Enfim, outras histórias...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse mesmo ano em Portugal uma banda de Heavy Rock chamada Iberia lançava um single Hollywood, uma canção estupenda que, quanto a mim, rivalizava com os hits Heavy Rock lá de fora. O visual era arrojado, muito Van Halen, num tempo em que a diferença era vista com ânsia e alguma curiosidade, até pela coragem que era vestir algo diferente, ou ter um hairstyle à Americana. Os Iberia também esbarraram no tradicionalismo de um país que nunca aceitou, nem levou a sério o Hard Rock, pelo menos não da maneira justa, que este estilo específico merecia em comparação com a Europa e com os EUA, dos quais na altura estávamos ainda mais longe, quase isolados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Ibéria tiveram uma carreira como que curta mas fulgurante, gerando mais consenso que polémica,e marcando o Rock Português de uma forma muito positiva, com singles radiofónicos e catchy, presença constante e aguerrida nos palcos, imagem, glamour sujo, com um pé no Heavy e outro no Rock. Eis que agora voltam ao nosso convivio, dia décadas depois. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os regressos levantam sempre uma série de questões, mas no caso dos Ibéria é pacífico afirmar que este desejo é mais interior que conjuntural. É mais um acto de coragem e demonstra, sobretudo através do baixista e alma da banda João Sérgio Reis, como a música é muito mais que um interesse, uma carreira, uma luta desigual, um seguimento da praxe, não se consegue em bandas com originais faz-se de covers. É algo maior que arde dentro destes homens que sempre tiveram uma qualidade que os distingue e, na minha opinião, lhes permite encarar esta reunião com optimismo. Primeiro porque fizeram um disco pleno e afirmativo. Não é pelo facto de eu ou o meu colega Ricardo termos participado no disco que ele se torna importante. Na verdade, nós pouco que conseguimos fazer a diferença na nossa própria banda, quanto mais trazer para a realidade as expectativas de alguém! O facto é que canções como Nitro ou Angel, entre outras, dispensam qualquer efeito e a nossa aceitação deste convite é honesta, por questões de admiração e de amizade, acima de qualquer outra razão. Todos os envolvidos sabem disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E neste Sábado subiremos ao placo com as lendas que o ambiente Português ainda consegue deixar criar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fica a sugestão e o convite:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=vC7PHZvAPQY&amp;feature=related"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-2zB4_3_0bSs/TW0ReLKj63I/AAAAAAAAADo/4TbUrkqdpAE/s1600/iberia%2Bcartaz.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="320" width="226" src="http://3.bp.blogspot.com/-2zB4_3_0bSs/TW0ReLKj63I/AAAAAAAAADo/4TbUrkqdpAE/s320/iberia%2Bcartaz.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1046236902026556368-5798245389020864460?l=loudspectator.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://loudspectator.blogspot.com/feeds/5798245389020864460/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1046236902026556368&amp;postID=5798245389020864460&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/5798245389020864460'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/5798245389020864460'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://loudspectator.blogspot.com/2011/03/iberia-rocks.html' title='Ibéria Rocks'/><author><name>The Eternal Spectator</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00321387098754660424</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/SZbtOjbBTaI/AAAAAAAAABU/H4f5h14KMmI/S220/moonspell_1.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-2zB4_3_0bSs/TW0ReLKj63I/AAAAAAAAADo/4TbUrkqdpAE/s72-c/iberia%2Bcartaz.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1046236902026556368.post-7626293980382218692</id><published>2011-02-23T21:43:00.002Z</published><updated>2011-02-23T21:43:51.149Z</updated><title type='text'>É já amanhã</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-Ql9DPTxvUcE/TWV_fZ0kJtI/AAAAAAAAADg/Jbuam2-j6ys/s1600/image002.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="112" width="320" src="http://1.bp.blogspot.com/-Ql9DPTxvUcE/TWV_fZ0kJtI/AAAAAAAAADg/Jbuam2-j6ys/s320/image002.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Fernando Ribeiro dos Moonspell dá Lição na Reitoria da Universidade de Lisboa&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Amanhã, Fernando Ribeiro dá uma Lição, às 18 horas, na Sala de Conferências da Reitoria da Universidade de Lisboa, subordinada ao tema, Filosofia e Rock - como viver no mundo da poesia eléctrica.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O ciclo Cem Lições, inserido nas Comemorações dos 100 Anos da Universidade de Lisboa, está a decorrer desde 24 de Janeiro a 12 de Maio, de segunda a sexta, às 18h. na Sala de Conferências da Reitoria da Universidade de Lisboa. Isabel Alçada, António Costa, António Lobo Antunes, Francisco Pinto Balsemão, António-Pedro Vasconcelos, Elisabete Jacinto, José Mário Branco, Lídia Jorge, Manuel João Vieira, Maria João Seixas, Maria José Morgado, Teresa Patrício Gouveia são alguns dos antigos alunos que regressam às cadeiras da Universidade de Lisboa, para darem 100 Lições.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1046236902026556368-7626293980382218692?l=loudspectator.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://loudspectator.blogspot.com/feeds/7626293980382218692/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1046236902026556368&amp;postID=7626293980382218692&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/7626293980382218692'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/7626293980382218692'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://loudspectator.blogspot.com/2011/02/e-ja-amanha.html' title='É já amanhã'/><author><name>The Eternal Spectator</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00321387098754660424</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/SZbtOjbBTaI/AAAAAAAAABU/H4f5h14KMmI/S220/moonspell_1.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-Ql9DPTxvUcE/TWV_fZ0kJtI/AAAAAAAAADg/Jbuam2-j6ys/s72-c/image002.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1046236902026556368.post-8860890583779025613</id><published>2011-02-18T21:58:00.001Z</published><updated>2011-02-18T21:59:31.122Z</updated><title type='text'>Liga de Cavalheiros</title><content type='html'>Thomas Gabriel Fischer/Warrior é o fundador, alma, voz e espírito dos Celtic Frost e agora dos Tryptikon. Em conjunto com Martin Eric Ain, criou, por mão própria,dentro do Metal, um estilo alternativo, com uma escuridão especial, introduzindo elementos avantgardistas, vozes femininas, arranjos orientais e uma temática forte, guerreira, maldita coadjuvada por uma imagem dark e sepulcral, à qual ajudou a amizade e colaboração com o pintor/escultor H.R.Giger que assinou o artowrk de To Mega Therion. Thomas trabalha actualmente com Giger, como seu assistente. Mas tudo isto já sabiam vocês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que talvez escape é que Thomas é um cavalheiro. Uns dos já raros nobres do Metal, com uma humildade, uma consciência, um conhecimento que nos encanta e conversa intacto os nossos mitos, não sobre um Metal God Suiço, mas apenas um homem solar e lunar, forte, conciso, simpático, que sabe quem é mas que não se atrapalha com isso. De mim, muitos dirão, que devia aprender com ele. é verdade e assim o fiz. Porque o Tom também tem os seus detractores, pessoas que não o tentam conhecer e conduzem a enganos terríveis. Eu consigo indentificar-me com isso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conheci o Thomas há coisa de cinco anos atrás. Fomos tocar a um festival na Grécia e encontrámo-nos no hotel. Já contei esta história na Loud! mas aqui fica o sublinhar do deslumbramento e adoração, contidos pela simplicidade desarmante do Tom que me fez calar para fazer elogios à minha banda, que nem sequer existiria, não fora a sombra e o legado de homens como o Tom, o Quorthon, o Peter Steele. Todos eles, à sua maneira, cavalheiros e justos no trato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando agora me cruzo com figuras de proa do Metal, vindas do boom do Viking Meta, do Pagan, do folk, acabo-me por me sentir sozinho e snob, porque talvez estivesse mais habituado a uma boa conversa, a emanações inteligentes, a troca com conteúdo, momentos imersos em humanidade, com a piada fácil mas espirituosa, sem os silêncios incomodados de uma conversa sempre em gritos, à volta de qualquer bebida forte, ou de mares de mijo de cerveja, falando de quanto se vende, o que se toca, ou de qualquer coisa fraquinha de conteúdo para não incomodar o avançar das células alcoólicas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A última conversa de jeito foi mesmo com o Alan dos Primordial e agora vocalista do tributo a Bathory, Twilight of the Gods, que vi ao vivo no 70.000 tons of Metal, para meu gáudio. Ele explicava que na tour Paganfest (com Ensiferium, Finntroll, entre outros) tinham sido convidados para fechar o que se revelou uma armadilha. Da grande adesão do público na Alemanha, eles beneficiaram muito pouco, porque o concerto funcionava assim: entrava toda a gente, via a sua banda preferida e ia-se embora. Os TOG chegavam a tocar para 200 pessoas numa plateia inicial de 2000. Eu, conhecendo a realidade, não pude deixar de perguntar, até pelas ligações criativas e fundadoras de Bathory ao Viking e Folk e Black Metal, se não havia curiosidade em conhecer o legado, mesmo que através de um tributo, sendo este constituido por gente ilustre. Ele foi pragmático e respondeu que não. Porque ninguém conhecia Bathory.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os jovens fãs Folk que enchem estes concertos vão-se, então, indo embora sem dizer adeus a ninguém, sem socializar, sem beber uma cerveja. Um dono de um clube famoso pelos seus shows Metal na Alemanha, vaticinou: estes miúdos estão a matar o Metal. Este é um post sobre o lado elegante do Metal mas não posso, depois da experiência que foi o cruzeiro, de sublinhar que o Metal tem o outro lado, do companheirismo, da libertação que vivido em comunidade pode dar origem a um saudável convivio, a um estilo de vida, que cavalheiros ou não, fazem parte de todo o processo de fruição do Metal, coisa que, pelos vistos, não extravasa a reacção quase ensaiada do povo às sugestões do palco. Como uma nação de zombies, lideradas por zombies.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É bem verdade que cada um ouve o que quer e como quer, mas para ouvir Metal tem de fazer um compromisso mais alargado que extravasa a música. Podemos preferir o cavalheirismo de uma boa conversa entre criadores ou a folia de uma boa corrida pelo moshpit, mas há algo que nos irá unir no fim, um sentido de participar que tantas bandas, editoras e fãs fez e faz surgir no mundo inteiro. O 70.000 tons of Metal foi uma experiência insólita mas pioneira (aqui darei contas das nossas aventuras mas tarde) que conseguiu a proeza de reunir todos os comportamentos. Houve quem fizesse jacuzzi todo o dia, houve quem fizesse workshops de instrumentos. Houve quem trocasse fluídos, outros nomes de bandas, livros, histórias sobre o seu país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trabalho que os TOG de Alan dos Primordial estão a fazer é quase pedagógico e pode eliminar as fronteiras generacionais se ouvido com a atenção devida. Nós sabemos que não são os Bathory que ali estão, mas a experiência é para quem conhece, arrepiante, e para quem desconhece uma descoberta de ouro. Não se pode,de maneira alguma deixar uma forma de indiferença e apatia dominar o Metal, não se pode deixar que as ideias diferentes não tenham cabimento no estilo mais criativo do mundo, não se pode deixar a diversão, tão essencial, ser a única coisa que interessa ao novo Metal com temas da Antiguidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse temas são fascinantes. Por isso escrever sobre um Rei, sobre uma Saga, sobre uma nação, um povo, um legado tem que ser algo mais que uma pesquisa rápida na net, a observação atenta dos Senhores dos Anéis ou uma leitura bruta sobre a gema dourada do único disco de Viking Metal, digno desse nome, estilo e semântica, que é o Hammerheart dos Bathory.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estas notas valem o que valem, mas a atenção segue e a vontade de nos defender do que nos é imposto pela via dos números tem de ser semeada, e as sementes são sempre pequenas em tamanho, mas possíveis de florescer, pela potência que encerram, como nos disse Aristoteles acerca das qualidades, séculos atrás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom fim de semana a todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ps: Se quiserem me ajudar a incentivar este blog partilhem-no no Facebook, comentem e dêem a mostrar a quem de interesse.Muito obrigado, long live metal!!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1046236902026556368-8860890583779025613?l=loudspectator.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://loudspectator.blogspot.com/feeds/8860890583779025613/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1046236902026556368&amp;postID=8860890583779025613&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/8860890583779025613'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/8860890583779025613'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://loudspectator.blogspot.com/2011/02/liga-de-cavalheiros.html' title='Liga de Cavalheiros'/><author><name>The Eternal Spectator</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00321387098754660424</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/SZbtOjbBTaI/AAAAAAAAABU/H4f5h14KMmI/S220/moonspell_1.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1046236902026556368.post-4290657916747885270</id><published>2011-02-10T18:28:00.000Z</published><updated>2011-02-10T18:28:33.137Z</updated><title type='text'>Cutucando o ninho da vespa</title><content type='html'>O ou a Blitz convidou-me para ser editor online por um dia e podem verificar aqui o resultado nos seguintes links:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://blitz.aeiou.pt/gen.pl?p=stories&amp;op=view&amp;fokey=bz.stories/70658&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://blitz.aeiou.pt/gen.pl?p=stories&amp;op=view&amp;fokey=bz.stories/70660&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://blitz.aeiou.pt/gen.pl?p=stories&amp;op=view&amp;fokey=bz.stories/70666&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A estrutura do artigo virtual contém uma entrevista,a escolha de 3 temas de bandas que me tenham chamado atenção e respeito e três noticias que da mesma forma me despertaram o interesse. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho pelo Blitz, como qualquer Português que goste ou se relacione com a música, uma relação ambígua. Já estivemos de relações cortadas no passado, já fomos capa quase forçada á direcção pelo argumento público, presentemente somos uma banda que conta com o Blitz e vice-versa, daí este convite, e que através do caminho, quanto a mim, positivo da revista e do seu portal vamos aferindo do estado da música nacional, internacional e de quem a discute e segue atentamente ou menos. Nada é perfeito, nem o Bitz mas é um presença a que recorremos inevitavelmente durante estes anos todos, para nos indignarmos ou para respeitarmos e aprendermos conforme a ocasião. O Blitz já foi justo, já foi injusto mas tornou-se quase como uma wikipedia ou um wikileaks ou wikirumours, tornando tudo ainda mais ambíguo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando me fizeram o convite, aceitei e pensei. Podia fazer algo mais estéril, sem me chatear, dando uma no cravo e outra na ferradura, contando as minhas histórias como outras banda o tem feito. Ou podia falar do que me incomodava e, com ou sem glória, mandar e receber chumbo tendo, no entanto, este meio exercício, meio desabafo, meio teste pelo menos me ajudado a mim e a chegar a algumas conclusões importantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem, quando regressava da festa de anos de um amigo, pensei nalgumas coisas que, se não se importam gostava de partilhar aqui, num meio próprio, que seja meu e no qual eu esteja inteiramente integrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro fiz uma espécie de postulado para os haters:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1- Os haterz são uma espécie de snipers. Atiradores anónimos que ficam muito mas mesmo muito zangados se evitamos ou nos defendemos das suas balas ou, poir ainda, se disparamos de volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2- Encontro-me no meu pleno direito de achar uma merda quem me acha uma merda. (isto inclui miss daisies, kords, jeronimos e nóias outros que hoje recordo mas para a semana já estarão esquecidos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3- Acho que muita gente dessa na minha posição seria como eles me pintam: arrogante, burro, lamechas, queixinhas. Acho não, sei disso. Na mesma ordem de ideias muitos gostavam de ser como eu. O contrário não se aplica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4- Com tanta coisa que há para falar (mesmo nestes links) não se falou de muita coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5- Sou um espírito livre. Estou e canto onde quiser. Não tenho de ir vingar as misérias da minha vida e mente para um forum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posto isto, devo dizer que foi, pelo menos, um sucesso para mim ver a carapuça enfiar e os haters sairem debaixo das rochas que habitam. Nunca foi minha intenção queixar-me, mais, creio eu, pensar soluções e relatar injustiças mas também experiências que, ingénuo, julgavam que iam agradar e fazer bem à cena musical Portuguesa e ao Metal em particular. Enganei-me e saí da Loud por isso. Exagerei muitas vezes, claro, mas sou claro ao dizer que a vida de um músico em Portugal é profundamente mal-entendida e que a generalidade das pessoas não faz ideia do que é estar num grupo com responsabilidades. A vida é fácil para quem não faz e não aparece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isto vindo de pessoas que, a maior parte, fazem o que não gostam toda a vida e acusam os outros de traição a uma causa. Para se fazer o que gosta na vida e na música tem de se fazer o que não se gosta, vezes e vezes sem conta. Em nome de uma fome maior, nem sempre entendida, nem sempre explicável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, acho que devo às pessoas que acompanham de forma positiva a minha carreira, algo mais do que esta guerrilha aos haters. Mas acho que me devia a mim, aos meus colegas, a todos os músicos, à minha familia e à minha mulher, estas palavras, tirando um peso do peito e da cabeça e deixando todos saberem que há quem esteja atento e não se importe de dar combate a quem quer estragar a magia que existe em fazer, ouvir e viver música.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um abraço a todos!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1046236902026556368-4290657916747885270?l=loudspectator.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://loudspectator.blogspot.com/feeds/4290657916747885270/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1046236902026556368&amp;postID=4290657916747885270&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/4290657916747885270'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/4290657916747885270'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://loudspectator.blogspot.com/2011/02/cutucando-o-ninho-da-vespa.html' title='Cutucando o ninho da vespa'/><author><name>The Eternal Spectator</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00321387098754660424</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/SZbtOjbBTaI/AAAAAAAAABU/H4f5h14KMmI/S220/moonspell_1.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1046236902026556368.post-6720985211237318700</id><published>2011-02-04T14:47:00.000Z</published><updated>2011-02-04T14:47:54.870Z</updated><title type='text'>Entrevista Jornal de Leiria</title><content type='html'>Caros:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Spectator está de volta. Não porque faça falta a alguém mas porque, para mim, sinto vontade de partilhar alguma da minha angústia mas também algum do meu positivismo e novidades com pessoa inteligentes e interessadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começo por postar um link para uma entrevista que dei, há coisa de dois meses, ao Jornal de Leiria. Destaco o trabalho deste jornal regional que é incisivo, independente e de qualidade, um exemplo a seguir por muita da Imprensa mais cotada e divulgada, mas nem por isso melhor cumpridora do seu serviço de formar e informar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais tarde vos darei conta do odisseia em pleno mar alto aquando da nossa passagem pelo cruzeiro do Metal, 70.000 of Metal e de como as tradições históricas poderão voltar à temática do Metal, com maturidade e inteligência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enjoy your reading,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.jornaldeleiria.pt/portal/index.php/files/index.php?id=5639&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1046236902026556368-6720985211237318700?l=loudspectator.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://loudspectator.blogspot.com/feeds/6720985211237318700/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1046236902026556368&amp;postID=6720985211237318700&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/6720985211237318700'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/6720985211237318700'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://loudspectator.blogspot.com/2011/02/entrevista-jornal-de-leiria.html' title='Entrevista Jornal de Leiria'/><author><name>The Eternal Spectator</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00321387098754660424</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/SZbtOjbBTaI/AAAAAAAAABU/H4f5h14KMmI/S220/moonspell_1.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1046236902026556368.post-6671549556415715683</id><published>2010-05-18T17:35:00.001+01:00</published><updated>2010-05-18T17:38:38.594+01:00</updated><title type='text'>Outra publicação de tristeza</title><content type='html'>The Last In Line&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;We're a ship without a storm the cold &lt;br /&gt;without the warm light inside the darkness &lt;br /&gt;that it needs yeah&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;We're a laugh without a tear &lt;br /&gt;the hope without the fear we are coming home&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;We're off to the witch &lt;br /&gt;we may never never never come home &lt;br /&gt;but the magic that we'll feel is worth a lifetime&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;We're all born upon the cross &lt;br /&gt;the throw before the toss &lt;br /&gt;you can release yourself&lt;br /&gt;but the only way is down&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;We don't come alone we are fire we are stone &lt;br /&gt;we're the hand that writes then quickly moves away&lt;br /&gt;We'll know for the first time &lt;br /&gt;if we're evil or divine &lt;br /&gt;we're the last in line yeah &lt;br /&gt;we're the last in line&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Two eyes from the east it's the angel or the beast &lt;br /&gt;and the answer lies between the good and bad&lt;br /&gt;We search for the truth we could die upon &lt;br /&gt;the tooth but the thrill of just the chase is worth the pain&lt;br /&gt;We'll know for the first time if we're evil or divine we're the last in line yeah we're the last in line oh oh oh&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Yeah we're off to the witch we may never never never come home but the magic that we'll feel is worth a lifetime&lt;br /&gt;We're all born upon the cross you know we'rethe throw before the toss &lt;br /&gt;You can release yourself but the only way you go is down&lt;br /&gt;We'll know for the first time if we're evil or divine we're the last in line oh oh we're the last in line&lt;br /&gt;See all we shine we're the last in we're the last in we're the last in we're the last in&lt;br /&gt;We're the last in we're the last line oh oh ooh oh &lt;br /&gt;We're the ship without the storm we're the cold inside the warm &lt;br /&gt;We're the last without a tear we're the throw without the meal&lt;br /&gt;We're the last in line we're the last in line &lt;br /&gt;We're the last in line see how we shine we're the last in line&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1046236902026556368-6671549556415715683?l=loudspectator.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://loudspectator.blogspot.com/feeds/6671549556415715683/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1046236902026556368&amp;postID=6671549556415715683&amp;isPopup=true' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/6671549556415715683'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/6671549556415715683'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://loudspectator.blogspot.com/2010/05/outra-publicacao-de-tristeza.html' title='Outra publicação de tristeza'/><author><name>The Eternal Spectator</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00321387098754660424</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/SZbtOjbBTaI/AAAAAAAAABU/H4f5h14KMmI/S220/moonspell_1.JPG'/></author><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1046236902026556368.post-6676243581236892429</id><published>2010-04-21T18:00:00.000+01:00</published><updated>2010-04-21T18:00:27.616+01:00</updated><title type='text'>Canadian Idol - Phillipe Langelier (Death/Black metal)</title><content type='html'>&lt;object style="BACKGROUND-IMAGE: url(http://i3.ytimg.com/vi/ZkMXV4zYiHM/hqdefault.jpg)" height="344" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/ZkMXV4zYiHM&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/ZkMXV4zYiHM&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1" width="425" height="344" allowscriptaccess="never" allowfullscreen="true" wmode="transparent" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CANADIAN OPEN MINDNESS&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1046236902026556368-6676243581236892429?l=loudspectator.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://loudspectator.blogspot.com/feeds/6676243581236892429/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1046236902026556368&amp;postID=6676243581236892429&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/6676243581236892429'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/6676243581236892429'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://loudspectator.blogspot.com/2010/04/canadian-idol-phillipe-langelier.html' title='Canadian Idol - Phillipe Langelier (Death/Black metal)'/><author><name>The Eternal Spectator</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00321387098754660424</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/SZbtOjbBTaI/AAAAAAAAABU/H4f5h14KMmI/S220/moonspell_1.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1046236902026556368.post-3590181510920533126</id><published>2010-04-15T16:20:00.001+01:00</published><updated>2010-04-15T16:23:03.923+01:00</updated><title type='text'>Peter Steele RIP</title><content type='html'>http://www.youtube.com/watch?v=Ew9Rb1BrMAU&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;First Quorthon. Now Pete."beware the wolves at night, beware the lunar light" We are in the studio working in new songs honouring your memory and your teachings. My idols are oficially extinct.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro Quorthon. Agora o Pete. &lt;br /&gt;Os meus ídolos estão oficialmente extintos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1046236902026556368-3590181510920533126?l=loudspectator.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://loudspectator.blogspot.com/feeds/3590181510920533126/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1046236902026556368&amp;postID=3590181510920533126&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/3590181510920533126'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/3590181510920533126'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://loudspectator.blogspot.com/2010/04/peter-steele-rip.html' title='Peter Steele RIP'/><author><name>The Eternal Spectator</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00321387098754660424</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/SZbtOjbBTaI/AAAAAAAAABU/H4f5h14KMmI/S220/moonspell_1.JPG'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1046236902026556368.post-4367764185524847162</id><published>2010-04-09T15:37:00.003+01:00</published><updated>2010-04-09T15:56:13.019+01:00</updated><title type='text'>Novos rumos</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/S78__LpKjrI/AAAAAAAAAC0/9yQDTDnPHmo/s1600/Bible_Black_(song).jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 280px; height: 280px;" src="http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/S78__LpKjrI/AAAAAAAAAC0/9yQDTDnPHmo/s320/Bible_Black_(song).jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5458151628086087346" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Para os leitores atentos da Loud, tem vindo a verificar que a última série de artigos, tem como denominador comum as novas formas de comunicar o Metal e qual o grau de crescimento que essas novas formas inspiram às bandas e aos segudidores de cada época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falou-se do guita hero que deu um boost estrondoso à carreira dos Metallica, muito mais que os discos de estúdio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falou-se da filmografia Metal, em particular do biopic da banda Anvil, que viu o seu nome de novo falado e cobiçado pela cena Metal internacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste número abordar-se-á uma nova maneira de marcar espectáculos, em foco estará este cruzeiro Metal que podem descobrir neste link:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.70000tons.com/"&gt;http://www.70000tons.com/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feel free to comment&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um abraço bom fim de semana a todos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tip of the week:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="660" height="405"&gt;&lt;param name="movie" value="&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=QUs3i9oCs3U"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=QUs3i9oCs3U&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1046236902026556368-4367764185524847162?l=loudspectator.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://loudspectator.blogspot.com/feeds/4367764185524847162/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1046236902026556368&amp;postID=4367764185524847162&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/4367764185524847162'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/4367764185524847162'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://loudspectator.blogspot.com/2010/04/novos-rumos.html' title='Novos rumos'/><author><name>The Eternal Spectator</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00321387098754660424</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/SZbtOjbBTaI/AAAAAAAAABU/H4f5h14KMmI/S220/moonspell_1.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/S78__LpKjrI/AAAAAAAAAC0/9yQDTDnPHmo/s72-c/Bible_Black_(song).jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1046236902026556368.post-1194286536381285894</id><published>2010-04-02T18:25:00.003+01:00</published><updated>2010-04-02T18:33:42.845+01:00</updated><title type='text'>Sexta Feira Santa</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/S7YqaWTsGoI/AAAAAAAAACI/FK4C63bkWZs/s1600/sodom13.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5455594630759062146" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/S7YqaWTsGoI/AAAAAAAAACI/FK4C63bkWZs/s320/sodom13.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=k1bLErMHJ7E&amp;amp;feature=related"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=k1bLErMHJ7E&amp;amp;feature=related&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1046236902026556368-1194286536381285894?l=loudspectator.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://loudspectator.blogspot.com/feeds/1194286536381285894/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1046236902026556368&amp;postID=1194286536381285894&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/1194286536381285894'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/1194286536381285894'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://loudspectator.blogspot.com/2010/04/sexta-feira-santa.html' title='Sexta Feira Santa'/><author><name>The Eternal Spectator</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00321387098754660424</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/SZbtOjbBTaI/AAAAAAAAABU/H4f5h14KMmI/S220/moonspell_1.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/S7YqaWTsGoI/AAAAAAAAACI/FK4C63bkWZs/s72-c/sodom13.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1046236902026556368.post-3651003305308501703</id><published>2010-03-30T16:50:00.002+01:00</published><updated>2010-03-30T17:01:36.988+01:00</updated><title type='text'>O mundo não parou, a observação continua</title><content type='html'>Debaixo de severo ataque de spam a esta ilustre tabuinha virtual, volto à vossa comunicação com duas urgências, para além de revitalizar este espaço, deixado como capim aos vermes informáticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1- Agilizar este blog, torná-lo mais rápido em texto e em intenção/informação. Posts mais curtos mas mais eficazes e periódicos. Tenho bom exemplo do meu outro blog de poesia que tem crescido de forma muito sustentada. Espero o mesmo deste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2- Alertar-vos para a seguinte "polémica" e seus desvelos, incluindo as respostas devidas. Os vossos comentários serão bem-vindos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;link:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://dn.sapo.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1530354&amp;seccao=Alberto%20Gon%E7alves&amp;tag=Opini%E3o%20-%20Em%20Foco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;texto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na crónica da semana passada, escrevi umas linhas acerca do hip hop e da morte de um praticante do género numa perseguição policial. Sobre a morte, limitei-me a dizer que me pareceu mal explicada e desproporcionada. Sobre o hip hop, limitei-me a reproduzir algumas evidências repetidas por intelectuais americanos contemporâneos, por acaso pretos (ou negros, ou de cor, ou afro-americanos, ou o que quiserem) e não por acaso incomodados com o facto de semelhante subcultura poder ser representativa de uma etnia. Mais do que a respectiva pobreza musical ou lírica, os intelectuais em causa lamentam principalmente os "valores" assíduos em muito hip hop: a "glamourização" do gueto, a legitimação do crime, a misoginia e a homofobia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estas trivialidades despertaram uma pequena sublevação. O site do DN e a Internet em geral encheram-se de comentários destinados a afirmar a minha "intolerância" e a exigir a minha demissão, o degredo ou coisas assim tolerantes. Não percebi porquê. É claro que acho o hip hop uma miséria estética, como acho esteticamente miseráveis uns 95% (contas por baixo) da música popular produzida após 1955 (antes dessa data, o ratio melhora um bocadinho). A diferença está na influência e no crédito que, ao longo de duas ou três décadas, o hip hop adquiriu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O heavy metal, para usar um exemplo normalmente associado a jovens brancos (ou caras-pálidas, ou caucasianos, ou o que quiserem), é de um primarismo similar, incluindo na celebração da violência (e na misoginia, etc.). Sucede que, ao contrário do hip hop, nem a "criatividade" do heavy metal beneficia de adulação externa ao culto (não conheço académicos empenhados em dissecar o lirismo da banda Nuclear Assault), nem o seu peso (sem trocadilho) ultrapassa círculos restritos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já o hip hop marca subúrbios inteiros, não só americanos. E se a popularidade do género alcança as classes médias (pretas e brancas), nestas a sua preponderância é residual ou decorativa. Nos bairros pobres e predominantemente pretos, porém, os "princípios" do hip hop condicionam opções de vida. Há oito dias, sugeri que o estereótipo de uma identidade que apenas se define pela aversão ao "sistema" derivava do folclore, nem sempre inofensivo, do black power dos anos 1960. Faltou lembrar uma tradição anterior e aparentada, disseminada por brancos interessados em perpetuar, para fins ideológicos, a marginalização dos pretos (o ensaio The White Negro, de Norman Mailer e de 1957, resume e participa de tal "programa"). Enquanto herdeiro desse espírito, o hip hop isola as pessoas da sociedade, para a qual se reserva uma postura de mero confronto que condena os habitantes do gueto, real ou virtual, a uma existência diminuída. Dito de maneira diferente, o preto "autêntico" é o que se remove do "mundo dos brancos" (?). Os outros, os que se esforçam por integrar um universo que o paternalismo manda rejeitar, são os Uncle Remus, os Pais Tomás, os vendidos em suma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O racismo aqui implícito ganha um twist irónico se repararmos que a "afirmação" identitária associada ao hip hop vem sendo explorada pela indústria em prol de uma audiência maioritariamente branca. É, no entanto, um reparo a evitar: Stephin Merritt, um dos raríssimos talentos em actividade na música pop, afirmou uma ocasião que, no seu confrangedor exibicionismo, a imagem dos "artistas" de hip hop evoca as caricaturas da iconografia esclavagista. Num ápice, meia dúzia de indignados profissionais saltaram a pedir a cabeça de Merritt. Aparentemente, o assunto é delicado em toda a parte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por mim, não me aborrece que os cultores do hip hop se ofendam com o meu artigo (pouco original, repito): a opinião é livre. Aborrece--me que certos sujeitos alheios ao tema distorçam o artigo a ponto de concluir que eu tentei "justificar" a morte do sr. Nuno Rodrigues ou, até, que me congratulei com ela. Aí entramos no domínio da velhacaria, inata aos blogues e aos partidos de extrema-esquerda por onde esses sujeitos se arrastam em busca de atenção. E com velhacos não há conversa. Com os demais, duas palavrinhas de esclarecimento: que eu saiba, o sr. Nuno Rodrigues, ou "MC Snake", não fez mal a ninguém excepto, eventualmente, a ele mesmo, ao ceder a um estereótipo que aprofunda a exclusão de que se queixava nas letras que dele li. Ou seja, não foi o hip hop que levou o polícia a disparar (nos tiros somente interveio a estupidez do agente), mas o hip hop talvez tenha levado o sr. Nuno Rodrigues a fugir em primeiro lugar ao polícia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha resposta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não caindo na mácula essencial da Sociologia que é a de tudo generalizar, para capitalizar mais cedo o timing de saída/escape dos nós complicados das subcivilizações que pretene estudar, a verdade é que os sociólogos se fazem representar mal publicamente. Não é a primeira alarvidade publicada ou posta em prática nas conferências do estilo e não será de todo a última. Teria todo o prazer em convidar esse observador da sociedade, o  para conhecer, por exemplo, o escritor JL Peixoto, o politologo e cronista do Expresso Henrique Raposo, o deputado Europeu Paulo Rangel, o comandante da TAP Pedro Venâncio, o encenador João Brites, o actor Miguel Moreira, entre outros que da solidez das sua carreiras sentiram e traduziram em influências nas suas obras a inteligência, profundidade e eternidade do Heavy Metal. Num concerto de Metal, também o gostaria de ver, se bem que concerteza lhe faltem os necessários tomates presenciais, quem se esconde por trás das palavras e das certezas da estupidez, raramente aparece. Por ora, sejamos como os Romanos, que diziam que às Àguias não importam as moscas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este artigo a ser opinião, tem o efeito da pulga, da carraça, do percevejo. Só a notamos quando nos pica para a chupa do sangue. Este Sr. é assim. Nada mais que um bicharoco que pensa ter algum dom. Não tem, muito menos para a música. Só para a&lt;br /&gt;FR&lt;br /&gt;Moonspell&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rui Miguel Abreu/Blitz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.33-45.org/?p=882&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até breve!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1046236902026556368-3651003305308501703?l=loudspectator.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://loudspectator.blogspot.com/feeds/3651003305308501703/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1046236902026556368&amp;postID=3651003305308501703&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/3651003305308501703'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/3651003305308501703'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://loudspectator.blogspot.com/2010/03/o-mundo-nao-parou-observacao-continua.html' title='O mundo não parou, a observação continua'/><author><name>The Eternal Spectator</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00321387098754660424</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/SZbtOjbBTaI/AAAAAAAAABU/H4f5h14KMmI/S220/moonspell_1.JPG'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1046236902026556368.post-6034547063168565641</id><published>2010-01-20T01:26:00.005Z</published><updated>2010-01-20T01:42:22.470Z</updated><title type='text'>METAL DAY @FIL</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/S1ZcNC1TW2I/AAAAAAAAACA/p-N_C2ErkJ8/s1600-h/fil.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/S1ZcNC1TW2I/AAAAAAAAACA/p-N_C2ErkJ8/s400/fil.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5428627780010204002" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;METAL DAY AT FIL&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sequência do concerto de dia 23 de Janeiro, os MOONSPELL decidiram alargar o conceito e fazer desse dia um DIA DE METAL na FIL, de modo a que todos os aficionados e curiosos, possam contactar com o que é a Cultura Metal não só no nosso país, mas também internacionalmente, como a própria natureza da música e seus fãs o reclama. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estão previstas actividades que levem o público que vai ao concerto a aparecer mais cedo, trazendo amigos e famílias, não só para presenciar o espectáculo, mas também para conviver com o que é ser Metaleiro e ser surpreendido pelas ramificações intensas do Metal enquanto cultura e a sua relação profunda com outras formas de Arte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre estas actividades encontra-se uma pequena aldeia Metal, com possibilidade de compra de merchandise oficial dos Moonspell; uma conferência subordinada ao tema Metal e Escrita; uma exposição de fotografias do metal ao vivo em Portugal (3 first songs/as 3 primeiras canções) e no mundo; e a exibição de um filme ligados à cultura Metal (Global Metal) ; e no fim uma aftershow party com a presença dos Moonspell agora como DJ’s convidados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Opus Diabolicum, tributo de cordas aos Moonspell, também estará por lá em actuações espontâneas com as suas versões clássicas dos temas maiores da banda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Horários: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;17h30 Abertura das Portas &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;18h Conferência O Metal e a Escrita com: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JOSE LUIS PEIXOTO (ESCRITOR) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HENRIQUE RAPOSO (INVESTIGADOR UNIVERSITÁRIO, CRONISTA DO EXPRESSO) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ANTÓNIO PACHECO (EDITOR SAÍDA DE EMERGÊNCIA) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;NÉLSON SANTOS (COLABORADOR DA LOUD! JORNALISTA DA TSF) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FERNANDO RIBEIRO (VOCALISTA DOS MOONSPELL) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;20h Exibição do filme GLOBAL METAL do Sam Dunn &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concerto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;22h Bizarra Locomotiva &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23h Moonspell &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aftershow party:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;01h DJ set Moonspell &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Muito mais que um concerto, um evento METAL a não perder!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;depois do concerto regressam os posts ao spectator ;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;see you saturday!!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1046236902026556368-6034547063168565641?l=loudspectator.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://loudspectator.blogspot.com/feeds/6034547063168565641/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1046236902026556368&amp;postID=6034547063168565641&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/6034547063168565641'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/6034547063168565641'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://loudspectator.blogspot.com/2010/01/metal-day-fil.html' title='METAL DAY @FIL'/><author><name>The Eternal Spectator</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00321387098754660424</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/SZbtOjbBTaI/AAAAAAAAABU/H4f5h14KMmI/S220/moonspell_1.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/S1ZcNC1TW2I/AAAAAAAAACA/p-N_C2ErkJ8/s72-c/fil.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1046236902026556368.post-2085202204181314061</id><published>2009-12-24T00:37:00.002Z</published><updated>2009-12-24T00:40:21.558Z</updated><title type='text'>2009 era vulgaris</title><content type='html'>Aproveito para dizer que o Spectator retoma os textos e finaliza a América e começa a dissecar Portugal depois da ressaca natalícia. A todos quantos observam o Spectator votos de boa sobrevivência à época de fritos e oferendas e acima de tudo um 2010 em grande acompanhados do óculo que vê o mundo e tudo e nada perdoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;happy unholidays!!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1046236902026556368-2085202204181314061?l=loudspectator.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://loudspectator.blogspot.com/feeds/2085202204181314061/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1046236902026556368&amp;postID=2085202204181314061&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/2085202204181314061'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/2085202204181314061'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://loudspectator.blogspot.com/2009/12/2009-era-vulgaris.html' title='2009 era vulgaris'/><author><name>The Eternal Spectator</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00321387098754660424</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/SZbtOjbBTaI/AAAAAAAAABU/H4f5h14KMmI/S220/moonspell_1.JPG'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1046236902026556368.post-4215154692831863595</id><published>2009-11-17T22:08:00.001Z</published><updated>2009-11-17T22:11:18.070Z</updated><title type='text'>America parte III</title><content type='html'>Aeroporto de S.Antonio Texas. 4 da manhã, depois do último concerto que acabou há meras três horas. Depois do duche no motel do costume, de  cabelos bem molhados e de olhos bem abertos, estamos na àrea do check in, entrando na fase final, os quilómetros (e as milhas áreas) duros da recta final da nossa maratona pelo Novo Mundo. Consultemos  a agenda infernal:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.00- sair de S.Antonio&lt;br /&gt;4.00- aeroporto&lt;br /&gt;6.00- voo para Monterrey, Mexico&lt;br /&gt;9.00- check in no Sheraton Monterrey&lt;br /&gt;14.00- soundcheck (ao qual não compareço para não gastar o fio de voz que me resta)&lt;br /&gt;22.00- no palco&lt;br /&gt;6.00- check in aeroporto&lt;br /&gt;8.00- voo para a cidade do México&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E repitam pelo infinito até dia 19, quando regressaremos à pátria. É assim, num resumo possível:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;San Antonio, Texas, EUA, escala em Houston, destino final Monterrey, concerto, voar Monterrey, cidade do México, concerto, dia de viagem, folga em Valencia, Venezuela, outro dia concerto, sair da Venezuela, Valencia, Caracas para apanhar o avião, depois de uma viagem por estradas infernais, voar para a Colômbia, tocar, ir para o aeroporto, voar para Quito, tocar nesse dia, hoje de madrugada, mais uma sem dormir, voar para o Chile, tocar daqui a umas horas, amanhã, 8 da manhã no aeroporto, voar, tocar Buenos Aires, voar segunda de manhã para S.Paulo, dia de folga, tocar na Terça, arrumar tudo, voar para Portugal, chegar de madrugada, pousar as malas, respirar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida tem sido rápida desde que vos deixei nas outras linhas. A aproximação à Califórnia, trouxe o bom tempo, o excelente vinho, e os maneirismos Californianos que conseguem divertir e irritar ao mesmo tempo, de uma maneira impressionante e renovada com cada visita nossa. A primeira paragem é São Francisco, onde reencontramos o nosso camarada Venice e o nosso amigo John Gonçalves (The Gift) ambos nas suas aventuras pessoais pela Américas que em boa hora se cruzam connosco, trazendo-nos o calor da amizade lusa que tão bem sabe em qualquer parte do planeta. O concerto está cheio mas o clube é bem modesto. Montamos o cenário, mais uma vez, num espaço físico improvável e ligamos o motor de toda a gente que enche aquele espaço e o transfigura do sítio mais feio do mundo, num local pleno de emoções. A aproximação da Noite das Bruxas é palpável e vêem-se já sinais de comemoração antecipada na fauna que compra bilhete. Para além dos metaleiros, há bruxas que não voam, carrascos que não falam, é São Francisco, diverso, bonito, generoso, com os cabazes da nossa Gothic Gourmet (Beverly) e dos nossos amigos Robert (com os vistos do Brasil na mão!!!) e a sua esposa Jana a coroarem a noite. Depois de três garrafas de Coppola e de fumos medicinais, ao concerto segue-se um recital de kazoo, cortesia do Mike que para sempre ficará gravado nas nossas memórias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ramona, Califórnia parece uma cidadezinha saída dum filme, com as suas barbearias, a sua única avenida larga, os carros que circulam. Uma espécie de cidadezinha Eduardo mãos de Tesoura sem o toque ou o tique do Tim Burton, mas com as casa e passeios certinhos e a tranquilidade do isolamento entre montanhas e estradas e serviços. O concerto, apesar de ser na noite de Halloween, é uma espécie de antecâmara para o dia seguinte, Dia dos Mortos, em Los Angeles, no mítico Roxy em plena Sunset Boulevard. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É já nesta gigantesca avenida, à porta do Guitar Centre (um dos maiores do mundo) que acordo com a triste e profunda notícia da morte do António Sérgio (descanse em paz). É triste receber notícias assim e a impotência da distância alarga o horizonte dessa tristeza. Pouco posso fazer do que enviar os nossos respeitos a quem sempre lhe há de querer bem. O António Sérgio conquistou, pela voz e pelo amor inteligente pela música, a sua imortalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atravesso a estrada para um pequeno almoço de omeleta e fruta (aqui nesta avenida tudo é famoso até este grill de quatro ou cinco mesas) e passo o resto da manhã a comprar banda desenhada, incluindo a nova aventura 3D do Clive Barker, Seduth. Alguns dólares depois é tempo de subir ao Roxy e lá está, beneficiar do status que Los Angeles têm para dar (partilhar a mesa com a ex-actriz porno Jasmine que telefona ao seu ex-colega Ron Jeremy, mesmo ao meu lado, e com a sua nova conquista o algo desalentado e atordoado Mustis (ex- Dimmu bogir, tantos exs caramba!, no sim,sim, sim mítico Rainbow; ser cumprimentado por toda a gente, conhecida ou menos; trocar algumas palavras com o Kannon dos míticos, esses sim, Hirax e respirar aquele ar de rock stardom que o Rainbow e as suas histórias têm em definitivo, tivemos uma boa mesa, passámos um bom bocado)~; mas também o reverso da medalha, a atitude de quem já viu tudo ( o pessoal técnico do Roxy teve de ser posto em sentido pelos tugas!!!) e a quem não interessa nada. E não interessa, o concerto é brutal, sala quase cheia (se fosse hoje o halloween, e não o domingo da ressaca…) mas ao rubro, com a nossa maquiadora/fã Morgan, numa azáfama para nos pôr…hmmm…como personagens deste Dia dos Mortos, passado a tocar com todo privilégio de estarmos vivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por entre os sacos da Hustler, da Guitar Centre, da excitação de L.A. Lá partimos para o país real, e as próximas datas até ao Texas são tranquilas, mais pequenas, com um cancelamento à mistura (crise e má promoção) que nos traz um bem vindo dia de folga (a voz agradece) e nos permite reequilibrar as contas da nossa cabeça e resistência, enfrentando o Texas, os seus pássaros agressivos (eu e o Venice fomos atacados por um pardal furioso que nos conseguiu fazer mudar de mesa) e as suas amazonas texanas num final feliz de uma tour Norte Americana, dura mas eficaz, que nos permitiu tornar-nos uma banda melhor, mais consciente do nosso valor mas também das dificuldades que todas as bandas passam na perseguição do sonho que nos alimenta desde a origem: tocar e encantar. Haver culto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como sabem em poucas horas estamos novamente em palco, num renovado Café Iguana no México, cheio que nem um ovo de serpente, para o primeiro banho de multidão no México, para a primeira das reacções apaixonadas da América que é mesmo Latina. Em rota para uma das minhas cidades preferidas (cidade do México) penso nisto tudo, nesta vertigem de milhas e milhas e esqueço com profundidade as injustições e omissões que nos fazem no nosso país (lista do Blitz por exemplo) e lamentamos que mais bandas não saiam como nós fazemos, não pela quimera da internacionalização, mas sim porque a distância nos permite estar mais connosco, com a nossa música, com o nosso trabalho. Não estamos em casa a teorizar listas e ódios de estimação. Tal como muitos bandas estamos a trabalhar e a ganhar fã por fã, tostão por tostão. A feira de merchandise pirata de Moonspell fora da venue Circo Volador e mais de duas mil pessoas a cantar em uníssono e em PORTUGUÊS o refrão da Alma Mater vale muito mais a capa do Blitz que nunca havemos de ter ou o respeito dos despeitados da Imprensa que mete os Buraka ou algum do fado exportado num lugar que não têm, mas que os Moonspell têm. Basta ir ao youtube e comprovar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A América Latina, apesar dos Sheratons e das enchentes, têm o seu darkside e temo um encontro com este, infelizmente, na terra natal do nosso baixista Aires, em Valencia, Venezuela. Um país que vive uma ditadura de isolamento, em que as pessoas se sentem excepcionais por fazerem parte de algo “superior” ao capitalismo ocidental, mas que na verdade para comer um hamburger no Burger King se paga 20 euros, onde te tiram os cigarros por serem narcóticos, onde te olham com tudo menos respeito, onde te tiram as impressões digitais pelo simples facto de trocar dolares por bolivares (fortes). A juntar a isto fica a mudança não avisada para uma sala pequena (um auditório) onde quase 800 pessoas se aglomeram num espaço de 300 e poucas, ficando gente de fora, a espreitar de bilhete pago pela entrada da porta e um promotor que não toma conta de nós, nem nos paga na totalidade. Sabendo que uma banda volta sempre, ficamos contentes em apanhar o avião para a grande revelação surpresa da tour: Quito, Equador. Não antes sem passar pela Colômbia, em menos de 24 horas, arrancando (apesar dos problemas técnicos do video) em Bogotá, uma reacção fantástica de mais de um milhar de pessoas que nos vão ver e nos acolhem como uma banda grande, que há onze anos não viam e que sublinharam veemente que não vão deixar passar mais onze anos sem que lá voltemos!!! Gracias Bogotá!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sem antes (ainda no capitulo venezuela) enviarmos um abraço aos fãs sacrificados da Venezuela que se multiplicam em desculpas no myspace, quando se não fossem eles nada teria fazer sentido, estas provações seriam terríveis, e também uma palavra ao grande Alfredo Escalante (ídolo da rádio e do rock na Venezuela, uma das poucas pessoas no mundo que entrevistou o grande Freddie Mercury, por exemplo, ídolo da juventude do nosso Don Aires, Alfredo que faz a viagem de Caracas a Valencia para apresentar o nosso concerto, trazendo-me à memória o nosso António Sérgio, pela sua importância e até fisionomia, lerei com todo o gosto a tua biografia Alfredo!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Quito, o dia começa bem, e a noite acaba melhor num convívio com fãs. Somos recebidos no aeroporto com uma bandeira Moonspell e as gentes que enchem o clube (mais pequeno que Bogotá) mas a rebentar pelas costuras dão-nos provas de que o Equador é um país no caminho da simplicidade e depois das confusões todas essa é uma excelente notícia. Que grande país e que grande noite! Aos Tiamat ainda acontece o desagradável do gás pimenta lançado por um fã mais excitado mas quando subo ao palco para cantar com eles a Sleeping Beauty a nuvem já não está lá, apenas a paixão de muitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou tomar agora uma banho, devorar a club sandwich daqui deste Sheraton de Santiago e preparar-me para a noite chilena. Afinal recebi um telefonema do Mike a dizer que temos de começar a tempo por causa das autoridades, que o promotor vendeu muitos, mas muitos bilhetes e que nada se pode atrasar e que me “vou passar com o sitio”. Vamos a isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://s129.photobucket.com/albums/p220/fernandomoon/?action=view&amp;current=PIC_0232.jpg" target="_blank"&gt;&lt;img src="http://i129.photobucket.com/albums/p220/fernandomoon/PIC_0232.jpg" border="0" alt="Photobucket"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://s129.photobucket.com/albums/p220/fernandomoon/?action=view&amp;current=PIC_0224.jpg" target="_blank"&gt;&lt;img src="http://i129.photobucket.com/albums/p220/fernandomoon/PIC_0224.jpg" border="0" alt="Photobucket"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://s129.photobucket.com/albums/p220/fernandomoon/?action=view&amp;current=PIC_0305.jpg" target="_blank"&gt;&lt;img src="http://i129.photobucket.com/albums/p220/fernandomoon/PIC_0305.jpg" border="0" alt="Photobucket"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://s129.photobucket.com/albums/p220/fernandomoon/?action=view&amp;current=PIC_0355.jpg" target="_blank"&gt;&lt;img src="http://i129.photobucket.com/albums/p220/fernandomoon/PIC_0355.jpg" border="0" alt="Photobucket"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://s129.photobucket.com/albums/p220/fernandomoon/?action=view&amp;current=PIC_0369.jpg" target="_blank"&gt;&lt;img src="http://i129.photobucket.com/albums/p220/fernandomoon/PIC_0369.jpg" border="0" alt="Photobucket"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1046236902026556368-4215154692831863595?l=loudspectator.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://loudspectator.blogspot.com/feeds/4215154692831863595/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1046236902026556368&amp;postID=4215154692831863595&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/4215154692831863595'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/4215154692831863595'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://loudspectator.blogspot.com/2009/11/america-parte-iii.html' title='America parte III'/><author><name>The Eternal Spectator</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00321387098754660424</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/SZbtOjbBTaI/AAAAAAAAABU/H4f5h14KMmI/S220/moonspell_1.JPG'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1046236902026556368.post-4485008051582947782</id><published>2009-10-31T00:49:00.003Z</published><updated>2009-10-31T01:04:08.638Z</updated><title type='text'>Tour USA parte 2</title><content type='html'>Semana 2&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nosso comandante Pedro Venâncio, aka Venice, diz-nos até já. Foi uma semana bem passada, desde Atlanta, um break na sua rotina dourada dos hotéis de cinco estrelas e de comida a horas, acolhido pelo sorriso mais sentido, quase adolescente do nosso amigo dos ares, que nos faz recuperar a magia daquele charme sujo do estilo de vida Rock, que, por vezes, esquecemos no meio da ansiedade de que as condições nos façam justiça. Ter um comandante da TAP a carregar as nossas caixas e instrumentos, a pôr as nossas águas e toalhas a jeito no palco, dormindo no back lounge do autocarro, a partilhar pizza fria e café, não é para todos. Significa que não há melhor status que a amizade. Obrigado Venice. See you in Frisco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há que nos determos sobre esta particularidade dos EUA. As condições são duras, a crise, aqui e ali, afecta algumas vendas de bilhetes mas há no fim deste arco-íris, por vezes negro, algo que reluz. Os já muitos amigos que temos nos EUA tornam a nossa vida mais fácil quase sempre, e equilibram o que de negativo possa haver nesta rotina de doidos. Ou o nosso amigo Tony Mecha, Brooklyn, NY, com os seus presentes e hospitalidade e verdadeira amizade, que vem de longe, dos seus tempos do mítico L’amour e amizade mútua Peter Steele e Type O, reforçada pelas últimas férias em Lisboa, connosco; não olvidando o bom americano, o Mark Creevy de Chicago que nos enche o autocarro de Samuel Adams, octoberfest, provavelmente a melhor cerveja do (novo) mundo e nos satisfaz o capricho das compras electrónicas; ao americo/brasileiro Robert Archie, também já com uma passagem em Lisboa no seu currículo, que para além de todo o vinho californiano e cabaz gourmet, ainda nos desenrasca junto ao consulado brasileiro em S.Francisco no calvário dos vistos temporários de entretainers, exigido burocraticamente pelas autoridades do pais irmão, não sem o seu quê de irónico já que estaremos por lá menos de 48 horas, diferente do facilitismo português em situações mais e por bastantes vezes menos idênticas. A amizade e a hospitalidade mima-nos e permite-nos momentos de qualidade no mais absurdo ou sujo dos sítios. Agradecidos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje é Seattle, que dispensa apresentações musicais. O clube é o Studio Seven/Showbox, mítico e sujo como quase todas as salas de aspecto bem grunge da sua capital e berço. Todas as salas tem bandas a tocar, a ensaiar, a dar no duro, umas mais acertadamente que outras mas criando um ambiente que nos coloca perante o privilégio de não sermos nós fechados no local de ensaio, mas sim a fechar a noite em palco, num dos concertos mais esperados da digressão, graças à estupenda reacção da última passagem por aqui em Novembro último com Danzig e Dimmu Borgir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até cá chegarmos estivemos três vezes no Canadá, com Vancouver a rivalizar em beleza, modernidade e adesão do público/tratamento da banda com as melhores salas Europeias e com a visita do aniversariante John Gonçalves (The Gift) companheiro destas e de outras andanças. Uma semana antes, Montreal, a confirmar sempre a regra de um dos melhores concertos das tours Norte Americanas, apesar do episódio, infelizmente not on tape, entre Don Aires e a polícia local.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Aires tem as suas dificuldades com a porta do autocarro, em especial à noite, onde todos os gatos são pardos, e a seu quid pro quo com a entrada da sua casa sobre rodas, chama a atenção dos vizinhos que prontamente evocam a segurança máxima da cidade de Montreal. O vosso escriba já dorme o sono dos justos mas sente as pancadas nas paredes de alerta da policia. Mas, habituado às confusões da estrada, limito-me a virar a cabeça para o outro lado do travesseiro, deixando ao Pedro (Paixão) o papel de narrador, salvador da situação e testemunha da revista (de perna aberta) a Don Aires e ao seu diálogo com a autoridade que termina em boa disposição, iluminado pelas sirenes dos cinco carros da polícia que responderam à chamada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguimos para o Mod Club em Toronto, um sítio fantástico, situado no quarteirão Português. Há Sumol (manga infelizmente) e água das Pedras no frigorifico do camarim e tudo adiciona a um dia não só muito produtivo e passado, à portuguesa, no café da esquina e uma noite bem passada, protegida pelos murais com versos camonianos e o seu busto em mármore, na entrada do clube. Os dois dias que se seguem são, esperadamente, os mais fracos e mais duros da tour, Cleveland numa Segunda Feira não é fácil e Detroit numa terça não destoa. Apesar do pitoresco Rock de Detroit, a crise nesta cidade que já foi a capital mundial do automóvel, sente-se nas ruas abandonadas e Cleveland é tranquilo sempre, para não dizer aborrecido. Chicago salva a semana e prova-se outra vez como a cidade talismã (com NY) para Moonspell e cuja fidelidade do público, a grande comunidade polaca desta cidade ajuda, será a maior do território Norte Americano, apesar da competição feroz da California cujas pré-vendas são as melhores da tour. E o clima primaveril já se deseja depois dos frios do Noroeste Americano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O único senão de Chicago é o concerto ter lugar num sports bar daqueles dos filmes onde as pessoas se encontram para ver a final da Super Bowl (futebol americano) o que retira ambiente ao concerto embora a canja de galinha ao fim compense. O quarteirão de Kansas City, embora não Português,é de todo agradável e o Riot Room, pequeno mas com estilo de grande. O público hispânico toma conta do concerto, e nós temos de tomar conta deles, o entusiasmo tem destas coisas. O Mike tatua uma rosas roxas “across the street” e o Sábado à noite transforma as ruas nume festa de filmes, com carros conduzidos por afro-americanos, cheios de lcds laterais, a picarem-se nas estradas e miúdas bem vestidas mas mal bebidas a fazerem drama nas ruas, entre os três Portugueses (o nosso grupo) que comem os cachorros quentes e nocturnos antes de partirem rumo ao Velho Oeste, direcção Colorado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cabaret Cervantes, sic, revela-nos uma pequena mas verdadeiramente entusiasta audiência que fica até ao fim nesta noite fria de Domingo, passada entre lattes, skype e sestas. Também nos revela que nem todos os promotores tentam o seu máximo, e a promoção de 5 dias apenas não ajuda ao milagre apesar do concerto pequeno ter sabido a grande. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As próximas 24 horas, com pausas fisiológicas, são passadas numa viagem de doidos desde Denver a Vancouver, Canadá (vejam no mapa) adicionando mais umas boas centenas de quilómetros (2 milhares aliás, um Lisboa-Zurich num dia)  à rodagem da banda, e os filmes repetidos no sinal de satélite (mais de 600 canais ao nosso dispor, medo…) que quebram a inflação de tédio que faz os quilómetros esticarem pela estrada do tempo fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite da viagem acaba num diner, com um pequeno-almoço de panquecas, ovos e bacon bem saboreado e o desejado (e prévio) banho quente nos hospitaleiros e enormes quatros do Holiday Inn Express.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vem aí a Califórnia, vem aí o Texas. Vem aí a odisseia Latino Americana. Cacahuentes, el gran espirito del oso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://s129.photobucket.com/albums/p220/fernandomoon/?action=view&amp;current=PIC_0117.jpg" target="_blank"&gt;&lt;img src="http://i129.photobucket.com/albums/p220/fernandomoon/PIC_0117.jpg" border="0" alt="Photobucket"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://s129.photobucket.com/albums/p220/fernandomoon/?action=view&amp;current=indeedweare.jpg" target="_blank"&gt;&lt;img src="http://i129.photobucket.com/albums/p220/fernandomoon/indeedweare.jpg" border="0" alt="Photobucket"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://s129.photobucket.com/albums/p220/fernandomoon/?action=view&amp;current=PIC_0170.jpg" target="_blank"&gt;&lt;img src="http://i129.photobucket.com/albums/p220/fernandomoon/PIC_0170.jpg" border="0" alt="Photobucket"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://s129.photobucket.com/albums/p220/fernandomoon/?action=view&amp;current=PIC_0183.jpg" target="_blank"&gt;&lt;img src="http://i129.photobucket.com/albums/p220/fernandomoon/PIC_0183.jpg" border="0" alt="Photobucket"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://s129.photobucket.com/albums/p220/fernandomoon/?action=view&amp;current=PIC_0136.jpg" target="_blank"&gt;&lt;img src="http://i129.photobucket.com/albums/p220/fernandomoon/PIC_0136.jpg" border="0" alt="Photobucket"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1046236902026556368-4485008051582947782?l=loudspectator.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://loudspectator.blogspot.com/feeds/4485008051582947782/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1046236902026556368&amp;postID=4485008051582947782&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/4485008051582947782'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/4485008051582947782'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://loudspectator.blogspot.com/2009/10/tour-usa-parte-2.html' title='Tour USA parte 2'/><author><name>The Eternal Spectator</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00321387098754660424</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/SZbtOjbBTaI/AAAAAAAAABU/H4f5h14KMmI/S220/moonspell_1.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1046236902026556368.post-6050076865340850066</id><published>2009-10-28T00:31:00.002Z</published><updated>2009-10-28T00:39:11.644Z</updated><title type='text'>Tour USA parte 1</title><content type='html'>Semana 1&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arrancar de Lisboa com toda esta bagagem de concertos dos (Amália) Hoje, seguidos do warm up/see you soon no Hard Rock Café em Lisboa, é pesado, mas não me/nos faz pagar excesso. Os voos para Tampa são neutros, desprovidos do efeito Venice, mas chega-se bem à humidade quente da Florida. O autocarro está atrasado duas horas mas é a regra aceite por todos entre cigarros e cafés do Starbucks e as quase 24 horas acordados, com a calma que nos caracteriza. Afinal a estrada dura há 14 anos exactos e provavelmente metade destes foram passados à espera de alguma coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite e a manhã são passadas dentro do autocarro numa estação de serviço e começam as hostilidades gastronómicas do all day breakfast, no festim possível de panquecas, ovos, bacon, e sentar cá fora, no lancil da estrada interior, à sombra deste terrível Sol. Em cinco minutos já está um vagabundo das estradas a polir as jantes do autocarro por 5 doláres cada uma, duas mulheres de mau aspecto (white trash) num carro enorme simulando convites para algo mais que uma pergunta inocente, e um rapaz backpacker a oferecer-nos o seu trabalho na estrada como técnico. A América é assim, empreendedora, a todos os níveis, mesmo ao mais baixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tarde do concerto passa-se na esplanada entre PBR’s (Pabst Blue Ribbon, a melhor cerveja dos estates) e um charuto dominicano (devido ao embargo, não há cubanos). À noite a luta começa, os fãs aparecem e o feitiço faz-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tampa, Florida; Atlanta, Georgia (recebidos pela grande Jarboe/Swans) num clube nas traseiras de uma casa assombrada, tipo a da saudosa Feira Popular o já mítico Jaxx, Springfield, com uma excelente e entusiasta casa, a compor o ambiente Roadhouse (Patrick Swayze, rip), e a noite concluída com Jagerbombs (vodka e jagermeister); e a passagem penosa pela Allentown, no estado da Pensilvânia, com os fãs de Moonspell e nós próprios a ter que esperarmos pela actuação de doze bandas, divididas em duas salas, antes de entrarmos em palco. Com um PA em mono (sem crossfade, mesmo mono, isto é, “só dava dum lado”) e arrancar aplausos aos fãs que resistiram todinhos lá, estóicos ao barulho e ao calor, premiados nós ainda com um cabaz de Halloween (miniaturas de bebidas, whisky, vodka, rum, copinhos de shot, caraemlos, chupas, bolachinhas, tudo no tema dark) que bom proveito nos fez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isto a preparar-nos para uma noite gloriosa no BB Kings de New York City, sala cheia, nome nos néon de Times Square, catering de primeira linha, tudo o que Nova Iorque pode oferecer a uma banda Portuguesa que ponha, a todos o mesmo tempo, o brilho no olhar do jovem emigrante que trouxe a camisola da selecção vestida e veio ouvir a Alma Mater, ao hispânico que atravessou a cidade para ouvir a banda que já viu no seu país Natal, México, Colômbia ou ao fã nova Iorquino que compra o bilhete VIP a 50 dólares, vê o concerto sentado com um cocktail, recebe um poster autografado e respectiva palheta personalizada e conhece a banda pessoalmente. Status. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://s129.photobucket.com/albums/p220/fernandomoon/?action=view&amp;current=moonspellintimessquare.jpg" target="_blank"&gt;&lt;img src="http://i129.photobucket.com/albums/p220/fernandomoon/moonspellintimessquare.jpg" border="0" alt="Photobucket"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://s129.photobucket.com/albums/p220/fernandomoon/?action=view&amp;current=laundrybible.jpg" target="_blank"&gt;&lt;img src="http://i129.photobucket.com/albums/p220/fernandomoon/laundrybible.jpg" border="0" alt="Photobucket"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://s129.photobucket.com/albums/p220/fernandomoon/?action=view&amp;current=moongirlies.jpg" target="_blank"&gt;&lt;img src="http://i129.photobucket.com/albums/p220/fernandomoon/moongirlies.jpg" border="0" alt="Photobucket"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1046236902026556368-6050076865340850066?l=loudspectator.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://loudspectator.blogspot.com/feeds/6050076865340850066/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1046236902026556368&amp;postID=6050076865340850066&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/6050076865340850066'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/6050076865340850066'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://loudspectator.blogspot.com/2009/10/tour-usa-parte-1.html' title='Tour USA parte 1'/><author><name>The Eternal Spectator</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00321387098754660424</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/SZbtOjbBTaI/AAAAAAAAABU/H4f5h14KMmI/S220/moonspell_1.JPG'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1046236902026556368.post-9119112695629599184</id><published>2009-07-17T18:01:00.003+01:00</published><updated>2009-07-17T19:26:26.327+01:00</updated><title type='text'>"os criadores são meninos que andam a entregar recados dos Deuses."-José Mário Branco</title><content type='html'>Nunca usei, nem gosto da palavra bloggar, ou blogar. Parece-me uma meia palavra, assim como os blogs me parecem meias-coisas. Meias-casas; meias-ideias; meias-conclusões; meias-leituras. Este blog, com o seu ritmo próprio, refém voluntarioso do ritmo do meu trabalho e da minha mudança, também ele é meio. Metade de uma coluna mensal na Loud!, metade que me permite extravasar aquilo que não cabe no conceito e nos àvaros 3000 caracteres que me são dados com generosidade pelo editor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em todo o caso, blogo quase em directo duma conferência sobre Arte e Música. Ao meu lado encontra-se talvez a pessoa com o discurso e a mentalidade mais completa e profunda de toda a música Portuguesa, entendida como cena e manifestação. Essa pessoa é o José Mário Branco que me acabou de revelar na sua intervenção verdades observadas com a astúcia e a inteligência de quem sabe sentir e que sente o que sabe. Resta agradecer. Algumas ideias: o objecto artistico estar fora do sujeito e resultar de um encontro entre este e quem os ouve e a frase magnifica, até fora de contexto, "os criadores são meninos que andam a entregar recados dos Deuses."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás,na minha suspeita opinião, a intervenção das pessoas ligadas à música teve o condão de aquecer as intervenções mais académicas e umbilicais das pessoas da Arte Contemporânea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para efeitos de consulta aqui vos transcrevo a minha intervenção escrita, perdendo-se a oralidade e a dinâmica da mesma:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Como convidado tenho sempre o péssimo hábito (para  além de ler as minhas intervenções) de não compreender totalmente na sua exactidão orgânica o tema e os títulos dos debates, conferências, comunicações. Não o faço por mal, nem quero de forma alguma demonstrar ingratidão ou desrespeito pelas pessoas que disponbilizaram tempo a pensar em como condensar as ideias a debater numa expressão ainda por cima tão sonante e interessante como a que hoje nos reúne aqui: politica, valor, criação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta particularidade minha nasce de uma divisão básica que faço para a vida e para a Arte e que serve duplamente para quando a arte imita a vida ou a vida imita a arte. Aliás, a palavra criação é tão destes dois âmbitos, que talvez seja o melhor dos elos verbais possíveis entre elas. A divisão a que me refiro é entre o essencial e o acessório, o criativo e o comunicado, o profundo e o periférico. Nem sempre esta divisão tem um valor qualitativo de nobreza. Como artista nascido para aquilo que faço nos finais de 80, atravessando em tempo real algumas das modificações mais importantes para o paradigma da música e sua comunicação (gravar em fita, gravar em digital, internet, concertos) sei da importância do pensar global quando se é um artista e de como um artista moderno acumula funções (agente, divulgador, estratega). O que, na verdade, quero dizer é que neste trinómio a criação será sempre a causa, a politica que eu entendo como comunicação de influência, artística e comercial; e o valor enquanto resultado misto da criação e da comunicação será sempre sua consequência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Defendo uma ideia porque não romântica da criação, de o criador se deixar inebriar pela observação e consequente transformação interior dessa observação  em objecto criativo e comunicável. Digo isto porque muitas vezes leio entrevistas e desabafos de músicos em piloto automático com o seu conceito mas preocupados se a rádio irá passar os seus temas, ou se a televisão lhe abrirá as portas. Há espaço para essas preocupações legitimas desde que não retirem o espaço ao amor pela criação, amor que nos leva ao extremo dos cuidados e das intenções quasi épicas para com a nossa obra.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como última ideia, gostaria até de defender que podemos aliar esse romantismo à comunicação da nossa obra (edições especiais, ideias, metal brunch) e não saindo do nosso conceito comunicado, fazer uma exposição comercial mais equilibrada com a nossa criação feita com a consciência de causa e não como acessório à divulgação de algo. É esta simplicidade que defendo para os Moonspell."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até breve!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1046236902026556368-9119112695629599184?l=loudspectator.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://loudspectator.blogspot.com/feeds/9119112695629599184/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1046236902026556368&amp;postID=9119112695629599184&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/9119112695629599184'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/9119112695629599184'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://loudspectator.blogspot.com/2009/07/os-criadores-sao-meninos-que-andam.html' title='&quot;os criadores são meninos que andam a entregar recados dos Deuses.&quot;-José Mário Branco'/><author><name>The Eternal Spectator</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00321387098754660424</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/SZbtOjbBTaI/AAAAAAAAABU/H4f5h14KMmI/S220/moonspell_1.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1046236902026556368.post-4062220633558293398</id><published>2009-06-17T12:33:00.002+01:00</published><updated>2009-06-17T15:58:56.575+01:00</updated><title type='text'>Show your ass, pack your stuff</title><content type='html'>A janela do nosso camarim em Durbuy, Bélgica, dá cá para fora para o palco "secundário" onde as tarefas dificeis dor Rock estão em plena actividade, no cruzamento entre as bancas de merchandise e bijuteria alternativa, o omnipresente hot dog e o cair do dia, excitando a noite. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tocam, naquele presente momento, uma banda cujo nome esqueci. O estilo é aquele rock com um pé no betinho, Orange amplifier, com atitude punk, tipo o vocalista a descer até à meia centena de pessoas e dançar com elas, beijar a miúda gorda com os dreadlocks coloridos. Conseguida a reacção, volta ao palco, e brinca com guitarras, cabos, e mostra o cu, em apoteose Rock. Esta banda amanhã, provavelmente, estará a vender muitos discos na América e a aparecer, ao vivo, no Conen'o'Brien&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passado mais uma banda no palco principal (New Model Army, yeah!)e entra outra banda e esta sim lembro-me do nome Peter Pan Raging Speedhorn, rock, metal com muito Motorhead e atitude. Os nossos amigos dos quais não me lembro do nome, já arrumaram, já estão a distribuir flyers, a caminho da carrinha em direcção ao horizonte. Um caso, mais outro de Show your ass, pack your stuff.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que é bonito: é que nada há de decadente neste mostrar e arrumar. Cada vez me fascina mais o sonho do rock, o compromisso sobre o qual falei na última coluna da Loud!para o atingir, compromisso esse que não significa cedência mas, pelo contrário, a luta comprometida (ai, as palavras!!!)para conseguir, e, passo a passo, no verdadeiro sentido da estrada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso sei que, apesar dos pesadelos ocasioniais, eu sou nada mais que um privilegiado e trabalhar todos os dias e estar a compor todos os dias por muito estranho ou exagerado que pareça, é em absoluto normal. Privilégios não se discutem, honram-se. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É num e de um intervalo de um ensaio para o Hellfest (sim já tocámos milhares de vezes estas canções) que vos escrevo. Está um calor terrível, mas não se compara ao calor interior que é estar a noite toda acordado a descobrir novos mundos dentro do nosso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1046236902026556368-4062220633558293398?l=loudspectator.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://loudspectator.blogspot.com/feeds/4062220633558293398/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1046236902026556368&amp;postID=4062220633558293398&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/4062220633558293398'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/4062220633558293398'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://loudspectator.blogspot.com/2009/06/show-your-ass-pack-your-stuff.html' title='Show your ass, pack your stuff'/><author><name>The Eternal Spectator</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00321387098754660424</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/SZbtOjbBTaI/AAAAAAAAABU/H4f5h14KMmI/S220/moonspell_1.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1046236902026556368.post-4062564165614831</id><published>2009-05-30T22:42:00.002+01:00</published><updated>2009-05-31T20:07:07.188+01:00</updated><title type='text'>Federação Ibérica, não gracias!!!</title><content type='html'>De vez em quando, não há mesmo tempo dentro da cabeça e os sentimentos que a invadem também precisam de alguma protecção. Por isso apesar do meu coração estar noutro dos sítios, hoje prefiro falar de alguma coisa que não seja dele e aqui chegamos ao tema deste post "retrasado":&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Federação Ibérica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não quero!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito se tem falado deste assunto nestes últimos tempos tendo pessoas que admiro tanto, como António Lobo Antunes, se pronunciado a favor desta ideia, tendo, obviamente a sua teia de razões. Não me pretendo arvorar em defensor da pátria mas o cansaço da nossa "impossibilidade" de país, cansa-me. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um facto que a nossa classe política e decisória é, na sua maioria, medíocre e desperançada. Exemplos abundam, infestam as àguas. Como é possível, por exemplo, concorrer a um cargo de deputado Europeu em simultaneidade com um cargo autárquico ^(Elisa Ferreira, Porto)? Esta papice custa e o povo, anestesiado, não deixará de castigar a pouca vergonha e o mísero tacto. Como é possível que o CDS Nuno Melo vá ser enfiado em Bruxelas, quando é uma voz inteligente e carismática no parlamento? Outros exemplos haveria, mas apetece avançar. Estamos conversados e conformados, mas será Portugal só quem manda e quem esquece?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu historiador preferido (A.H.Oliveira Marques)diz que Portugal é um acidente geográfico. Que não existe, na Europa do seu tempo, não do nosso, um país com independência física perante um colosso (Espanha)como este nosso canto. Isso não me deprime, anima-me. Á boca pequena da História fala-se de razões. Conde D.Henrique de Borgonha, "ligações templárias", rouba o Porto (gal) a Espanha. D.Dinis, um século depois, concretiza o pinhal (madeira para as caravelas, parece um livro de Dan Brown, mas não é especulação pior ainda, para verificar de onde vem o trauma da nossa impossibilidade: da nossa radical origem. Porque somos país então? Por interesse visionário, por preseverança, porque Espanha deixa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Federação Ibérica é fruto do ressentimento que todos temos contra o nosso país e que não conseguimos resolver de modo algum. É o capitular, a desistência e ao assumir que o nosso país nunca, historicamente, teve muito sentido. É o gasóleo mais barato em Espanha, é o viver melhor, é a prestação e é a relva mais verde no quintal do nosso vizinho. Ás vezes parece-me que as pessoas que o dizem nunca foram à Espanha, melhor às "Espanhas" que os reis católicos forçaram juntas e que assobiam ao hino e não o acompanham em Bilbao. Portugal, até no exercício político de ser uma provincia Ibérica, nunca seria a Catalunha. Não por nos faltar identidade, mas por ela divergir, e como, dos nossos vizinhos geográficos. Já encontrei mais semelhanças com Gregos do que com Espanhóis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não levem para o caminho errado, adoro Espanha, porque é Espanha e pelo seu tamanho consegue, muitas vezes, ser mais nação que nós. Porque talvez ninguém questione tanto o seu direito a ser nação e a ser, manta de retalhos ou país, o direito a ser. É mau e terrível deixar o ressentimento falar. Sim, este é o país Cronos, devorador dos seus filhos, mas mesmo assim um país com voz própria e atitudes, mesmo deploráveis, que eu nunca encontrei em parte alguma do mundo. Lembra-me a África do maginfico livro de Obama Dreams from my father, a propósito de uma refeição na casa de uma historiadora no Quénia: "Olhem para a refeição de peixe que comemos (...) muita gente vos dirá que os Luo são um povo que só comia peixe, bem é verdade mas só os que viviam ao pé do lago(...) antes de assentarem, eram pastores como os Masai.(...)os quenianos orgulham-se do seu chá mas adquirimos este hábito dos Ingleses. Os nossos antepassados não beberiam tal coisa. E os molhos usados no peixe vêm da Índia ou da Indonésia. Vêem? Esta nesta refeição não encontrarão o autêntico que os jovens negros americanos buscam em África- embora a refeição seja genuinamente Africana."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É nesta autencidade, neste invisivel cheiro a terra de país, nesta mistura pós produzida numa nação que nos temos, hoje e sempre, de concentrar. Porque não estamos aqui por acaso, porque não gostamos do país só pelas suas qualidades mas que temos de aprender a lidar com força com as suas contigências e horrores, tal como fazemos, ou deviamos fazer com as pessoas. Porque não podemos deixar o ressentimento falar mais alto que nós. Porque usar um crachá de Portugal não é usar uma suástica (e mesmo que o fosse, a suástica era um símbolo de paz e movimento até ser invertido por homens, os nazis, que não tinham noção de nação mas sim de um mundo robótico e perversamente feito à imagem da sua fraqueza, eram políticos, não viviam nas ruas). Porque faz sentido termos chegado aqui e não podermos desistir e nos vendermos ao gasóleo mais barato, à ideia de uma Califórnia espanhola, à ideia de que os homens de cultura serão em Espanha melhor tratados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portugal pode ser um país de asnos mas será sempre um país. Leiam o final da Ilustre Cas de Ramires, que o Eça sabe melhor que todos nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Post scriptum: A única Ibéria que quero ver e ouvir são os IBÉRIA 6 de Junho na Moita no In Live Café. BE THERE!!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1046236902026556368-4062564165614831?l=loudspectator.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://loudspectator.blogspot.com/feeds/4062564165614831/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1046236902026556368&amp;postID=4062564165614831&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/4062564165614831'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/4062564165614831'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://loudspectator.blogspot.com/2009/05/federacao-iberica-nao-gracias.html' title='Federação Ibérica, não gracias!!!'/><author><name>The Eternal Spectator</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00321387098754660424</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/SZbtOjbBTaI/AAAAAAAAABU/H4f5h14KMmI/S220/moonspell_1.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1046236902026556368.post-6537685876107812429</id><published>2009-04-25T14:18:00.003+01:00</published><updated>2009-04-25T15:41:49.714+01:00</updated><title type='text'>Alguns dias de dor para outros de Rock</title><content type='html'>É oficial. Estamos na estrada outra vez e a primeira semana foi lenta a passar. As mensagens sucedem-se no meu telefone: bem-vindo à Bélgica,à Alemanha,à Rep.Checa, à Polónia, à Bielorrúsia, à Polónia outra vez, à Eslováquia,à Roménia, a já nem sei onde na confusão dos dias com as noites e das noites com o dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou no meio de uma das músicas quando sinto. Em baixo, do lado esquerdo, região lombar, a dor. Aguda, ciática, como um pequeno e depois grande choque eléctrico, para cima nas costas, para baixo na perna. No meio do calor, por baixo das roupas, dos acessórios, da comunhão com o público de Varsóvia, uma pequena vertigem. No camarim, o contentamento de outra grande noite, quando se arrefece a preocupação. Sem nada à mão, apenas um creme. Passa outro dia, a dor aumenta but the show must go on. As noites são mais duras, as estradas do Leste impiedosas nas suas curvas e alturas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha primeira sessão de fisioterapia/massagem é surreal. Passa-se na Eslováquia, uma massagista de meia idade, loura oxigenada, tipo mulher almodovar mas de Leste. Num estúdio chamado Relax, mobilado a Ikea, contrastando com cor e o estilo próprio, já familiar na nossas mentes, do rigor prático do edificio, ginásio onde tocamos em Bratislava. Surreal porque eu sem falar uma palavra de checo, ela sem falar uma palavra de Inglês, exemplificando como eu me devia virar, durante uma hora e tal, até que finaliza e o baterista de Cradle (Martin) serve de tradutor para as más noticias: um disco da coluna desviado, prisão do nervo ciático. Chamadas sucedem-se e opiniões também: chamamos um quiropata, metemos uma cinta, estalamos as costas. A decisão vem de mim: fico assim, faço a fisioterapia possível, as massagens possíveis e avanço com uma consulta no especialista em Portugal, raios X e depois sim a terapia que tiver de seguir. Agradeço à senhora que me oferece a massagem e uma cinta fabulosa, que me endireita e põe no sítio, roubando espaço à postura errada e permitindo passar os concertos a fazer, com alguma confessa cautela, aquilo que sinto, que é reagir ao nosso som, às suas ondas, sombras e luzes como se a dor não estivesse lá e não se libertasse até, traiçoeira, durante o sono, fazendo-me dar um grito mudo quando posição no beliche é outra ou quando a confiança dos cremes, dos alongamentos e massagens do Mike, me possibilita fruir a tour outra vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passou quase uma semana, a dor está lá à espera. Ontem em Belgrado, Sérvia, outra massagem, suave, melhores noticias, um tempo espetacular, um concerto intenso. Volta o Rock com a dor mas estou preparado para engolir quilómetros, dar gritos mudos, beber pouco, andar muito embora mais devagar, sabendo que a dor nos acorda para a realidade dos nossos corpos limitados mas que também torna cada concerto, cada conquista, cada "a sério? tens isso nas costas não reparei em nada!" mais saboroso, ajudando a pender a balança e o equilibrio de forma mais justa, tanto para as noites e dias de Rock, como para a sua irmã Dor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1046236902026556368-6537685876107812429?l=loudspectator.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://loudspectator.blogspot.com/feeds/6537685876107812429/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1046236902026556368&amp;postID=6537685876107812429&amp;isPopup=true' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/6537685876107812429'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/6537685876107812429'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://loudspectator.blogspot.com/2009/04/alguns-dias-de-dor-para-outros-de-rock.html' title='Alguns dias de dor para outros de Rock'/><author><name>The Eternal Spectator</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00321387098754660424</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/SZbtOjbBTaI/AAAAAAAAABU/H4f5h14KMmI/S220/moonspell_1.JPG'/></author><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1046236902026556368.post-3612183584682253323</id><published>2009-04-03T16:10:00.004+01:00</published><updated>2009-04-03T17:02:40.768+01:00</updated><title type='text'>A crise dá trabalho</title><content type='html'>Gosto de escrever aqui quando estou exausto e mais ou menos no fim das forças, farto de lutar mais contra mentalidades do que contra improbabilidades, porque esse cansaço é como que uma certeza, uma garantia e uma assinatura. Uma revelação se quiserem que tanto me frustra como me anima, um pouco, salvem-se as comparações, como saber do paradeiro de uma pessoa desaparecida mesmo quando a nótícia não é a melhor. Daqui a pouco começa o descanso, cai o Sol, mas nesse mesmo descanso a inquietação e uma certa vigilância subsistem porque essenciais a quem quer viver da melhor das formas possíveis e, por isso, trabalhar para o garantir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Notícias públicas e privadas mas do foro profissional conduzem-me ao assunto de hoje. Leio no Correio da Manhã que pelo menos um milhar de artistas recorrem ao subsidio de emergência da SPA (Sociedade Portuguesa de Autores, da qual não sou membro), 70% músicos. À noticia acrescentam-se declarações dramáticas do seu Presidente, José Jorge Letria. Do outro lado, na minha inbox, faltam as respostas que quero e eu, teimoso, persigo-as mas sem muito resultados, queimando desde o plano A até ao plano Z e descobrindo, irritado, que nem todo depende das minhas horas ao ecrã (escrever na luz, como diz o meu amigo JL Peixoto, sem dúvida, feliz por escrever e esperar coisas bem melhores)e que o mar de Sines lá fora terá de esperar pelo mail, pela chamada, pela urgência dos que não têm urgência. Depois entra o pensamento: mas será que sou eu que não consigo desligar. Bem, já lá vamos.O tempo voa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre me chamou a atenção o factor humano das crises. Apesar de tantas as perspectivas a considerar, a verdade é que somos vítimas e culpados da mesma. Vítimas porque vivemos as consequências directas, não os políticos que as causam pois até o seu andar e o seu comer é pago por nós, por isso políticos a falar da crise é como eu a falar da fome em África depois de ter almoçado há meras horas; e culpados porque não sabemos imaginar as saídas apenas lamentando a falta delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo uma mantinha em promoção na montra de uma loja de brindes e louças e entro na loja para tentar comprá-la. Cumprimento os empregados e peço o que quero. Dizem-me que está ali em baixo, mas eu não encontro aquela que quero, aquele padrão. Está na montra, podem ir buscá-la, por favor? Não, dá muito trabalho tirar aquela (a mais gira, a que eu quero!!!) da montra. Que faço eu? Viro as costas, mãos vazias, menos dinheiro na caixa da loja, boa tarde, a rua outra vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda no artigo do CM, procura revelar-se uma realidade dramática. Como a compreendo! Entre 1999 e 2000, pouco mais do que 50 euros tinha para me "governar" após as contas pagas, mas em vez de recorrer ao subsídio, recorri à poupança extrema e à imaginação voluntariosa, chateando meio mundo pela subsistência, minha e do meu projecto, conseguindo marcar 3 concertos em Portugal logo depois de o nosso agente Inglês me ter dito que era impossível. Tudo bem, não foi. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É verdade que a ignorância dos nossos governantes é aguda. Que lhes passa ao lado e pela frente o fenómeno do turismo cultural e que preferm fazer um novo Museu dos Coches em vez de dinamizarem opções menos caras e mais interessantes para todos os backpackers da cultura que enchem aos magotes a Saatchi em Londres (com pessoal alternativo a distribuir flyers pelas ruas como um produto, promoção). Quando despejamos as amostras de perfume e os flyers dos restaurantes indianos na reciclagem, aperta-se-me o coração, nem um flyer de um museu, lá distantes, no pedestal, tipo manta na montra da loja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, e sempre mas, das primeiras coisas que passa pela cabeça dos nossos artistas é o subsidio, a ajuda e, como artista, tenho sempre dúvidas, que infelizmente, quase sempre se confirmam, se esses nossos artistas, já esgotaram todas as hipóteses, antes de estender a mão. Quer-me parecer que não. E porquê? Porque é mais dificil. Não vou falar do teatro aqui. É uma arte que respeito muito e à qual entendo o mecenato, nem sempre bem distribuido e nem sempre bem gasto, mas falo sobre o pudor quase generalizado em juntar a essa arte uma lógica comercial, que é boa no sentido do retorno e da fidelização de público que vindo, legitima e faz da lógica da distância artista-objecto-público aquilo que ela é: trapeira, trapaceira, absurda. Quando se recebe o mesmo todos os anos não interessa na realidade se se tem duas, vinte ou duzentas pessoas num espetáculo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na música, essas unidades contam a valer. Por isso, antes da ajuda, existe a fase da invenção, pensar em nós enquanto criadores e na multiplicidade dessas criações e as saídas que elas nos possam dar para a nossa subsistência. Atenção, não falo de fazer tudo, mas muito mais de procurar o equilibrio entre a arte e a sua venda, percorrendo evidências e nebulosas, sabendo que somos o nosso próprio produto e vendedor e fazê-lo com brio, distinção e ver as coisas a acontecerem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso dos Moonspell eu sou letrista e cantor mas faço produção executiva, merchandise, promoção, marketing, arranjo vistos para a Bielorússia quando já toda a gente desistiu, e não porque sou melhor que os , mas porque tento muitas vezes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É essa a nuance: acho verdadeiramente que o mundo dos artistas não se divide só em qualidade e não qualidade mas que o factor do trabalho é quase tão determinante quanto o do talento e da paciência, saber percorrer caminhos, mesmo de rastos e não dar logo a mão ao primeiro estranho que nos aparece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este subsidio de emergência tem aliás uma lógica perversa: se é retirado dos direitos de autor e pressupondo que esses artistas não tenho dinheiro para viver, já não os geram, não será perigoso gastar reservas de outros artistas que os geram? Quando for para pagar a estes, o que acontecerá?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este post resulta também de alguma observação empírica. Sempre fui o artista que chegava de Fiesta com 80.000 discos vendidos a encontros e concertos onde artistas com vendas e rendimentos menores chegavam com carros de alta cilindrada. Sempre vivi num T1 modesto perante as vivendas. Esperei o meu tempo, a minha estabilidade e consegui dar passos certos, no carro, na habitação, na vida e não via essa sensatez em praticamente ninguém. A crise também é resultado dessa inconsciência. Disso não tenho dúvidas. A necessidade aguça o engenho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora vou esperar que as férias dos outros terminem, que os cerebros saiam da geleia, e que o tempo que perdi hoje não seja adicionado ao tempo em que os outros preguiçaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A luta continua e nós temos a chave única. Não se esqueçam dela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1046236902026556368-3612183584682253323?l=loudspectator.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://loudspectator.blogspot.com/feeds/3612183584682253323/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1046236902026556368&amp;postID=3612183584682253323&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/3612183584682253323'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/3612183584682253323'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://loudspectator.blogspot.com/2009/04/crise-da-trabalho.html' title='A crise dá trabalho'/><author><name>The Eternal Spectator</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00321387098754660424</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/SZbtOjbBTaI/AAAAAAAAABU/H4f5h14KMmI/S220/moonspell_1.JPG'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1046236902026556368.post-429250509525733385</id><published>2009-03-25T14:57:00.000Z</published><updated>2009-03-25T14:58:33.428Z</updated><title type='text'>Megafest</title><content type='html'>Fez ontem exactamente uma semana que aconteceu o Priestfest no Pavilhão Atlântico, como uma espécie de aquecimento para o Verão que se avizinha, com visitas promissoras (Slipknot, Lamb of God, Mastodon),  e regressos que temos de esperar para ver como correm, bem como algumas presenças vibrantes em cartazes mais Underground que se já fidelizaram não tantos como desejariam pelo menos em sede própria e com alguma justiça, vão crescendo aos poucos. Como disse, o Verão aproxima-se e vão-se anunciando os cartazes, que para além da costumeira demora em se definirem ainda não chegam, e é verdade, ao faustoso cartaz de um Hellfest ou de um Metalway (este ano, para já, superiores ao Wacken) para quem deseja mais e mais, ou ao cartazes mais sólidos de festivais Europeus que se consolidam sem muitas queixas ano após ano, isto para os festivais mais pequenos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É natural, e toda a gente sabe, que estamos em Portugal mas o que escapa, por muitas vezes, e quem viaja como amante de música ou “em trabalho” não me desmentirá que assistimos por vezes , entre portas, ao fenómeno estranho de que cartazes bem mais fracos e baratos do que alguns cartazes Europeus reúnem muito mais gente à sua volta (e não só exponencialmente) do que o Hellfest em que todas as bandas tocam (é difícil dizer uma que não estará lá este ano!) ou no Metalway, na vizinha Espanha, desenhados para as 25.000 ou 40.000 pessoas e que comparados com o cartaz do Alive! (um dia de Metal) proporcionalmente teriam mais gente, mas não! É um fenómeno curioso este mas apesar da crise as pessoas vão, as 6000 e tal pessoas do Priestfest foram das maiores audiências desta tour, e dá que pensar como se comportariam os fãs de Metal em Portugal se lhes servissem o banquete do Hellfest em vez da refeição sólida mas só de um dia do Rock in Rio (50.000 pessoas), Alive (30.000) ou SBSR (15.000 com Maiden, mais gente ainda com Metallica).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tour Cradle of Filth/Moonspell/Turisas também não passará por cá. Ao que sei os promotores consideram cara e arriscada, a tour deste estilo que mais esgotou salas na Europa o ano passado (a outra foi Opeth, apesar de serem salas mais pequenas a que estes tocavam) e tão bom resultado teve que merece uma segunda parte passando por países (como Bielorussia, Rep.Checa, Itália, Sérvia, Roménia Eslováquia,etc.) que vivem com bem mais dificuldades que Portugal mas que mesmo assim, assumem o risco de nos ter lá e ao que se sabe com sucesso já nas pré-vendas. A última vez que Cradle e Moon tocaram juntos em Portugal, traduziu-se apenas em dois Coliseus cheios, coisa insuficiente para todos os promotores que, ao que parece, continuam a preferir o lamento ao risco, os festivais por toda a parte com 250 a 400 pessoas a assistirem, indiferentes à ideia de se juntarem uns poucos e fazerem algo maior, indiferentes ao fenómeno da adição de todas essas pessoas num evento único que, muita gente já me confessou, em pessoa, fazer falta a Portugal porque indo a Madrid esta tour, os Portugueses se sentem esquecidos…Mais fome mesmo que fartura sem o retorno necessário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas voltando à noite da semana passada. Devo atalhar por dizer que saí todas as noites nessa semana. Segunda, copos tranquilos com a crew e a manager dos Megadeth (de tarde o Ricardo e o Mike mostravam as delicias culinárias e paisagísticas de Cascais a Dave Mustaine e Chuck Billy e seus pares, Ricardo incrédulo por no seu carro se sentarem estes dois últimos); Terça, Atlântico; Quarta, Hard Rock (esgotado pela primeira vez!); Quinta, família; Sexta, Metropolis; Sábado, Apocalypse e amigos. Ufff. Daí o meu “retiro” na bela e completa cidade de Sines (de onde escrevo) que cada vez me encanta mais, pela beleza, pela comida, pelos amigos, pela mistura industrial com litoral, por ser a casa do nosso Cirque de Soleil (Teatro do Mar) e por tudo o mais que só sentido, contado não tem graça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a semana passada, vi um concerto belíssimo dos Testament, com o som um pouco faltoso, típico da primeira banda de um festival, mas com uma garra e um contacto com o público que mais que compensaram esta ou aquela fugida do PA, e claro, não desfazendo em ninguém, com Paul Bostaph, portentoso como nenhum outro. No fim, vi Priest, oscilante, excelente som, um bocadinho a mais de  theatrics , alguns momentos mortos com os temas mais recentes, muitos delays na Voz, mas, para além disso, toda a cultura Metal (até demais, em certos pontos) mas digno de ver e aplaudir, sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não, não me esqueci dos Megadeth. Nem podia já que a noite foi deles. Um metaleiro gosta, sempre, de coisas em grande, mesmo que o pé fuja para a bota. E os Megadeth foram exímios em dar um concerto BIG, tipo Monsters of Rock, mesmo em recinto fechado. Tudo contribuiu para isso: o palco simples e magnético, com a rack de bateria central , a parede de Marshalls, o pano só com o logotipo.  As cores, pouco mais que o preto e o metalizado, muito, muito clean. O alinhamento, a pose, até um bocadinho a mais, os solos do novo guitarrista (Chris Broderick) que tão boa conta deu deles, os ventos nos cabelos de Dave Mustaine, a pouca mas eficaz conversa do mesmo, o momento altíssimo de quando tudo pára e segundos depois se canta o refrão do A tout le monde, o trautear gigantesco do riff de Symphony, um dos melhores de sempre do Metal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, tudo foi grande, até mais BIG que grande. Aquele sentido de palco, distante mas próximo, sempre a puxar, de quem já foi talvez uma das maiores figuras do Metal e que não se esqueceu de tal. E com concertos destes não deixará ninguém esquecê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho dito, não foi BIG, foi MEGA.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1046236902026556368-429250509525733385?l=loudspectator.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://loudspectator.blogspot.com/feeds/429250509525733385/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1046236902026556368&amp;postID=429250509525733385&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/429250509525733385'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/429250509525733385'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://loudspectator.blogspot.com/2009/03/megafest.html' title='Megafest'/><author><name>The Eternal Spectator</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00321387098754660424</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/SZbtOjbBTaI/AAAAAAAAABU/H4f5h14KMmI/S220/moonspell_1.JPG'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1046236902026556368.post-2285671031081857550</id><published>2009-03-13T09:58:00.005Z</published><updated>2009-03-13T10:26:42.332Z</updated><title type='text'>Falhar melhor</title><content type='html'>Ontem foi um dia de alguma raiva pequenina, sentimento que é comum nestes e noutros dias que correram e que nos faz a dizer à boca pequena ou grande o quanto o nosso país falha, coitado do país, essa ideia e local e vibração, que embora defina os Portugueses, não os pode animar ao pormenor, na relação directa entre o pai que educa e forma e o filho que faz disso o que pode e o que quer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vale a pena estar a referir o atendimento negligente, o rol enrolado de desculpas, o factor humano da crise, cada vez mais pronunciado, a ausência de ideias e com ela a ausência de esperança. O que vale a pena mencionar é o que não é feito e isso passa mais pelo que não foi feito, não em termos de acção, mas porventura de intenção, na relação directa daquilo que fica por dizer numa conversa, mas que soa tão alto; naquilo que fica por escrever num livro, mas que nos marca os sentidos; naquilo que fica por filmar num filme, mas que é o melhor dos presentes à retina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi Samuel Beckett, dramaturgo e escritor Irlandês (Nobel em 1969)que cunhou esta expressão &lt;em&gt;falhar melhor&lt;/em&gt; que no teatro justifica as quedas sucessivas, as brancas choradas pela noite dentro, o enfiar da personagem na confusão da pele e da alma, a maldição de ir fazendo sem o resultado que se espera. O teatro imita a vida, é como um concentrado da mesma, os grandes autores lambiam o dorso da vida de cima abaixo, pela frente, por trás e apresentavam-nos, mesmo na negação da mesma e da sua arte, essa vida em palco, na rua, nos bares, nas caves clandestinas. As famílias russas de Tchekóv, os loucos de Danill Harmas,o primeiro suspiro de Beckett, as zangas animalescas de poder e sexo de Sófocles, que são elas senão documentos da mais pura das vidas: a que se vive em pleno sol ou absoluta treva?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando à terra ingrata, não sei se vos acontece mas o que é deprimente é mesmo a consciência absoluta de que não fazemos mais porque não queremos, que não apanhamos a caneta do chão porque nos temos de dobrar mais uns centímetros, que passamos mais uma hora na cama em vez de nos levantarmos para estarmos na vida activa, que embora trabalhemos numa empresa que representa clientes façamos de conta que o problema não é nosso, que a representação é uma miragem burocrática, que o conseguir dá muito trabalho e que esse muito trabalho é, muito mais do que queremos admitir, muitas vezes apenas um sorriso, apenas levantarmos o cu da cadeira, menos uns minutos de televisão, menos um clique à direita. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque cada vez mais observo e penso e sinto: a crise em Portugal é só uma questão de segundos, de centímetros, do brio magoado de um país em berço de ouro negro dos escravos, de pessoas preocupadas em deixarem passar as horas através do nada quando as podiam preencher com o tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para a semana temos os Priest para lamber as feridas com electricidade. Até lá não é contar os minutos, mas fazer com que estes contem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1046236902026556368-2285671031081857550?l=loudspectator.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://loudspectator.blogspot.com/feeds/2285671031081857550/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1046236902026556368&amp;postID=2285671031081857550&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/2285671031081857550'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/2285671031081857550'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://loudspectator.blogspot.com/2009/03/falhar-melhor.html' title='Falhar melhor'/><author><name>The Eternal Spectator</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00321387098754660424</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/SZbtOjbBTaI/AAAAAAAAABU/H4f5h14KMmI/S220/moonspell_1.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1046236902026556368.post-6016693017348040307</id><published>2009-03-05T19:13:00.003Z</published><updated>2009-03-05T21:00:52.554Z</updated><title type='text'>Haja Saúde</title><content type='html'>&lt;em&gt;Eu juro, por Apolo, médico, por Esculápio, Higéia e Panacéia, e tomo por testemunhas todos os deuses e todas as deusas, cumprir, segundo meu poder e minha razão, a promessa que se segue:...&lt;/em&gt; (ínicio do Juramento de Hipocrates)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da Justiça para a Saúde, este blog arrisca-se a tornar-se outro muro de lamentações e contra-resposta,por isso há que dar a volta e contar uma história bem mais agradavel e curiosa com o seu quê de lição e tomada de posição própria, como não podia deixar de ser...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui operado a um lipoma na testa. Nada de especial, uma pequena cirurgia plástica com a sua razoável mas não intensa "convalescença", mas que como todas as operações nos deixa assim entre o esquisito, o piegas e o verdadeiramente abalado. Cheguei ao hospital meia hora antes da hora marcada (15.00)e entrei por volta das 15.30. Estava ao telefone com o nosso manager e fui salvo pelo gongo clínico. Designaram-me um pequeno cacifo e vesti-me com aquela roupa meio descartável dos hospitais. Compreendo e aceito sem espinhas os motivos higénicos desta farpela mas sem deixar de assinalar claro a total perda de personalidade que aquela toucazinha, o riscado do casaco apijamado e o chinelo que rompe à primeira unhada, trazem consigo. Brincos e anéis fora claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, nada de grave, tal como o que ali me levava. Passemos aos timings:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- última refeição: 12.30&lt;br /&gt;- entrada na secretaria da cirurgia ambulatória: 14.30&lt;br /&gt;- entrada na ante-sala da cirurgia ambulatória: 15.30&lt;br /&gt;- hora de operação: apx 18.30&lt;br /&gt;- tempo de operação: apx 15-20 minutos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem quiexume algum porque sei que o Português tem a tendência para o hipocondriaco e para o protesto de bolso (por tudo e por nada) até porque duas destas horas de espera são perfeitamente justificáveis até pela ordem e quantidade de cirurgias que se têm de fazer nas duas ou três salas disponíveis. As duas outras horas não têm assim muita explicação e contribuem para o desespero ligeiro, para a fome que começa a apertar e, por vezes, as deambulações do pessoal auxiliar e dos enfermeiros traçam órbitas que nos testam a paciência e nos colocam questões sem final feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta espera desespera foi tornada terrível porque o inevitável senhor mais velho,passada a primeira meia hora de espera,repetiu a cada cinco minutos que se ia embora, que não se admitia, que as enfermeiras (ele não lhe chamou as enfermeiras)não trabalhavam, rematando com perguntas directas (a mim que tentava não ouvir) se eu era calmo, concluindo com um seminal "o amigo disse que era uma pessoa calma, não foi?"- "foi..." " o amigo não é calmo, o amigo é um santo!" desculpe... com certeza não foi um elogio...Relatou-me todas as suas operações, quistos, rim, dores. Protestou. Andou de um lado para o outro.Passou à minha frente no fim. A ordem é de chegada. Quem não chora...mas não me importei, deveras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois lá fui para dentro não sem antes ouvir um ringtone da Luna e ver que nas poucas revistas na rack se encontrava o nºda Visão que nos acompanhou a Belgrado, aquando da gravação dos videos da Scoprion e da Night Eternal. Estaria a alucinar? Seria da fome?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrei na sala, um bocado abalado da espera e de todo aquele aparato, Fiz-me á cama, levei a pica na testa e lá fui eu mesmo sem a reacção nervosa, ao cuidado da anestesia, pareceu-me tudo uma lobotomia, o penso na cabeça, a abertura para o alvo/lipoma à lâmina do bisturi, a sensação do corte, da excisão, do mexerem-me quase dentro da cabeça. Enfim, não foi agradável, sem ser doloroso, e sei que estou a ser piegas mas em nome da verdade. Senti-me mal, quebra de tensão-provavelmente-, levei logo a boca da enfermeira de serviço de que os homens são sempre muito mais susceptíveis que as mulheres "a estas coisas" (para quando o fim destas comparações? para mim são, foram e sempre serão o sexo forte)ok, manobra de munique (pelo menos o que ouvi)efectuada, cabeça para baixo, mais irrigação e lá continuei acordado durante aqueles longos minutos. O cirurgião puxa conversa: o que faz, ai é músico, o que toca e voilá chegamos aos Moonspell! O enfermeiro que assiste: o quê é o Fernando Ribeiro? E assim nos conhecemos numa mesa de operações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida dá estas voltas invulgares mas recupero a minha identidade depois de um santal de pêra e dois pacotes de bolacha Maria dando uns autografos ao Emanuel (se a memória não me falha). Quando lá voltar para o resultado anatómico do corno (como já toda gente carinhosamente o tratava)a ver se não me esqueço do poster autografado!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1046236902026556368-6016693017348040307?l=loudspectator.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://loudspectator.blogspot.com/feeds/6016693017348040307/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1046236902026556368&amp;postID=6016693017348040307&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/6016693017348040307'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/6016693017348040307'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://loudspectator.blogspot.com/2009/03/haja-saude.html' title='Haja Saúde'/><author><name>The Eternal Spectator</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00321387098754660424</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/SZbtOjbBTaI/AAAAAAAAABU/H4f5h14KMmI/S220/moonspell_1.JPG'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1046236902026556368.post-381451510391491638</id><published>2009-02-27T15:14:00.005Z</published><updated>2009-02-27T18:25:22.632Z</updated><title type='text'>And justice for all (getting away with it)</title><content type='html'>Revolta pré-fim de semana talvez mas salta à vista de todos que a justiça no nosso país é apenas uma espécie de miragem habilidosa que alimenta uma casta de mentalidade e acção podre, contaminando e minando o ânimo de quem trabalha para o sonho sair da mente e caminhar alguns passos que seja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei bem que a generalização, essa espécie de globalização preconceituosa e de utilidade individualista é um caminho perigoso, mas o estado da justiça em Portugal dá a esse perigo uma "justiça" inesperada. Na justiça Portuguesa pode-se generalizar à vontade e pessoalizar só um bocadinho olhando, com fraca mas necessária esperança, para todos os funcionários, magistrados e pessoas com alguma competência e vontade de mudar mas que em nome e consciência própria sabem que são poucos e, talvez, inglórios os seus esforços e a sua seriedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este blog não é político: é humano. E não quero escrever para o Expresso nem sequer o título do post de hoje será uma referência a um grande disco dos Metallica. Escrevo como cidadão. Permito-me a isso sem obrigações estéticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já passaram alguns amargos anos sobre outros mais bem amargos em que os Moonspell estiveram envolvidos em vários processos judiciais contra o nosso ex-baixista que, depois de abandonar a banda, registou à nossa revelia o nome da mesma, bem como, ainda enquanto elemento dos Moonspell, tinha registado música e letras quer do disco Irreligious, quer do Sin/Pecado, disco para o qual nem sequer contribuiu ou gravou qualquer parte. As coisas foram resolvidas após quase 8 anos por acordo extra-judicial e concerteza o visado terá a sua versão, tal como nós temos a nossa, a que ficou registada na única vez em que todos nos sentámos nos bancos de um tribunal, num dos episódios mais tristes da nossa vida enquanto homens e músicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Facto é que apesar de tudo nós sempre mantivemos as nossas prioridades e convicções e a nossa discrição. Afinal, quem nos segue, quer é ouvir e sentir música e mensagem e coube-nos a nós gastar o dinheiro, o bem-estar, a vida necessária a não desitirmos do nosso sonho e a não nos calarmos, sem reacção perante a injustiça e a traição. Foi o que fizemos, sofrendo muitas vezes, em silêncio deixando a nossa música continuar a soar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De todo este longo e custoso processo destaco o facto de nunca nos termos sentado, como réus, num banco de tribunal e de todas as acções movidas contra nós (para nos impedir de tocar, sonhar, trabalhar e como tal, indirectamente, contra a "família" Moonspell)terem sido irremediavelmente perdidas pela outra parte e como tal nunca nos conseguiram parar! Durante este penoso processo existiram duas situações que ilustram na perfeição a generalização que assumo da justiça Portuguesa, seus meios e seus "protagonistas". Uma ocasião foi um inquérito com um magistrado a que tive de comparecer, uma espécie de pré-audiência para atestar da importância do caso e se chegaria ao tribunal. Fui atendido por um magistrado que tirava a caspa do cabelo com um lápis, com os olhos colados a um panfleto que anunciava um magusto próximo e que, propositadamente, se referia ao nome das nossas músicas de forma displicente, falhando o Inglês como se de uma língua menos nobre se tratasse. Aliás, a sua sobranceria era toda ela como se tratasse de um assunto menor chegando ao ponto de me perguntar o porque de tanta agitação e celeuma, afinal não se discutiam obras de Bethooven (deve ter sido o único compositor que lhe ocorreu)mas simplesmente canções de Rock and Roll. O escriba (Fernando como eu) digitava, incrédulo. Ao chegar a casa telefonei à nossa advogada para lhe dizer que esse juíz iria arquivar o caso. A Drª  não acreditou em mim, ou não quis acreditar, já que numa simples audiência é quase impossível chegar a essa conclusão. O facto é que este foi mesmo para arquivo dando razão à generalização de quem tem uma ideia pré-feita, um fim de tarde mau e uma preguiça do tamanho do atraso justiceiro. Também não é preciso cursar Direito para saber ler as pessoas, tal como o fiz desde que me sentei à frente daquele ignorante doutor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após um outro esforço financeiro e legal, levamos este caso a tribunal, onde toda a nossa matéria foi dada como provada tendo o réu sido, no entanto, absolvido ao abrigo de um convénio com a lei alemã (mais suave que a nossa na mesma àrea de jurisprudência)tendo nós chegado ao absurdo de uma "vitória" onde tudo aquilo que pretendiamos para desbloquear a situação e recuperar o que nos era legítimo nos foi negado por quem nos tinha dado toda a razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sobranceria continuava, afinal não eram mesmo obras de Beethoven, nem sequer um crimes relacionados com drogas, sexo ou finanças (mesmo que fossem, talvez o desfecho fosse o mesmo). Pois não, não era, era simplesmente a nossa vida, a nossa música, as nossas letras, o nosso nome, o nosso público, a nossa continuidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem e bem que a lei é pura interpetação. Pois, para mim, falta humanidade e seriedade nessas leituras, é esse todo o problema. As faculdades e os vícios da justiça criam autómatos, mais fiéis ao espirito da técnica do que ao da lei pois quando não se decide tendo em vista o equilibrio e a justiça social, talvez então a anarquia e o niilismo não sejam conceitos menos disparatados como ganhar um caso e ficar com o mesmo problema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E enquanto se puder mentir (ou desmemoriar), ofendendo a inteligência de todos, numa comissão de inquérito parlamentar e tudo ficar na mesma; enquanto se governar e decidir em tribunais eleitos a pensar em tudo menos em quem e no que se deve; enquanto não houver retorno, consequência ou castigo de quem erra, por leveza, nestas decisões então a justiça é só isso mesmo: habilidade para quem sabe empatar e dizer as "não-verdades" certas no tempo e no sítio certo; e miragem, à laia das palmeiras do Dubai, para quem tem dinheiro e conhecimentos (não adquiridos em sede de estudo) fazendo com o que o regime, em algumas coisas, mantenha a sua "antiguidade."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando é assim a revolta antes do fim de semana deve aparecer escrita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;post scriptum/curiosidade para desanuviar: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PRÉMIO DA CRÍTICA 2008&lt;br /&gt;A Associação Portuguesa de Críticos de Teatro atribuiu o Prémio da Crítica, relativo ao ano de 2008, a João Brites pela criação de Saga - Ópera extravagante.O júri foi constituído por Ana Pais, Constança Carvalho Homem, João Carneiro, Maria Helena Serôdio e Rui Pina Coelho.O mesmo júri decidiu ainda atribuir três Menções Especiais, respectivamente, à actriz Carla Galvão, ao encenador Miguel Loureiro, e ao encenador Nuno Cardoso.A cerimónia da entrega destes prémios realiza-se no próximo dia 23 de Março (segunda-feira), no Jardim de Inverno do Teatro Municipal São Luiz (Lisboa), às 19h, sendo livre a entrada. Para quem não sabe participei neste espectáculo na personagem Deus Pirata. Fico feliz por todos os que deram tudo neste espetáculo, elenco, o Bando, Banda da Armada, Jorge Salgueiro, a equipa técnica e todos quanto foram ver!!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1046236902026556368-381451510391491638?l=loudspectator.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://loudspectator.blogspot.com/feeds/381451510391491638/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1046236902026556368&amp;postID=381451510391491638&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/381451510391491638'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/381451510391491638'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://loudspectator.blogspot.com/2009/02/and-justice-for-all-getting-away-with.html' title='And justice for all (getting away with it)'/><author><name>The Eternal Spectator</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00321387098754660424</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/SZbtOjbBTaI/AAAAAAAAABU/H4f5h14KMmI/S220/moonspell_1.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1046236902026556368.post-9212712666248795309</id><published>2009-02-20T01:05:00.003Z</published><updated>2009-02-20T01:19:13.308Z</updated><title type='text'>Metal com classe</title><content type='html'>São estes os artigos que prefiro escrever na verdade. Relacionar o Metal com algo mais lato e universal, e verificar, muito mais que academicamente, o poder e a inteligência deste som que na sua idealidade tem estas características de que fala este artigo. Passo a citar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Metal com classe&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A comparação entre Metal e Música Clássica, mais vincadamente a sua ambição sinfónica e operática, menos a minimal ou a puramente antiga, sempre foi algo de muito próximo. Usada não só para ilustrar as linhas em comum, a nível de composição, arranjo e postura, esta aproximação muitas vezes serviu a quem de causa, como manobra de credibilização do Metal e da sua escuta intensa por tanta gente no mundo. Por isso é que ao lado dos clássicos se arrumam outros clássicos, sendo que Wagner, Mozart, Sibelius, Beethoven, Prokofiev e Mussorgsky surgiam sempre nas preferências dos metaleiros que praticavam o culto de ouvir música clássica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existiu ainda e continua a existir uma saudável relação entre os dois mundos. De respeito e de contaminação positiva que originou portentos como os Apocalyptica ou os My Dying Bride, e que se solidificou em projectos ambiciosos de ópera Metal como no caso dos Queensryche em Operation Mindcrime, ou, mais recentemente dos Avantasia, com tantos bons, e tantos maus, exemplos no miolo temporal. Os Metallica, nome cimeiro do Metal, chegaram até a editar um disco inteiro, gravado com a Sinfónica de S.Francisco, dirigida por ninguém mais do que o malogrado Michael Kamen (entre outras coisas, consta do seu palmarés a composição e a condução da banda sonora original de filmes como Brazil-Terry Giliam-, ou License to kill, da saga 007) . Consta-se que S&amp;M vendeu 2,5 milhões de cópias em todo o mundo, mostrando que a formula também resultava.  Por cá e, questionado pelo Correio da Manhã, o maestro António Vitorino de Almeida dizia (sic) que era como misturar “chantily com costeletas de borrego”. O Metal era, obviamente, a carne…Enquanto isso, os Kiss, gravavam um espectáculo ao vivo em que toda a orquestra usava a maquilhagem que os caracterizou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos aos 90 os Blasphemy (black metal Canadá) citavam A noite no Monte Calvo (Mussorgsky) como “a música mais maligna de sempre”; os Samael samplavam Ravel e o favorito Mussorgsky, os Therion compunham Theli e apostavam no registo das sopranos. A Filarmónica de Praga, encontra-se quase ao serviço do Metal, tendo trabalhado com bandas como Dimmu Borgir, Cradle of Filth ou Septic Flesh.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegados a esta nossa época, muito mais que um desprezo, sente-se ainda uma sobranceria que nos casos com cura se transforma em espanto e absorção da realidade estreita entre Metal e Clássico. Nos casos sem cura, os ouvidos e os olhos continuam fechados com o lacre do snobismo musical.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas temos razões para estar optimistas: o Teatro Nacional de S.Carlos, reduziu os preços dos bilhetes e aumentou o número de récitas, a Fundação Gulbenkian tem uma programação musical fabulosa este ano, a preços acessíveis. No Expresso de 8 de Setembro, o comentador político/social Henrique Raposo escreveu bem a propósito “E ao regressar à companhia do metal, volto a confirmar uma velha tese: a música clássica e o metal partilham a cadência (os tempos) e a trepidação (as intensidades). A orquestra dos penteadinhos e a banda dos guedelhudos não são dois planetas separados por uma galáxia de colcheias e semibreves. Muitos metaleiros desenvolvem um labor circular barroco; outros preferem a aceleração temporal do Romantismo. Para sentir isto, basta usar um cotonete para retirar os preconceitos dos tímpanos..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Mas a expressão mais perfeita que nos últimos tempos encontrei desta associação é o maestro Venezuelano Gustavo Dudamel. A forma como conduz a orquestra, a sua entrega, postura e proximidade, faz-nos um pouco sentir como se estivéssemos na presença de um verdadeiro frontman do Rock, que empresta uma imensa chama a uma mole sempre mais compenetrada e certinha. Não sei se o maestro Dudamel tem gostos roqueiros ou não, é provável que sim, já que o Heavy na América Latina continua a ser o estilo rock que mais gente abraça, mas a sua condução quase que inverte o título e o sentido deste artigo: também há Clássica com Metal.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Gustavo Dudamel é o resultado mais mediático do El sistema, um programa que formou milhares de jovens músicos na Venezuela, jovens esses que outrora tinham enveredado por uma vida de crime e violência e que a música, literalmente, salvou das ruas e deu um objectivo. Alguns desses músicos trabalham já em orquestras estrangeiras, ou permanecem na orquestra nacional Simon Bolívar que visitará o nosso país em Abril, na Gulbenkian. Gustavo Dudamel cancelou a sua primeira aparição este ano em Outubro por motivos de doença (o que me fez devolver os bilhetes que já tinha comprado) mas virá em Abril dirigir a sua orquestra de sempre: a do seu país. Existe ainda um DVD chamado The promise of Music que narra, na perfeição, esta história com final feliz.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O próximo artigo da Loud! seguirá esta linha,desta vez as relações com a Arte, algumas delas bem curiosas. Obrigado a todos pelos comentários e pelo encorajamento que me é importante. Como sabem eu modero os comentários e faço com que eles sigam as regras que aqui estipulei anteriormente. O Blog Spectator é um espaço aberto a contradição,opinião e discussão mas segundo moldes positivos. Aos haters e aos desabafos aconselho os foruns de conversação onde dão guarida a essa atitude, é como dizer quem não gosta de missa, não frequenta a igreja. Obrigado, bom fim-de-semana!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1046236902026556368-9212712666248795309?l=loudspectator.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://loudspectator.blogspot.com/feeds/9212712666248795309/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1046236902026556368&amp;postID=9212712666248795309&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/9212712666248795309'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/9212712666248795309'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://loudspectator.blogspot.com/2009/02/metal-com-classe.html' title='Metal com classe'/><author><name>The Eternal Spectator</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00321387098754660424</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/SZbtOjbBTaI/AAAAAAAAABU/H4f5h14KMmI/S220/moonspell_1.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1046236902026556368.post-2584731754816747329</id><published>2009-02-14T16:55:00.006Z</published><updated>2009-02-20T01:42:42.332Z</updated><title type='text'>Cuidado com Deus (ele anda ai)</title><content type='html'>Caros resistentes. Esta não é mais uma entrada a dizer que vou tentar voltar aqui. Ja cá estou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2009 trouxe-me um ínicio de ano agitado a nível pessoal e quase que cumpri apenas os mínimos em diversas ocasiões que se apresentaram. Estes mínimos não estão mal: continuei a colaboração com a Loud!; gravei um projecto um pouco fora do meu baralho sónico, do qual vos darei conta certa a seu tempo,mas que me trouxe confiança e sobretudo amigos verdadeiros; concertos com muito calor e garra em Guimarães e Grécia; e muitos momentos que me aproximaram da vida que há em todos os minutos dos quais destaco o concerto acústico do Danny Cavanaugh em Braga em Janeiro passado. Depois uma pausa mais ou menos forçado para uma pequena intervenção cirúrgica que me permitiu reflectir, ver coisas, passear, ler muito e escrever ainda mais. E como escrever é bola de neve e sangue aqui estou a aplacar, para já, alguma da minha sede e fome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro está que o objectivo de qualquer comunicação, até aos peixes, é reunir uma audiência, por isso se espalharem as novas e dizerem a um amigo que existem por aqui novas palavras e intenções, fico grato. Tão grato como por continuarem a ler estas palavras sem prazos. Digam também que o blog poético http://ocofreabertopoesia.blogspot.com/sofrerá idêntica intervenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de vos contar a peripécia de hoje, remeto-vos para o arquivo se quiserem recordar algo do que aqui já se publicou e aguardarem também pela publicação neste blog das minhas últimas crónicas na Loud! Farei isso para a semana que vem em simultâneo com a escrita do meu artigo novo na mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subia eu pelo sol acima da Rua do Carmo quando passa por mim um individuo com umas coisas na mão, tipo uns panfletos, ou umas tiras de papel. Não sei se vos acontece, mas já desenvolvi uma espécie de radar para as pessoas que me vão de algo modo chatear. Tive essa intuição. Felizmente muitas vezes me engano, mas não tantas quanto gostaria, por um lado é bom porque me afasto da paranóia de ser público, perder o anonimato ok, mas nunca ceder à prisão de não andar de metro ou sair à rua num dia de chuva ou de Sol, como hoje; mas mau também porque acertar neste caso não constitui victória, antes pelo contrário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece, então, que esse individuo também tinha um desses radares e sem mais nem ontem, sem bom dia ou boa tarde me disse: "Dá uma chance a Deus, pá! Deus existe pá", num tom pouco consentâneo com a "bondade" da mensagem. Ou talvez nem por isso se rebuscarmos toda a história da envagelização da humanidade que tem de tudo, menos de candura. Claro que o olhei nos olhos, mesmo que não goste na totalidade de fazer isso e nem identifique essa atitude somente com a coragem, e ele repetiu o mesmo oráculo. Sem parar (muito) porque nos fomos afastando, mas deu mesmo para ele ouvir,  apenas lhe disse,: "Qual é o teu problema, pá?". Sei que não é muito para quem estudou Filosofia da Religião e leu Feuerbach mas resolveu o problema, diluindo-se o olhar de algum ódio por entre os raios de Sol e a multidão consumidora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que fica é o atrevimento, não sei se me reconheceu como antropocentrista dedicado, ou pelo aspecto de quem não acredita "nessas coisas de Deus", mas o facto é que num país livre e laico, toda a gente tem direito à opinião ou, neste caso, à estupidez. Eu cá continuo a achar que se deve respeitar tanto a fé como a falta dela e que não se deve incomodar as pessoas na rua cheia de Sol com atitudes destas. O exercício da liberdade é feito com responsabilidade, quem o respeita, sabe disso. Bem sei que o exemplo "que vem de cima" de políticos e clérigos não é o melhor, mas, eu, pelo menos já parei de esperar por Godot, e sei que dessas fontes não há muito para aprender, na sua generalidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso pá: eu não dou uma chance a Deus. Não acredito nele e estou no meu direito de o fazer em pleno, sem perigo de maior, nem o de me cair um raio em cima, desde a Revolução Francesa. Já me bastava as pessoas que não param nas passadeiras e que protestam quando uma pessoa lhes aponta isso; o taxista que parou o carro para discutir código comigo e que disse que só não me ofendia, bem...porque eu era grande; o "pedinte" punk que acha que por eu ser músico tenho de sustentar a sua escolha de preguiça anarca (eu cá acredito no trabalho, desculpa); só faltava o envagelizador dos Sábados de manhã que me aponta a existência de Deus como os putos que desafiam os outros para andar à porrada no recreio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenham cuidado ateus, satanistas, ou pessoas ocupadas de si mesmas. Ele anda aí.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1046236902026556368-2584731754816747329?l=loudspectator.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://loudspectator.blogspot.com/feeds/2584731754816747329/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1046236902026556368&amp;postID=2584731754816747329&amp;isPopup=true' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/2584731754816747329'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/2584731754816747329'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://loudspectator.blogspot.com/2009/02/cuidado-com-deus-ele-anda-ai.html' title='Cuidado com Deus (ele anda ai)'/><author><name>The Eternal Spectator</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00321387098754660424</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/SZbtOjbBTaI/AAAAAAAAABU/H4f5h14KMmI/S220/moonspell_1.JPG'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1046236902026556368.post-253680740211349769</id><published>2008-06-14T13:45:00.005+01:00</published><updated>2008-06-17T14:13:26.049+01:00</updated><title type='text'>I am in the Opera!!!</title><content type='html'>Saudações a todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ópera SAGA estreia já na próxima Quinta Feira, dia 19 de Junho e as récitas prolongam-se até meados de Julho. Queria vos pedir ajuda para divulgação mas também vos convidar a todos a aparecerem neste espetáculo que se prevê grandioso e que não vai deixar niguém indiferente. Espero que correspondam em força a este grande desafio tal como eu o fiz (em cheio na boca do lobo, mate-se o lobo, como se diz na ópera!). Aqui vos deixo a informação disponível:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://s129.photobucket.com/albums/p220/fernandomoon/?action=view&amp;current=sagaPOSTER_700x1000-1.jpg" target="_blank"&gt;&lt;img src="http://i129.photobucket.com/albums/p220/fernandomoon/sagaPOSTER_700x1000-1.jpg" border="0" alt="Photobucket"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://s129.photobucket.com/albums/p220/fernandomoon/?action=view&amp;current=IMG_1405-2.jpg" target="_blank"&gt;&lt;img src="http://i129.photobucket.com/albums/p220/fernandomoon/IMG_1405-2.jpg" border="0" alt="Photobucket"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://s129.photobucket.com/albums/p220/fernandomoon/?action=view&amp;current=IMG_1345-2.jpg" target="_blank"&gt;&lt;img src="http://i129.photobucket.com/albums/p220/fernandomoon/IMG_1345-2.jpg" border="0" alt="Photobucket"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teatro o bando&lt;br /&gt;em co-produção com a Marinha&lt;br /&gt;Banda da Armada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SAGA&lt;br /&gt;ÓPERA EXTRAVAGANTE&lt;br /&gt;CANTORES LÍRICOS, POPULARES e HEAVY/ROCK&lt;br /&gt;Extravagant Opera with english subtitles&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;entrada pelo &lt;br /&gt;MUSEU DE MARINHA &lt;br /&gt;alas Poente e Norte do &lt;br /&gt;MOSTEIRO DOS JERÓNIMOS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;19 de Junho a 13 de Julho&lt;br /&gt;Quinta a Domingo às 21h30&lt;br /&gt;ESPECTÁCULO AO AR LIVRE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Texto SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN&lt;br /&gt;Dramaturgia e Encenação JOÃO BRITES Composição Musical JORGE SALGUEIRO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espaço Cénico JOÃO BRITES e RUI FRANCISCO Oralidade TERESA LIMA Corporalidade ALDARA BIZARRO Figurinos VERA CASTRO Adereços CLARA BENTO Maestro CARLOS DA SILVA RIBEIRO Orquestra BANDA DA ARMADA PORTUGUESA Actores ANA BRANDÃO Cantores FILIPA LOPES, INÊS MADEIRA, JOÃO SEBASTIÃO, ROSSANO GHIRA e SARA BELO (cantores líricos); FRANCISCO FANHAIS e CRISTINA RIBEIRO (cantores populares); FERNANDO RIBEIRO ou RUI SIDÓNIO (cantores heavy/rock) Bailarinos PEDRO RAMOS e SANDRA ROSADO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;uma criação TEATRO O BANDO&lt;br /&gt;em co-produção com a MARINHA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A SAGA – ópera extravagante é um estuário onde desaguam a poesia e a prosa de Sophia de Mello Breyner Andresen – onde flutuam os cânticos, emergem os gritos e viajam as palavras. Onde se contemplam as ondas recorrentes dos afectos e se escutam as histórias que invocam as aventuras passadas, cruzando os oceanos em que a memória navega e o tempo naufraga. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A SAGA – ópera extravagante é um mega-evento estival com encenação de João Brites, que terá lugar no Museu de Marinha (convidando também à redescoberta do amplo pátio interior do Museu, nas alas poente e norte dos Jerónimos) entre 19 de Junho e 13 de Julho. Característica singular de outros espectáculos deste grupo, a SAGA – ópera extravagante apresenta uma viagem pelas linguagens artísticas do teatro e da música, da dança e da poesia (estando a legendagem integrada dinamicamente na construção cénica).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A SAGA – ópera extravagante é uma ópera inédita com composição musical de Jorge Salgueiro que envolve cerca de 60 músicos e várias vozes muito distintas, cruzando cantores líricos (como Filipa Lopes, Inês Madeira e João Sebastião) com intérpretes ligados aos universos da música popular (como Francisco Fanhais) ou até mesmo do heavy/rock (como Fernando Ribeiro ou Rui Sidónio, vocalistas dos Moonspell e Bizarra Locomotiva, respectivamente).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A SAGA – ópera extravagante caminha “nos caminhos onde o tempo / como um monstro a si próprio se devora”, e ergue-se “da ordem e do silêncio do universo” para a “infinita liberdade”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bilhetes: 15 € / 12€&lt;br /&gt;Português | Legendagem em Inglês | M/6 anos&lt;br /&gt;Informações: Miguel Jesus | 212 336 850 | 916 092 236 | comunicacao@obando.pt&lt;br /&gt;Bilheteira: Centro Cultural de Belém | 213 612 444 | www.ccb.pt&lt;br /&gt;Bilhetes à venda: CCB | Lojas FNAC | Lojas Bliss | Lojas Worten | www.ticketline.pt&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Criação TEATRO O BANDO. Co-produção MARINHA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bilhetes: 15 € / 12€Português  Legendagem em Inglês  M/6 anos  Espectáculo ao ar livre  Aconselhamos o uso de roupas quentesBilheteira: Centro Cultural de Belém  213 612 444  &lt;a href="http://www.msplinks.com/MDFodHRwOi8vd3d3LmNjYi5wdA=="&gt;www.ccb.pt&lt;/a&gt;Bilhetes à venda: CCB  Lojas FNAC  Lojas Bliss  Lojas Worten  &lt;a href="http://www.ticketline.pt/"&gt;www.ticketline.pt&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais informação: www.obando.pt&lt;br /&gt;Descontos para grupos (9€ o bilhete), informação e reservas: 212336850, &lt;a href="mailto:comunicacao@obando.pt"&gt;comunicacao@obando.pt&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;bilhetes para profissionais do espetaculo: 6€&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Ribeiro datas de récitas:&lt;br /&gt;Junho: 19,21,22,26 &lt;br /&gt;Julho: 3,10,13&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nota: as outras récitas serão asseguradas pelo Sidónio dos Bizarra ( a não perder também!) e os bilhetes na hora estão à venda nas bilheteiras do CCB.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;opera rocks!!! obrigado pelo apoio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1046236902026556368-253680740211349769?l=loudspectator.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://loudspectator.blogspot.com/feeds/253680740211349769/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1046236902026556368&amp;postID=253680740211349769&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/253680740211349769'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/253680740211349769'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://loudspectator.blogspot.com/2008/06/i-am-in-opera.html' title='I am in the Opera!!!'/><author><name>The Eternal Spectator</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00321387098754660424</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/SZbtOjbBTaI/AAAAAAAAABU/H4f5h14KMmI/S220/moonspell_1.JPG'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1046236902026556368.post-788277923706780186</id><published>2008-06-13T14:10:00.003+01:00</published><updated>2008-06-17T12:18:17.046+01:00</updated><title type='text'>Com Rockers assim…(Parte II)</title><content type='html'>Mal refeito do furacão Rock in rio (num sentido mais bonito, espero eu, do que o atribuido à Yvette Sangalo), do estúpido cancelamento do concerto em Istanbul e dos ensaios diários para a a aventura operática (de que aqui farei em breve, descarada publicidade), rebusco este post, injecto novo seiva e parto para o outro. Vamos manter o ritmo. Já basta as minhas entradas fora dele na música...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há já algum tempo que fiz as “pazes” com o Hard Rock Café em Lisboa. Receberam como poucos os Moonspell, e aos nossos fãs, quer por ocasião do concerto do Halloween, no Coliseu, ao qual se associaram; como agora com a apresentação acústica e sessão de pré-escuta do disco novo, que foi uma noite muito bem passada, pela sua simplicidade e naturalidade, isto apesar do azar aquando da sua primeira data (cancelada).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Longe também vai o tempo em que lá ouvi os sujeitos do meu artigo e, apesar da acutilância desse post e da verdade que ele, para mim, encerrava, coisas houve, para além da simpatia do Hard Rock Café e seu staff que me fizeram mudar de opinião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuo, no entanto, acreditar que lugares devem seguir critérios, assim como paixões, e isto, para mim, em vez de ser uma limitação da liberdade é, sim, o exercício puro da mesma: saber crescer e seguir o sonho mediante aquilo que lhe dá substância. Ou seja Hard Rock equals Rock. Rockers também. Pelo menos, o mais possível, digo eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste grande período de ausência de posts sucessivos, tive a felicidade de ir a um belíssimo par de concertos que me fez constatar aquilo que a mim e a muitos me parecia impossível: um crescimento talentoso e sustentado por boa música e melhor atitude do Rock Nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encerro já um assunto: sim o Rock está na moda. O Punk também. O Metal, por vezes. Sim, há t-shirts de Maiden, Motorhead e Ramones na H&amp;amp;M, Misfits na Worten, e por aí fora. Tudo isso porque estas bandas e os seus ícones finalmente se tornaram ícones da cultura Pop, leia-se de massas, e são tão reconhecíveis com a lata Campbell’s do Warhol ou o logótipo da Coca-Cola. Aqui surgirá, claro, a velha questão do copo meio cheio ou meio vazio, mas quanto a mim nada tenho contra isto. Sei perfeitamente que dos milhares de t-shirts e pulsos que se venderem dos Ramones, apenas uma percentagem de talvez 10% irá mais longe que isso e se dedicará, de corpo e alma, como deve de ser a este estilo de música. Para esses 10% trabalhamos e trabalham a maioria das bandas, ideia contrária ao senso e discussão comum e complexada de quem se vende ou se deixa comprar na ideia do eterno juiz por detrás de um ecrã, onde todas as mulheres são bonitas e os homens justos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando a Portugal, tive a oportunidade de ir a concertos dos D30, a alguns dos Murdering Tripping Blues, Born a Lion, entre outros, isto só na área do Rock’n’Roll e de ouvir e contactar com a música dos Bunny Ranch (que banda!), Vicious Five, de uns putos magníficos de Barcelos (os Glockenwise!!! desculpem a mistura do nomes, influências da ópera...) que me deixaram desarmado e que ainda por cima não vêm sozinhos trazendo Barcelos a crescer dentro de si portentos metálicos e rockers que se tudo passar a correr bem como convém agora irão sublinhar ainda mais estes mais, muito mais que exemplos pontuais que me excitam perante a perspectiva do nascimento de uma cena Rock Portuguesa, que seja o que a cena Metal, e como me custa dizer isto (como metaleiro), nunca foi muito graças aos complexos, ao desleixo, à atitude “o meu concerto é maior que o teu porque não fiz checksound” (é soundcheck ou ensaio de som, já agora).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso deposito a minha esperança nestes bastardos todos, bastardos dos Tédio Boys (que na altura maluca deles chamavam aos Moonspell bichas satânicas), dos Capitão Fantasma, que partilhavam no Rockers I, do meu pessimismo, do Tiger Man, de todos que vivem um sonho americano em Portugal mas com uma diferença: tem toda a credibilidade e talento para o fazerem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu, Spectator, só tenho a aprender com isso e a sorrir com a atitude de miúdos e graúdos que não se intimidam com boquinhas, com faltas de som no palco, com falta de público, com falta de tudo mesmo, com uma alma do c……, que os faz explodir como supernovas mesmo que o palco e a sala mais se assemelhem a um tubo de ensaio do que ao universo. Isto vi eu. E assim o documento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1046236902026556368-788277923706780186?l=loudspectator.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://loudspectator.blogspot.com/feeds/788277923706780186/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1046236902026556368&amp;postID=788277923706780186&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/788277923706780186'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/788277923706780186'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://loudspectator.blogspot.com/2008/06/com-rockers-assimparte-ii.html' title='Com Rockers assim…(Parte II)'/><author><name>The Eternal Spectator</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00321387098754660424</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/SZbtOjbBTaI/AAAAAAAAABU/H4f5h14KMmI/S220/moonspell_1.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1046236902026556368.post-468581050108112911</id><published>2008-05-31T16:37:00.001+01:00</published><updated>2008-05-31T16:43:59.130+01:00</updated><title type='text'>Não consigo regressar</title><content type='html'>Por muito que tente, está difícil. Muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desculpem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vossa paciência esgota-se, o desinteresse cresce óbvio à ausência, o meu tempo esfuma-se minuto a minuto, sem queixume, espere-se, porque estou a fazer por mim como a vida manda mas com inegável cansaço porque corpo, alma e sangue tem limites, maiores e menores do que julgamos, mas nunca dentro das nossas ambições, expectativas e necessidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ideias não me tem faltado. Agora tempinho como este, com a Fashion TV (que BELO canal) ligada, sentado num banquinho que podia ser mais confortável num quarto dividido em São Petersburgo (que faz anos hoje!!!), Hotel Moscovo (!), Rússia, é que não tem abundado. Nem para consultar possíveis comentários e sentenças de morte. Não levem a mal, é a vida. Veloz. Voraz. Vivida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Moonspell estão de boa saúde. Não podiam deixar de estar. Quatro corações e cérebros instilam vida e ideia a cada minuto que passa. Outros corações e mentes se juntam às nossas nesta espécie de luta e gosto e entreajuda. Os olhos de sono da nossa equipa técnica brilham também, e isso não tem preço, nem sequer o cansaço que a todos domina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alheia a tudo isto, a questão continua, dominante e imperdoável. A ver como a podemos resolver já que me ocorrem para já duas coisas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Gostava de não ter de acabar ou de abandonar este blog, como fiz com o de poesia, um jardim de silvas um bocadinho deprimente mas que um dia não muito em breve, talvez, assim o temo, vou demolir e remodelar, plantando novas sementes e transladando raízes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Gostava que ele não tornasse uma série de posts sobre esta impossibilidade de regresso, como aliás verifico que têm sido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As minhas desculpas e os meus votos de melhoras a mim mesmo neste blog. E só há maneira de fazer uma coisa que é fazê-las, vamos tentar, para começar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até já :)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1046236902026556368-468581050108112911?l=loudspectator.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://loudspectator.blogspot.com/feeds/468581050108112911/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1046236902026556368&amp;postID=468581050108112911&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/468581050108112911'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/468581050108112911'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://loudspectator.blogspot.com/2008/05/no-consigo-regressar.html' title='Não consigo regressar'/><author><name>The Eternal Spectator</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00321387098754660424</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/SZbtOjbBTaI/AAAAAAAAABU/H4f5h14KMmI/S220/moonspell_1.JPG'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1046236902026556368.post-3185707193928237740</id><published>2008-03-20T19:42:00.002Z</published><updated>2008-03-20T20:12:55.985Z</updated><title type='text'>Back from the Dead</title><content type='html'>Belo título de Death Metal onde os videos ainda se filmavam em celeiros e o protagonista principal era a técnica de duplo bombo do baterista. Vide Cancer (Death Shall Rise). Também se aplica a mim, pese embora, o meu "problema" seja vida de trabalho a mais. Alguns adivinharam o "problema": o novo disco e todas as outras coisinhas, coisadas e sérios projectos em wue me meto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um deles e em primeira mão vos digo é um livro sobre os próprios Moonspell que se tudo corer bem sairá em Outibro tal como o DVD. Ops! Moonspell a mais talvez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estive na Grécia, em Itália, na Sérvia, no Barreiro, em Lisboa... e sempre sem tempo para aqui vir arrumar a casa e cumprimentar a família. Espero que me perdoem.Talvez o façam se lerem o próximo artigo na Loud! Servirá como um read me para a azáfama do desabafo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pegando nas pontas que deixei soltas: a conferência na Restart correu bem embora me pareça que aconteceu noutro século agora. Senti, como sempre, que estava ali um pouco a correr por fora, já que, na verdade, os convidados e convivas são (quase) sempre os mesmos mas, e como tenho hábito, virei do avesso a minha condição de black horse e registo aqui com agrado que muitas das dicas e pistas para debate partiram de intervenções minhas. Sem espinhas, quem lá esteve ou viu pode comprovar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de publicar aqui o texto que me serviu de orientação (parte dela, pelo menos) deixo algumas notas à Spectator:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1- Houve um tom consensualmente romântico que me agradou e que retirei do ínicio da minha intervenção para não repisar. Havia por lá, e ainda bem!, muitos maluquinhos da música e do vinil ou do myspace, que me pareceram irao garantir a continuidade desta através do gosto e isso foi talvez a verificação mais importante que lá fiz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2- Os reversos que aponto são mais do mesmo: -denoto sempre uma tendência para particularização própria do discurso. Obviamente temos de falar da nossa experiência, é para isso que lá estamos. Mas fazê-lo de forma quase moralista e vinculativa é negativo e fecha as portas à comunicação logo aprendizagem. Notei isso por exemplo em muitas intervenções do público e de pelo menos do produtor/netlabel do qual, confesso, me esqueci do nome... Depois também notei pouca vontade de aprender e mais de falar seguindo a mesma via, o que leva a um absurdo que é não aproveitar a experiência e a dica passada em directo ou na entrelinha. Parecia que se luva muito para garantir pedacinhos de terreno e a big picture ficava sem moldura possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3- Por fim, aparecem sempre, perdoem-me a expressão, não é melhor nem a sequer utilizar, mas aparecem sempre espécimes, matrizes de opinião e existência, que me confundem um pouco. Houve o aluno acusador que disse merda em voz alta e apontou o dedo aos músicos que faze anúncios etc. (pobre músico do qual já não compram os discos mas que também lhe retiram formas legítimas de utilizar a sua música, queria ver se fosse noutra profissão, 50.000 na Avenida?), o académico que comparou a crise da indústria à passagem da música escrita e comercializada em pauta para música gravada no fonógrafo (cilindro de cera primeiro, talvez?) e consequente democratização, problemas, etc. como se nessa altura o negócio se pudesse comparar e sequer se falasse e direitos ou contrafacções. (toda a gente foi de carro ou de metro à conferência, ninguém de carroça espero eu...) entre outras curiosidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas valeu ou espero que tenha valido a pena. Venham mais com outras personagens,sem referências ao Sam the Kid (Rui Miguel Abreu não resistiu a me dar uma farpa, mas eu não tive tempo para lhe responder, mas já agora eu não iria a um programa de hip hop mandar bocas ao Sam, ele precisa mais do meu conselho do que das minhas farpas- e já agora o programa de Metal quase não existe, relegado para um Domingo, não se fale de barriga cheia, senhores tolerados mas intolerantes....). Aqui fica o texto, leiam e depois leiam a sugestão final:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;em&gt;Elaboro este texto sem me deter muito, para já, nos tópicos referenciais desta conferência. Afinal não se debate o futuro da música mas sim dos agentes que a orbitam, a indústria, o mercado, o público, os criadores, dos seus direitos. Queria então falar-vos da perspectiva de um músico:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto o elemento que está no principio e no fim da cadeia sinto que estou no meio de um fogo cruzado, de uma guerra de vingança entre quem compra e quem vende, entre quem consome ou retira ilegalmente da net, e quem distribui, investe e proporciona conteúdos e como tal procura defender a sua propriedade. Ao músico cabe criar a obra e equilibrá-la num exercício muitas vezes arriscado e frustrante, capaz de levar ao mais profundo desencanto. A situação que vivemos hoje é explicada pura e simplesmente por um abuso de poder, um esquecimento do participar em favor do mandar, que transitou, pela rede e sem espinhas, direitinho das editoras para o público. Este decide se compra ou não o disco sendo que essa decisão não afecta a posse do mesmo. Mais poder que isto é impossível. E o poder estar de um só lado, principalmente, quando não é o nosso é mau, muito mau. A esse poder junta-se uma óbvia sensação de impunidade, criam-se situações como o auto-proclamado maior fã da banda não ter sequer um disco original dos mesmos. Perde-se o contacto com o processo da obra, um pouco como o miúdo que vê os bifes de peru num supermercado mas que não sabe que existem perus a passearem inocentes antes do matadouro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve, no entanto, consequências positivas, algumas bizarrias e uns acontecimentos imprevisíveis. Surgiram fenómenos na net, bandas que dispensaram a edição dita tradicional, um reacender do gosto pela música e uma comunicação da mesma sem limites económicos ou geográficos, um ressurgimento do vinil enquanto formato procurado, netlabels, netartists, netenganos, um maior esclarecimento dos artistas e pela primeira vez um chão sólido para tomarem posição perante as suas editoras e verem muitos dos direitos alienados pela white slavery dos contratos que se arrastou até aos anos 90 serem repostos. Mas e apesar de esta ser a face visível e sorridente da democratização absoluta da música não podemos deixar de considerar a nuvem negra que paira sobre todas as nossas cabeças mesmo as daqueles que a tentam ignorar: a proliferação dos fóruns de opinião que cedo se tornaram poços do mais vicioso julgamento e disputa pessoal, houve um cerrar de posições e mentalidades inesperado face a esta abertura, a música tornou-se matriz e cópia, cópia, cópia, privilegiou-se a habilidade em relação à criatividade, as bandas de média dimensão (as quais compõem maioritariamente a cena musical) sob contrato com editoras viram as suas vendas descer dramaticamente, estipulou-se a compensação do merchandise e venda de bilhetes como verdade absoluta em termos de compensação pelos downloads ilegais, o que tem mesmo muito que se lhe diga, criou-se o efeito lars ulrich que leva a quem ilegalmente retire ficheiros não queira por isso responder preferindo diabolizar quem exerce um direito (tão discutível pelo menos como desrespeitar direitos de autor), entre outras coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tento uma conclusão pela linha dura da educação. Só ela pode salvar uma relação equilibrada entre todos aqueles que pertencem à comunicação da música criada. Mas por muito dura que seja a realidade, acho que não há que ter dúvidas e dizê-lo, as soluções pela educação são utopias. O ditado chinês de ensinar a pescar em vez de dar peixe um aforismo pelo qual a geração mais nova e também a mais velha não nutre interesse algum. A sensibilização é muitas vezes alvo de chacota simples, afinal quem paga por algo que pode ter de borla? Por isso a música hoje divide-se como as sociedades em que o fosso entre os ricos e os pobres bem como a animosidade entre classes aumenta. Eu respondo pelo romantismo como solução, o alargamento dos nichos, a invenção de novos serviços (ex. agência de viagens/editora), as editoras usarem o seu know how para prestarem serviços, a divisão em pequenos núcleos de serviços como agências de promoção, consultoria de publishing, contratos, e um sem número de imperceptíveis divisões e criações que irão fazer toda a diferença pela sua atitude clara, positiva mas crítica e denunciante do jogo infeliz entre o público farto de ser explorado durante anos que se vinga sem medir as consequências, o desespero que tolha as mentes das editoras que querem entrar em merchandise e conexos mas que não começam por eliminar a despesa supérflua que muitas vezes lhes mina as finanças, os jornalistas que idolatram tudo o que roube o domínio das editoras mas que não deixam de exigir o disquinho produto final à borla ou a viagem de avião e hotel melhor que o da banda para cobrirem um concerto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São estas miudezas que nos prejudicam a todos, que nos levam a uma guerra que ainda agora começou mas que teve pelo menos o condão de levantar problemas. O mundo da música divide-se agora entre quem julga, descarrega, persegue, comenta todo poderoso da cadeira do quarto ou do escritório; e quem vai para a estrada, ou para o computador, ou para a rua arranjar soluções para que o sonho funcione como naquela canção do Phil Collins “against all odds.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Obrigado"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra coisa e para o blog não se tornar um morto-vivo convido a que me enviem textos que se enquadrem no espirito e letra do mesmo. Eles serão vistos e muito possivelmente publicados, tipo elenco duplo, conhecem o termo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até breve, assim sendo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;slowly injecting the fluid of life, bringing the corpse...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1046236902026556368-3185707193928237740?l=loudspectator.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://loudspectator.blogspot.com/feeds/3185707193928237740/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1046236902026556368&amp;postID=3185707193928237740&amp;isPopup=true' title='19 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/3185707193928237740'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/3185707193928237740'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://loudspectator.blogspot.com/2008/03/back-from-dead.html' title='Back from the Dead'/><author><name>The Eternal Spectator</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00321387098754660424</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/SZbtOjbBTaI/AAAAAAAAABU/H4f5h14KMmI/S220/moonspell_1.JPG'/></author><thr:total>19</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1046236902026556368.post-2873163662879378900</id><published>2008-02-09T13:41:00.000Z</published><updated>2008-02-09T13:46:00.403Z</updated><title type='text'>Convite/Conferência</title><content type='html'>&lt;a href="http://s129.photobucket.com/albums/p220/fernandomoon/?action=view&amp;amp;current=Conf_MusicaXL.jpg" target="_blank"&gt;&lt;img alt="Photobucket" src="http://i129.photobucket.com/albums/p220/fernandomoon/Conf_MusicaXL.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma boa oportunidade talvez de se debaterem algumas ideias. Apareçam. (Até ao próximo post!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conferência MÚSICA _ O Futuro AgoraEdição Distribuição Promoção&lt;br /&gt;12 Fevereiro 2008 _ 18h30Auditório Restart&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ORADORESPaula Homem _ Valentim de Carvalho (A&amp;amp;R)&lt;br /&gt;Pedro Trigueiro _ Universal Portugal (promoção)&lt;br /&gt;Rui Miguel Abreu _ Loop Records (A&amp;amp;R / jornalista)&lt;br /&gt;Vasco Lima _ LAD Publishing&amp;amp;Records (produtor)&lt;br /&gt;Fernando Ribeiro _ Moonspell (músico)&lt;br /&gt;John Gonçalves _ the Gift (músico)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MODERADORA&lt;br /&gt;Isilda Sanches _ Rádio Oxigénio (jornalista)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lisboa, 2008, duas e meia da manhã. Um jovem produtor de hip hop, algures entre o sofá e a cama, faz os beats de uma nova música num laptop com software pirateado. No espaço de um ano esta é partilhada com os amigos, passa para os clubs e circuitos de bares de música ao vivo, entra nas playlists das rádio e acaba como banda sonora de um programa de tv.&lt;br /&gt;Esta fórmula que sempre esteve presente na indústria musical, seria acompanhada paralelamente pela promoção, distribuição e venda de discos. Será ainda assim? Ou estaremos a ajustarmo-nos (músicos, editoras e público) a uma inevitável transformação tecnológica na forma de produzir, comunicar e consumir a música?&lt;br /&gt;Downloads, direitos de autor/conexos, software, merchandising, myspace, mp3 fazem parte de uma linguagem que caracteriza esta nova realidade.E em Portugal? Como é que músicos, indústria e jornalistas vêem estas transformações?Com o intuito de ver algumas destas questões esclarecidas, e apontar pistas para um futuro que já chegou, a Restart reuniu um painel representativo de diferentes sensibilidades e funções do panorama musical português.&lt;br /&gt;Convidamos todos os interessados a assistirem e a participarem nesta conferência.&lt;br /&gt;A conferência será também transmitida em directo no &lt;a href="http://videos.sapo.pt/restart" target="_blank"&gt;SapoVídeos&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ANIMAÇÃO CULTURAL RESTART Entrada Livre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;+informações&lt;br /&gt;Patrícia Lopes, Rui Murça Telefone 21.8923570/4e-mail&lt;br /&gt;&lt;a href="mailto:news@restart.pt"&gt;news@restart.pt&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.restart.pt/" target="_blank"&gt;http://www.restart.pt/&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1046236902026556368-2873163662879378900?l=loudspectator.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://loudspectator.blogspot.com/feeds/2873163662879378900/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1046236902026556368&amp;postID=2873163662879378900&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/2873163662879378900'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/2873163662879378900'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://loudspectator.blogspot.com/2008/02/conviteconferncia.html' title='Convite/Conferência'/><author><name>The Eternal Spectator</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00321387098754660424</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/SZbtOjbBTaI/AAAAAAAAABU/H4f5h14KMmI/S220/moonspell_1.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1046236902026556368.post-1579544669095480620</id><published>2008-01-24T21:42:00.000Z</published><updated>2008-01-24T23:00:05.538Z</updated><title type='text'>Underworld aka Entulho Informativo</title><content type='html'>Offline.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só mais uma achega. O &lt;strong&gt;Offline&lt;/strong&gt; a que me referia era a uma escolha criteriosa daquilo em que nos metemos, por assim dizer, a uma selecção espiritual e conivente com aquilo que somos, e mais que tudo, com aquilo que queremos preservar em nós. Se bem que umas férias do vício (em todas as suas virtudes e...vícios) também não é, de todo,  má ideia. Longe de mim ser um hippie moderno, anti-net, nada disso só sou mais um dependente, tal como vós, sempre me frente pela iluminação do ser a menos que esta nos funda a cabeça numa pasta de ruído, disputa e falta de respeito (thank you Lord of E). Aí, sou contra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas estava eu na minha vidinha pacata aqui no reino de Hamlet (prevísivel mas certeiro) quando em cima de mesinha acrílica da sala repousava, tranquilo no seu papel pardo, um envelope A4 com selos ou carimbos, não me recordo, da terrinha, jardim à beira mar plantado, Europe's West coast, you know, de Portugal. Para minha surpresa, lá dentro dois exemplares enviados espontaneamente para o estúdio pelo editor e homónimo do nosso guitarrista (se soubessem as confusões que isto já deu...) do novo número da Underworld, para mim, a melhor fanzine, revista, publicação, enfim, que se faz em Portugal. Sem espinhas. E passo a explicar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como já perceberam (e por isso aqui continuam a vir) eu sou uma espécie de junky perante o absoluto da música. E, acreditem ou não, a música, hoje em dia, é mesmo o meu único junk. &lt;em&gt;Lá vão os tempos&lt;/em&gt;, assobio para o lado, descontraído, a subir, nada comigo, ok? Como um junky flutuo entre os downers e os "uppers". Um dos maiores "uppers" para mim,e já há algum tempo, é este "infame pasquim" (private underworld joke). Nos tempos da Mondo Bizarre, eu a lia, como leio quase tudo, de ponta a ponta . Sem dúvida que derivava muito para um alternativo que me escapava. Em especial, quando ouvia os discos :) Mas gostava daquelas entrevistas e artigos que me chamavam a atenção para pessoas que ainda amavam a música, que faziam dela vida com regras próprias e escolhidas, com "façam eles mesmos" de verdade, enfim, um mundo que me transmitia uma pureza e uma descontracção que nem sempre,admito, encontro no meu. (Guardo reservas, não se preocupem.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ou a Underworld já existia então, era diferente, um pouco errático/a, mas sempre acutilante, bem escrito e melhor vivido. Não o considero um substituto da Mondo. É bem mais que isso: volvidos alguns anitos conseguiu refinar o que era bom e eliminar algumas coisas que estavam ora a mais ora a menos. Sei bem do que falo, tenho a colecção toda. Ao receber este verdadeiro presente aqui na pacata Aarhus esse feeling voltou em força porque ou estava down ou porque há contexto para ele, ou porque ambos. A edição deste "mês" tem um diário de bordo dos The Ocean, por exemplo, que revive um espírito que me é familiar pese embora eu goste (desde sempre) de tudo mais certinho, mas que me fez curtir o desprendimento do logo se vê, mais um joint, um copo, um acorde. As críticas sempre justas,sem merdas, bem explicadas no mel e no fel que me fazem segui-las ou, pelo menos, entendê-las. Porque aqui há uma coisa que se faz entender que é o bom português utilizado. A entrevista ao Paul Raven (rip) com quem me cruzei um par de vezes e que quis e muito produzir o Irreligious em 1996. O dossier Electronica, a conversa com os Down, o artigo sobre Crowley.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;António Barreto mode on(voz off grossa e seca): há pessoas capazes nesta publicação. Homens e mulheres que se informam, que vivem dentro das perguntas que fazem, dos textos que escrevem, da música que ouvem e dão a ouvir. E se isto, ainda por cima à borla, não os torna na melhor cena que anda por aí então não sei. Ou talvez hoje seja apenas um dia up graças a eles, às três músicas do novo disco que ouvi, aos discos de Dawnrider e Riding Panico. Mas sinto-me mais perto das coisas e para um Português esse é um sentimento que em momento algum se pode desprezar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabo este elogio da loucura por izer que tenho contribuido erraticamente para esta grande publicação mas que tenciono solenemente fazer mais e melhor. Deixo o endereço para o formato pdf da Underworld &lt;a href="http://underworldmag.org/pdf/underworld25.pdf"&gt;http://underworldmag.org/pdf/underworld25.pdf&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não fiquem indiferentes a ela. Até breve!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1046236902026556368-1579544669095480620?l=loudspectator.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://loudspectator.blogspot.com/feeds/1579544669095480620/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1046236902026556368&amp;postID=1579544669095480620&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/1579544669095480620'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/1579544669095480620'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://loudspectator.blogspot.com/2008/01/underworld-aka-entulho-informativo.html' title='Underworld aka Entulho Informativo'/><author><name>The Eternal Spectator</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00321387098754660424</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/SZbtOjbBTaI/AAAAAAAAABU/H4f5h14KMmI/S220/moonspell_1.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1046236902026556368.post-6431088585764072724</id><published>2008-01-15T21:29:00.000Z</published><updated>2008-01-15T22:18:05.066Z</updated><title type='text'>Flatline</title><content type='html'>Bem vindos a dois mil e oito! Ou como agora gosto de escrever nos mails e notícias em Inglês, 2000hate, o que, na minha modesta opinião, até era um bom título de metalcore.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou outra vez na Dinamarca, gravando. Mas vou passar por cima da publicidade camuflada. Existe gente à espreita dela. Estes dias tem-me permitido fazer muito coisa enquanto a minha parte não chega verdadeiramente. Aquela coisa mágica que ocupará todas as fibras do corpo e e todos os espaços da mente. E enquanto aguardo, vou pensando, observando, lendo. Hoje foi o dia em que meti online, outra vez. Quando digo online não quero referir-me ao ver os mails, o ebay a ver se aparece uma Warfare Noise em vinil em conta, pagar continhas, ver os myspace sem fim. Não, quando me meto online mergulho naquela dupla natureza, impossível de domar, contabilizar ou talvez entender perante a vida que passa por nós lá fora ou cá dentro mas que não encontra o seu espaço e tempo em nós. Porque nos absorvemos pela linha/line e dela ficámos prisioneiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Li, numa revista, naquelas restropectivas de fim-de-ano que valem o que valem, não é ? (como tudo), que a "cena" agor vai ser estar offline. Não acredito e se assim for só alguns escolhidos se podem dar a esse luxo. Eu, por exemplo, não. Por completo, pelo menos. Mas acho que entendi a mensagem à minha maneira e, acreditem ou não, cá a começo a interiorizar e a viver em pleno com ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lutei aqui muito, e noutros sítios também, por aquilo em que acredito. O resultado foi o que foi mas não deixei de acreditar nas coisas em nome das quais "postei". Hoje fiz uma viagem outra vez permitindo-me aperceber desta coisa imensa que é a net e no que ela trouxe mas também no que nos tirou. A viagem é, de vez em quando, horrível. Mas a tudo nos habituamos. Não nos podemos esquecer que também exercemos horror nos outros. Eu, pelo menos sei que sim, ninguém, na net, hesita em dizê-lo ou fazer a mensagem chegar até mim. É também uma viagem que provoca desgaste. Que traz alguma alegria ou entusiasmo quando licitamos uma cena no ebay que queriamos há anos, ou vemos uma fotografia que nos lembra um tempo que julgávamos perdido com essa imagem, ou quando vemos alguém nascer para a arte e percorrer o caminho, agora a vista de todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas estar na net é aceitar ou pelo menos ver o que de pior há nos outros também. É inútil dizer o contrário. E isso, acima de tudo, já não magoa mas cansa. Como alguém que num cenário de guerra se habitue aos estropiados. A net é uma guerra perdida porque não existem pactos duradouros e não existe vontade de construir. A nova torre de Babel onde toda a gente fala alto e ninguém se preocupa em ouvir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também sei que se me sentisse assim todos os dias, este blog acabaria aqui...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já aqui levei com pessoas que acham mal a moderação de comentários. Acham mal eu privar-lhes a liberdade de me ofenderem. Tudo bem. Eu cá acho bem. E no meio deste turbilhão todo, só encontro uma solução: tapar o Sol com uma peneira. Fazermos nós próprios a nossa "censura", deixarmos de frequentar sítios que nos apoquentem, dar esse tempo a outras coisas que por vezes esquecemos. Ver o que é em vez de ver que se diz de. Estar, assim, offline. E de ter paz. E de começar em paz. Sinto isso e queria partilhar: o genocídio selectivo (só uma expressão) das coisas online que nos façam mal. Porque elas são armadilhas de pessoas que não são como aquelas sobre quem escrevem e que não lhes perdoam isso. Sim é desabafo mas também é partilha. Todas as dicas são poucas para escapar aos dentes das palavras. E eu só agora começo a aprender, graças a muita meditação, vivência, visitas desagradáveis e sensibilização para o que é realmente importante.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1046236902026556368-6431088585764072724?l=loudspectator.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://loudspectator.blogspot.com/feeds/6431088585764072724/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1046236902026556368&amp;postID=6431088585764072724&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/6431088585764072724'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/6431088585764072724'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://loudspectator.blogspot.com/2008/01/flatline.html' title='Flatline'/><author><name>The Eternal Spectator</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00321387098754660424</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/SZbtOjbBTaI/AAAAAAAAABU/H4f5h14KMmI/S220/moonspell_1.JPG'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1046236902026556368.post-1823074743037522692</id><published>2007-12-19T18:49:00.000Z</published><updated>2007-12-19T22:01:33.327Z</updated><title type='text'>Promontório</title><content type='html'>Palavra bonita e poética que escolhi em vez de balanço. Palavra bonita que escolhi para camuflar e justificar o facto de cair na tentação de fazer, o ano finda, as luzes acendem-se nas ruas, as águas do céu rompem, inundando as estradas de carros e prisioneiros, Katatonia, a minha banda para quando chove, volta aos meus ouvidos e aparelhos de leitura de música. Um sitio de reflexão. Etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensei um bocado antes de iniciar este blog. Documentar opiniões é muito diferente de tê-las. É pena muita gente não partilhar este escrúpulo. De uma maneira ou da outra, sei que todos concordam. Afinal quando escrevemos, pelos menos em determinada altura, pensamos estar certos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As visitas e os comentários deixados, pelos menos aqueles que em concordância ou fora dela puderam ser publicados (este blog é para gente séria e não para haterz ou frustratedz, já nos chega as nossas miudezas!) dão-me vontade de prosseguir e assim o farei, sem conseguir especificar o porquê, perdido algures entre a vontade de documentar, partilhar e observar com todas as consequências que daí decorrem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me agora do post &lt;strong&gt;Com rockers assim&lt;/strong&gt; que teve a sua piada, a sua farpa e a sua movidazinha. Na Antena 3 disseram ao Freitas "ele passou-se" já com medo se calhar da fuga aos brandos costumes, ao group hug da música nacional que lá existe no seu sítio que cada vez menos é o meu, em consciência e sem azedumes. Mas, se calhar, passei-me e a cerveja não me soube bem, o rock ainda é a melhor companhia musical desta instituição (ok o futebol...) e fiz e disse o que tinha a dizer. É assim que, de vez em quando, fazem os rockers.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De entre muita coisa gostei de escrever o post dos adolescentes que foi um dos melhores aceites e compreendidos, o que me deixou bastante contente. Espero que esta harmonia e compreensão se estenda a vida real. Mesmo com as suas falhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os temas do amor e da morte estão para a criação de letras (em quase a totalidade dos estilos) como a discussão do direito ou não do autor e downloads e direitos e respostas e afins e opiniões e indignações. Não existe, e agora desligo a corrente do certo ou errado, qualquer tipo de consenso a esse respeito, sinto, até, que nos aproximamos de uma guerra quase aberta, sem convenções ou respeitos até porque as conchas cada vez se fecham mais e contra mim falo pois que isto acontece dos dois "lados", lá está.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este blog também não pretende responder a cada um dos comentários, pelos menos no particular, existem, com certeza, visões e provocações (no melhor sentido possível) que encadeiam pensamentos. Caso da sugestão do video dos TED feito no post Radioheroes pelo David e que vi com muita atenção para concluir, reforçando a minha ideia de que caminhamos para o elogio do &lt;strong&gt;cunning&lt;/strong&gt; (habilidoso/) mas não da criação de raíz e assim à falência das bases em que a &lt;strong&gt;remix culture&lt;/strong&gt; se baseia . Mas a isso em bom tempo voltaremos. Tempo já para o ano que vos desejo (e notem a propositada omissão do Natal!!!) que seja produtivo, bom, espiritual e com a e energia que lhe queiram conferir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até 2008! (ainda parece irreal...)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1046236902026556368-1823074743037522692?l=loudspectator.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://loudspectator.blogspot.com/feeds/1823074743037522692/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1046236902026556368&amp;postID=1823074743037522692&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/1823074743037522692'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/1823074743037522692'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://loudspectator.blogspot.com/2007/12/promontrio.html' title='Promontório'/><author><name>The Eternal Spectator</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00321387098754660424</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/SZbtOjbBTaI/AAAAAAAAABU/H4f5h14KMmI/S220/moonspell_1.JPG'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1046236902026556368.post-4607332959833238720</id><published>2007-12-07T12:32:00.000Z</published><updated>2007-12-07T16:09:07.217Z</updated><title type='text'>He's lost control (of the truth)</title><content type='html'>Finalmente! Consegui tempo e fui ver o biopic (bela designação esta) sobre os Joy Division/Ian Curtis, talvez devesse inverter a ordem aqui, realizado por Anton Corbijn que se estreia em cinema, embora, de alguma forma, na minha humilde opinião já juntasse e animasse imagens como poucos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira coisa que me veio à cabeça foi, inevitavel e infelizmente, tudo de bom, de mau,de sapiente ou de meramente exibicionista que já se tinha escrito sobre este filme. A única solução, relembro caso se tenham esquecido, era mesmo não ficar em casa e ir lá ver. Acto de contrição: não cresci a ouvir Joy Division, não tinha aquela relação talvez privilegiadamente íntima com as suas palavras e sons, não me cicatrizaram a juventude, e por aí fora. Todavia, sabia-os capazes de fazerem isso tudo e muito mais e munido apenas da curiosidade, do tempo finalmente disponível e da relação privilegiadamente íntima com toda a  música achei-me suficiente preparado para ver um filme que penetrava não só a intimidade do sujeito Curtis como a de milhares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostei MUITO do filme. Acima de tudo da verdade que o trespassa de uma ponta à outra. A fidelidade com que tudo é retratado, desde o microfone certo, ao movimento adequado, à emoção exacta quase sentida no desconforto da cadeira. É um filme que, tendo ficção, encerra muita verdade e nos permite viver ainda que com algum desconforto no quarto de um adolescente que organiza os seus escritos em três dossiers (Poems, novels, lyrics), a ouvir música sozinho como já não se ouve hoje em dia (por muito que teimem no contrário, acho que haverá mais gente a teclar em simultâneo do que recostado nas cadeiras, de olhos fechados, a fumarem um cigarrinho). Que nos apanha na troca de palavras meigas ou azedas, no conflito interior de um ser absolutamente normal mas cuja mente e corpo vagueiam por territórios vedados a quase todos (e daí que ele nos fala) e os quais ele nos desvela, tornando-os disponíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredito que existam milhares de maneiras e perspectivas e sítios de onde este filme possa ser visto. Também sei que é ingrato e sempre incompleto o resultado final deste filmes. Mas, por outro lado, há, quase sempre, uma histeria generalizada como reacção a estes filmes e mesmo se o altar ficar limpo, há sempre alguém que encontrará sujidade nalgum degrau. Não tendo esta vocação de varredor, devo dizer que muitas dos filmes que vi desde o Doors de Stone até ao 24 hour party people de Winterbottom (great name!) são bem feitos, pertinentes até e que despertam e satisfazem curiosidades e medos. Isto é, a fasquia tem sido dia, bastante digna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o cinema tem esta graça: a de perpetuar mitos pela (forjada) convivência com estes. E um olhar é sempre um julgamento, um atraso, uma indirecta. Uma nascente que se atrase na provocação de uma torrente. E que bem que Control o faz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase duas horas (nem tanto) de verdade (sim foi a mulher dele que escreveu o livro) ou de algo que passou por ser a verdade. Isso, muitas vezes, é o que basta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora basta, vou ouvir o novo de Primordial de olhos fechados no sofá. Bom fim de semana!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1046236902026556368-4607332959833238720?l=loudspectator.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://loudspectator.blogspot.com/feeds/4607332959833238720/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1046236902026556368&amp;postID=4607332959833238720&amp;isPopup=true' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/4607332959833238720'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/4607332959833238720'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://loudspectator.blogspot.com/2007/12/hes-lost-control-of-truth.html' title='He&apos;s lost control (of the truth)'/><author><name>The Eternal Spectator</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00321387098754660424</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/SZbtOjbBTaI/AAAAAAAAABU/H4f5h14KMmI/S220/moonspell_1.JPG'/></author><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1046236902026556368.post-3912886783967668986</id><published>2007-11-26T14:57:00.000Z</published><updated>2007-11-26T17:51:01.006Z</updated><title type='text'>A vida não são duas cantigas</title><content type='html'>Foi verdadeiramente reconfortante saber que o post anterior teve comentários de ambas as personagens da história contada. Os censores e os censurados juntos numa semi-partilha de ideias é algo que nem sempre acontece. Em boa hora o escrevi, e congratulo-me e agradeço os comentários em especial daqueles notoriamente mais jovens que aqui deram um exemplo contrário aquilo que se pensa ser a norma ao deixarem comentários com personalidade e inteligência originais e com contornos próprios (e ainda bem) da idade, não cedendo à tentação fácil de roubar a maturidade e experiência a outrém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta semana (tive de deixar passar o fim-de-semana, dedicado a outros valores e ao possível descanso e observação) trago-vos um texto que já tem alguns anos e uma novidade: não ser meu. Confio, no entanto, que a pessoa que o escreveu terá gosto que para aqui seja transplantado. Aliás, já o fiz nas colunas da Loud! pela razão de que este texto me diz muito e fala da verdade com uma exactidão de sentimento incomum; e, também porque foca um aspecto de continuidade interior que também já caiu das graças dos assuntos, por cortesia do já aqui falado apontar às periferias dos temas em vez de ao seu âmago, aquilo que deveria (primeiro) interessar. O autor é director (palavra pomposa) da célebre e gratuita zine Underworld, que, como todas as coisas importantes, dura há anos e desperta correntemente uma atenção mais que digna e merecida, sendo exemplar a sua mistura de sensibilidades, pessoas e estilos unidos por muito mais do que aquilo que à partida se pensaria. É conhecido por JP e escreve bem e verdade e vamos a isso então:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Arte na Alma (a vida não são duas cantigas)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rui "Fingers", outrora compositor principal da banda de Heavy/Speed/Thrash Metal V12, agora guitarrista contratado a soldo de Paulo Gonzo; Beto, outrora baterista também da banda V12, agora a soldo de Marco Paulo; Sérgio Paulo, antes dos inovadores Disaffected, agora guitarrista de Toy, etc... E continuaria a citar exemplos, destes e dos outros, daqueles em que como no meu caso, há a necessidade de fazer pelo vil metal, porque a vida não são duas cantigas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E daí?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nada me repugnaria nos casos acima citados (espanto?), se no âmago dessas criaturas se descobrisse o anseio de (paralelamente) "descarregar" os ventos iluminados da criativa ira que em tempos era o seu mote. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades...Não. Uma pessoa não muda assim tanto que esqueça ANOS da sua vida e os meta para trás como se nada fosse. Estou errado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Até as prostitutas de vez em quando podem saber o significado do amor.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Alguns conseguem viver da música (sonho juvenil...) e tocam para o comércio...pois, covers nos bares do cossá-barriga-pisca-o-olho-e-bebe-mais-um-fino-a-mil-paus. Um bacano no outro dia ao bebermos um copo, dizia: "sou um prostituto musical", não meu amigo, praticas a arte mais velha do mundo, e se tens dignidade a tua alma te fará segregar a tua verdadeira voz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem todos temos por apelido Barros, ou papás que não se importem de nos sustentar até aos 30 anos...Mas há muitos de nós que ainda em cima dos seus trintas, quarentas...não se neguem (porque sem a arte não se pode existir...) a levar por diante a realização pessoal do extravasamento, e nem que seja em ensaios ocasionais, ou em fanzines sem periodicidade e com bacoradas inflamantes, a alma manifesta-se porque...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A alma das criaturas não é de plasticina a menos que não haja de todo...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;E nos Casablanca há professores do ensino secundário, Adolfo Luxúria Canibal exerce advocacia, em Tarantula também há professores...Muitos de nós trabalhamos-o que não significa estar morto, acabado. Repugna-me tremendamente a forma pejorativa como supostos "iluminados" (normalmente jovens como eu...) criticam e gozam com aquilo que mais genuinidade tem nesta "merda de universo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Podeis transvestir-vos, mas ter vivido uma vida de transvestismo é nao ter vivido sequer.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho vergonha de assumir o que faço na vida, é um emprego, uma maneira honesta de ganhar o meu pão. Não se pode censurar ninguém por isto. "Tens 24 anos...daqui a 10 já não estás nestas andanças..." Bem faz agora 10 que aqui ando, se disser que continuo igual aos meus 14/15 anos estarei a mentir? Já não brilham os olhitos de alegria com singelas ocorrências...Mas a alma também precisa destas coisas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O tempo passa e o que somos também?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Johnny Ambrósio, outrora baterista da banda Virulência Assassina, três demos, um álbum, abriram para os lendários Delícia Canibal e Orgasmo Explosivo; agora nos seu polouver beje, vai de tacão triplo e brilhantina às sessões de "dance-music" da danceteria xixicócó, sem dispensar a sua pastilhinha..Quem sou eu para criticar alguém...desculpai, esta piada parva tinha mesmo de sair..."- JP&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conheci o JP há muitos anos já. Ele continua nisto, eu também. Este é um dos textos que me fez escrever blogs, opiniões, "ensaios ocasionais", "bacoradas inflamantes" mesmo quando o tempo morde os calcanhares, e me faz ver de frente o privilégio que é sentir cá dentro as coisas e saber que, aconteça o que acontecer, viva-se da música ou de assentar tijolo, elas continuam cá dentro e só se não forem verdadeiras é que nos votamos à amnésia do conforto, da "isso eram coisas dequando eu era puto", de ganhar dinheiro com uma coisa que nos repugne ou deixe tristes (isso aceita-se) mas que deixámos sufocar a verdade em nós próprios e isso é inaceitável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este texto terá quase dez anos, e enquanto pensam nele, volta à minha parede de coisas importantes para quando eu precisar o ler pela enésima vez. Pois que uma verdade assim não morre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1046236902026556368-3912886783967668986?l=loudspectator.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://loudspectator.blogspot.com/feeds/3912886783967668986/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1046236902026556368&amp;postID=3912886783967668986&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/3912886783967668986'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/3912886783967668986'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://loudspectator.blogspot.com/2007/11/vida-no-so-duas-cantigas.html' title='A vida não são duas cantigas'/><author><name>The Eternal Spectator</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00321387098754660424</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/SZbtOjbBTaI/AAAAAAAAABU/H4f5h14KMmI/S220/moonspell_1.JPG'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1046236902026556368.post-816585593019421462</id><published>2007-11-17T12:45:00.000Z</published><updated>2007-11-17T14:36:29.019Z</updated><title type='text'>Forever young</title><content type='html'>Se notaram o meu desparecimento, agradeço-vos. Se não o notaram, agradeço-vos à mesma. Assim não terei de ocupar espaço com palavras de desculpa que já todos conhecem e continuam, com muita paciência, a aceitar. Aceitem, então, com igual elegância, o meu obrigado pela expectativa ou falta dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Digo-vos onde estive: no fim do mundo. No local mas também no tempo. Estive na casa de alguém chamado Robert Neville, o último homem da Terra, uma casa porreira, toda fortificada com tábuas de madeira contra os vampiros que lhe fazem companhia neste fim do mundo (tempo e espaço). Acompanhei-lhe as bebedeiras, ouvimos Beethoven, Schubert e Lied juntos e vi-o a tornar-se numa lenda. Matámos vampiros juntos, investigámos a causa da praga e, enfim, fizémos muita coisa, pintámos a manta de sangue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falando direito, tudo isto se encontra na tradução do clássico I am Legend (Eu sou a lenda) para a editora Saída de Emergência. Sai dia 5 do 12, e o filme com Will Smith a 28 do mesmo mês, um filme de Natal em absoluto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O termo &lt;strong&gt;Forever young&lt;/strong&gt; (a única canção dos Alphaville que encheu a Praça Sony, esse agora destroço, emblema dos grandes políticos e gestores que temos a felicidade de ter na nossa capital) é associado aos vampiros também, que se mantém eternamente jovens na sua podridão e maldição. Entra então aqui o twist à Spectator:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem de nós não se (e passo a listar)  indignou, chateou, preocupou, fez troça de, humilhou, desejou que assim não fosse, com a presença assídua, sentida, exibicionista, por vezes, de jovens muito jovens nos concertos, nos foruns, nas actividades, com, a sua maioria talvez, os seus risinhos nervosos, ou gritinhos ou enfiamentos tímidos em si mesmos? Acho que toda a gente que está a ler. Hoje em dia quem está a escrever isto, cada vez menos, asseguro-vos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passo a explicar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ao apontar a nossa superioriade de trintões vividos no tempo do cubo mágico, que sobreviveram à Idade Média sem a luz dos telemóveis para nos guiar, aos &lt;strong&gt;young adults&lt;/strong&gt; estamos, na verdade, a perpetuar gerações do gozo ao qual fomos alvos votados há anos atrás. Quando comecei a ouvir Metal, muitas costas dos mais velhos se viraram para mim, fechando-me o sorriso dos olhos, arrefecendo a ânsia de uma palavra, a ânsia em saber, em pescar alguma coisa ou a ficar com as sobras das redes. Fazer isso aos outros, na idade das importâncias, seria para mim um falhanço da minha personalidade. Por isso não acho rídiculo por demais os "putos" irem gritar e chorar para  o concerto dos My Chemical Romance. Acho sim perigoso não terem a oportunidade desse escape e irem ao Garage beber vodka, e isto sem moralismos de maior porque também tive culpas nesse cartório das bebedeiras juvenis, e alimentarem um sistema que os prejudica. A música liberta-os.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Depois, não dar oportunidade por causa da idade é uma espécie de racismo etário, que procuro evitar. Se tivesse caído pessoalmente nessa armadilha, quer como vítima, quer como culpado, talvez não conseguisse aqui estar a elaborar sobre ela. Cada vez mais que acredito em duas coisas: o público tem um papel fundamental na preservação da nossa espécie. Por outro lado, o público não sabe ou não quer saber disso, ignorando a emoção em função do que é prático e por vezes periférico. Em todas as consultas que me fazem tento falar, assumindo os constrangimentos que isso me possa causar, dessa demissão do público por si mesmo. Não me venham dizer que são só os miúdos que sacam e pirateam, se o fazem, porque o fazem, muitos deles não constituem a partir disso um negócio como alguns peixes bem mais graúdos. E conheço muito boa gente "medieval" que à falta deste mundo e agora na presença dele enche os seus discos rígidos com tudo o que possa, mesmo do que não precise, não há fome que não dê em tortura. Retomando o fio à meada (quebro hoje o recorde de frases feitas!), onde é que ela está?, ostracizar uma parte muito importante desse público será pouco sensivel e inteligente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque o entusiasmo gera chorinhos e parvoíces, mas também garante continuidade. Porque da maioria palradora, existirão sempre alguns que se irão tornar autores de obra feita e continuar a corrente. Porque quem ontem ouviu Evanescence ouve hoje, e com fervor, Katatonia. Porque de todos os excessos sobrarão sempre virtudes, há que respeitar os mais novos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dependemos deles por muito que isso nos possa aterrorizar e dar-lhes um empurrão, sacudir-lhe os ombros, uma palmada amigável (!) se for preciso, um grito mas também um incentivo ou elogio, é bem melhor que a sobranceria e a inferioridade com que muitas vezes eles entram no nosso quotidiano e pensamento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1046236902026556368-816585593019421462?l=loudspectator.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://loudspectator.blogspot.com/feeds/816585593019421462/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1046236902026556368&amp;postID=816585593019421462&amp;isPopup=true' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/816585593019421462'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/816585593019421462'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://loudspectator.blogspot.com/2007/11/forever-young.html' title='Forever young'/><author><name>The Eternal Spectator</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00321387098754660424</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/SZbtOjbBTaI/AAAAAAAAABU/H4f5h14KMmI/S220/moonspell_1.JPG'/></author><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1046236902026556368.post-2061567780636388037</id><published>2007-10-19T00:29:00.000+01:00</published><updated>2007-10-19T00:37:50.613+01:00</updated><title type='text'>Radioheroes</title><content type='html'>Começo à jornalista:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As últimas semanas no meio musical têm sido animadas pelo anúncio inédito/insólito/pioneiro (é so recortar e escolher) dos Radiohead que disponibilizaram o seu último disco In Rainbows através do seu blog, deixando o preço ao critério dos fãs. Também existe uma edição física que custa 58€ e que consiste em... etc. Acho que todas as pessoas interessadas quer na banda, quer no assunto saberão desta novidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É muito complicado levantar pontas a esta atitude e acção dos Radiohead. Começo por dizer que são uma banda fora do espectro do Metal de que gosto muito e que sigo com alguma atenção. As razões são em absoluto musicais e dentro dessas destaca-se para mim a coragem e o talento que serve essa coragem em percorrer um caminho muito próprio, a que se adiciona a vantagem de uma "educação" magnífica das massas cujos sentidos e neurónios são, e como, postos à prova por discos como Amnesiac ou Kid A, à partida registos num limiar progressivo e arriscado, mas que, atraem as pessoas pela mistura de estranheza visceral com sedução sensorial pura e dura. Para tal contribui o som, a dinâmica, a pele irregular das canções e o seu rumo imprevisto que, em todo o caso, conduz a uma experiência rara e única.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por estes dias os Radiohead encontraram paralelo à sua música e caminhos privados numa forma original de distribuir a sua arte sem o auxílio de intermediários. Adianto desde já que pretendo apenas lançar algumas outras ideias que não têm em vista diminuir a ideia dos Radiohead. Pelo contrário, acho que, de todas as formas com que já contactei de tentar alternativas às vias de distribuição clássicas ou adaptadas e todos os problemas conhecidos que daí advém, esta foi a que me entusiasmou mais:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Porque disponibiliza ambos os formatos aos ouvintes. Porque lhes permite uma liberdade de escolha assinalável. Porque os responsabiliza perante uma escolha livre de preço, jogada inteligente, pois consegue ir directamente ao âmago da questão interior com que algumas pessoas, louvavelmente, ainda se debatem. Porque aproxima os Radiohead do seu público que os perspectiva como uma banda verdadeiramente independente, talvez a maior das bandas independentes agora, em todos os seus momentos, quer criativos, quer administrativos. E outras razões me ocorrem mas fiquemos por aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, permitam-me tecer algumas considerações:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por um momento, depois dois e por aí fora até ao pensamento comunicado, achei que também há algo de “control damage” nesta acção. Vejamos…o disco ser vendido por um preço “justo”, considerando que não seria comprado no circuito tradicional mas online seria algo que se podia atingir na mesma, através de plataformas preparadas para tal. Os Radiohead pensaram nisso, com toda a certeza e ao “monopolizarem” e chamarem até si essa função ganham em direitos (que não dividem com ninguém, à partida, sendo até que não há lugar, que se saiba, a fixação do disco, à emissão de licenças mecânicas, por aí fora) e ganham uma promoção incrível que budget algum jamais poderia alcançar (notícias por toda a parte sob as mais diversas formas) e o já citado respeito público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O disco, sem ingenuidade, estará também disponível em todas as plataformas ilegais de Leste a Oeste, a seguir ao filme porno do momento, antes da série da HBO que toda a gente anda a  ver agora. Irá sempre existir contrafacção do disco, pessoas que não se querem registar e adoptar a técnica bilhete de museu/disco, por vergonha de nada dar, por preguiça, por subversão, por mera curiosidade da posse. Ou seja, o que os Radiohead fizeram, todas as bandas, involuntariamente o fazem ao lançarem música e querê-la promover. Os discos vão parar à net, sem espinhas, e o critério usado nem é o de &lt;em&gt;faça o seu preço&lt;/em&gt;: o preço é zero, porque esse é o valor que atribui a um disco quem atalha vontades pioneiras e faz tábua rasa das despesas e responsabilidades das obras. Ademais, junte-se a isto as percentagens de editoras, lojas, estúdios, produtores e chegar-se-á à equação Radiohead/control damage=aposta ganha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Radiohead “ganham” sim, mas num contexto de perda para todos. Acredito que tal disponibilidade depende do tempo, do contexto e da necessidade de adaptação. Como queimadas na floresta para salvar espécies raras e limitar a destruição. Esta vitória sabe bem na superfície mas revela um mundo profundamente assustador onde as pessoas ouvirão música sozinhos à frente de um ecrã, deixarão de frequentar lojas de discos e possivelmente trocar experiências e gostos, milhares de pessoas perderão os seus empregos (para alguns até é bem feito mas...) e deixaremos de manusear objectos com algum calor para os trocar por assépticas copias. Protesta-se: mas há a net! Pois há e a net está para o contacto humano, como o mp3 está para o vinil. Frio, prático e muitas vezes ilegítimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalizando, louvo e admiro e até invejo esta acção. Mas, sei também que só é possível o seu sentido numa lógica de &lt;em&gt;&lt;strong&gt;control damage&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;  e, acrescento, esta solução está reservada só ora quer  a grandes bandas ou a bandas que começam. A maioria (que está no agitado meio, mais próximo do auge, ou, perigosamente, do fundo) não pode fazer isto pois depende ainda da venda de discos para despoletar muita outra coisa, ao contrário do que se convencionou e que, muitas vezes, nada mais é que uma desculpa de mau (inexistente) pagador. Não é líquido que quem poupe num disco invista num bilhete para concerto ou numa peça de merchandise, apesar das sondagens muito mais orientadas para o topo da pirâmide que para uma apreciação global (falem com promotores e verão a realidade das assistências e do passivo gerado pela falta delas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem todas as bandas são os Radiohead. Nem todos têm o Donald S. Passman como advogado, embora se possa e deva ler os seus livros. Não se deve, também, diabolizar as editoras. Já todos precisámos dos seus serviços, até os Radiohead e continuamos a queixar-nos se esses serviços não são feitos condignamente (promoção, por exemplo). O poder não pode estar todo de um lado. Nem do das editoras, nem do consumidor. Talvez os Radiohead consigam ensinar isso às pessoas através desta estupenda iniciativa que, como todas, não resolverá o problema; que, como todas, tem agenda própria como vimos (ou especulámos) mas que traz uma novidade ao poder absoluto do público (desde que existem os downloads gratuitos legais ou ilegais e não desde que podem escolher o preço do disco dos Radiohead ): o exercício da responsabilidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1046236902026556368-2061567780636388037?l=loudspectator.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://loudspectator.blogspot.com/feeds/2061567780636388037/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1046236902026556368&amp;postID=2061567780636388037&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/2061567780636388037'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/2061567780636388037'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://loudspectator.blogspot.com/2007/10/radioheroes.html' title='Radioheroes'/><author><name>The Eternal Spectator</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00321387098754660424</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/SZbtOjbBTaI/AAAAAAAAABU/H4f5h14KMmI/S220/moonspell_1.JPG'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1046236902026556368.post-8530560586639154648</id><published>2007-10-03T21:43:00.000+01:00</published><updated>2007-10-03T22:47:08.006+01:00</updated><title type='text'>Atómos- Pinion</title><content type='html'>Que o mundo é composto por partículas divisiveis até ao ínfimo quark, que o tempo se compõe de momentos extensíveis até às "escalas" de Plank e suas discussões, todos sabemos, ou intuimos ou pesquisamos sem problemas de maior. Que a vida se organiza também destas quasi imensuráveis nuances vamos aprendendo com cada dia que passa. Ao negrume interior, à desilusão impôe-se, sem falhar, o sorriso de alguém que nos interpela no Metro. Perante a ilusão de partilhar opiniões intencionalmente feitas para dizer o que se pensa, mais do que aquilo que convém dizer (embora a mentira anestética também possua direito à existência), insurgir-se-à sempre a fortaleza dos outros que não concordam com o direito a concordar connosco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poesia à parte, dar uma opinião é hoje algo de uma complexidade impressionante. A sua proliferação e o seu veicular intenso que lhe permite chegar a todo o lado e a toda a gente tornou esta complexidade digna de um multiverso, com sistemas, regras, caos e abismos próprios. Existem muito mais opinadores que objectos dessa opinião. Apesar de falarmos numa escala gigantesca, perdoar-me-ão a falta de rigor, para cada assunto (milhares de assuntos) existem milhares de opiniões (milhares sobre milhares). Existe quem atravesse a fronteira e se torne um híbrido entre opinador e assunto de opinião. São esses os comentadores, os defuntos &lt;em&gt;opinion makers&lt;/em&gt; (já não há necessidade deles no multiverso da opinião) e os incautos que, como eu, gostam de escrever em blogs com óbvios telhados de vidro. Outra coisa interessante, pelo menos, na imensidão opinativa é que a opinião é o combustível de si mesma, auto-fágica, auto-estimulada, auto-destrutiva, independente do que quer que seja para crescer e multiplicar. A opinião é, muitas vezes, o assunto em si mesmo dispensando até o &lt;em&gt;amnio&lt;/em&gt;, o ovo, a génese.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por tudo isto dar uma opinião não é fácil. Mas é inevitável. O que é mais grave é a dificuldade em ouvi-la e isso só se aprenderá (e não satisfatoriamente) com os anos. Os primeiros anos são os melhores e os piores. Existe, por exemplo, numa banda um certo feeling de&lt;span style="color:#ffffff;"&gt; Indestrutibilidade&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt; &lt;/span&gt;, de fome do mundo, de ânsia de ser que nos permite dar mais que os primeiros passos. Mas, cauda da serpente, existe também um autismo que, se os anos passarem por nós, nos vai parecer prejudicial e nos fará sentir teimosos ao ponto da sobranceria corajosa mas, na verdade, pouco inteligente. Navegar entre margens é o mais aconselhável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas vezes dei opiniões (pedidas) a bandas novas que depois vim a saber terem sido confundidas com arrogância. Muitas vezes bandas que se iniciam se queixaram de não ter nota máxima na Loud! ou noutra revista qualquer, confundido isso com bota baixo, sufoco, tentativa de destruição da emergente carreira. Muitas vezes fui, até grosseiramente, palavreado com coisas tudo menos elogiosas por coisas que disse ou escrevi que achei (procuro sempre pensar no que digo e no que escrevo durante um tempo aceitável, nem sempre o consigo, mas fica a nota), com certeza, que teria de documentar com objectivos que eu, pelo menos, conheço e acho importantes. Daí manter este blog e a sua &lt;em&gt;mater dolorosa&lt;/em&gt; coluna na Loud! porque apesar das farpas e dos amores o mais importante é não desistir de dizer ou de escrever agitem-se as hostes, abram-se os sorrisos e corações ou piquem-se os bois para a carroça andar em frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posto isto que fazer com tudo isto? Perguntar com delicadeza se querem uma opinião ou um mero incentivo em forma de elogio? Ignorar dizendo que tudo está bem quando começa bem, deixando de fora coisas que poderiam ser mais importantes (mesmo que duras) do que o afagar de egos juvenis ou mais entradotes? Existe muita paranóia neste país, nesta cena Portuguesa da qual eu fazendo parte não faço verdadeiramente tal o exotismo da minha suposta posição priveligiada mas sempre vigiada? Quer me parecer pelo que vejo e pelo que leio e pelo que muitas vezes me escrevem em directo, sem espinhas, que nunca ninguém é verdadeiramente culpado de nada. Que existem "coisas" conspirativas, entretelas, máquinas e mecanismos que empurram uns para cima e outros, eternamente, para baixo. Há um ditado chinês que diz: não dêem peixe a um homem, dêem-lhe uma cana e ensinem-no a pescar. Num país de pescadores, parece-me bem triste que ainda não tenhamos entendido a mensagem preciosa desta sábia glosa. É como eu com o Excel, não me façam as contas, ensinem-me a calcular (claro que eu sou só contabilista, esqueçam o artista). Mais triste é verificar que ainda existem tantas e tantas pessoas que pensam nesses termos conspirativos apesar de eles terem braços, cabeça, coração, tal como eu. Afinal todos passámos pelo mesmo (SMO, roubalheira, promotores, estúdios sem dignidade,etc.) mas nem todos quiseram aprender a pescar e isso dói. A verdade dói. A mim também. Mas há quem vença a dor e estatutos à parte continue a viver a verdade, com frustração, com energia, com ambição, com fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalizando uma questíuncula: venham até ao lado de cá um bocadinho. Estamos num estádio de futebol. Chamamos filho da puta ao árbitro. Ele ouve. Ignora. Ali. Mas, de certeza, pensa naquilo e não gosta e se tivesse oportunidade de responder o faria alguma vezes, outras não. As pessoas sob escrutínio, como eu, não têm sempre de calar e obedecer às regras do estatuto que criaram para nós. Não contem comigo para o &lt;em&gt;és figura pública, aguenta-te&lt;/em&gt;. Não responderei todas as vezes, porque na verdade não é totalmente meritória essa atitude, como, na minha opinião, também não é totalmente meritório fechar a bolha connosco lá dentro, indiferentes ao mundo, às opiniões que nos fazem ter sentido enquanto homens que inspiram, são inspirados ou que combatem aquilo que acham injusto. Chamem-me doido mas continuarei a navegar entre as margens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem tudo é mau! Estou contente, por exemplo, por ter escrito isto. Amanhã a luta continua, vão aparecendo e desaparecendo conforme vos dê mais jeito, gozo, raiva ou comunhão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1046236902026556368-8530560586639154648?l=loudspectator.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://loudspectator.blogspot.com/feeds/8530560586639154648/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1046236902026556368&amp;postID=8530560586639154648&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/8530560586639154648'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/8530560586639154648'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://loudspectator.blogspot.com/2007/10/atmos-pinion.html' title='Atómos- Pinion'/><author><name>The Eternal Spectator</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00321387098754660424</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/SZbtOjbBTaI/AAAAAAAAABU/H4f5h14KMmI/S220/moonspell_1.JPG'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1046236902026556368.post-6765370328009178637</id><published>2007-09-27T01:02:00.000+01:00</published><updated>2007-09-27T01:38:07.790+01:00</updated><title type='text'>Tranquilidades</title><content type='html'>Por momentos sabe bem sentir que não estou em guerra com algo ou alguém, se bem que, em consciência, saiba que tal é uma impossibilidade estudada desde que, outros terão existido antes e virão a existir depois, Sun Tzu ditou à sua ou a mão de outrém os 13 capítulos de uma arte duvidosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiz o que tinha a fazer e disse o que tinha a dizer, tocando alguns, afastando outros mas, pelo menos, lutando como só os ingénuos o fazem por um direito que me assiste. Mas adiante... As boas novas são a de que alguma outra luta deu resultado e vou em companhia de muito boa gente tocar um Coliseu de Lisboa que tantas vezes me pareceu distante, apesar de tudo. Espero que corra muito bem, trabalha-se para isso. Aliás, nem sempre a equação trabalho àrduo-sucesso resulta mas pergunto, qual a opção. Adiante outra vez...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi coisas boas e passei bons momentos apesar do preenchimento do tempo, da cabeça e do corpo. Aliás já estava a falhar para convosco ao não vir aqui depositar palavras&lt;br /&gt;e sentimentos e ao não moderar os vossos. Mea culpa. Mea desculpa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das coisas boas que vi foram os F.E.V.E.R. (isto dos pontinhos dá trabalho, mas toda a gente respeita, ao que parece!!!) no Music Box em Lisboa, não com tanta gente como mereceriam mas com fãs e pessoas cativadas de verdade. Sempre me fez impressão público-claque, apesar de compreender que amigos e familiares queiram (e devam?) apoiar mas isso cria uma sensação de falsa segurança às bandas e se sabe bem ao príncipio, não lhe fará muito bem quando tocarem sem essa rede. Mais vale a dureza neste caso. Os Urban Tales estariam bem à mesma (como aliás estiveram). Voltando à febre e aos pontinhos, conheço-os pessoalmente há muitos anos mas estive me borrifando para isso: vi foi uma banda, com um grande disco, um carisma crescente que me fez por o disco logo na manhã seguinte para ouvir. E se eles lerem isto um abraço de um amigo com o respeito de um convertido!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também gostei e muito dos Paradise Lost em Corroios. Fora a falta da ar, de growl no Gothic e ao abuso das vozes pré-gravadas (backing vocals anyone?), foi um grande concerto livre dos telemóveis e pseudo fãs que povoaram o concerto dos Massive Attack (que conversavam, fumavam, telefonavam durante as canções negras, atmosféricas e dançantes da banda para quando a música acabava rebentarem numa ovação estrondosa!!!). O novo disco foi cantado em uníssono, o alinhamento poderoso, e a presença e som conseguidos. Nota negativa para a inexistência de um jogo de luzes. Com tantos concertos e bandas de prestígio nessa sala não se percebe a falta de investimento nesse capítulo. Mas grandes Paradise Lost, uma banda que deu volta a toda a maldade e incompreensão do Metal para sobreviver como poucos! Para mim grande exemplo à semelhança dos Napalm Death!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim and for something completely different...esse epifenómeno Kalashinkov do meu também amigo de longa data Jel. O meu forte nunca foram bandas cujo humor fosse a sua imagem de marca. Pois bem aqui dou o braço a torcer. As canções são simples mas infeciosas, com toques de quem sabe o que faz, muito Kill em ALL, muito Exodus, grandes hooks e eficiência militar. Diversão pura mas séria, se me faço entender. Dão por vós a gritar com eles, por eles, e olhem é muito bom ser levado na onda por gajos assim. Têm valor e vão dar muito que falar!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tudo isto me deixa cansado mas tranquilo, pelo menos hoje. Amanhã, novo dia, novas inquietações. E cá estarei, eventualmente, para as registar. Morfeu chama, Orfeu espera.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1046236902026556368-6765370328009178637?l=loudspectator.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://loudspectator.blogspot.com/feeds/6765370328009178637/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1046236902026556368&amp;postID=6765370328009178637&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/6765370328009178637'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/6765370328009178637'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://loudspectator.blogspot.com/2007/09/tranquilidades.html' title='Tranquilidades'/><author><name>The Eternal Spectator</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00321387098754660424</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/SZbtOjbBTaI/AAAAAAAAABU/H4f5h14KMmI/S220/moonspell_1.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1046236902026556368.post-186406058470490042</id><published>2007-09-10T14:01:00.000+01:00</published><updated>2007-09-10T18:23:37.764+01:00</updated><title type='text'>Violação</title><content type='html'>Sair da toca mesmo quem, como eu, não tenha tido que enfrentar a maldição das férias (apesar de algumas escapadelas), é uma experiência a todos os termos boa, pelo menos para mim. Apesar das olheiras alheias que cruzam os nossos olhares, apesar do arrastar de pés, apesar do desnorte líquido e das ressacas de areais; o cheiro a Metro entra bem nas nossas narinas, o ter que estar em lado tal, a tal horas, coisas na secretária para ver/resolver, e no meu caso abrir as gavetas das emoções e deixar saltar as coisas que não se compadecem de sóis ou ondas, cá para fora, é, sem dúvida, aquilo que me é mais próximo. E isso faz-me sentir bem, confesso. A rotina é algo que me fascina, porque não a possuo tanto quanto gostaria. Mas só a tentativa de a criar já é suporte suficiente para me deixar entusiasmado. Ao ponto de nem pensar: há tantas coisas para fazer! Ainda bem, já lá vamos ou vamos lá!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Verão correu-me bem. Pessoal e profissionalmente. Antes de Agosto cheguei a um limite de trabalho que me causou alguns problemas, levando-me a um stress pouco aconselhável. Com o episódio das bagagens e com o desgaste provocado por andar atrás delas, retirei-me de cena durante três dias mas depois voltei quase novo. Tive pena de não parar mesmo oito dias mas não pude, sem lamentações. No fiel da balança pesam sim os concertos magníficos no Wacken, Tuska, Hellfest, Coliseu (que não ligou às polémicas e se manifestou positivamente), entre outros que me fizeram sentir como parte de algo muito especial. Falo disso nos artigos deste e do próximo mês da Loud! Check it out! As reacções foram tremendas e alimentaram-nos a confiança para o que se avizinha em termos de responsabilidade, criação e, yes!, rotinas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Setembro entrou e pelas 00.45 de uma noite que começava telefona-me um amigo. Primeiras palavras: tenho más notícias. Fiquei aflito, confesso. As horas propícias, a proximidade muita. Diz! Afinal, as notícias eram más mas não dramáticas. Quer dizer, ninguém tinha morrido, ninguém se tinha aleijado, separado, ou desaparecido. As notícias não eram terríveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, sobre outro ponto de vista (e viram como salvaguardei as distâncias? então não se esqueçam disso!), talvez estas notícias, embora comuns, sejam mesmo terríveis e dramáticas. O que o meu amigo me disse foi: o Under Satanae já está na net.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mastiguei aquilo durante um bom bocado. Afinal já não era a primeira, nem há-de ser a última. Afinal, não somos mesmo os únicos, pelo contrário, somos uma gota de àgua num oceano de desrespeito e egoísmo. Esse meu amigo disse que eu poderia escrever ao rapidshare (onde estavam alojados os ficheiros) e participar abuso por violação de propriedade intelectual. Assim o fiz. Com alguns resultados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir de 2000, todos os nossos discos têm ido, por portas e travessas, parar à net. A tecnologia, a democratização da internet, tudo isso que trouxe vantagens e desvantagens a todos, assim o permitiu. Tudo bem (ou tudo mal), são sinais do tempo que nos trazem dificuldades acrescidas mas que, como tantas outras contigências, nos temos, forçosamente de adaptar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim o fiz. Ou, pelo menos, tentei. Para o que não estava preparado era para a mudança de atitude do público que me fez, após muita reflexão, tomar uma couraça mais dura, mais radical, o que, por exemplo, me levou a participar este abuso, situação que, talvez não acontecesse se não tivesse tomado contacto com o espírito leviano que grassa por entre quem faz downloads, de forma não absoluta mas muito, muito global.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para um músico é complicado e arriscado falar do papel e das obrigações do público na equação das artes. Afinal, dependemos dele para aquilo que nos traz condições de trabalho, sem esquecer o privilégio da comunicação das nossas ideias que sem receptor ficam incompletas. Relembrar ao público os seus deveres é coisa que não se vê muito, por razões que acima ficaram registadas. E, o pior, é que o público sabe disso, fazendo uma "chantagem" silenciosa que encontra eco nas razões com que procuram legitimar o seu incumprimento para com a arte que tanto dizem apreciar e fazer parte da sua vivência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabendo disso e, em consciência, venho aqui fazer exactamente isso- procurar esclarecer alguns mal-entendidos, desmontar alguma da "chantagem" e relembrar alguns deveres. Assumindo perdas, críticas e sobrancerias:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Durante anos o público sentiu-se e foi, muitas vezes, explorado pelas editoras e profissionais da música que mantiveram as margens de lucro em níveis raramente alcançados por outro tipo de negócios. Para desconhecimento geral do público, o artista também engrossava essa margem de lucro, muitas vezes com contratos absurdos. O porquê dessas assinaturas sem rede é fácil de explicar: as bandas amam o que fazem (as verdadeiras, de qualquer estilo), e assinar um contrato que lhes dê esperança é como passar fome durante dias ou ir numa carrinha semanas a fio, sem banhos, ou dinheiros, ou alimentos. Aliás este amor à arte é, bastas vezes, utilizado como "desculpa" para o não pagamento, ou reconhecimento de direitos básicos dos músicos. Amar algo é fazer sacríficios mas isto vale para todos, não é unilateral. (Beber 20 cervejas, comprar um disco?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não pretendo fazer aqui uma victimização do músico que muitas vezes consegue, against all odds, realizar o seu sonho (muitos até se inebriam com isso) e viver e sentir uma vida muito especial. Mas esse músico começa por dar, não por receber. E continua, faz parte, a dar mesmo que muitas vezes o que receba em troca seja nada, ou desprezo, ou glória quando tudo se alinha. Independentemente disso, creio que o músico está no meio de fogo cruzado, numa guerra entre editoras e público, onde uns se vingam e outros se agarram ao poder com unhas e dentes. Com desespero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Na contabilidade das emoções, o público esquece-se de que existem coisas sem preço que os músicos lhes dão e custa-me muito sempre que se anuncia um concerto, um disco, uma edição especial (feita mesmo para combater a pirataria e convencer empedrenidos fãs que não compram o disco da sua banda preferida!) se quantifique sem excepção. A vida está má mas seria bem pior sem essas coisas sem preço sejam o sentimento de grandeza ao ouvir o Wherever I may roam dos Metallica (que foram crucificados pelos fans por invocarem um direito legítimo), perder a virgindade aos som de Cradle ou HIM, andar pela floresta, ouvindo Emperor entre inúmeros exemplos. Os Metallica são milionários mas fizeram milhões felizes. Não merecem uma vida folgada (que nunca o é) ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O público criou o mito de que as bandas agora vivem de merchandise, de dinheiro dos concertos, de que a maioria das pessoas que fazem downloads são fãs que compram sempre o disco. Há que destruir esses mitos: as vendas de merchandise não aumentaram substancialmente para ninguém. A venda de discos traz mais vontade e identificação de usar as cores das bandas. O mesmo se aplica aos concertos: muitas vezes são os relatórios de vendas que servem de guia a um promotor para contratar uma banda, ou a colocar num posição digna num festival. Na net não existe controlo possível nem vontade de o estabelecer. Por último está mais que provado factual e estatisticamente que as vendas têm caído vertiginosamente o que nem nada abona a pretensa "maioria que compra".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mitos e desculpas outras: a divulgação que as bandas obtêm pela net. Verdade, mas que não passa em absoluto pelo download ilegal dos temas que, pela resposta e capacidade de adaptação de músicos e alguma editoras, desenvolveram tecnologia streaming, downloads pagos, myspaces de música, youtube, entre incontáveis outras maneiras de conhecer uma banda sem a ferir legalmente nos seus direitos. No geral, esta divulgação tem tido também os seus efeitos perversos ao descer a fasquia da qualidade das bandas e artistas que se estream online sem a maturidade que se exigia outrora, certificando alguma qualidade. Há quem chegue a comparar o download a gravar cassetes (!). Eu não conhecia ninguém que tivesse acesso aos discos sem eles saírem e que os gravasse em cassetes na ordem dos milhares de temas!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Todas estas referências, notem, se encontram na ordem das adaptações dos músicos e editoras aos tempos e não do público, que continua sentado enquanto a barrazinha se preenche.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se a fortuna dos músicos está sempre na ordem do dia, a fortuna dos patrões adolescentes dos sites de partilha nunca é questionada! A ordem é perversa: os músicos criam, as pessoas fazem upload, os sites disponibilizam, as pessoas fazem download, levando com toda a publicidade possível que os leva a consumirem outras coisas desviando dinheiro para grandes companhias quanto mais não seja para as que gerem a internet e cobram "excesso" de tráfego. Ou tráfico. Vampirism, anyone?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E o que mais me deprime no meio disto tudo é a resistência impensável por parte do público (algum público, perdoem-me, mas mesmo assim muito, demais!) quando uma banda exerce ou tenta reclamar os seus direitos. A dignidade morre neste momento e vejo imagens da música a ser sovada por todos os lados, as pessoas querendo mais e mais, mas fazendo de tudo para acabar com ela (um pouco como o planeta). Vejam o caso dos Metallica com o Napster. O caso de alguém que simplesmente diz o que está errado e procura que as coisas aconteçam de outra forma, e que é criticado por isso com argumentos de quem, desculpem, não conhece, não sabe o que diz. (podia estender aqui o assunto aos custos de estúdio, de produção, percentagens, viagens, a música não é só lucro, meus amigos...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Agora queria pedir desculpa pela extensão do artigo. Muito mais há por dizer e o farei em outras ocasiões, com toda a certeza. Mas termino por dizer: sei bem que de pouco adianta escrever ao rapidshare, ao portal x, y, ao youtube, ao diabo a sete, para que retirem os nossos conteúdos, ou para que os utilizadores parem de os partilhar ilegalmente. Não sou ingénuo. A intenção dessa tomada de posição têm ( e perdoem-me a comparação que sei injusta) o mesmo valor das queixas que se apresentam quando existem violências várias que só agora começam a ser denunciadas. Tipo violência doméstica, por exemplo. Há que mostrar sempre às pessoas o outro lado das coisas. Há que dar sempre a resposta possível às impossíveis injustiças. É isso que nos destaca. Que nos permite a verdade. É isso que prova o nosso amor. Somos comos lobas que defendem as crias. E ninguém tem o direito de querer desprezar isso. Nem o nosso maior fã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ps: só ontem recebemos mais de 100 mensagens no myspace de moonspell, na sua grande maioria insurgindo-se contra o download ilegal dos nossos temas. As vitórias são assim, pequenas mas importantes. o ficheiro foi apagado do rapidshare.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1046236902026556368-186406058470490042?l=loudspectator.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://loudspectator.blogspot.com/feeds/186406058470490042/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1046236902026556368&amp;postID=186406058470490042&amp;isPopup=true' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/186406058470490042'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/186406058470490042'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://loudspectator.blogspot.com/2007/09/violao.html' title='Violação'/><author><name>The Eternal Spectator</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00321387098754660424</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/SZbtOjbBTaI/AAAAAAAAABU/H4f5h14KMmI/S220/moonspell_1.JPG'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1046236902026556368.post-1181134102674705847</id><published>2007-08-29T20:46:00.000+01:00</published><updated>2007-08-29T21:35:07.219+01:00</updated><title type='text'>Fookin hostile</title><content type='html'>Começo pela consciência de que não tenho o tempo que queria para destilar propriamente este artigo. Continuo dizendo que talvez me arrependa dele. Avanço confirmando que, para mim, quem diz que eu dou demasiada importância a estas coisas, especialmente quando estas coisas os visam, talvez tenha razão. Mas, por outro lado, acho esse comentário sempre defensivo, redutor de e em si mesmo, e exemplificativo de que existe muita palavra para pouca convicção; muita opinião para pouco fazer. E meter-me, observando e comentando, foruns e quem lá escreve não sendo saudável, é importante quanto mais não seja pelo contrapeso que é vital em todos os mundos e am todas as situações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exemplo: quando o Sam the Kid disse o que tinha a dizer, respondi. Muita gente, a maior parte me disse, porquê?, deixa lá isso, tu és superior a isso. Tudo bem, até entendo alguma parte desta atitude. Claro que, sabendo o que sei hoje, e seguindo o que o Sam diz, continuo a pensar que fiz bem em responder. Ao menos e no mínimo as pessoas iriam contactar com outro ponto de vista (o do visado, neste caso) e, talvez, pensar nele. Isso já é uma conquista, apesar do peito aberto, escudo humano, descer do pedestal, e por aí fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se anunciou o concerto de Sábado no Porto com Kreator, Fever e Before the rain, houve gente que ficou contente. Eu fui um deles. Por várias razões. Mas também houve um contrapeso enorme. Vão até ao &lt;a href="http://www.metalunderground.org/"&gt;http://www.metalunderground.org/&lt;/a&gt; e pesquisem-no tal como eu o fiz. Vão ao forum de Moonspell e façam o mesmo. Para além de boas e verdadeiras almas, verão a razão de muitas coisas e o porquê de muitas outras que nunca chegarão a ser coisas, perdidas nestes pensamentos de nomeada hostil e perdedora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que lido bem com as coisas, tenho de o fazer não é? Mas entristece-me ver que as conversetas de Gingão, as conspirações da cena, o queixume de sempre, ainda grassa e como por entre o líquido digital de ecrãs. Bem sei que muitas destas coisas nem a sério se podem tomar, mas à pele vos digo que muitas vezes me apetece emigrar (nunca fisicamente, claro, Portugal é um vício) dos meus próprios pensamentos e desistir de fazer coisas neste quadradinho. Não o vou fazer por mim e pelos outros que, como eu, continuam a acreditar e a fazer com que as coisas aconteçam em vez de as julgar prematuramente e, muitas vezes, sem substância. Podia espetar aqui o cliché do falar é fácil...fazer...mas não. Prefiro dizer que é muito bom comentar, ainda melhor se torna qundo se pode fazê-lo com obra feita, trabalho esforçado e feitio de luta. Com inteligência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O forum que citei, iniciado até por um bom amigo meu  (Jó), é o exemplo acabado e perfeito do que eu acho que é a cena Portuguesa, no que tem de bom e de mau. Recorro algumas vezes a ele por inspiração. Muitas vezes fui desafiado lá, confundido com user em modo de espião e por aí     fora mas se não me torno user é porque não me identifico com o que lá se faz na sua maior parte. É como não ouvir Moonspell ou Therion ou Nile por exemplo. Não conseguiria passar a vida (quase toda) a emitir opiniões, olhando para o lado em vez de olhar para a frente. Mas, atenção!, já lá aprendi alguma coisa, do cravo e da ferradura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas imaginem-se perguntados mil vezes quando é que tocam um Coliseu? Depois anunciamos, depois é porque é que o festival é assim, porque este nome para o festival e não x, porque é tão caro (esta é para rir, claro), porque fecham, porque abrem, porque isto, porque aquilo... dá vontade de permanecer na mesma e dizer olhem há excursões para o Wacken (onde me comoveu o apoio da elite portuguesa que lá foi!!!) e talvez para Vigo etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tocamos pouco em Portugal. Tentamos tocar mais. Mas é complicado. E incompleto. E, por vezes, inglório.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos EUA muitos fans vêm ter contigo e dizem adoro a tua banda! Isso é bom. Mas depois dizem: mas a banda que tocou convosco era uma merda para realçarem o elogio que vos fizeram. Para mim apagam-no de imediato. Não ficar até ao fim de um concerto é uma opção cada vez mais corrente e pessoal. Esburaca a cena, a moral, a imagem das bandas e dos promotores. Mas o vício da hostilidade é muito grande, maior, por vezes, que o da música. E isso, preocupa-me, e por isso eis este artigo nas suas honestas limitações!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sábado lá estarei sem este espírito mas com o outro que me é mais caro e verdadeiro. Esteja quem estiver. Fique quem ficar. Saberemos agradecer. E aprender. Nunca nada é a primeira ou a última vez, fiquem sabendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Última coisa: leiam a Loud! do próximo mês. Será sobre a experiência do Tuska e do Wacken. Sobre a terra prometida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Última, última coisa: tenho saudades de tocan no Barreiro e em Guimarães. E isto agora levou-me bem para cima. Escrever é um remédio. É ópio puro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1046236902026556368-1181134102674705847?l=loudspectator.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://loudspectator.blogspot.com/feeds/1181134102674705847/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1046236902026556368&amp;postID=1181134102674705847&amp;isPopup=true' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/1181134102674705847'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/1181134102674705847'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://loudspectator.blogspot.com/2007/08/fookin-hostile.html' title='Fookin hostile'/><author><name>The Eternal Spectator</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00321387098754660424</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/SZbtOjbBTaI/AAAAAAAAABU/H4f5h14KMmI/S220/moonspell_1.JPG'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1046236902026556368.post-7345355998007840218</id><published>2007-08-24T00:21:00.001+01:00</published><updated>2007-08-24T00:34:23.538+01:00</updated><title type='text'>Gado que voa</title><content type='html'>E agora a destilação da semana...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é, lá voltei. Despojado. Como (quase) sempre. E daqui a poucas horas lá volto a sentar o cuzinho forma de cadeira de avião nesses apertanços alados. Já repararam que as janelas não dão com as cadeiras das filas? Alguém me disse que era normal. Ao que me lembro (e desconfio de tudo!) a primeira vez que entrei num avião (em 1995) para gravar o Wolfheart (pobrecillo) as coisas pareciam-me mais alinhadas e espaçosas. Que se dane.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Facto é que, teorias das conspirações à parte, as companhias aréas em geral (não há inocentes neste jogo), estão a aproveitar-se, e como, dos passageiros, abusando do mais básico dos direitos destes, até do direito à respiração! A paranóia auto-instalada do 11 de Setembro deu largas à imaginação da proibição e passar hoje pela segurança é um exercício de paciência, estratégia, com laivos "gandhianos" de não violência, auto-humilhação e demais espiritualidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia de um metaleiro no aeroporto. Por exemplo, a passada Sexta do célebre voo para Istanbul:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- check in feito em casa, maravilha. Lugares escolhidos, processo fácil, evita-se filas (publicidade enganosa, veremos!), só deixamos bagagem no já famoso luggage drop. Chegada ao aeroporto, as irreligiosas duas horas antes do voo (só para músicos!), fila considerável no check in da Iberia. Procuro o luggage drop, esse oásis...uma funcionária com a boca cheia de bolachas, ri-se entre migalhas como que a gozar...luggage drop? Isso aqui em Lisboa, para a Iberia, não existe. Vamos para a bicha, espumando de raiva interior, toda publicidade evite filas,evite filas,evite filas,evite filas,evite filas,evite filas, repetida num volume absurdo dentro da minha cabeça. Em Lisboa não há, como se esse erro fosse desculpável com um...bem..afinal estamos em Portugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- chegada a Madrid, espera descomunal pelas bagagens. Ficaram em terra, em Portugal. A um dia da greve a greve de zelo começa. Vamos para a Turquia a correr porque esperámos pelas bagagens, atrasados por se terem atrasado connosco para nada, repreendidos por hospedeiras, securitas, bagageiros (será do inebriante uniforme ?), lá nos sentamos nas cadeiras que não batem certo com as janelas. Voamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Linha Iberia. Vinte minutos de espera. Alguém atende!!! Fala Inglês. Não! Mais dez minutos de espera! E eu que falaria portunhol!!! Concerto corre bem, teclado de putos que faz a Awake parecer uma música de demo, grande resposta, pratos alugados, estridentes, tudo um flash, um sonho quase. Avião de madrugada, chegámos a Madrid onde tinhamos dado instruções claras para deixarem ficar a bagagem, que na volta apanharíamos. Qual quê! As suas maletas acabaran de seguir para Estambul...Retenho um insulto ibérico, desisto, passo a papelada a outro. Uma semana a perseguir a Air France e a Groundforce por causa de material de bateria. Air France: A groundforce recusa a dar informação sinhõ (pronúncia brasileira); Groundforce: Não temos acesso ao processo da Air France porque foi iniciado no estrangeiro. Air France: não nos perderam a bagagem porra, entreguem! Groundforce: Não são vocês que entregam? Porra, entreguem! Entreguem, entreguem!!! ENTREGUEM!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Esta peça foi, entretanto, achada numa arrecadação do aeroporto de Lisboa. Entregue em mão (final feliz), depois de choradinho e conversa. Final feliz. À Portuguesa. As outras depois do passeio pelo Levante, chegaram ontem. Mesmo a tempo de amanhã. O que acontecerá?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aparte que me vinha à cabeça muitas vezes na fila para onde não tinha de ir mas afinal fui: aeroporto novo, que tal um país todo novo? Seria mais apropriado, talvez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós na segurança já nem sei de onde. O Mike teve de tirar (depois de se descascar de correntes, chapéus, pulseiras, cintos, o diabo a sete) um pulso de pano com que planeava sufocar o piloto do avião para mostrar à senhora guarda securita majestatis...eu que engolir à pressa, de uma vez, um iogurte líquido de morango do DIA com que planeava sujar o avião de modo a todos terem medo curioso e eu, de surpresa, sacar de uma bolacha digestiva e com ela ameaçar toda a tripulação pondo em causa a segurança internacional... fora de brincadeiras, somos todos (quem voa) &lt;strong&gt;gado que voa&lt;/strong&gt;. Não tenham ilusões. Acabei de recusar um convite para DJ na Grécia, tudo pago, cachet, etc e tal. Motivo: tinha de ir de avião. Satã me proteja. Shehamforash!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desculpem o desabafo, para a semana regressa a normalidade com uma dose considerável de veneno. Me aguardem! bom fim-de-semana!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nota: Agradeço a todos os fans de Moonspell que trabalham no aeroporto e que por muitas vezes tentaram e fizeram com que a nossa vida fosse mais fácil nesse lugar horrível.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1046236902026556368-7345355998007840218?l=loudspectator.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://loudspectator.blogspot.com/feeds/7345355998007840218/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1046236902026556368&amp;postID=7345355998007840218&amp;isPopup=true' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/7345355998007840218'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/7345355998007840218'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://loudspectator.blogspot.com/2007/08/gado-que-voa.html' title='Gado que voa'/><author><name>The Eternal Spectator</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00321387098754660424</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/SZbtOjbBTaI/AAAAAAAAABU/H4f5h14KMmI/S220/moonspell_1.JPG'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1046236902026556368.post-4243761912895299879</id><published>2007-08-23T23:48:00.000+01:00</published><updated>2007-08-24T00:20:36.778+01:00</updated><title type='text'>Portugal Quintal</title><content type='html'>Para quem não leu na Loud! do passado mês (shame on you!!!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Portugal Quintal&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como este artigo visa algum embaraço vamos tentar evitar, pelo menos, o embaraço inicial e dizê-lo sem pausa para respirar: sou um metaleiro famoso em Portugal. Passo, sem espinhas, por cima da polémica que possa diminuir ou aumentar a importância deste facto (se sou um famoso metaleiro ou não, se o sou lá fora também, ou não). Se não tivesse tomado esta atitude não conseguiria escrever este artigo. Feitas as apresentações, passemos às observações:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ando sempre de Metro, quase todos os dias. Moro ao pé da estação X e vou até à estação Y. Daí, ando quinze minutos até ao nosso estúdio em Z. (Estas letras/cifras pertencem à linguagem dos famosos, não se apoquentem). Por diversas vezes sou abordado no Metro e tento responder à absoluta incredulidade das pessoas que me interpelam, com a minha mais absoluta normalidade, invocando o critério ecológico, o da agressividade dos condutores, das filas de trânsito, da rapidez do Metro e do absoluto privilégio que é, por exemplo ler a Loud!, coisa proibida  de se fazer ao volante de um popó, para justificar esta minha (parece que estranha) decisão.  Na contabilidade dos prós e contras o simples facto estatístico de ser menos um carro-dependente já me faz ter coragem de enfrentar filas, apertões e caminhadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É no Metro também que, por vezes, algumas pessoas fixam o seu olhar em mim, confusas, e saem dos seus lugares distantes para saírem na porta que me está próxima para terem a certeza. Os (não tão poucos) que se atrevem a trocarem umas palavras comigo demonstram grande surpresa, com a maioria a pensarem que os “célebres” não andam de metro. Até agora que sempre com educação o que agradeço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem pior é outra situação que me aconteceu, ao que me lembro, por duas vezes. Uma num supermercado e outra à porta do clube onde pratico uma actividade desportiva. Indo eu de boné e óculos de sol (que tiro sempre dentro de portas, pois acho estranha a mania de usá-los em lugares fechados) e fato de treino, duas pessoas, uma em cada ocasião, viraram-se para mim dizendo: Muito bem disfarçado. Mas nós reconhecemo-lo. A nós não nos enganou. Devo dizer que esta situação me irritou profundamente e respondi menos bem. Se não roubei ninguém, se nada fiz de mal, (talvez de discutível para alguns, tudo bem) se tenho orgulho no que faço e se o faço com orgulho, não tenho de andar disfarçado! Não se confunda o sentimento prático com devaneio. Sempre falei com toda a gente, sempre aturei os bêbados nos concertos (tenho testemunhas!!!), sempre defendi o que acho ser verdade mesmo que essa verdade tenha por vezes, inevitavelmente, sofrido transformações e por fim, nunca deixei, embora me importe com ela, que a opinião alheia comprometesse com seriedade aquilo que quero fazer seja no supermercado ou no palco. Foi isto, compactado às situações, que respondi. No supermercado, porque à porta do clube estava ao telefone e vi passar o rapaz engravatado (quem está, na verdade, disfarçado?) que me atirou isto, contente por me ter desmascarado, dando cotoveladas de contentamento ao amigo, a caminho, talvez, do banco onde trabalha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca condenei aquela espécie de super-metaleiros que no concerto de Priest, no Atlântico, despem a sua camisa e gravata e enchem o peito na t-shirt velhinha, adentrando os portões com um brilho de fazer inveja aos que vestem de cabedal preto. Sei, por experiência própria, que a música é algo que nos invade por dentro. Nunca acusei alguém de disfarce e seria incapaz de o fazer. Sei, também, que no meu caso a imagem é importante mas que a mim não me escraviza. Pelo contrário, dá-me prazer. Sei tanta coisa ou julgo saber. Sei também que se as pessoas me ignorassem, não estariam aqui a ler-me, mas, também sei que se me ignorassem não me sentiria um nada, porque, enquanto anónimo, nunca fui um nada. Se o fosse, não estaria aqui, nem seria interpelado desta maneira que descrevo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que quero promover é algo de mais subtil e positivo: a normalidade. A minha que por vezes se eleva e cria algo importante para mim e para os outros. A minha que me permite andar de Metro e fazer compras no Dia. Sei bem que os “famosos” de Portugal não são exemplo para ninguém, já disse por mais que uma vez que à nossa elite de decisores e aparecidos se deve boa parte dos nossos problemas, incluindo esta história que vos trouxe hoje. Permitam-me a mim, talvez menos famoso, mas mais genuíno, e a vós próprios, anónimos, mas por vossa vontade, distintos, fazer a diferença e, juntos, abandonar de vez o quintal em que temos de viver e passar à fase seguinte. Por mim não desisto do Dia, nem do Metro (que não patrocinam este artigo) e estou pronto para os próximos capítulos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1046236902026556368-4243761912895299879?l=loudspectator.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://loudspectator.blogspot.com/feeds/4243761912895299879/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1046236902026556368&amp;postID=4243761912895299879&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/4243761912895299879'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/4243761912895299879'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://loudspectator.blogspot.com/2007/08/portugal-quintal.html' title='Portugal Quintal'/><author><name>The Eternal Spectator</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00321387098754660424</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/SZbtOjbBTaI/AAAAAAAAABU/H4f5h14KMmI/S220/moonspell_1.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1046236902026556368.post-4031924419357330720</id><published>2007-08-16T19:22:00.000+01:00</published><updated>2007-08-16T20:01:49.486+01:00</updated><title type='text'>O meu primeiro disco de Emo</title><content type='html'>Quase Sexta...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há 11 dias que algum do material de Moonspell anda a passear pela Europa graças à incúria da Air France e da Tap/Groundforce que insistem em tratar os seus passageiros como lixo, daquele lixo sem vida própria, compromissos a honrar, instrumentos para criar ou trabalhar. Para quando o teleporte?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Emo é um estilo que me chega através de toda a carga negativa que o divide entre quem o odeia como música de putos sem inteligência, com uma sensibilidade histérica e modistas; e esses mesmos"putos" que, pelo que vejo, se afundam na música, nas referências, nas roupas, muitas vezes, talvez, sem critério mas com paixão (termo discutível). Claro que as coisas não serão exactamente assim mas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A passagem dos MCR (My Chemical Romance) por Lisboa e pelo mundo não deixou ninguém indiferente e penso que esta banda epitomiza na perfeição este abismo entre os putos de caveiras nas meias e gravatas e os ofendidos pelos gritinhos emocionais e prolongados dos vocalistas. Passem no forum do Blitz onde uma pequena guerra acontece, enquanto falamos. Confesso que nem tomei aquela atitude purista de verificar as origens e fontes deste movimento. Julgava eu que Emo era um termos que se aplicava a coisas como Bonnie Prince Billy (fora do Metal) e o mais aproximado nas coisas do Rock seriam os Isis, os Cult of Luna, Neurosis (dark emo, anyone?), Pelican, etc. Este é um estilo que por acaso me encanta. Há uma banda Portuguesa (os Riding Panico) que descobri numa compilação da FNAC que trilha e bem estes caminhos, já para não falar dos Process...ou dos Men Eater em registos mais duros e metálicos-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adiante...estava enganado. Afinal o Emo é outra coisa. Não me surpreende. Afinal há &lt;em&gt;&lt;strong&gt;mathcore&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;, não há? Um dia, no estrangeiro, vi um video magnífico de uma banda com uma cara que me era muito conhecida. Vim a descobrir a cara: Jared Leto, protagonista de um dos meus filmes de sempre (Requiem for a Dream). O video passava-se na Cidade Proibida (China) e metia inveja pela sua elegância e opulência. Daí, armado em "puto" comprei o disco. Já gostava dos AFI e especialmente dos Stabbing Westward (que talvez tenham começado tudo isto do Emo sem o saberem). Gostava da imagem, do preto elegante, das caveirinhas, do cuidado, dos detalhes (ainda fico contente ao ver -como vi- um puto de gravata vermelha ao lado de um metaleiro de colete com estampas a curtirem...sei lá...Immortal) e gostei do disco e ouço o disco, aliás estou a ouvir. Fui ouvir então os MCR e a coisa aí não foi bem a mesma...coisa. Sem juízos de valores superiores enquanto que os 30seconds têm musicalidade, ideias, e referências, penso que com os MCR a coisa vai mais pela adição, imagem e fama. A música, para mim, é mesmo despejada de boas ideias, a voz irrita q.b. e antes que aqui o Spectator seja hackado por um fã dos ditos fico-me por aqui. Mas, pronto, sem querer convencer quem gosta a passar a não gostar, não gostei. Depois como sempre vêm os sucedâneos que nem estive para ouvir...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passar os olhos por um forum e parar lá é, hoje em dia, o equivalente virtual a passar por um acidente de carro, parar e ficar a ver aquilo. Aliás estou a preparar um post aqui sobre esses mesmo foruns de haterz, frustratedz, e afins. Conclusão: tenho e ouço um disco daqueles do Emo, que comprei por causa de um video, de um gajo actor famoso. Já tenho uma meias às caveiras e até uma gravata (o que sonhei com uma!!!). Promovo a sensibilidade. É desta que me perco? Não me parece. Bom é sempre experimentar: do bom e do mau. Para sabermos do que estamos a falar. É que, muitas vezes, não é discordar, sabem? É mesmo verificar que uns 99% do que se diz é infundado e inventado. No forum do Blitz até os NIN foram metidos ao barulho por causa da exposição dada ao fenómeno MCR. Parece-me que quem ouve NIN não precisará que falem deles desta ou daquela maneira para os ouvir. As boas bandas ouvem-se sempre, na presença ou na ausência delas nas palavras dos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom fim-de-semana, vou até à Turquia perder e danificar mais umas roupas, tripés e tarolas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1046236902026556368-4031924419357330720?l=loudspectator.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://loudspectator.blogspot.com/feeds/4031924419357330720/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1046236902026556368&amp;postID=4031924419357330720&amp;isPopup=true' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/4031924419357330720'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/4031924419357330720'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://loudspectator.blogspot.com/2007/08/o-meu-primeiro-disco-de-emo.html' title='O meu primeiro disco de Emo'/><author><name>The Eternal Spectator</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00321387098754660424</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/SZbtOjbBTaI/AAAAAAAAABU/H4f5h14KMmI/S220/moonspell_1.JPG'/></author><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1046236902026556368.post-6210069195325267670</id><published>2007-08-08T17:26:00.000+01:00</published><updated>2007-08-08T17:42:55.629+01:00</updated><title type='text'>Trabalhos forçados</title><content type='html'>Fez há dois dias um mês em que publiquei aqui o meu último post. Muitos (de vez em quando até eu, confesso) me julgavam de férias quando a realidade era bem diferente. Aconteceu, precisamente, o contrário...Fui inesperadamente invadido por entrevistas, pedidos, trabalhos administrativos e muitas correrias. Toda esta actividade inesperada teve origem no lançamento do meu novo livro de poemas, mas também na saída para o mercado de um Best of de Moonspell que foi visto, por muita da Imprensa que quis falar comigo, como um marco, um balanço, uma consagração, sei lá, e, por consequência, teve uma divulgação e procura que eu não esperava. De todos os balanços que eu posso fazer agora é que de repente fiquei sem tempo (logo quando contava com tanto desse precioso possuir) e tive de me amanhar. Passei a tomar banho todos os dias para não parecer muito mal nas sessões de fotos e perante a pilha de e-mails, entrevistas, coisas para resolver, mandei o blog a banhos, com muita pena minha. Logo agora que estava, penso eu, a fidelizar visitantes, estimulando as suas próprias faculdades observativas. Voltei hoje numa meia hora entre coisas para vos dizer que conto não deixar este blog a ganhar pó durante tanto tempo. Quero-lhe dar a vivacidade que ele merece apesar do Verão que nos chama a tudo menos a reflexões sobre o Metal. Contem comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As férias fazem-me alguma impressão. Melhor, não as férias, mas a obsessão que se tem por elas que atinge o seu zénite neste mês em que, por infortúnio, nasci. Já em Dezembro se ouve falar delas e é inacreditável que num país com tantos problemas de produção (e preguiça) se exiga e goze de tanto lazer. Lá está, não é o lazer (uma vez mais) que me preocupa, mas o espaço (total) que ele ocupa nas nossas vidas mesmo que a gente não queira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não foram só inqueitações e trabalhinhos este mês/hiato. Toquei na Europa, visitei duas terras prometidas para os metaleiros (Tuska, Finlândia e finalmente Wacken, Alemanha) e guardei muitas impressões para partilhar convosco. Desculpem este tom coloquial, é do Sol. No entanto a Loud! já saiu este mês com os Amorphis (grande disco!) na capa e o meu Portugal Quintal lá para o meio. Também já entreguei o artigo do próximo número, esperando que suscite interesse. Debate a dinâmica entre bandas que ficam na sombra (refinando-se ou desaparecendo) e bandas com um lugar ao Sol (queimando ou ficando de ouro). Digam de vossa justiça. Para a semana sem falta, com tempo ou sem ele.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1046236902026556368-6210069195325267670?l=loudspectator.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://loudspectator.blogspot.com/feeds/6210069195325267670/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1046236902026556368&amp;postID=6210069195325267670&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/6210069195325267670'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/6210069195325267670'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://loudspectator.blogspot.com/2007/08/trabalhos-forados.html' title='Trabalhos forçados'/><author><name>The Eternal Spectator</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00321387098754660424</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/SZbtOjbBTaI/AAAAAAAAABU/H4f5h14KMmI/S220/moonspell_1.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1046236902026556368.post-2889094053848179968</id><published>2007-07-06T11:36:00.000+01:00</published><updated>2007-07-06T13:06:22.945+01:00</updated><title type='text'>Saber ouvir- como não escurecer o dia</title><content type='html'>Amanhã vou-me embora da Dinamarca. Não para sempre porque essas coisas não existem neste mundo, mas, com passagem pela Holanda, regresso a casa, coisa que vejo sempre com bons e devoradores olhos. Reparo que hoje é outra vez Sexta Feira, como que uma espécie de flutuante dia do Spectator, já que, empiricamente (não estou mesmo com disposição agora para ver os artigos/datas passadas),me parece que as Sextas são o dia em que mais escrevo aqui. Curioso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assinalo, mais uma vez, com respeito e profunda admiração todos os comentários aos meus "sacríficios", aproveitando para esclarecer muito ao de leve que faltou algum contexto ao artigo, já que (e não pretendo escurecer o dia para salientar a luz) olvidei dizer-vos que poderíamos, se nos tivessemos entendido com quem de responsabilidade, ter gravado este disco noutra altura (tendo eu, assim, ido a todas) e, finalmente, que foi uma opção que fiz o sacríficio por razões de desgaste (11 voos em 3 dias é obra para costas e paciências), por quer ficar entre os meus (a presença conta entre quem cria), entre outros importantes detalhes. Arrumo assim esta dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O saber ouvir é algo que todos nós, idealmente, procuramos. Não falo só de música. Nós, espécie de latino europeu, temos sérias dificuldades em fazer isso, irritando-nos, em profundo, com a calma dos outros, os silêncios, a espera pela sua vez, coisas que, não poucas vezes, tomamos até por hostis para connosco. Que o metal é discutido, já o sabíamos. Estou farto de falar das sensibilidades inconciliáveis que vejo, pessoalmente, como um problema mas também como um traço de amor e personalidade. Bem...nem todas, mas uma parte que nos permite conviver num convés de um barco que tanto se afunda, como acelera, como apodrece no passado ou desaparece no futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um passeio inocente por foruns, blogs e comentários do youtube, revela, e bem, essa batalha campal. Não me ilibando de crimes de guerra, nem focando ninguém em especial (coisa essa que irá, no entanto, fazer sempre com que algo se sinta visado) confirma-se que, dotadas da arma da opinião e sua comunicação, as pessoas ganham instintos assassinos, que se fecham sobre eles de uma maneira que muitas vezes me assusta, eu que vivi no tempo dos recortes das revistas e dos inocentes anúncios para penfriends. A hostilidade é tão imediata como a paixão, mas, feliz ou infelizmente, não tem o sentido desta em termos de força construtiva. Nao seria a primeira vez que um fã (novo ou velho) me vem dizer que gostou muito deste ou aquele disco ou concerto (o que me deixa, obviamente, feliz) mas que depois (muitas, muitas vezes) se refere a uma banda do estilo próximo para a diminuir, "engrandecendo", assim, o elogio acabado de fazer. Aos meus ouvidos tudo morre de imediato, nascendo apenas o embaraço, a discussão e a desilusão. Escurecendo o dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei mais sensível a esta realidade na primeira vez que fui tocar aos EUA. Acontecia muito. Passado um curto tempo e com toda a aculturação metaleira importada desse país, passava a acontecer na Europa e no mundo e até países que nem concertos tinham há bem pouco tempo, já deitavam as unhas sujas de fora para dar e depois morder em seguida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retirei uma lição de tudo isto: o saber ouvir. E falemos agora de música no seu (possível) concreto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1- Recuso-me a falar de uma banda que não tenha ouvido com um mínimo de atenção. Por vezes, basta ver um video, uma canção no myspace, e identificar do que se trata. Quem ouve música a sério tem esta obrigação e capacidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2- Fundamento o meu não gostar ou gostar em coisas que possam; ora ser defensáveis (retiradas de convicções, posturas, intuições) ou sublimadas pelo inexplicável sentimento (feeling) que nos fará gaguejar na explicação mas sempre de olhos e coração brilhantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3- Faço um "julgamento" estético baseado nestes pontos que em comum tem apenas uma simples ligação: a de saber e praticar o ouvir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Nota: também não contem comigo para aquela opinião do não gosto mas respeito a qualidade, tem um grande som, imagem, etc. é algo que-felizmente-deixei de fazer)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saíndo deste esquema (manias ainda da Faculdade) dou três exemplos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando recebi o promo do disco Dead Again dos Type O fiquei contente pelo simples facto de eles terem conseguido acabar e lançar um disco. Quem conhecer o historial recente da banda saberá do que falo. Ouvi o disco (com as marcas audio/promo) bastantes vezes e deixei-o a repousar durante largas semanas. Não me tinha encantado muito, achei ironia a mais, dor a menos, picardia a mais, romatismo a menos. Nesse repouso o passado afastou-se convenientemente da equação e quando recebi o disco final com letras e tudo (!) meti-o no carro numa ocasião em que esperava para dar boleia a alguém e ouvi outra vez com as letras na mão, acompanhando milimetricamente o disco. Tudo passou a fazer sentido. As palavras ora adoçicavam a dor, ou espicaçavam a ironia. Grande disco em toda a sua imperfeição, competição com o que já foi feito pelos próprios, grande mundo verde!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois foi o In Requiem de Paradise Lost. Não tinha ligado nem gostado (efectivamente) dos discos anteriores. Sem problemas ou condenações. O Symbol of Life que conquistou tanta gente tinha-me parecido simples demais e o seguinte a meio caminho de algo. Sei do que falo, acreditem, mas estou a expôr, com sinceridade, a minha experiência, não confundam isto com uma review, rogo-vos!!! Veio então o IR. Ouvi e muito em MP3 que passei do promo para o telefone e cada vez mais a rede Macintosh me agarrou. Tudo pelas boas canções que ali desfilam (as canções escasseiam na produção quotidiana!) e por uma certa honestidade que é inegável no disco que, para mim, ao contrário da simples e arrumada explicação do regresso às raízes (quais são as raízes dos PL? O Lost Paradise, o Gothic, o Icon, o Shades, o Draconian?), é um disco bem vivo de novidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se me tivesse ficado pelo passado e pelas voltas da glória destas monumentais bandas penso que teria perdido e muito (e não quero que isto seja entendido como publicidade camuflada). Há SEMPRE que dar o benefício da dúvida a estas bandas (e também a Anathema, Tiamat, Samael, etc.) pois elas, ao contrário de muita, mas muita banda nova, sabem (ainda) fazer canções e emoções. E com mil raios, digam-me, o que é eu posso ouvir para chegar perto das emoções dos TON ou dos Paradise, que outras bandas? Não as conheço. Eles são como aqueles artífices da guitarra Portuguesa ( Mestre Grácio) ou do violino (Mestre Capela). Quando eles se forem, levam a "receita" com eles. Fica o legado que de tudo se constitui. E esse legado não pode ser usado em favor de uma destruição de carácter das bandas. Os Type O têm culpa de terem feito discos geniais como o October Rust? Não ? É que, às vezes, parece!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente o mais complicado teste:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Megadeth. Nunca gostei de Megadeth, apesar do Countdown to Extinction ter rodado muito no meu quotidiano de então. Justifico-me perante vós, nem os discos antigos e importantes deles me inspiraram para os ouvir. Preferi sempre o lado escuro da força Thrash que os Onslaught (dia 6/10 em Portugal fuck yeah!), Artillery e Annihilator, para mim representavam. Este regresso dos Mega tinha uma curiosidade cimeira: a participação da Cristina dos Lacuna Coil. Não a concebia a cantar em Megadeth, naquela canção, mas tinha de ouvir. A primeira audição foi um desastre! Numa carrinha a 170 para Copenhaga. O resto do disco seguiu a mesma senda. Não havia canções. Mais refeito vi o video, ouvi outra vez a Tout le monde e comecei a gostar do tema naquele contexto de um tema cool para se ouvir no Hard Rock Café em vez do que vocês já sabem:) Mas não passará disso, para mim. O resto do disco acho infantil liricamente e não tem a minha simpatia, talvez porque os Megadeth nunca a tiveram (e precisam tanto dela como a de qualquer outro ouvinte/amante em potencial).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho ouvido muita coisa ultimamente. Cultivado essa disciplina e gosto com a maior das dedicações e vontades. Acredito que há sempre tempo para a música, quer seja ela uma sólida presença ou uma flutuante aragem. É preciso é ouvir com todo o ritual, esforço e dedicação que se exige. É para isso que cá estamos e há da parte de quem ouve uma obrigação, um papel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se demitam dele, entregando-vos à hostilidade, à saudade, à ilacção. Da parte de cá, acreditem, há quem procure fazer o "bem". Isto não é só teimosia, finança, calculismo, opinião. É muito mais loucura, génio, entrega, necessidade e partilha do que o que, comumente, se pensa. Ouçam a voz que mais vos seduza. Ela mostrará que tipo de pessoa somos e se sabemos ouvir de verdade sem escurecer o dia para salientar a luz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1046236902026556368-2889094053848179968?l=loudspectator.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://loudspectator.blogspot.com/feeds/2889094053848179968/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1046236902026556368&amp;postID=2889094053848179968&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/2889094053848179968'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/2889094053848179968'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://loudspectator.blogspot.com/2007/07/saber-ouvir-como-no-escurecer-o-dia.html' title='Saber ouvir- como não escurecer o dia'/><author><name>The Eternal Spectator</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00321387098754660424</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/SZbtOjbBTaI/AAAAAAAAABU/H4f5h14KMmI/S220/moonspell_1.JPG'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1046236902026556368.post-305320795194285824</id><published>2007-06-29T21:53:00.000+01:00</published><updated>2007-07-01T00:47:13.104+01:00</updated><title type='text'>O material do qual os sonhos são feitos</title><content type='html'>Eis do que os meus dias normalmente se compõem. Muito mais que uma queixa procuro deixar-vos aqui um pequeno testemunho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontro-me na Dinamarca, numa cidade que parece pequena, mas que tem duzentos mil habitantes. A calma impera, os dias são tranquilos, os pássaros cantam, o sol retira-se com vagar do dia. Estou aqui para regravar temas muito antigos que, por acaso, voltaram à nossa vida com um vigor e verdade que, confesso, não esperava. Mas outros contarão esta história. Noutros lugares. Hoje gravei três músicas. Foi o meu primeiro dia. O resto dos dias entretive-me a escrever, a descansar, a jogar Age of Empires, a ouvir música, a comprar pão e cerveja, a administrar concertos e viagens, e pouco mais que já é muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha pacata existência só foi perturbada por duas coisas (além das óbvias saudades):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Os Type O Negative tocaram pela primeira (e talvez única) vez na minha cidade, Lisboa. Apesar de os ter visto por dezenas de vezes, nos mais diversos países, nos mais diversos estados pelos quais as bandas passam, do absoluto esplendor até à extrema fragilidade, este concerto era para mim muito, muito especial por razões que são, também elas, muito especiais. Alguma pessoais em demasia até para este blog; outras que nasceram de conversas com os próprios Type O (sabem bem o quanto os Portugueses gostam de falar do seu país, especialmente quando estamos fora dele), e também por todos os sonhos vividos em Portugal por altura do Bloody kisses que mudou a minha vida, e um muito intenso etc. Pois bem, Quarta Feira, dia 27 de Julho de 2007, eu não estava lá. Hoje é dia 29 e comecei a gravar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-No dia 26 recebo uma chamada da Universal. A pergunta é directa: queres ir entrevistar os Metallica para o Top +? A resposta sai engasgada...estou na Dinamarca. Ainda me lembro de quando ouvi Metallica pela primeira vez, o Battery (com que encerraram o set de ontem) numa cassete de crómio, num walkman barato. Não descansei enquanto não comprei o LP do Master e ainda me emociono só de pensar na ideia de falar cara à cara com os Metallica pela primeira vez. No Rock in Rio nem me aproximei deles tal era a timidez. Esta entrevista, if nothing else, era a oportunidade perfeita de quebrar o gelo e prestar vassalagem. Hoje é dia 29 e gravei três canções. Três.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para vos ser honesto, visceralmente honesto a mim não me importa se o Pete Steele está com problemas (importa-me como amigo, claro) e se não tem a frescura de outros tempos. Como fã soube sentir, intuir e ouvir o Dead again, que é um dos meus discos preferidos deste ano e penso que durará tal como duraram World coming down e Slow deep and hard. Não me importo sequer se o pessoal estava calmo, cínico, perdido à espera do passado, proibido por isso de aproveitar o presente (um pouco de Nietszche caíria aqui bem). Importo-me é de não ter lá estado para os receber, apoiar e retribuir com um abraço, vinho, pastéis de nata, calor, café, tudo, pelo quanto foram generosos em me dar desde o verde paganismo urbano dos parques de Brooklyn até à dor honesta de World coming down ou a paranóia assumida de Dead again.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para vos ser honesto, não me importa que os Metallica tenham cortado o cabelo, feito aquele filme absurdo, processado o Napster (acho que até fizeram bem!), ou assassinado uma canção de Nick Cave. Gostaria de os ter entrevistado, de ter apertado as mãos que fizeram o Blackened, o Orion (que tocaram!!!), de lhes dizer uma palavra tímida e gaga, de os sentir e de lhes agradecer a generosidade que os tornou, sim, milionários e a mim, em muitos momentos, mais forte, mais sonhador, mais vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez eu esteja mais habilitado a pesar estas coisas porque as vivo em pequena escala. Sei bem da ingratidão dos julgamentos públicos, das opiniões que omitem o que em dada altura foi recebido com entusiasmo e devoção e tudo isso .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá fora a cidade de Arhus respira tranquila e cinzenta. Eu vou-me esquecendo do que passou mesmo agora, apesar da vontade em me sentir mal por causa destes sonhos desfeitos. Mas a idade tem-me trazido a capacidade de lidar com o "não se pode ter tudo". Bem, o magnésio e o yoga ajudam, também. Por vezes, confesso, tive vontade de acabar este artigo com algo do género "se depois destes sacríficios, alguém puser em causa a minha dedicação pode ir à...". Mas não. Sei que faz parte do jogo. Sei que a minha dedicação, como a de tantos outros, vai ser sempre posta em causa. Mas isso cada vez importa menos. Não vi Type O em Lisboa, não entrevistei os Metallica. Trabalhei durante anos para isso e para muito mais. Continuo a trabalhar. Aliás amanhã às 9 em ponto no estúdio. Talvez a minha realidade não seja entrevistar os Metallica. Talvez isto, talvez aquilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquilo que sei é que o sacríficio é o material do qual os sonhos são feitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom fim de semana a todos. Capítulo encerrado, volte-se a página. É Lua cheia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1046236902026556368-305320795194285824?l=loudspectator.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://loudspectator.blogspot.com/feeds/305320795194285824/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1046236902026556368&amp;postID=305320795194285824&amp;isPopup=true' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/305320795194285824'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/305320795194285824'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://loudspectator.blogspot.com/2007/06/o-material-do-qual-os-sonhos-so-feitos.html' title='O material do qual os sonhos são feitos'/><author><name>The Eternal Spectator</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00321387098754660424</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/SZbtOjbBTaI/AAAAAAAAABU/H4f5h14KMmI/S220/moonspell_1.JPG'/></author><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1046236902026556368.post-8660897923081444648</id><published>2007-06-25T13:30:00.000+01:00</published><updated>2007-06-26T01:07:40.670+01:00</updated><title type='text'>É mesmo tudo uma questão de perspectiva</title><content type='html'>Passar tempo a mais nos aeroportos não só nos desperta para uma dimensão estanque e irreal destes sítios de vida passageira mas que, por vezes, se eterniza (o caso daquele refugiado que vivia, penso eu, no aeroporto de Paris, condenado a um limbo e a uma terra de ninguém, creio até que o Tom Hanks protagonizou um filme baseado nesse mito ou realidade não sei precisar). O corpo massacrado pelas securas e poupanças dos aviões, pelo tratamento bovino que nos faz andar de um lado para o outro carregados como bestas ordeiras e de cabeça baixa, nos corredores, passadeiras rolantes, escadas, desvios, labirintos, portas, check ins, seguranças, botas fora, pulseira de picos, àgua (!) para o lixo, e os sempre indecifráveis instrumentos e electronias que as nossas bolsas vomitam perante o olhar eternamente estupefacto dos controladores. Adiante...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos aeroportos, como em todo o lado, por entre os capuccinos de 4,70€ e as sandes de atum a 7€, também se aprende. Como é o caso da observação em curso que vos passo de imediato a contar, não sem antes assinalar, com respeito, TODOS os comentários ao post &lt;em&gt;Com rockers assim... &lt;/em&gt;e vos agradecer por vitalizarem este blog. A isto acrescento que este blog mais do que uma continuação da coluna da Loud! pretende ter vida própria e estimular, dentro das regras já descritas, a discussão e a opinião, coisa que o registo escrito não proporciona, apesar de (espero eu) fazer trabalhar o pensamento. Finalmente, também há que dizer que este maior dinamismo da escrita virtual se enquadra naquilo que quero que seja o blog: um registo mais directo, porventura mais quotidiano, de linguagem mais simples em que caibam reflexões mundanas e inquietações mais "comuns". Quero não só guardar as profundidades para a Loud! (que as merece), bem como usar este meio para "desabafar" com inteligência e gosto (assim o espero) acerca de coisas mais cutâneas e correntes. Tal não impede, no entanto, a permuta de densidades entre revista e blog, já que nem sempre estou preocupado com o que é que passam no Hard Rock Café ou com quem me aborda no Metro; ou com a morte lenta da imaginação no Metal ou com as glórias e humilhações da vida de um músico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta participação acima considerada motivou este post. Muito mais que um direito à resposta, tomem isto como uma observação do óbvio. Por duas razões: a primeira é que se o direito à resposta é um instrumento precioso à democracia da opinião, exercido abundantemente nos jornais, televisões, revistas e blogs, muitas das vezes este direito é exercido apenas na óptica do continuar da teimosia e do aprofundar da agressividade com que se defende uma opinião, sem olhar ao meio que nos rodeia. Há exemplos fartos que podem ser consultados aqui mesmo sem sair do blog e nas infinitas linhas dos nossos jornais. Efeito perverso: muitas vezes o direito directo à resposta congela a dialéctica da discussão. Não quero que isso aconteça aqui. Segundo: a observação do óbvio, tida tantas vezes como uma perda de tempo, é essencial para solidificar ideias e fortalecer pensamentos. É errado evitá-la ou, pelo menos, evitá-la sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No corredor rolante do aeroporto de Paris CDG (um inferno sujo de desconforto) que dá acesso a outros terminais (A ou será D, não importa) existe uma publicidade fantástica (e cara, presumo!)de um determinado banco. A ideia base é uma repetição de fotografias idênticas com atributos (substantivos ou adjectivos) opostos. Por exemplo: brócolos intercalados por uma fatia de bolo de chocolate. De um lado, primeiro brócolo com a legenda Bom, imediatamente a seguir bolo com a legenda Mau. No quadro a seguir as legendas invertem-se sobre a repetição das imagens. Por todo o corredor se repete a fórmula: torre de Pisa/edíficio moderno (perfeição/imperfeição), música clássica/rock (harmonia/barulho), ... A mensagem é clara e o banco, guloso, procura reunir todas as sensibilidades e, em especial, o vil metal (que não o nosso) de quem as origina. Muitos me acusam de fazer o mesmo, pois bem quem não o faz? Talvez, a constatação do óbvio seja aqui necessária para destruir os mitos da excessiva distância ou proximidade. Tal, como todos os outros, aproveito a vida para lidar com o inferno dos outros que nos pode ser tão doce ou amargo (a sociabilidade insociável do Kant).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, e concluíndo, pois que me espera um almoço dinamarquês de pizza: é meu direito e dever achar, por exemplo, que ir ao "saudoso" Lusitano e Gingão era também, muitas vezes, uma perda de tempo e uma dolorosa entrada na fogueira das vaidades do pequeno metal Português e que por muitas vezes o que lá se passava nada trouxe de novo à cena e, pelo contrário, talvez o afastamento desses clubes e o aproveitamento dessas horas para praticar, estudar, ler, conversar entre amigos no recato de um subúrbio tenha feito, para mim, a diferença que hoje é inegável; como se calhar também era porreiro ir lá beber uma burra, curtir com uma miúda ou duas e ouvir Morbid Angel em pleno moshpit. É mesmo tudo uma questão de perspectiva. E de resultado, neste caso. Como também não me acho provinciano em querer ir ao Hard Rock e ouvir Rock em vez de kuduru; mas também aceitar que, sim, é um desabafo normal, que, em todo o caso, não me é interdito pela minha "celebridade" É mesmo tudo uma questão de perspectiva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É mesmo tudo uma questão de perspectiva. E as vossas são aqui bem-vindas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1046236902026556368-8660897923081444648?l=loudspectator.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://loudspectator.blogspot.com/feeds/8660897923081444648/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1046236902026556368&amp;postID=8660897923081444648&amp;isPopup=true' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/8660897923081444648'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/8660897923081444648'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://loudspectator.blogspot.com/2007/06/mesmo-tudo-uma-questo-de-perspectiva.html' title='É mesmo tudo uma questão de perspectiva'/><author><name>The Eternal Spectator</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00321387098754660424</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/SZbtOjbBTaI/AAAAAAAAABU/H4f5h14KMmI/S220/moonspell_1.JPG'/></author><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1046236902026556368.post-6182840969337897964</id><published>2007-06-11T11:48:00.000+01:00</published><updated>2007-06-11T15:11:51.466+01:00</updated><title type='text'>Com Rockers assim...</title><content type='html'>Queima da Faro...depois dos concertos e das atrapalhações, eu e os Capitão Fantasma (and friends) chegamos à óbvia conclusão: não há Rock em Portugal! Entenda-se que ao fazer esta afirmação estamos a fazer tábua rasa de muitas coisas que ou existem ou existiram ou começaram a existir, desde o Vitor Gomes sempre fiel ao negro e à postura, até aos Vicious 5 que se impôem como a resposta lusa ao boom de um novo rock (que odiosa esta frase mas...), aos derivados, aos bastardos do Rock, aos trendies das caveirinhas e por aí fora. Mas, pelo menos no que me toca, estas coisas todas sempre foram muito mais um aglomerado de felizes ou infelizes excepções e nunca tiveram (com ou sem culpa) a força de se tornarem cena e mentalidade. E das verdades possíveis esta é, infelizmente, a mais real. Vão por aí à procura do Rock enquanto coisa que vive nas pessoas e encontrarão uma imensa incompreensão. Ver o avozinho abanar o bébé nos braços e o louco da aldeia a partir-se todo ao som de umas guitarradas, ainda é a imagem do Rock no nosso país. Pessoal vestido de preto, com caveiras, cabelos, atitude e tatuagens: excepções meus caros, excepções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas disto é complicado falar sem falhar em demasia. No entanto que a estranheza e a incompreensão são realidades que nos acontecem todos os dias, até aí concordarão comigo. No entanto a culpa não é toda da parolice popular, da ditadura de 50 anos, da perda dos 60s, dos 70s, dos 50s, dos critícos, do pessoal que não tinha dinheiro para ir a Londres comprar discos, etc. A culpa é que esta confusão e dormência chega aos rockers themselves e à razão deste pequeno desabafo de Segunda Feira. Vejamos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;strong&gt;Buraka Som Sistema&lt;/strong&gt; (a primeira banda Portuguesa a tocar no prestigiado Roskilde, apenas 9 anos depois de Moonspell o terem feito &lt;a href="http://www.roskilde-festival.dk/object.php?obj=115000c&amp;code=45"&gt;http://www.roskilde-festival.dk/object.php?obj=115000c&amp;amp;code=45&lt;/a&gt;) entrevista na 2..., dois elementos, mesmo discurso "nós somos do Rock...pode não parecer mas a gente iniciou-se foi no rock e gostamos é de rock rock rock rock etc. ad nauseum"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;strong&gt;Hard Rock Cafe, Lisboa&lt;/strong&gt;...bem sei que o conceito do hard rock cafe é por assim dizer...alargado...mas chego lá para um ambiente multinacional, turístico, trendy, falso, e por aí fora, mas durante algum tempo desligo, mão na cerveja, vestido de preto, cliché, toca Xutos, Bon Jovi toca, depois AC/DC, desejo Whitesnake, 38 Special, ZZ Top, no circuito interno de TV Miracle Man...Ozzy! até já ia sei lá Aldo Nova, Joe Satriani, Queen, muito &lt;em&gt;&lt;strong&gt;rockbota &lt;/strong&gt;yeah!&lt;/em&gt; ...tudo se desmorona Prince (de que gosto e se enquadra ao largo no conceito...), Village people e sacrilégio Buraka SS... será que passam Metallica no Mussulo? Conclusão: acabar a cerveja o mais rapido possível, sair de trombas, derrotado e chateado, com os Dialectos de Ternura a morderem-me os calcanhares (uh,uh,ia,ia)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim...com rockers assim, não admira a minha (e dos Fantasma) óbvia conclusão . Considero-me uma pessoa de mente aberta, ouço muita coisa, conheço ainda mais, mas cada vez mais me dá vontade de pelo menos na generalidade (na especialidade é outra coisa) me radicalizar e perguntar...fuck se são rockers porque é que fazem kuduro? se estou no hard Rock porque é que o tenho de ouvir? apetece perguntar...a liberdade é uma coisa de todos mas a fidelidade e não desistir do que se gosta não será a maior forma dessa mesma liberdade? Eu pelo menos estou,sem dúvida, nesse caminho, enterrado até ao pescoço mas com os fones no máximo e não é nada meigo o que estou a ouvir, acreditem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando é que os Ferro &amp;amp; Fogo tocam em Lisboa, caraças???&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1046236902026556368-6182840969337897964?l=loudspectator.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://loudspectator.blogspot.com/feeds/6182840969337897964/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1046236902026556368&amp;postID=6182840969337897964&amp;isPopup=true' title='27 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/6182840969337897964'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/6182840969337897964'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://loudspectator.blogspot.com/2007/06/com-rockers-assim.html' title='Com Rockers assim...'/><author><name>The Eternal Spectator</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00321387098754660424</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/SZbtOjbBTaI/AAAAAAAAABU/H4f5h14KMmI/S220/moonspell_1.JPG'/></author><thr:total>27</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1046236902026556368.post-4160000178130188320</id><published>2007-06-11T11:33:00.000+01:00</published><updated>2007-06-11T11:46:28.275+01:00</updated><title type='text'>Homenagem</title><content type='html'>Com brevidade e sentimento, aqui deixo os meus profundos pêsames a toda a família Xutos e Pontapés bem como à família Ferreira, pela trágica morte da Marta, que todos encaramos com pesar e consciência de que a cena musical Portuguesa perdeu uma grande profissional e acima de tudo uma excelente pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um abraço lutuoso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1046236902026556368-4160000178130188320?l=loudspectator.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://loudspectator.blogspot.com/feeds/4160000178130188320/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1046236902026556368&amp;postID=4160000178130188320&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/4160000178130188320'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/4160000178130188320'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://loudspectator.blogspot.com/2007/06/homenagem.html' title='Homenagem'/><author><name>The Eternal Spectator</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00321387098754660424</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/SZbtOjbBTaI/AAAAAAAAABU/H4f5h14KMmI/S220/moonspell_1.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1046236902026556368.post-5432707281559029030</id><published>2007-06-06T00:23:00.000+01:00</published><updated>2007-06-06T00:31:19.241+01:00</updated><title type='text'>Cara lavada</title><content type='html'>Caros observadores: Como podem ver o meu blog, graças à sageza e simpatia da minha cara amiga Dora Carvalhas/Pixelate, está como novo! Agradeço ainda à Rita Carmo pela fotografia do header bem como ao Pedro Paixão e ao Eduardo Viana pela foto do perfil. A cara levada do blog leva-me a assumir o compromisso para convosco de o actualizar com novas inquietações para já uma vez por semana. Os artigos da Loud continuarão a ser mensais e completamente originais. Com o correr das àguas veremos se consigo tornar isto mais dinâmico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta edição da Loud escrevi um artigo de seu nome &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Da fraqueza, força.(Respostas para a crise&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;), mais uma vez vocacionado para a crise de identidade e rumo em que vive o Metal. Para o mês que vem sairá uma peça chamada &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Portugal Quintal&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, acerca das peripécias de um metaleiro famoso(!), espécie rara, nas ruas de Lisboa e no Metropolitano a caminho dos ensaios ou de casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chamo ainda a vossa atenção para a compilação de todos os meus artigos antigos no post arquivo morto vivo, assim como os artigos até agora publicados em 2007 pela Loud!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até breve!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1046236902026556368-5432707281559029030?l=loudspectator.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://loudspectator.blogspot.com/feeds/5432707281559029030/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1046236902026556368&amp;postID=5432707281559029030&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/5432707281559029030'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/5432707281559029030'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://loudspectator.blogspot.com/2007/06/cara-lavada_05.html' title='Cara lavada'/><author><name>The Eternal Spectator</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00321387098754660424</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/SZbtOjbBTaI/AAAAAAAAABU/H4f5h14KMmI/S220/moonspell_1.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1046236902026556368.post-6188062690130822091</id><published>2007-06-06T00:20:00.000+01:00</published><updated>2007-06-06T00:23:40.957+01:00</updated><title type='text'>2007 artigos</title><content type='html'>Caros observers:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui ponho à v.disposição os artigos já publicados nas edições de 2007 da revista Loud!. Enjoy/comment; refuse/resist!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;I&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Estamos Unidos na Violência&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Vi um video que circula no youtube, esse interessante pântano visual, que nos adentra os olhos com o que queremos e não queremos ver, um video de backstage em que o Glenn Danzig empurra um segurança e que na “volta do correio” leva um soco daqueles à antiga, que o derruba, sem apelo, nem agravo (http://www.youtube.com/watch?v=ZpwQmJzRw-U). No video não se vê bem o resto, mas compreende-se que Danzig tenha saído maltratado física e animicamente daquele impacto que lhe jogou orgulho, insolência e corpanzil pelo chão frio e duro, igual para todos, que o esperava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Revi nele muita das situações por que passámos nos EUA as quais, felizmente, nunca chegaram à triste celebridade que o video chegou. Situações que permitem encaixar melhor (não é piada de mau gosto) este desacerto, culminar violento e ainda melhor perceber por que se passa muito mais, quase isoladamente, do lado de lá, enquanto que na Europa gozamos a virtude da nossa paz podre, mas ainda assim paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rock’n’roll, o seu folclore em movimento e hierarquia, tem ainda nos EUA contornos muito duros. A estratificação dos grupos, clubes, promotores é violenta e não obedece a critérios que se pautem pela dignidade das condições ou perspectivas. O movimento por ali, é de incisão e corte. Ganha-se calo, é verdade, e aprende-se a resistir no famoso antes quebrar que torcer, mas, o video do knock out revela um preço alto demais, causando a amnésia do abstracto principio que rege a música. Principio esse que, ao contrário do maneirismo americano do mandar à parede a ver se cola, se relaciona com o gosto em ver e tocar, coisas, hoje em dia, tão afastadas dos objectivos debatidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juntando a isto a mania que toda a gente (ainda) tem e que os americanos esperam de toda essa gente, de provarem alguma coisa na terra da oportunidade, a combinação torna-se perigosa. Abreviando, em situações que se viveram na última tour, o desfecho só não foi violento, porque se conseguiu, através da paciência diplomática, confundir e convencer os nossos interlocutores americanos a usarem algo mais do que a força, que eles têm, acreditem, sempre à mão de semear. As marcas, no entanto, ficaram, como podem ler.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Basta passar uma semana na estrada e perceber esse misto de hospitalidade e pura barbárie inesperada (snapping out) de que só a nossa inteligência diferente (inferior ou superior, tem dias) nos conseguirá safar. Mesmo o acto de safar não é pacífico porque se nós pensamos os Americanos agressivos eles tomam-nos por cobardes. Talvez ninguém tenha razão. Mas lá consegui dizer uma vez, em jeito de pergunta, que se os Europeus fogem da guerra têm boas razões para isso. O que perguntei? “Quantas cidades americanas tinham sido, até ao momento, devastadas por guerras?”. Um ponto para mim, felizmente não suturado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terminando:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei em absoluto deprimido com aquele video: a sua montagem, o feitio do Danzig, a resposta do segurança (who watches the watchemen?) a solução violenta, os risos contidos, as bocas histéricas e as ofensas dos intervenientes nesse circo dantesco. Abomino a violência e tê-la tão perto despertou-me más memórias, de medo e desconfiança primitiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;           Admiro, e muito!, (embora não goste de muitas delas) a força intrínseca e inegável de muitas bandas americanas que, neste sistema duríssimo, percorrem aquela imensidão de país, para cima e para baixo, quantas vezes for preciso, para cumprirem o sonho legítimo de fazer parte ou de se provarem ao sistema. Sistema esse que sinceramente espero que consigam suavizar olhando para os fracotes aqui deste lado do oceano, que em toda a nossa debilidade os recebemos (exceptuando a Inglaterra) com a dignidade que a raça lutadora dos músicos merece, venham eles da violência ou da tranquilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltemos para o mês que vem a Portugal onde isto não acontece. Onde nada acontece, aliás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;II&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Posse&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não serão tantos assim os anos que passaram desde que estive, em pleno direito, na audiência de um concerto. Parecem mais devido ao (feliz) desequilíbrio entre estar em cima de um palco ou em frente dele, duas coisas que tenho privilégio em fazer, sem me desligar por completo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, fui ao primeiro dia de NIN, um concerto que aguardava com (muita) expectativa há tempo demais, como, com certeza, a maior parte da gente que estava quase colada uns aos outros, na antecipação de um momento único. Os NIN, tais como os Type O Negative, eram uma lacuna na nem sempre interessante agenda nacional e é sempre de louvar este tipo de baptismos, esperam-se sempre, em exigência justa, mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ambiente do Coliseu é único. A sala envolve de uma maneira que nos faz sentir clássicos, aconchegados e com estilo. O público fica bem nesta sala e desde a acústica difícil mas única, passando pelo olhar para cima para os preciosismos dos camarotes, até à sempre desejada (e esta sim única) vibração dos pés e corpos em movimentos celebratórios, o Coliseu de Lisboa tem tudo para alcançar o estatuto mágico com que bandas e público Português sonham, em especial se de um baptismo se trata ou de uma banda preferida que se apresenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dito isto e como prova singela de que ironizar, criticar sem elevar e remoer momentos de glória, não são os aspectos exclusivos desta coluna, não pude, estando entre as pessoas, de deixar de notar algo que me incomodou, e como.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Independentemente de a fazermos ou simplesmente de a escutarmos (a música), acho que não iria errar se dissesse que a dimensão emotiva, a do sentir, presenciar, absorver, observar ou dançar (no sentido lato que vai do headbanging ao valsar) é talvez a mais importante, a que nos faz continuar a comprar discos e a ir a concertos. Tudo o resto tem um papel também (coisa da qual já falei aqui em abundância) mas a termos que obter o começo da premissa, talvez a dimensão de sentir fosse o mais consensual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece que, hoje em dia, esse sentir está a ser perigosamente devorado pelo sentimento do ter, da posse. Para cada olho fechado numa canção como o Hurt, um telemóvel última geração levantado, para cada uníssono de refrão, uma exigência de uma música, para cada aplauso, um resmungo. Isto não é, sinceramente, bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O estado ao qual a facilidade de ter, gravar, documentar, ripar, queimar, postar, meter no you tube (ainda não há verbo mas aguardemos…), satisfazer pequenas amizades, nos levou, é, na minha opinião, deplorável. Trocamos momentos de puro deleite da psique e do corpo, sensações, por videozitos que as luzes tornam horríveis, fotos desenquadradas e tremidas, bagatelas visuais que o movimento dos corpos torna banais e estonteantes (no mau sentido).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A rapariga à minha frente, à qual peço desculpa aqui pela minha brusquidão, levantou o seu telefone/gravador, câmara no primeiro acorde do Hurt e eu tocando-lhe no braço peço-lhe para o baixar. Ela assim acedeu, pedindo-me desculpas, com toda a certeza aceites. O que perdi foi o momento exacto em que a luz se acende, trémula, sobre e debaixo do Trent Reznor e seu sintetizador, que começa a cantar, momento que seria o primeiro duma série de emoções em crescendo que, o poder desta canção, todavia, consegui despoletar. Quem nos indemniza desta perda? Onde a podemos encontrar? Num site de partilha visto nas 15” de um computador? Num fórum pessoal onde não está o Trent Reznor a cantar e a tocar ao vivo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos argumentarão: e as recordações? Pois bem essas são editadas em grande qualidade e algum estilo em DVD’s, revistas, discos e outros suportes que lá estão fazendo o papel que lhes compete, muitas vezes virando as costas ao momento, como os bons chefes das claques viram as costas aos golos e situações de perigo no futebol. Esses formatos para mais tarde, recordar e bem, fazem parte de um círculo vivo que lentamente morre às mãos do querer ter logo, partilhar e, assim, fazer (sempre) algo mais como se o ser fã de uma banda e fechar os olhos durante uma canção que arrepia não fosse um privilégio quer para quem ouve, quer para quem toca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É neste saber o lugar e a importância do mesmo. Neste saber recusar trocar ouro por imitação. Neste sentir em vez de ter, que talvez estejam as respostas que tanto procuramos neste vento selvagem que empurra a música e quem a vive, sente e possui para paragens nada animadoras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guardem as máquinas no bolso e estiquem os braços completos e somente humanos para cima. Deixem de pensar em ter, comecem a sentir. Vamos ver quem ganha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;III&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A invenção da roda&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Se o ecrã do computador fosse um espelho, muitas vezes reflectiria esgares e movimentos, disposições, angústias rápidas e sobretudo uma que me aflige muito, em particular: parece-me tantas vezes que só digo mal, só anoto o mal, que a ele me limito, não conhecendo outra forma de viver as palavras nesta coluna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta consciencialização poderia, filosoficamente, ser importante na óptica do reconhecimento deste defeito, na partida para a construção de uma nova vivência e registo das coisas. Para simplificar, dar por isto é muito importante, embora a maior parte das vezes não se dê. Então quando adentramos a nossa muy nobre, nacionalíssima e ilustre cena metaleira, o medo de só dizer o mal e do mal, torna-se mais esmagador e remete-nos à procura de um optimismo ou simpatia que, a maior parte das vezes, também não resulta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta simpatia, ajudar-me-á a perspectivar esta coluna como fomentadora de pensamento e de (alguma) discussão. Por isso é que bastas vezes regresso à realidade Portuguesa como assunto inesgotável mesmo no pouco que aprecio e participo nele. O que se passa na Suécia, ou na Finlândia, ou nos EUA, com os seus bons e maus exemplos é mesmo isso: é o que se passa lá. E, todos nós, vivemos mais e vamos mais a concertos cá do que lá; conhecemos mais as pessoas de cá do que de lá. E sentimos mais o sucesso ou o falhanço dos de cá do que dos de lá. Farpas, elogios, engasganços na rua, cartas estúpidas ou sugestões brilhantes, tudo se passa cá, e é disto que, de vez em quando, preciso e gosto de vos falar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Compreendo, como todos, que o Metal é uma comunidade mais global que local. Mas também partilho da ideia de que se o local não é bom e acarinhado, o global formado pela junção e ultrapassagem das cenas locais, também não se tornará grande espingarda. Vão à Alemanha com as suas coisas boas e más, e ajudem-me a chegar a esta premissa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela boca morre o Spectator. E se na revolta de algumas últimas linhas há dois meses prometi o meu regresso a Portugal, onde não se passava nada, também fiquei contente de estar redondamente enganado. Choveram pedras sobre os meus telhados de vidro, pedras como os grandes discos de Process of guilt e Maneater; do contágio fabuloso que é um espectáculo dos Dawnrider; e claro da visita dos preciosos NIN (com ou sem telemóveis em riste) e da anunciação sacrometálica dos concertos de Type O (!), Metallica, Rotting Christ, Sodom, Red Sparrowes, Katatonia (!), entre outros, que encherão as medidas largas das sensibilidades e tumultos dos fãs de música pesada, rápida e sentida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É aqui que entra a roda: a roda é um símbolo de continuidade. Se a sua invenção permitiu ao mundo a locomoção contínua e poderosa, o seu simbolismo sempre nos remeteu para um ciclo de acontecimentos necessário ao preenchimento pleno da vida. É por isso que se me aperta o coração ao ver um concerto dos Process of guilt, que são tão bons e com tanto potencial, sabendo todos nós que isso só não chega e que se olharmos para a galeria morta das promessas arrastadas vamos ver e sentir desgosto com a partida sempre prematura dos Sarcastic, Heavenwood, Inhuman, Thormenthor, Shrine. Pegar no The birth of a tragedy é como ver fotos dos mortos. Pensar na luta (sim louvável) dos Sacred Sin ou Ramp angustia-nos, por tudo estar, praticamente, na mesma. Ou pior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém se calhar ainda inventou a roda na nossa cena, ou se calhar sim e ninguém ou poucos a utilizam. O problema para mim foi sempre o medo, pudor ou incapacidade das bandas em Portugal terem fãs, following como se diz lá fora, muitas vezes por culpa própria reduzindo o espectro de interesse a amigos e conhecidos (já existiram bandas que encheram autocarros com amigos para os irem ver). Isso é prejudicial, não lança ninguém para o ter de se provar a estranhos, esses sim sem razão para gostarem de nós e nos apoiarem. E não me desculpem esta verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se a roda roda e bem na continuidade de concertos, estamos no mapa,já fazemos parte; e se o “novo metal português” (não concordem se não quiserem) como os Maneater, 20IB, If Lucy Fell, enchem salas com fãs, pessoas que os seguem, de verdade, sem pudor de serem ou terem fãs, muito do Metal nacional ainda está na rede (feita de verticais e horizontais, mas sem círculos) à espera da morte da bezerra, ou seja que os amigos lhes telefonem para dizerem que curtem a demo, ou que estes artigos do mal são uma merda desnecessária e que fariam bem melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Spectator, certo ou errado, continua sobre rodas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1046236902026556368-6188062690130822091?l=loudspectator.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://loudspectator.blogspot.com/feeds/6188062690130822091/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1046236902026556368&amp;postID=6188062690130822091&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/6188062690130822091'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/6188062690130822091'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://loudspectator.blogspot.com/2007/06/2007-artigos.html' title='2007 artigos'/><author><name>The Eternal Spectator</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00321387098754660424</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/SZbtOjbBTaI/AAAAAAAAABU/H4f5h14KMmI/S220/moonspell_1.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1046236902026556368.post-390544861503505566</id><published>2007-04-01T16:48:00.000+01:00</published><updated>2007-04-01T17:37:24.126+01:00</updated><title type='text'>Regras de conduta e consideração</title><content type='html'>Caros espectadores deste vosso espectador:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agradeço todos os vossos comentários. Todos eles foram lidos, observados e interiorizados. Quando existir oportunidade e/ou pernitência, surgirá discussão/resposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como poderão verificar coloquei já algum arquivo e alguns artigos que escrevi ao longo destes anos em destaque,o primeiro e o, na minha opinião pessoal, o melhor. Se os quiserem comentar por favor refiram-se a eles directamente no v. comentário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria agradecer à Dora Carvalhas que me está a ajudar a dinamizar e a tornar visualmente interessante este blog. Essas modificações serão aqui vistas em breve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixava então uma pergunta sobre a pertinência destes artigos serem compilados/editados em livro. O que acham? Teria o vosso interesse e aceitação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um abraço observador!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1046236902026556368-390544861503505566?l=loudspectator.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://loudspectator.blogspot.com/feeds/390544861503505566/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1046236902026556368&amp;postID=390544861503505566&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/390544861503505566'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1046236902026556368/posts/default/390544861503505566'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://loudspectator.blogspot.com/2007/04/regras-de-conduta-e-considerao.html' title='Regras de conduta e consideração'/><author><name>The Eternal Spectator</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00321387098754660424</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__-dJ4_ya0sA/SZbtOjbBTaI/AAAAAAAAABU/H4f5h14KMmI/S220/moonspell_1.JPG'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1046236902026556368.post-2441313766973373100</id><published>2007-04-01T16:31:00.000+01:00</published><updated>2007-06-06T00:17:42.361+01:00</updated><title type='text'>Arquivo morto-vivo  Todos os artigos!!!</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Arquivo morto-vivo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Totalidade:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para aqui transplanto todo o meu acervo spectatoriano. Sei bem que torna complicada a leitura esta imensa mancha de palavras, mas no pain, no gain. Arrumado o passado distante e recente, podemos dinamizar este blog da forma que pretendo. Mas, achei importante enquadrar-vos com tudo aquilo que até se produziu para a revista Loud, a revista que nos abençoa (satanicamente, pois bem) com a sua sobrevivência. Por ora, a torrente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Arquivo morto vivo &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;I &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O medo do escuro. &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“…basta que a alma demos, com a mesma alegria, ao que desconhecemos e ao que é do dia-a-dia.“ -Sebastião da Gama in O Sonho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não cedendo à grande e correctíssima decisäo de devotar o meu esforço à apreciação do que aconteceu no passado dia 11 de Setembro nos EUA, das suas consequências geo-globais, do perigo do fanatismo religioso consolidado em poder politico/místico, dos Profetas especulativos, do sentido humano, e suas perversões e justiças, desta feita vou falar de um local mais universal, e que, em tempo de crise aguda de valores, nos diz respeito a todos nós que nascemos marcados como portugueses. Aliás o tema é tão vasto e a sua discussão tão mal conseguida, que nem uma série vastíssima destes artigos seria suficiente para meramente desenharmos um foco para o qual direccionar a nossa energia argumentativa e criativa. Quando os fins de mundos anunciados e tristemente aproximados ganham um sabor mais que gustativamente amargo, é importante reflectirmos sobre o que nós próprios, dentro dos nossos contextos limitados e infinitos representamos e como essa geografia nos pode tornar parte activa daquela máxima da revolução individual que se consolida universalmente, o proverbial “mudando-me a mim mesmo, mudo o mundo“, rídicula utopia mas único suporte da sobrevivência não subserviente. Este artigo, por exemplo, apresenta duas bases bem diferentes: a) Mais enquanto eterno viajante do que espectador, sou muitas vezes perguntado como é que os Moonspell podem fazer um música tão negra e por vezes depressiva, vindo de um país tão alegre, jovial, com 900 km de costa, paraíso terrestre,etc. Defendo sempre o nosso país contra esta imagem turística que o exterior tem de nós e que a nossa classe dita dominante promove, visando o lucro económicomas rumando a passos largos para a desertificação da nossa cultura, que ninguém poderá negar se baseia, ricamente, em alguma negritude, algum desespero e melancolia, que nos permitem apreciar mais intensamente a vida e seus brilharetes do que enganarmo-nos com falsas alegrias e velocidades. As pessoas conhecem o Sol, mas esquecem-se da profundidade que existe para além disso e que convém recordar sempre como lição de vida e da sua dinâmica mortífera. b) Um amigo de interesses comuns teve a excelente ideia de me ofertar um livro de seu nome Homens, espadas e tomates escrito por um senhor chamado Rainer Daehnhardt. Resumidamente o livro compila factos interessantes de actos de bravura dos guerreiros e exploradores portugueses por altura dos Descobrimentos. Se bem que essa bravura e inteligência seja, sublinhadamente, inflaccionada e o livro tenha sal a mais, aqui e ali, desvela uma mensagem bem importante: a do desconhecimento do nosso valor, da nossa sobre-humanidade, e da nossa fraqueza aparente que se torna, se o quisermos, força. Podemos, assim sendo, indagar se algum resquício sobra dessa essência nos que gerem os destinos da nossa nação. Infelizmente o contacto meramente visual prova-nos sempre o contrário. A descoberta de nós próprios foi substituida por um saque, que, sem hipocrisias, sentimos todos os dias. Concluíndo, e afaste-se o teor político que este artigo possa passar sem intenção, há que retirar duas coisas que me parecem importantes nesta fase bem negra e apocalíptica que se avizinha: - Não há que ter medo do escuro. Há que aprender com ele, utilizá-lo e harmonizá-lo. A Arte e o Metal são veículos essenciais nessa/dessa terapia. - Se bem que não possamos ser o guerreiro que tira um dente para carregar a arma sem munições e assim destruir o inimigo-uma das estórias do livro de Daehnhardt- há que ser introspectivo e rever sempre a nossa propriedade, liberdade e influência. Ninguém tem dúvidas que o inimigo mais perigoso somos nós mesmos e a ignorância das coisas. A essência é reapropriarmo-nos do que sempre foi nosso e por muito fácil que esta batalha pareça não o é. E só nessa importante vitória ou na mera lição dessa luta podemos encontrar a paz e a união que nos falta a todos e nos parece, tristemente, impossível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;II &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Antropocentrismo radical Parte primeira&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Inverno bateu-nos à porta bem cedo este ano, com os seus contornos friorentos, inspiradores e trêmulos. Daí ter escolhido este tema para o artigo deste mês, de modo a subir a temperatura desta coluna, aquecendo-a com o fogo místico e polémico vindo do Inferno, também ele humano, e como! A saber, venho falar da indissociável relação entre o Satanismo, Ocultismo, e o Esoterismo tingido de negro e o Heavy Metal, cumplicidade que se arrasta, com mais ou menos elegância, desde a primordial origem do último termo. O misticismo e riqueza artística desta fonte subterrânea é indíscutível e podemos encontrá-la em diversas expressões artísticas, fora do universo do Metal , como o caso de celebérrima escola Satânica da Poesia Francesa liderada por vultos como Baudelaire, Verlaine, Lautreámont, e diversos outros, reconhecidos em todo o mundo literário, desejavelmente ou não- pelos próprios- com este epíteto. Como curiosidade o nosso Eça numa das suas obras capitais os Maias refere-se a estes como tal ,através do inimitável Ega, que andava no fogo das suas explosões íntimas. É, por demais, intenso e extenso o fascínio que esta personagem (o Diabo), e suas inúmeras máscaras culturais, exerce sobre a Arte e seus predilectos. Fascínio que não se explica-não o vamos tentar- mas que se sente e executa, como uma ordem superior, a que obedecemos com a autonomia característica e sanguínea deste pensamento livre. O que nós deixa aos portões de algo ainda mais complexo, mas, ainda assim, passível de uma especulação mais digna. Tal como todas as representações místicas do Homem, o Satanismo tem uma expressão primitiva mais pictórica, imagética, de celebração e ritual. Existe acerca da origem do termo Satanás uma polémica insolúvel: muitos teóricos apontam o étimo no sentido de adversário á figura de Deus, conferindo ao Satanismo um aspecto meramente cristianizado, i.e., de mero opositor ao Deus justo e bondoso; mas existem, pessoalmente, étimos bastante mais interessantes e justos, mais elegantes que conferem ao Satanismo uma vida e um sopro próprio. De significação do Cosmos, até as conotações inevitavelmente prometaicas, Satanás acaba por ser o refúgio natural do étimo da Escolha, presente em e a todos os tempos na civilização global, na sua expressão mais ínfima. É redutor associar o conceito dimensional do Mal a um termo, assim como é redutor associar o conceito do Bem a outro, já que, as fronteiras são, filosoficamente, imprevísiveis e diluídas. A utilização do termo Satanás constitui aqui o maior dos problemas, não só por todos os rídiculos mal-entendidos que gera, bem como pela acidez natural de uma palavra carregadíssima de expiação com o correr dos séculos. Retomando um pouco o percurso do termo até chegarmos à adiçao do ismo, podemos discorrer que o Satanismo se tornou cada vez mais antropológico, tomando a direcção moderna da Filosofia Maior, cujo caminho retorna ao estudo e preocupação mais directa com o Homem, o que nos parece, a todos os níveis, pelo menos justo. O estabelecimento da Church of Satan nos anos 60, nos fervilhantes Estados Unidos da altura, sedimentou, ou pelo menos documentou, esta tendência. O lançamento da Bíblia Satânica, em 1966, trouxe não novidades mas a assunção de muitos aspectos menos místicos, mais crus e reais-houve quem lhe chamasse adequadamente Senso Comum-, e como tal mais humanos, sendo um dos livros capitais-sucederam-lhe muítissimos exemplos depois- para a fundamentação de um nome mais consistente e de defesa mais eficaz contra a pequenez e susto alheio quando se profere a palavra proibida:o antropocentrismo radical. Fiquemos por aqui, esta noite, com a promessa de retoma deste assunto e de o conectar mais efectivamente com o Metal no próximo Spectator. A ditadura dos caracteres assim nos obriga e a extensão do assunto e a importância calorosa do mesmo assim nos merece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;III &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Antropocentrismo radical-parte II Lucifer elétrico e falta de corrente.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sequência do estabelecimento progressivo e efectivo do termo- repita-se: a orientação do Satanismo moderno tem vindo a ser dedicada a esta missão de humanizar o referencial na sua dimensão de ritual, história e palavra- tomemos agora como objecto do artigo aquilo que talvez mais interessará aos possíveis leitores: a sua expressão artística, substanciada na velocidade e profundidade do Heavy Metal. O folclore e a fama-leia-se infâmia- da triologia Satanismo, Ocultismo ou, até, inofensivo Esoterismo precede e confunde-se com a biografia da música maldita do nosso século. Não só é indissociável do rock e do seu bastardo metálico, como também nebula muitas vezes a sua interpretação e orientação. Do aproveitamento à maldição psicológica, já se viu e já se provou de tudo.Seria cansativo discorrer matematicamente acerca do arrancar da cabeça de pomba branca “Ozzyiano”; sobre o claustrofóbico e azarento flirt crowleyiano de Jimmy Page, ou sobre a língua serpenteante de Gene Simmons/Kiss.Importa sobretudo não dar qualquer espécie de destaque ao desprestigiante movimento homicida nórdico, pois dos cobardes não rezará, pelo menos, esta história. Igualmente, não posso falar como um analista, como alguém escudado academicamente, sobre estes assuntos: por acaso, destino e convicção estou por dentro. O Black Metal nasce, quer se queira quer não, em Newcastle pela garra dos Venom. Venom esses que designam o termo e o chamam para si, conferindo-lhe essências que viriam a ser ridicularizadas mais tarde por pálidos adolescentes. Nomeadamente o plural interesse da banda nas manifestações ocultas na sua diversidade (Anton La Vey caminha pelas líricas de Seven Gates of Hell, assim como Manitou se pavoneia na obra-prima que toma o seu nome), assim como, um certo humor rebelde e que aprofunda a seriedade do Veneno britânico (Satan loves to crack a code and a good joke). Bebendo da lama e do sangue surgiram as bestas esclarecidas que tinham muitas faces e muito nomes como Celtic Frost, Bathory, Morbid Angel, Possessed, e que, artisticamente, pela “chata e aborrecida” fórmula musical converteram e perderam tantos através do caminho da inevitável mão esquerda. Quando o Black nórdico surge e rompe em força a lição esquece-se, usa-se o nome do Senhor das Trevas para ajustar contas pessoais com alguma contrapartida. Poucos se salvam da Anedota obscura e sem graça que se instala e infecta o Satanismo no heavy metal negro de neve. Esses poucos como os inigualáveis Emperor, Mayhem ou Thorns dedicam-se a projectar o mito faustiano de humano bem longe nas suas obras, enquanto que o grosso rebanho se engrossa na luta pelo trono do maléficozinho, da melhor pintura de guerra, e das entrevistas mais bombásticas de estupidez. A luta passa ao nível cosmético.Os dignos recolhem à toca da Evolução (vade retro!) e Subtileza. Nasce o binómio Falso/Verdadeiro, nasce a conduta satânica, nasce a cuspidela na toca. Ainda me recordo quando o iluminado Mortiis, expulso de Emperor em boa hora por não saber tocar viola baixo, nos enviou- a Moonspell-,corria o ano de 1994, uma ameaça de morte segura pelo correio. Na sua Iluminação confundia Portugal com um país africano e seus habitantes e todo o Sul como o detrito civilizacional. Apagou-se a luz nesse momento, e a sua tour de force Satânica foi para mim como que um desvelar de quão longe tinha a anedota chegado, suportada no pouco talento da ameaça, da sua impossível efectivação, e, em especial do seu desprezo pela entrega e procura da Luz, que no seu caso, se perdeu a meio caminho do seu narigudo embrião. Curiosos e imensos seriam os casos a que fui-infeliz e cosmicamente-(a oda anit-La Vey foi por demais hilariante) votado mas preciosas lições de vida para mim, como impulso de escrever e assinar em nome próprio o que isto do Satanismo tem para mostrar como prova fundamental que o Satanismo é, muitas indesejáveis vezes, um termo bacoco e de macaco d´árvore para impressionar adolescentes que pedem aos pais para lhes comprar livros ocultos como prenda de Natal. E que melhor para rematar a minha convicção profunda da humanidade do Místico, do meu insistente e gasto antropocentrismo radical? Não se esqueçam tal como o Homem erra e repôe, Satanás também o faz, e cabe-nos a nós os do Racíocinio escolher os seus filhos e pô-los a falar educadamente. Talvez ainda haja tempo. Talvez ainda haja a eternidade. PS: Para os mais novos: antropo-homem/centrismo-colocação ao centro, luz sobre a importância/radical-de raíz, sentido original.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IV &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;The Eternal Spectator goes to America:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se os estimados leitores viram ou se apaixonaram, em algum momento, por um filme de seu nome original “The nightmare before Christmas”, do célebre Tim Burton. Traduzido, polidamente, em português para o “Estranho Mundo de Jack”, trata-se de uma obra-prima da animação, com a fluência de um musical superiormente dirigido e interpretado por Danny Elfman, possuidor de uma voz e capacidade narrativa arrepiante. A historia contada e por demais fabulosa, num limbo em que se confundem o imaginário da Noite das Bruxas e do –mais obscurantista espírito de Natal. A respeitar o titulo, e se se tivesse optado pela tradução directa, o filme chamar-se-ia, em português, o “Pesadelo antes do Natal.” E seria, o titulo, espelho e lema perfeito para o que se passou e se dimensionou na digressão ultima que junto os Moonspell e os Lacuna Coil por terras norte-americanas. Para ser absolutamente honesto, este titulo já tinha sido utilizado há um ano atrás pelos In Flames, que, em digressão, mais ou menos por essa altura (Dezembro de 2000), tinham vivido circunstâncias muito parecidas e, macabramente, azaradas, ficando no ar um travo de maldição. Que nos parece romântico agora, sentados no desconforto das nossas suburbanas casas, mas que, on location, não foi, de todo agradável ou memorável. Como tal, apreciadores do filme, lembraram-se do nome quando viram passar o atrelado com todo o seu material a frente do proprio autocarro, indo embater com todo o material num raid da auto-estrada…Fez escola o nome, tal como o azar cósmico e terrível, do cósmico e terrível mes de Dezembro. Sendo o Spectator, mais uma presunção filosófica, talvez narrativa, aqui e ali, não me vou cingir ao mero reportar do que se passou minuto-a-minuto, pois muitos houve que se quiseram velozes e imperceptíveis. Comecemos por uma desmistificação: toda a gente sabe que tocar ao vivo, essencialmente, em territórios em que nunca se sonhou sequer marcar sequer presença turística, é uma das forças de Moonspell, e tudo o que somos, de bom e de mau, devemo-lo à intrigante e sugadora experiência da Estrada. Sabe-se do trabalho envolvido e apurado, moroso, com problemas dimensionáveis ate ao ridículo e ao desesperante. Imagina-se ainda o prazer de viajar e ao chegar à noite viajar no palco, com as muitas almas que por ai se convertem, com ou sem permissão. Inveja-se o glamour e as lendas da trilogia Sex, Drugs and Rock and Roll. Alia-se o bem português defeito de exagerar as recompensas financeiras de outrem, principalmente por que a nossa nunca e suficiente, e sim pálida perante o mérito. Justificado ou injustificado. Percorra-se agora a curva descendente. Encontremo-nos, por um momento, com as burocracias dos vistos, a humildade forçada do sorriso ovino nos check-ins dos aeroportos -para não se reparar no peso e formas dos nossos incompreendidos instrumentos de trabalho, nas noites perdidas em cálculos dolorosos, nas repetições infindáveis do alinhamento, etc., problemas típicos da nossa dimensão. Tantas vezes inflacionada no demérito artístico mas empolada na recompensa financeira. Pois e, numa nota breve, os Moonspell não vivem da música, sobrevivem do seu extremo trabalho nesta. Resta a criação e comunicação, impagáveis e incalculáveis. Mas estes problemas profundos são nossos. E apetece dizê-los hoje na voz do pesadelo antes do Natal. Uma palavra tem que ser dita acerca do contexto em que a nossa digressão foi preparada e efectivada. A Century Media USA propôs começarmos a explorar, em digressão, o álbum Darkness and Hope pelos EUA. Para isso houve um esforço concertado de promoção, de modo a seguir os bons indicativos deixados em experiência prévias em anos anteriores. Assim, mal o Darkness saiu nos EUA a digressão foi sendo marcada. O primeiro conjunto de datas foi agendado para Setembro. Depois Novembro. Finalmente ficou para Dezembro. Claro está, o acontecimento infame do ataque terrorista de 11 de Setembro mudou tudo isto. Alias afectou qualquer tipo de plano, com a feição de máximo ou mínimo. Alem do inevitável baque de fragilidade que assolou o mundo, revoltou os descrentes, e continua a escavar o abismo, os nossos planos práticos foram também eles mudados. E que importantes -egoisticamente sim!- eles eram para uma banda que com cada álbum tem que se provar aos seus exigentes receptores. Maldição ou prestigio, seja o que for, é sempre um problema a resolver. A primeira sugestão foi a de cancelar. Tudo estava confuso, perigoso até, e o nosso manager sugeriu esta opção. Todavia a sobrevivência falou mais alto, mesmo com a paranóia de Morte rápida e hecatombe que se abateu sobre todos, mesmo sobre os que não a admitem. A nossa decisão foi a de jogar outro jogo que não o de ficar em casa, temendo o latente e o invisível. Dai termos insistido em manter o plano, na medida do possível. E fomos. E ate voltámos! Com este espírito, embarcámos em direcção ao aeroporto de New York, sob vigilância tensa, mas extremamente subtil, fazendo uma viagem de nervoso miudinho, bem controlado pelo ambiente casual do staff da Continental e do seu “in-flight entertainment” que incluía ate, para meu deleite, um episodio do mítico e saudoso Seinfeld. Bom vinho tinto, também. Californiano, acrescente-se. Tudo nos pareceu normal durante o voo e a chegada. Tudo. A costumeira apresentação aos desconhecidos que iriam partilhar o nosso espaço, vida e oxigénio. A rotineira ida ao diner mais gorduroso, ritual de adaptação ao estilo veloz de vida e morte que a América do Norte preciosamente possui. Tudo, até o facto premonitório de os Lacuna Coil terem perdido o voo de ligação em Paris e termos esperado mais de 5 horas por eles. O primeiro degrau da escadaria azarada que iriamos subir. Antes de passarmos a apresentação dos azares e glórias desta pequena tour vamos dedicar um pequeno parágrafo a avaliar das consequências do ataque de 11 de Março. A consequência mais visível é o da inflação do patriotismo e da sua paralela paranóia um pouco por todo o lado. Arriscamo-nos a dizer que 90% dos carros e casas estavam ornamentadas, vestidas de stars and stripes, a famosa bandeira Americana que esgotou rapidamente em todos os sítios, alguns bem insólitos, em que se vendiam. Durante a digressão, encontramos outras provas desta idolatria, consequência directa da Guerra, sem qualquer tipo de ambiente diga-se, que os EUA vivem ou melhor procuram viver, pelo toque de absurdo, da invisibilidade do inimigo que se procura e se pode encontrar em todo o lado. Se bem que para nós, alheios uma vez mais –na medida do possível a guerra e crise- tudo isto nos pareça pintado de exagero, o facto é que se verificava por toda a parte e em todos os olhos um sentimento de esperança e de vingança. Uma ambiguidade bem típica de uma cultura nova, com tendências comportamentais explicáveis pelo excesso da juventude, nem sempre desculpáveis. Tal como o muito recorrente preconceito Europeu e de todo o mundo, nesse sentido, fazendo com que muitas vezes a inércia dos próprios países se substancie na facilidade com que se aponta o dedo ao fácil bode expiatório que muitas vezes são os EUA. Em todo o caso, estas são considerações que merecem outro espaço e outro estilo de discussão, fundamentadas na convicção pura de que, por muito utópico que isto soe, a dependência económico/militar/social é, muitas vezes, uma grande desculpa política para a falta de coragem em assumirmos e recuperarmos o nosso território e importância. Veja-se onde chegou Portugal, por exemplo. A digressão propriamente dita começou em Philadelphia, no excelente Trocadero, onde à boa maneira americana, se juntaram nomes como Enslaved e Demonic ao cartaz original, provocando um cansaço no público, que a alguns já não permitiu assistir ao nosso concerto. A partir da terceira data, no famoso L’Amour, Brooklyn, New York se assistiu a, quanto a nós, um dos melhores concertos da tour, provando que o following Moonspell cresceu em solidez desde a última vez que por ali estivemos. Nesse dia, toda a gente despertou bem cedo para tentar ver algo do impressionante Ground Zero. Todas as potenciais visitas ficaram desde logo frustradas, pois todos os acessos nesse dia estavam cortados. Consolação da curiosidade macabra foi avistar o possível da janela suja do nosso autocarro, que, se por um lado foi insuficiente para aplacar o momento, não deixou de ter um toque impressionante. Descrever a enorme falha na silhueta de Mannhatan, como uma boca abissal privada da sua língua e dentes frontais, com a visão, talvez imaginada, de um grande painel branco que se estendia de extremidades indefinidas da cratera, como lição não aprendida de Paz e do dispensável medo de Deus. Longe desta vista, bem no coração nova-iorquino, o L’ amours recebia essa noite suada,uma verdadeira maratona de bandas, parecendo uma espécie de formigueiro de seu tom atómico e obscuro, com a fauna nocturna da cidade que nunca dorme, fazendo jus ao frenesim da corrida entre palcos, resistindo ate o fim, e tornando a vida dos Moonspell bem mais fácil que em outros sítios pela entrega elogiosa e voluntariosa. Tivemos a grande honra de receber a visita do nosso amigo e camarada Peter Steele, de humor negro apuradíssimo, língua afiada, chupando um lollipop de cereja, prometendo uma visita a Portugal e acima de tudo impressionando como sempre pela resposta bem armada, seu séquito feminino e a amizade genuína com que honra Moonspell. Feitas as despedidas, ficou o convite de Steele para lhe telefonarmos next time we are in town para que nos possa levar a jantar genuína American bad food. Sem dúvida. No fim do concerto seguinte, em Worcester, perto de Boston, os vidros do nosso camarim começaram a dar o alarme para a tempestade de neve que se aproximava, desde o inicio do dia, subtil mas perigosa. Sob ela começámos a viagem ate ao Canadá, para os concertos seguintes em Toronto e Montreal. Cansados ainda da maratona nova-iorquina, todas almas tiveram um merecido repouso ate ao sinal de acordar que seria dado pelo nosso tour-manager de modo a acordarmos com um ar simpático o suficiente de modo a passarmos, com distinção e eficiência, a sempre terrível fronteira canadiana. Esse sinal, dado poucas horas depois, viria a ter o sabor amargo de uma revelação: a de que o nosso autocarro tinha partido a transmissão, e que estávamos presos numa remota cidade em New Hampshire, chamada Concorde e que os concertos canadianos, tão aguardados por bandas e público, eram agora uma miragem na neve e distância que nos separava. Revoltados, conformados, desiludidos, enfim vivendo agora em tempo real o pesadelo, entramos num hotel colonial, que se dizia assombrado, comemos num restaurante mexicano, cujas salas eram celas, que se diziam assombradas, mas cuja promessa de assombração nos pareciam inofensivas perante o que nos tinha acabado de acontecer. Para não perder o dedo, os Moonspell fizeram algo de escandaloso e inédito: tocar um set de três musicas em acústico, num bar local, apropriadamente chamado Pannuci’s, numa noite de “open microphone” sendo pagos em má cerveja Americana e tortilla chips. Os locais agradeceram e até correu o boato, inacreditável, de que os Scorpions tinham descido à cidade… A partir dai, tudo foi confuso, com mudanças quase diárias de casa/autocarro, com jogos de arrumação de material que tinham parecenças terríveis com o célebre jogo Tetris, muitas noites sem dormir, muita velocidade, com concertos pelo meio do quais se destacam o de Illinois (Aurora, perto de Chicago), e o de Milwaukee, localidade do mais antigo Festival de Metal nos EUA, cujas reacções e lotações ultrapassavam as nossas melhores, no nosso sombrio contexto, expectativas. A partir desta data recebemos o nosso último autocarro que nos acompanharia até ao fim. Um autocarro que era uma verdadeira peça de museu, com um buraco a descoberto no porão, que provocava uma impressionante onda de frio, quando em andamento. Resultado: um autocarro, galé, sob o qual o espectro da gripe desceu sem piedade para os seus ocupantes, que se entretinham e aqueciam muitas noites ao som do furioso metal americano, um slam dance improvisado e o sempre bem-vindo Jack Daniels, como fornalha interna e absolutamente necessária. Este veículo, cujo peculiar condutor Romeo- um Steve Mc Quinn, versão Rock de bota ,se divertia a dar choques de 200.000 watts no seu grande volante de borracha, levou-nos então ao concerto final, em Los Angeles, esgotado havia algumas semanas, num sitio imundo chamado Fais-a-do-do, um restaurante vestido, nessa peculiar noite, de negro rock e gótico chique. Para trás ficavam os sustos dos ingénuos espectadores de Minneapolis quando confrontados com um vertiginoso mosh pit durante a Firewalking, as casas de banho com o alvo Bin Laden no urinol - resulta em pleno- , a visita ao maior centro comercial do mundo (Mall of America), leia-se, uma colossal perda de tempo, a paz de Denver e a sua fraca oxigenaçao,o pneu destruído no Nevada, os ilustres de S. Francisco e por fim a apoteose dental em L.A. onde tive a oportunidade memorável de arrancar um dente, 2 horas antes do concerto, com 10% de anestesia visto que se tivesse levado a dose exacta, não conseguiria articular palavra durante três a quatro horas. I left a bit of me in LA… Para lamber feridas e aguar azares a Century Media levou-nos a passear na cidade onde tudo é maior e mais interessante nos filmes: sim, vimos as pegadas dos famosos, as suas estrelas, o pedante bar Rainbow, a capitalista Universal walk, mas sempre com a mente bem orientada para voltarmos ao nosso covil luso onde azarados mas seguros preparávamos a viagem a Rússia, ex-inimigo virtual dos EUA,com vontade de voltar, mas melhor protegidos e fornecidos de mezinhas, pulseiras, berloques, ou simplesmente pela convicção pura de que depois da conquista heróica que foi esta digressão, termos desenvolvido os anti-corpos necessários para tudo o que vier futuramente, e gozar, francamente o que, para além dos pesadelos e sonhos, pode ser a melhor ocupação passional do mundo: ser um sobrevivente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;V &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Alvo em movimento:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que, bem à última da hora ( e com o atraso desesperante devido), mudei o rumo, o foco e o espírito ao meu artigo deste mês. As razões, como sempre, prendem-se com uma noite perdida. Não na noite, infelizmente, mas no reduzido rectângulo do meu leito e do silêncio suburbano, riscado pelos alarmes dos carros, pelas risotas com cheiro e sabor ácido de cerveja em promoção, pelo civismo putrefacto de quem não sabe e é obrigado a viver em apertada sociabilidade. No processo intervieram muitas coisas: conversas entrecortadas, uma canção especial de Mão Morta (Tu Disseste -o que é que isso interessa? Nada.-), o feedback seguro que tenho tido ao Spectator, em especial ao seu mirabolante passeio Americano, aquilo que eu sou e me torno, e, em essencial como o comunico. Na minha agenda interior, com a qual falho mais do que gostaria, tinha previsto para este mês um artigo de seu nome O Pecado não-original que, na senda dos antropocentrismos, se imiscuía por derivações religiosas. Neste caso em particular, num levantamento breve das cópias rudes que a cultura da Cruz decalcou de outras civilizações para construir/deturpar os seus mitos propagandeados como únicos, célebres e originais. Enfim, dizer por palavras rebuscadas e paralelismos filosofais que o Cristianismo é uma cópia de sistemas mais antigos, eles próprios revistos e originalmente criados pelo Homem, adivinhando vosostros o que se seguiria. A pertinência e o interesse, leia-se, impacto destas considerações presentearam-me então com uma vigília pensativa. Adicionei a tal vigília e suas consequências, cedências e sedimentações uma frase que o meu ilustre colega e cúmplice ocasional A.Freitas me disse após o nosso último concerto em Lisboa, no Garage. Depois de me dar os parabéns pelo meu artigo sobre a tour dos EUA confessou-me, brevemente, que os outros artigos eram complicados, e como tal, percebi eu, de pouca atracção, autistas se me permito acrescentar alguma exactidão. No cálculo considerei ainda as reacções que tive a todos os artigos até agora, tudo o que escrevi e documentei até agora, e, fundamentalmente, a capacidade ou incapacidade de adaptação que tenho a uma causa, um projecto,a uma ideia. Muitas dimensões explodem neste sentido, neste dilema. Algumas certezas também. Vamos dar-lhes alguma luz. Quando fui convidado pela Loud fiquei honrado. Pelas pessoas que formam a Loud. Pela independência que a Loud já tem, a vida própria além da vida dessas pessoas. Como tal, o conceito da Loud merece-me o maior dos respeitos. Óbvio que não ignoro que um artigo da estrada,substancial e interessante (na desgraça detalhada) como o Spectator na América, respeita e inscreve-se, como a luva de picos na mão, neste conceito, nesta imagética. Artigos teológicos, filosóficos, com o seu bolor e esplendor sempre agarrados, terão mais dificuldades no entranhar, sendo mais proveitosos pela sua estranheza. O dilema agudiza-se quando, e pela grande experiência que tenho nesta área- conseguida a custo da incompreensão e identificação muitas vezes impropriamente balizadas-, implica com uma convicção muito pessoal que nunca deixei de exercer e aconselhar- apesar de detestar a figura paternal de conselheiro. Em suma, esta questão não me deixa de preocupar. Tenho um exemplo muito vivo e importante na minha carreira pessoal com Moonspell: o albúm “The butterfly effect”. Muitos dos nossos receptores reagiram com cautela e desânimo a este disco por ele ser muito complexo e difícil. Estou a citar com honestidade. Sendo a arte de escrever um misto de egoísmo e de comunicação, esta duplicidade complica as coisas e as avaliações que em cada momento estes elementos devem merecer. O valor que lhe devemos dar, em boa e justa medida. A convicção pessoal de que falava há pouco era a de que sempre pensei, muito mais, acreditei que deveria escrever sobre tudo, a todos os níveis de complexidade ou singeleza possível sem nunca pensar que as pessoas que devem ler ou sentir sejam capazes ou incapazes de perceber ou perecer perante o assunto e sua forma comunicada. Seria talvez colocar-me num pedestal que não mereço e votar as pessoas a um grau de mero espectador esforçado, sem dimensão própria. Por outro lado, percebo os contextos, e os atractivos destes. Problema que espero ter tornado claro. Dilema para o qual não peço a vossa ajuda mas muito mais a vossa reflexão. Até porque sei que os meus assuntos e tudo que eu possa comunicar são alvos em movimento. Até porque sei exactamente o teor dos meus próximos artigos na Loud. Considerem este como um porto de abastecimento, um intermédio de vir à tona e respirar um pouco na pausa. Até porque sei fazê-lo e sei da sua importância. Até porque sei que só nos perdendo muitas vezes conseguimos encontrar os caminhos que nos são próprios e que nos são queridos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;VI/VII&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O balde de caranguejos&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este será, porventura, o artigo que terá possibilidades de gerar a maior polémica mas também será por causa deste que  todas as pessoas que dedicam o seu tempo e energia a estes problemas a reflectir mais ordenadamente sobre eles, com maior concentração e empenho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será esta peça que me exigirá a maior isenção de sempre. Que, confesso, não sei se será conseguida por completo. Não que ela seja absolutamente essencial a uma coluna de devaneio e opinião, mas seria bem útil para a fluidez de comunicação que  procuro hoje. Resumindo: este é a sério. Pode doer, álcool sobre a ferida, com o seu quê de cura, espero eu, senão falharei redondamente com os meus presentes objectivos: que se elevam muito longe de uma mera maledicência. Que pretendem ser muito mais que uma exaustiva compreensão dos males da nossa cena musical, que pretendem reconhecimento, arrependimento e olhar para um futuro mais sólido e sobretudo mais solidário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos a isto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se há algo que rivaliza com a beleza, dimensionalidade e vivacidade de Portugal é a sua ingratidão e falta de visão. Eça de Queirós descreve Portugal na perfeição no término deslumbrante da sua obra A Ilustre casa de Ramires:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“-Pois eu tenho estudado muito o nosso amigo Gonçalo Mendes. E sabem vocês (…) quem ele me lembra?&lt;br /&gt;–        Quem?&lt;br /&gt;–        Talvez se riam. Mas eu sustento a semelhança. Aquele todo de Gonçalo, a franqueza, a doçura, a bondade(…)Os fogachos e entusiasmos, que acabam logo em fumo, e juntamente muita persistência, muito aferro quando se fila à sua ideia…A generosidade, o desleixo, a constante trapalhada nos negócios, e sentimentos de muita honra, uns escrúpulos, quase pueris, não é verdade?… A imaginação que o leva sempre a exagerar até à mentira, e ao mesmo tempo um espírito prático, sempre atento à realidade útil. A viveza, a facilidade em compreender, em apanhar…A esperança constante nalgum milagre, no velho milagre de Ourique, que sanará todas as dificuldades…a vaidade, o gosto de se arrebicar, de luzir, e uma simplicidade tão grande, que dá na rua o braço a um mendigo…Um fundo de melancolia, apesar de tão palrador, tão sociável. A desconfiança terrível de si mesmo, que o acobarda, o encolhe, até que um dia se decide, e aparece um herói, que tudo arrasa… Até aquela antiguidade de raça(…) Assim todo completo, com o bem, com o mal, sabem vocês quem ele me lembra?&lt;br /&gt;–        Quem?&lt;br /&gt;–        Portugal.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inúmeros são os exemplos factuais desta tendência ou doença tipicamente lusa de expulsar de casa os seus filhos pródigos. De viver nessa regra e permitir a excepção, a  respiração interna muito poucas vezes. Fazer disso, infelizmente, uma regra também ela dura e incontornável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que o digam todos quantos foram descobertos pelos lá de fora, raptados pelos aliens na perseguição de um sonho e da sua realização. Que o digam os nossos melhores jovens cientistas a trabalhar a soldo de Universidades americanas, contribuindo para enriquecer ainda mais o seu património científico e escavando mais o fosso com a cauda da Europa; que o digam os investigadores; que o digam artistas vários; que o digam todos os agentes que gostariam de contribuir para sairmos do subúrbio Europeu, para que nos vejam a alma nua e brilhante para além dos 900 km de costa, a boa gastronomia e a vontade (cada vez mais amarga) e o saber de bem receber, dando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa edição da Pública (revista anexa ao Público de Domingo) Carlos Cruz definia Portugal de forma cruel mas exacta. Não me consigo recordar fielmente das palavras mas rezava, aproximadamente, assim: “Portugal é o país onde as pessoas vão à Opera para ver a solista desafinar. Ao futebol para ver o avançado falhar a grande penalidade. Ao Teatro para ver o actor falhar a deixa.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, e com tristeza, há um consenso gerado por estas palavras que são uma extensa introdução ao cerne do artigo que nos trouxe aqui todos hoje. Num futuro próximo (o mês que vêm) todo este manancial de pessimismo mas realidade será reposto, tendo como pano de fundo uma incidência particular e atenta ao panorama Heavy Metal, que sofre deste mal de formação e que pretendo, não extirpar(impossível), mas falar sobre, de maneira isenta e séria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Se a musa me ajudar neste trabalho…”   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O balde de caranguejos. Parte Segunda.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Agora que os horizontes sedativos do futebol foram quebrados de vez, resta-nos voltar à nossa infeliz normalidade enquanto povo. Que se resume em grande parte, hoje em dia, a olhar a morte lenta do nosso país por dentro, como personagens condenadas a rolar pedras e cair de montanhas (emprestem-me brevemente o mito) que, inevitavelmente, tornaremos a subir; a chutar a bola sem alma ou vigor amaldiçoando a Má-sorte, a estrutura, tudo quanto suavize a teimosa tendência do português, pelo menos desde Alcaçer-Quibir,  falhar no momento certo e fazer da excepção a nossa trágica guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero assumir, embora também me apeteça, um tom futebolístico nesta peça. No entanto, não tenho um horror gótico ao desporto. Pelo contrário. Sinto o seu contágio. O futebol é irracionalmente belo e derrapante. Mas a indústria há muito engoliu os valores. O suor na camisola é coisa do passado e do provérbio. Não fabricou já a Nike um modelo (usado até pela nossa selecção) que impede a retenção do suor e oxigena o corpo. Talvez fizesse falta. Talvez fizesse lógica esse sal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas todavia o período traumático pós-afastamento é o balde de caranguejos por excelência. Com jornalistas crustáceos, treinadores de bancada de seis patas e afins a subir por ele acima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Longe de mim cair no erro de subir o balde. Este artigo e coluna procura sempre cismar nas coisas remetidas a silêncios ou ruídos demasiados. E de como combater os estigmas.  E verificar na sequência como a citação de Eça de Queirós (v. Spectator anterior) faz todo o sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se o artigo passado foi fértil em citações, este será fértil em situações de que todos fomos espectadores e até casuais personagens de vez em quando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Situação primeira:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Festival de bandas underground. Portugal. Qualquer sítio. Hora: começo às dignas 19.00 A banda mais vigorosa e nítida do pacote encerrará o dia. So far, so good, so what? A maioria do público desloca-se para tal momento. Outras bandas para descobrir. Se estas o deixassem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os problemas começam. As costas são as primeiras coisas que se voltam. Tem de haver soundcheck para todos por igual. Razão? Não se sabe. Febre de importância, talvez. “se Eles o fazem, porque não eu?”, pensa-se. Tensão começa. Managers amadores, exaltados defendem territórios que tão pouco existem. A amizade mascara-se de Defesa. Fala-se muito. O trabalho é inversamente proporcional. A união não se faz. Nem tem a força.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Período de acalmia. Insatisfação, ruminação. O concerto arranca !  As bandas arrastam-se em palco. Afinal tem os seus quinze minutos de vingança. O orgulho embrulhado em palas asininas ultrapassa os sagrados minutos consagrados à sua actuação. Os último que se danem. Não fossem importantes. Não fossem capazes. Admite-se aqui: não fossem melhores. A criar e a comunicar. Chegámos ao fim. Da paciência. Do concerto. Pessoas que há muito desistiram fazem a colheita: ela é a do cansaço. Sombriamente familiar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poderíamos adicionar aqui o fraco profissionalismo da equipa de som, o favoritismo de quem joga em casa e se transforma a cada cinco minutos em organizador-artista-autista-organizador, mas tudo isso deveria ser periférico. Se a alma dos intervenientes assim o desenhasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Situação segunda:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chamemos-lhe a minimização. A obsessão em explicar tudo o que, em esforço glorioso, o outro consegue por palavras suas. À sorte tudo se joga, ela tudo explica. À estrutura, o monstro sagrado da desculpa, que tudo faz correr. À gota de água que muitos são ainda e não deixarão de o ser talvez. A mesma gota que forma as grandes massas de água e a estrutura complexa do sangue. Pergunta-se os Gregos Antigos não tentaram traduzir tudo em unidades básicas (em séculos de Luz, progresso e registo) que hoje em dia simplesmente explicam o Mundo e o Homem. A importância de ser pequeno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chamemos-lhe sabotagem. A sabotagem da luta fratricida. A sabotagem do Norte, do Sul, dos leprosos falsos e dos temíveis justiceiros da Verdade. Da maledicência. Da dedicação à causa do bota abaixismo.  Do queimar de páginas e páginas a falar dos outros menosprezando o seu projecto e sonhos. Que parecem que acabam onde os dos outros se constroem. Tal como a liberdade. Tal como a raridade de ver e apreciar o que é gritante e se afirma pelo grito: o projecto, a força, a alma, a inteligência, a raça. Não, não é um anúncio de automóveis. É a realidade que explica a outra realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Situações:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, o sonho vivido dos outros será sempre o pesadelo da cena portuguesa. O amigo tem a duração de nos podermos sentir igual ou superior para com eles. A diferença é a estranheza a evitar. A vitória: sabe melhor nas ficções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é isto do balde então? Se o tivesse explicado antes não teria chegado aqui ao fim do artigo. Nem sequer o tinha iniciado. Mas guardei para o fim a sua explicação: reza a ciência, que aqui quase é lenda, que se num balde de caranguejos um decidir escapar e começar a subir sozinho balde acima, em direcção à conquista da liberdade, ao seu sucesso enquanto caranguejo (sobreviver ao imediatismo do prato), todos os outros caranguejos se solidarizam e fazem uma pirâmide “caranguejola” até que o primeiro (do topo) consiga agarrar o fugitivo. E puxá-lo para baixo. Durante eternidades. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto faz-me pensar não só no óbvio instinto destrutivo em puxar para baixo, mas também o porque de não serem solidários na fuga, em fazerem a pirâmide para todos subirem por ela ao invés de por ela descer o visionário, caído, partido, uma vez mais anónimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, faz-me lembrar a cena portuguesa no seu pior. No seu normal.  Porque o pior do Português não é não saber perder. É não saber ganhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Been there. Done that,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;VIII&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;The silly season. The silly us.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos chegados à época descrita, socialmente, como a “silly season”, isto é a época de anestesia veraneante, de escapadelas para confortos fáceis, espumantes, frios e escorregadios, do intercâmbio de preguiças e das depressões nervosas que destilam ao calor do nosso cada vez mais perigoso Sol ocidental num areal mais ou menos ocupado da nossa longa e fleumática Costa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos chegados e encalhados perante a decisão do que não deixar de fazer. Ou seja, vamos eliminando coisinhas das nossas agendas até chegarmos ao mínimo laboral que nos permita sobreviver e nos deslocar até aos atractivos mais próximos. Empilhamos coisas sobre coisas para a rentrée sempre fatídica de Setembro. Sorrimos em antecipação de um futuro mais brilhante após descanso e banhos, após ilusões de relaxe. Não vamos pensar agora nas coisas que iremos deixar apodrecer nos nossos frigoríficos e nas nossas mentes. Vamos directos ao Sol como insectos atraídos pela luz. Vamos deixar para amanhã o que podíamos fazer hoje. O profissionalismo nunca se superiorizará ao portuguesismo. Ao fim e ao cabo os outros Europeus que vivam para trabalhar. Nós trabalhamos para viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Verão para mim, desde há alguns anos, tem o mesmo efeito que devem sentir, com a devida vénia, aqueles vagabundos dos filmes Americanos que espreitam às janelas descuidadas das famílias trinchantes de peru na ceia de Natal. Aquela inveja partida por dentro, aquele calor que nos percorre os ossos como um dum duche bem quente após uma dia à chuva. Mas sinto sobretudo o dilema entre aquela liberdade que já foi, competentemente, discutida em sociologia sobre os vagabundos por opção de desprendimento do material (a nova ataraxia) e o de sermos, todos hoje, obviamente convencionais enquanto seres cercados de caminhos barrados por comuns e intransponíveis (mas passíveis de empurrão!) fronteiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, falando de dilemas: hoje quando acordei (tarde, para grande angústia minha)&lt;br /&gt;vi--me a braços com o dilema que de vez em quando constitui o Spectator para mim. Depois do balde de caranguejos, o que fazer para que a seiva/sangue corra ainda com pertinência nesta privilegiada coluna? Aliás (pela segunda vez, perdoem-me os formalistas) já tive oportunidade de lidar com este dilema aqui noutra ocasião em moldes mais gerais. Aliás (a terceira e última permitida vez pelo bom gosto e gramática), o dilema era outro hoje: o de se a acidez do balde se seguiria a doçura algo entardecida  de uma composição mais poética, mais éterea com que comecei a manhã, ou aquela peça sobre os canais de conversação do Metal cujas curiosas conversas e personagens me tem suscitado assunto nos últimos dias. Bem, decidi-me pelo caos. Fica sempre bem. Sabe às férias que felizmente não vou ter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim nas coisas para fazer nos próximos dias só há lugar ao ditatorial congelamento de Verão. A imobilidade que nos provoca o calor. O resto do ano será usado para derretermos. A ver se algum ouro cresce dos nosso projectos. Progressivamente vamos nos fundindo com esta subliminar mensagem. Caranguejos, hoje em dia (e para quem gosta) só no prato; heavy metal ? só em festivais de Verão servidos por má cerveja;&lt;br /&gt;pesquisas e insondáveis tristezas? só murchando no optimismo desse cancerígeno astro solar, tão próximo de nós agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ansiando pelas mortes nas meias-estações me despeço. Vou ler e dormir, sentindo-me pequeno a todos os instantes. Algumas rotinas não se podem quebrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spectator is out for vacations. (…)      &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IX&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Trash Metal&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As recorrências são um fenómeno curioso nas nossas vidas e percursos e a maneira como lidamos com elas será sempre algo de imponderável porque todos nós temos grandes dificuldades em lidar com o passado. Seja a esconder vergonhas ou a assumir orgulhos. Mas nós, pelo menos, criamos os nossos imortais e sempre vamos empilhando, com mais ou menos jeito, as nossas eternidades ou pequenas olhadelas ao proibitivo “o que está para lá” de tudo e de todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das minhas preciosas eternidades é a obra dos suecos Bathory que me ensinaram a personalidade do misticismo, de que existe um cérebro e uma alma simultânea que gere o genuíno e que ultrapassa o físico e as limitações do mesmo. E que se consegue visualizar o impossível mesmo no meio do turbilhão do comum, ao seu grau mais ínfimo e inacreditável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os meus primeiros tempos a ouvir Bathory foram, como é óbvio, marcados pelo espanto e por uma certa credulidade para a qual muito contribua a mística e a saudosa falta de informação dos Oitentas (admito). Tudo o que se arranjava era de altíssima prioridade e estimado com requintes de relíquia. Todos eram coleccionadores e tudo se fazia com pouco dinheiro mas com muita imaginação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os tempos encarregaram-se de nos retirar essa pureza. Afinal ela já não existia no mundo e os submundos de alguma forma tomam este como modelo de oposições, rebeldias e imitações mais ou menos conseguidas. O tempo se encarregou de me provar coisas que talvez adivinhasse, coisas que tive o privilégio de viver e por elas até morrer de vez em quando. Bathory era como um catalizador de todos os pequenos e grandes misticismos e soube, talvez sem o querer, passar esse protagonismo aos seus seguidores fanáticos mas extremamente voluntariosos.&lt;br /&gt;Os rumores eram imensos, forjavam-se piratas, canções, concertos ao vivo, ordenavam-se itens das infames Bathory Hordes que demoravam semestres a chegar da agora tão próxima Suécia, descobria-se -com orgulho diga-se- que se os prints dos fabulosos ícones de Bathory eram suecos, do Inferno até, o algodão era, como dizia a etiqueta, de Portugal!!! Enfim, recorria-se à imaginação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez não seja de todo ajustado mas deixei de acreditar cedo que os artistas, neste caso o mentor Quorthon, fosse uma besta apocalíptica e esclarecida como poucas (até o conheci num grato dia de 1989!) e que tudo o que fizesse exigiria retiro adequado numa floresta, num recôndito rochedo à beira-mar, num castelo, nas asas de um dragão ou no bico fantástico de seres alados da mitologia. Tal como sei hoje o processo de criação é fundamentalmente interior, aquela maldição exigida e exigente de não pararmos de pensar, registar, observar e sentir e sermos apanhados desprevenidos, pela nossa obra-prima no mais insólito dos sítios e das situações, no meio do insensível máximo, do volume das ruas e dos limites da nossa liberdade: os outros. (grande parte da Vampiria -com alguma pena minha- foi escrita no Metro a caminho da Universidade de Faculdade de Letras).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se o confessei a muitas pessoas mas depois de ler o folheto do álbum  Blood on Ice (álbum quase apócrifo de Bathory, lançado em 1996, se não me engano, mas tematizado em 1989, por alturas do épico Hammerheart), pensei porque não escrever sobre este peculiar processo de isolamento que é criar e como a maior parte das vezes o contexto em que estamos não se adequa aos sentimentos transmitidos e absorvidos pela obra?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se um dos meus absolutos mentores confessa que gravou obras primas como Blood Fire Death e Hammerheart, com atmosferas nunca igualadas por ninguém dentro deste estilo, no meio de roupa suja, desperdícios, partes velhas de carros, e outra nojenta filigrana, pois o famoso Heavenshore nunca passou de uma garagem -que funcionava como tal em horários de expediente- bem no coração de uma floresta de pedra nos subúrbios de Estocolmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal ninguém se enganava. Quorthon, tal como os seus seguidores, era um acrobata da imaginação. Vendo drakkars a aportarem e bruxas a serem liquidamente julgadas, maravilhosamente compostas e entregues nos seus discos, tudo isto no meio de lixo e mais lixo.&lt;br /&gt;Dando razão aqueles artistas que trabalham a partir da sucata. Dando razão àquelas flores que nascem da lama. Provando cabalmente que no nosso interior entra quem e o que queremos, e que convidamos a sair somente aquilo que queremos: do lixo para a imortalidade, da posteridade para a porcaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A propósito nunca me deu tanta vontade de escrever ao Quorthon Seth e dizer-lhe isto. Para lhe dizer que o subúrbio citadino continua com alma e que a colheita da lama tem sido boa e promete encher mais corações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;X&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;“Nós somos como anões aos ombros de gigantes”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Sei que incorro no pecado arrevesado da teimosia mas devo dizer-vos, àqueles que me acompanham todos os meses mais ou menos fielmente; e aos que navegam iniciaticamente neste canto cujos meses e conteúdos ditam a sua obscuridade, que também desprezo um pouco as regras/mandamentos literários e faço de tudo, menos jogar baixo e sem trunfos, para comunicar as minhas ideias e delírios com força, consequência e clareza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, já o perspectivavam os Antigos de forma bem mais agradável que os Contemporâneos, para passar mensagens ou coisas (que conceito este o da coisa, não?), tem-se que dizê-las muitas vezes. A repetição também pode ser bem feita e conseguida, basta concentração, esforço e muita experiência sequencial. Construir uma rede, complexa o suficiente para distrair e não dispersar, para aguentar e não massacrar, é um acto bem difícil e penoso. Eu, pelo menos, não aguento mais que estes dois parágrafos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha teimosia hoje consiste em repetir que não conheço, -já procurei- género musical mais literário que o Rock e seu nobre e superior derivativo Metal. Nem preciso de ilustrar. Senão os vossos olhos nem passavam, ou passeavam, por aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí que me traga poucos problemas dizer-vos que tive a ideia mensal para o Spectator às páginas tantas de um livro que me sugeriu as ideias a comunicar e me emprestou o sentido. O autor, o celebérrimo Umberto Eco, viajou até à América à procura do Falso Absoluto e compilou as suas visões e impressões já de si superiores num volume a que a editora Difel chamou, um pouco ingenuamente, Viagem na Irrealidade Quotidiana. Esse intenso passeio suscitou as mais preciosas ilações e dimensões sobre a Imitação fidedigna como forma de conservação, sobre como o mundo moderno recria, tentando superar, o Mundo Antigo e de como o sabor do Antigo ainda vale sobre o mentolado e fresco Falso Absoluto; tecendo até comentários que nos abismam pela sua exactidão futurista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num capítulo muito interessante dedicado à apreciação da Idade Média, enquanto período dinâmico e estruturante de uma Nova Idade Média -um misto de lúgubre e iluminação, não diferindo da primeira, segundo Eco- diz-se:”…nosso século, em que o filósofo ou o cientista que valem alguma coisa são exactamente aqueles que trouxeram alguma coisa de novo (e o mesmo, do Romantismo e talvez do Maneirismo em diante, vale para o artista.)”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Achei esta passagem excelente até para ilustrar a polémica residente do Metal entre o grupo que faz o novo e o que repete o velho, tal como o copista Medieval (que segundo Eco acrescenta sempre) ou o vanguardista Renascentista (irá mais longe?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Curioso é  que se segue ligada a este raciocínio uma frase muito conhecida (já agora proferida por Bernardo de Chartres durante no séc.XI): “Nós somos como anões aos ombros de gigantes” a que Eco acrescenta “os gigantes são autoridades indiscutíveis, muito mais lúcidas e clarividentes que nós: mas nós, pequenos como somos, quando nos apoiamos sobre elas vemos mais longe.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decalcando isto para muitas polémicas de vida e de música do género ovo/galinha (apesar de em latim sempre se dizer ab ovo- desde a origem…) fez-me reflectir sobre a estupidez e perda de tempo que é discutir progresso e repetição como termos antagónicos. Sim porque ninguém se atreva a duvidar do nanismo inerente a fazer música nos tempos em que correm. Como também não se pode menosprezar o sentido da escalada e a luta contra os acidentes que nos esperam até chegar aos ombros dos nossos gigantes. Gigantes que até se calhar já foram anões com talento hipérbole e se regaram com as mais convulsivas chuvas e se adubaram com as sementes da mais pura eternidade artística.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto a mim duas ressalvas finais:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-         faltam as conclusões a estes Spectator, ou pelo menos o tom de certeza com que gostaria sempre de transmitir. Explicável por ainda não ter conseguido me manter equilibrado nas costas do gigante e ver os horizontes das diferentes perspectivas que este belíssima vista me oferece.&lt;br /&gt;-          A assunção de que não tenho vergonha de me pôr às cavalitas seleccionadas deste ou daquele vulto, ou de desta ou daquela sombra. A Vida(gémea malvada da Arte em estatuto de permuta permanente) não passa de uma grande escalada e sem dúvida que uma montaria nobre, útil ou até inspirada calha-nos bem, sabe-nos bem e fica-nos bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ride on!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;XI&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;With faces like ours who needs Halloween?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Esta era a frase imprimida numa t-shirt dos Type O Negative, merchandise oficial de uma longínqua digressão que fizemos juntos. Hoje transplantei para aqui o seu humor e sentido, já que me parece ( e o tempo o confirmará -tal como a todas as outras coisas) que esta vai ser a minha única maneira de assinalar este evento, esta resistente lembrança de tempos idos de Liberdade e que arranjou forma bem estranha e perversa de se perpetuar e de se fazer celebrar até hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com caras como a nossas, quem precisa da Noite das Bruxas ? será sempre uma cabal demonstração do grande sentido de humor da banda de Halloween por excelência, Type O que consegue ter graça e cair em graça ao mesmo tempo. Sei que quando sair esta coluna (datada por um incontornável correr contra o tempo), o esquecimento veloz dos nossos tempos e dos nossos contextos já terá coberto de terra a negra efeméride e que aos engraçados vampiros e bruxinhas das montras se sucederão os resquícios de S. Nicolau e outros íconezinhos de doçura e paz do sempre mentiroso Natal. Mas a alguns dias da Noite das Bruxas (em plena feitura do Spectator)  parece-me ainda bem ouvir Type O toda a noite, enquanto leio outros capítulos da fabulosa obra de Ray Bradbury The Haloween Tree. Com a diferença que os miúdos do meu prédio não se atreverão ao feliz incómodo de me pedirem doces ou de se habilitarem ao susto da vida deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com Moonspell, tentámos manter uma tradição de tocar todos os anos nesta data. Infelizmente este ano começo o hiato (que se quer muito curto). A tradição levou um golpe à nascença, sofrendo, como todas as boas tradições, às mãos da célebre ditadura de um contexto económico/social, que leva os promotores de espectáculos à cobardia do jogar certo, do económico Halloween cool e dançante, que, deixem-me que lhes diga, nada tem de pagão nem que se. O herbal é comercial. A Natureza não se quer em comprimidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra ditadura mais feliz: a da criação e descoberta afastou-nos do rumo de fazermos nós próprios (como imaginávamos) algo, de pequeno, grande, médio, distante, whatever, mas sempre celebratório. O nosso albúm novo engole-nos sem piedade e a nossa visita à Grécia deu o golpe final num projecto que nos tomaria todo o tempo e sugaria toda a energia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que me despertou a curiosidade, acima de tudo, foi ver, como hoje em dia, o Haloween se manifesta e implanta em Portugal. Basta dar a inevitável e triste volta de animal de consumo por uma das sufocantes superfícies que brotam como desinteressantes cogumelos pelo nosso país, para ver as montras decoradas com um terror saudável, inofensivo e pura e simplesmente irritante. O Medo está, definitivamente, em baixa. O que leva a pensar algumas outras coisas:&lt;br /&gt;-         Portugal nunca teve verdadeiramente tempo para deixar respirar o Paganismo. Desde a sua formação que é um país Cristão. Juntamente com Itália e Espanha tivemos quase três séculos de Inquisição (não acham temível Portugal só deter recordes infames?). As poucas religiões naturais entre portas foram alvo de estudo sério só por parte de iluminados (ex :o Prof. Leite de Vasconcelos) e ainda hoje em dia se querem respirar esse ar, têm de pedir autorização a um amarrotado Presidente de Junta do Interior (Sul, Norte é irrelevante) que tem medo que lhe pisem as ruínas com que ele chantageia o poder Local (encabeçado por aqueles que equacionam a hipótese de usar essa excelente pedra de ruína para fundar um novo espaço de sufoco comercial - v. CC Chiado-).&lt;br /&gt;-         Portugal, apesar do seu original potencial, é um imitador. O nosso Halloween é importado. Em 100 pessoas 99 comprariam uma bruxinha animada, que faz bolinhas pela boca e diz abracadabra ao filho para os deixar em paz enquanto tentam furiosamente acabar os livros (comprados no Continente) da Marion Zimmer Bradley ou do eleito Tolkien. A outra leria o Portugal Simbólico, ou arriscaria uma visita a Odrinhas, ou algo mais selvagem e pouco estabelecido. Essa unidade é o que resta um do lusitano. Do (a)pagão.&lt;br /&gt;-         Sei que nos meio destes prédios, que arrancam a cada minuto do nosso chão mutilado, é difícil manter qualquer chama acesa (as narinas dos nossos vizinhos fungam bem alto, chegam bem longe) mas uma vez li (algures) uma frase ecológica: I am a tree. E isso fez-me, outra vez, pensar se o Paganismo se limita à manifestação simplesmente, ao convívio físico. Sei que não, apesar de ele ser tão essencial, por completar o círculo que se inicia ( como todos os outros) no pensamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para concluir (já vai longo) encontrei essa chama na nobre actividade que a FNAC Chiado tem vindo a manter desde o ano passado: o mês temático Outubro Negro, do qual tive a honra de participar como convidado, este ano, num colóquio sobre HP Lovecraft. Colóquio esse que foi muito mais uma amena cavaqueira durante três horas, abrilhantada pelo excelente Sr. Nicolau Saião, um gentleman de Portalegre, que teve a gentileza de traduzir para português poemas do autor, compilados num livro chamado Os fungos de Yoggoth. Existiram ainda diversas outras actividades como concertos, uma conferência (à qual falhei) sobre o Neo-Paganismo (que me interessava sobejamente para este artigo), e um ilustre etc. Fica a vénia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, espero que esta tradição seja ininterrupta e que continue a propiciar a tomada de pulso às sombras. Nós encontramo-nos para o mês que vem, como uma maldição certeira. Até desejaria Happy Halloween a todos mas prefiro calar-me à espera que os vendedores o façam e deixam para nós a rebelião mais profunda de os poder rejeitar e acender uma vela favo de mel, beber um bom vinho tinto, meter a Black Number One e sair ou ficar à caça dos espíritos e corpos disponíveis pela loucura especial dessa  (passada) noite antes de nos entregarmos ao bem mais português Dia de Finados.&lt;br /&gt;Espero ter acertado.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;XII&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;O ilhéu&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde a passada Segunda-Feira (uma qualquer, para o caso não interessa) que avanço e recuo em escrever este Spectator. Não sei bem porquê, o meu hábito em fazer estas retiradas normalmente aparece associado a outros escritos que não estes. Se me auto-analisar provavelmente chego a algumas conclusões que em nada nos irão salvar deste dilema. Bem, outro dia, para dizer a verdade, acordei com dose a mais de veneno no corpo. Instilado por quê ou por quem não vem ao caso (são sempre os mesmos, usam é gabardinas e chapéus diferentes) mas esse, bem me lembro, utilizei para fim mais benéfico. A teoria e prática dos anticorpos ainda me parece muito bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando aqui pois é aqui que tenho de estar em momentos de agora e de futuros mais ou menos eternos, esta peça pecará (bem o antecipo, é um talento -dos poucos - que tenho) por ser muito genérica mas talvez caia bem para desenjoar o recorrente who is who, true or not true do Metal, que começa (tardiamente e se calhar já fora de prazo) a impôr-se nestas páginas da Loud que sei bem sinceras, através de buracos e inspectores que tem a graça que se lhes possa ou não atribuirs. Não entendam isto como uma farpa. Na minha seriedade só uso lanças, bem o sabem. Aliás se me lembrar para o mês que vêm vou mais longe: prometo oferecer (destituído, garanto ,do espírito daquele aniversário inflacionado que se comemora acumulando dívidas todos os Dezembros) uma história muito engraçada de solidariedade do Metal. Como as uniões, de vez em quando, alcançam objectivos. E as separações também , acreditem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ia eu fazer o meu texto mais genérico então. O facto é que me meti em azares. Depois de uma noite fundamental de registos e saltos na cadeira velha de realizador (velha, não antiga...) que aqui tenho agora no meu canto, fui me deitar. Para meu espanto a espertina deu-me para o zapping frenético até encalhar nos prémios europeus da MTV, apresentados em Barcelona, e por lá ficar ultrajado e prestes a demitir-me da Europa, da qual nunca gostei muito enquanto projecto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O público, o lugar e o feeling eram meros acessórios e de Barcelona (que já tive o prazer de visitar a pé e de um palco) nada havia. Aquelas flores decorativas que se atreveram a comparar a Gaudi eram ridículas, vistas de qualquer ângulo. Até do mais simpático. Passei a correr pelo Pop; Dance; por essa visão irritante que é o Moby, ou o outro-como o negativo deste - que mudava de chapéus e falava um inglês que só ele entende; pelas cópias das cópias de cópias do Rock que ganhando a revelação me fizeram uma revelação ou me recordaram, provavelmente, de uma; enfim por tudo até chegar ao Melhor grupo hard rock, onde todo o pouco que já havia se desmoronou por completo. A ver: bandas europeias nenhuma nomeada, ignorando por completo fenómenos de venda e popularidade do Velho Ilhéu como HIM, Rammstein ou mesmo microclimas habitados por Cradle of Filth,etc.&lt;br /&gt;Da categoria completamente preenchida pela (praga actual, já assumiu esses contornos, que me desculpem ou não os apreciadores dessa sonoridade) Nu Metal ganharam uns americanos (linkin´park, presumo) entre outros quatro nomeados do mesmo Continente (não sei se os Nickelback lá estavam). Aliás procurei esquecer mas foi-me impossível e porquê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque me sinto envergonhado de nos virem dominar no nosso território. Nunca fui um Europeísta e sempre fui permeável à nova e fresca cultura Americana. Exemplos a confirmar em Burroughs, Bret Easton Ellis, Tool, NIN. Sempre me fez enorme confusão o fácil escapismo Europeu e o apontar dos EUA como o bode expiatório mais fácil para explicar as nossas fraquezas. Já visitei os EUA, por diversas vezes, senti o seu pulso da perspectiva do palco, da estrada, do diner, do motel 6, até de uma cadeira de dentista, entre outros folclores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda assim senti-me pela primeira vez invadido. No mau sentido. Não pela invasão em si mas pela sua facilidade, que vem de dentro das ameias destas ruínas. A Europa é o agente infiltrado da destruição de si mesma. E neste pormenor do rock (indissociável do Metal) vê-se muita coisa e prevê-se muito mais. Tanto que é a própria Europa que cospe para fora de si os seus talentos: meros casos de exotismo europeu (nostalgia, talvez) meritórios ou não, quando apreciados nos EUA. Comemos a sua comida, bebemos as suas bebidas, ouvimos a sua música, mesmo quando nos são prejudiciais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas este tom manifesto anti-EUA não é o meu. Todos estes exemplos são irrisórios, mínimos até. O nosso underground tem um pulmão ainda fresco. A nossa literatura ainda é incomparável. Mas o que aqui quero que se sinta ou pelo menos o que senti foi de termos (ou de terem por nós) nos demitido de sermos um Continente. A imagem que tenho é de estarmos numa rocha pequena, muito apertados, sem espaço para irmos a lado algum, vivendo num espaço que se reduz e se desculpa com o facto de o reduzirem. Rodeado por coisas que até queremos, mas que não sabemos usar sem elas nos substituírem, vivendo num ilhéu a caminho de ilhota a caminho de uma pedra tão pequenina que não poderá, de algum modo, flutuar sozinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que tal coisa (os MTV awards) não nos deveriam atingir. Claro que o mainstream não nos pode irritar. Claro que temos problemas muito nossos (o da tal verdade) que queremos perpetuar. Claro que nada disto tem o alcance que nós poderíamos temer. Mas para mim a desculpa da distância, da intangibilidade e da superioridade histórica já não pega. E todos os dias trabalho na minha salvação: a da nacionalidade própria – a da resistência. A de dormir e acordar com a nossa cultura, essa sim que me permite e convida a protestar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aceitei o convite,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;XIII&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Chihuahua 2002&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A chuva que martela verdadeiramente os vidros duplos (que dizem vender-nos com as casas) deste meu canto, arrasta-me, com algum talento e força, para aquela dolente introspecção “inventária” que os finais de qualquer ano dão  a qualquer ser que saiba ou não dosear as tristezas, os momentos distraídos de felicidades, enfim, todos os expedientes e esquemas de sobrevivência que usou para manter a cabeça à tona das águas e correntes desse ano. Essas mesmas águas que agora, ironicamente, caem do céu para lá voltarem talvez ainda este ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O melhor dos balanços de final de ano é não ter tido tempo de parar para pensar e quantificar as coisas e dar-lhes essa forma e medida. Imaginem que a vossa loja ou vida se manteve tão ocupada que não teve tempo de se inventariar ou de se contabilizar de alguma maneira, por muito que se goste destes truques finais e que tão convenientes nos são ao nosso ora miserável Optimismo ou por outra ao nosso sempre exercitado Pessimismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se chega ao fim de algo, mesmo condenados a usar calendários que não nos servem ou sequer pertencem, ensinaram-nos a não resistir a ver os fins, como talvez os princípios dos princípios. Como tal, já o fim é, isoladamente, um problema de enrolar línguas e mentes. Se nos pusermos a inventariar poderemos até cortar o meio caminho da ponte e ficar agarrados a memórias ou ao esforço em as iluminar o que faz doer a cabeça da cabeça para dentro. Daí eu ficar  excitado quando um ano acaba em confusão e promiscuidade entre passados, futuros e meros presentes, e de não puder (nem com o olho atento do Spectator) chamá-los pelos nomes devidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É curioso que assim de memória nem me lembro quanto tempo passei nestas páginas e muitas vezes o que fiz delas e como foram ou não recebidas. Ainda assim esta coluna encontra uma auto motivação inexplicável. O facto simples de escrever ser um acto de irreflectido prazer egoísta, o qual cada vez mais não se questiona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em conclusão o meu ano (sem balanço incluído) foi o não ter tempo para pensar seriamente nele o que como já constatei tal é menos doloroso. Por outro lado, o meu ano e a minha vida tiveram um momento que aqui queria destacar: a ida recente de Moonspell a Chihuahua (México) e tudo quanto se passou por lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este foi a todos os títulos um concerto insólito a começar pela maneira como chegámos a um aeroporto lindíssimo, num vale, em que nos dirigíamos pelo nosso próprio pé através da pista e daquele ar maravilhoso de vale até à zona das bagagens. Continuando, através da recepção pelos nossos promotores que nos prometeram (sem sequer falarmos nisso) a trilogia do rock’n’roll para aquela noite, nem mais um segundo. De dentro da carrinha a estátua rebelde de Zapata, depois a de Pancho Villa, e antes, através dos vidros sem chuva, um anónimo lutando com uma árvore na berma da via rápida, confronto esse visível em poeira e loucura de uns bons metros de distância. De como as autoridades nos forçaram ao palco bem mais cedo do que o previsto (sem ensaio, sem nada) para prevenir o motim anunciado das mil e muitas almas que nos aguardavam, a nós de Portugal!, os objectos arremessados em pura celebração (as moedas de dez pesos doem na cabeça), os objectos voadores em forma de sapatos desportivos, latas de cerveja Modelo,etc. E eu ali no epicentro de tudo isto a pensar na minha vida enquanto saboreava aquela loucura familiar, aquele reconhecimento, tudo aquilo mas não deixando de imaginar a minha rua, a mercearia onde vou, os velhotes que cumprimento, os olhares que troco e os que devolvo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À noite, no hotel: a trilogia faltou e falhou uma vez mais. Também não interessava. Eu estava no quarto a vomitar devido aos meus excessos de adrenalina em concertos, ao frio, a tudo, ao vazio de descer de um palco que se preenche de forma incrível quando se sobe a outro. Enfim a purificar-me, pois o vómito traz sempre consigo a esperança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E mais uma vez a pensar na minha vida tão bem resumida nesse dia e noite que nunca esquecerei e que por causa disso serei sempre infectado com o desejo de repetição, ferida aberta que não sara nunca, ferida essencial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2003 não será diferente. Assim o espero. Assim vos desejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Três notas de rodapé:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1-     Se quando lerem isto já for 2003 não estranhem e leiam com o mesmo interesse. Os corpos dos mortos levam um pouco a arrefecer.&lt;br /&gt;2-     Não me esqueci do episódio solidário do Metal. Só não o quis escrever nesta altura pois todos devemos estar fartos da caridadezinha desta época.&lt;br /&gt;3-     Podem, de agora em diante, enviarem as vossas observações para o meu laboratório: &lt;a href="mailto:Spectator@mail.pt"&gt;Spectator@mail.pt&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;XIV&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;strong&gt;A língua afiada das Culturas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei bem que o Spectator tem virado, até por vezes demais para o meu carácter dado às fantasias de toda a espécie -mesmo às da espécie da realidade- o seu olhar atento para o que se passa neste místico rectângulo à beira-mar plantado e perdido. Pois que muitas coisas se passam nele agora e muitos Fins começados há tantos anos se dão agora a revelar e concluir, ou então, a passar a validade das coisas velhas que não eternas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse olhar perdido dar-me-ia muito mais prazer e jeito se fosse um olhar interior, virado para os interiores dos temas e das coisas que os compõem. Assim como ver a árvore na sua beleza e não pensar nunca nos bichos que a roem, na água que lhe falta, nos homens que a ferem. A isto pode chamar-se, com alguma justiça, fuga.  Mas tempos há em que não, ou raramente, se consegue escapar. Esses são tempos de contemplar com dor. Esses são tempos de desesperar. Esses são tempos em que não se consegue viajar para mais longe do que alcançamos com a vista. Esses são os nossos tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E entre os milhares de assuntos que os nossos tempos trazem às costas, pela mão, ou no peito aberto existe hoje um, como poderia ser outro, que me impele a falar dele. Porque acho que nos diz a todos respeito, em particular no âmbito que nos traz aqui todos os meses, reunidos, a esta publicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Têm-se multiplicado nos últimos meses as actividades que se propõem a salvar a música portuguesa. Dentro dessa dinâmica existem, na minha humilde opinião, posições e actividades mais  conseguidas que outras, melhor intencionadas que outras, mas, pelo menos, todas pertinentes na (tentativa) de resolução de um problema maior e já falado aqui, por diversas vezes: o de Portugal não dar valor ao que é seu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, e como é público, desenvolvem-se projectos de lei ou de sua regulamentação; constroem-se manifestos; promovem-se debates, um deles de extrema importância e revelador como o da RTP 1 que reuniu, segundo a opinião dos seus promotores, quem estava preocupado com a situação da música nacional. Convite equivale a preocupação? Estranho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo notória a falta de união e sobretudo o desconhecimento ou a não-assunção de que interesses particulares podem, de facto, propiciar situações benéficas para um contexto mais alargado, também se notou uma grande lacuna nessa discussão: a ausência das bandas que cantam em inglês e que representam uma considerável, mesmo muito considerável, percentagem de música consumida ou absorvida (ambos os temos são horríveis) por camadas consideráveis de público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Heavy Metal isso é evidente e apesar do flirt mensageiro de introdução da língua portuguesa em temas diversos, a língua utilizada, por excelência, é o inglês. E é precisamente neste estilo de música que se encara com maior naturalidade essa opção. Pela tradição do estilo, por razões profundamente artísticas e expressivas e, essencialmente, por a língua inglesa permitir ao Heavy Metal um dos seus grandes dons: o da comunicabilidade entre os diversos povos geográficos e mentais que o escutam, com devoção e atenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal se torna ainda mais interessante quando se assiste ao fenómeno muito particular de bandas (muitas já) com maior ou menor fineza e qualidade, que utilizam mitos e fenómenos culturais portugueses e constroem a sua Arte ao redor destes. Coisa repetida por esse mundo fora com os excelentes exemplos de Amorphis (com o épico finlandês Kalevala), ou até o nosso com Opium ou Alma Mater.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um seguidor português compreende o Kalevala e suas referências, assim como o finlandês se interessa pelo universo de Pessoa ou pela nacionalidade explícita de uma Alma Mater, que reflecte, sem discussões, o dilema de uma banda portuguesa só, evidente da condição do seu país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O elo comum é que todas esta culturas são comunicadas pela língua inglesa que é apenas um meio para chegar a um fim, ao qual, nos melhores casos, se adiciona um domínio mental sobre uma língua estrangeira aprimorando e levando mais longe essa comunicação que se torna influência, cumprindo assim o seu destino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pergunta a fazer é então: será que a cultura de um país se resume à pureza intocável da sua língua? A cultura portuguesa resume-se à Lusofonia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quer me parecer que não. E de tal atestam Pessoa e Saramago e José Luis Peixoto, mestres do português, traduzidos em tantos idiomas (tendo Pessoa escrito inúmeros textos originalmente em Inglês). De tal constitui prova pessoas que ao lerem  letras de Moonspell em inglês se viram impelidas a aprender português para se aperceberem melhor da profundidade do contexto (esse bem português) das mesmas. Enfim tudo para chegar ao conteúdo, definição bem maior de cultura, do que a mera preocupação com a sua forma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Heavy Metal na sua inteligência compreendeu isso bem cedo. Daí que essa discussão nunca tenha suscitado polémica ou nos tenha feito perder tempo algum. Resta olhar este exemplo e adicionar o que ele ensina a esta luta justa de recolocar a Arte musical portuguesa no seu devido lugar central e dominante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há que apenas também ser justo na definição do que se entende por português e nunca utilizar a Lusofonia como redutora de realidades que pulsam bem forte e levam bem longe o que Portugal tem para oferecer de melhor: a sua cultura, as suas encruzilhadas e todos os seus obreiros a quem nunca foi feita justiça suficiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;XV&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Are you Morbid?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sempre pensei que para uma verdadeira biografia de algo ou alguém ter sentido existe uma condicionante bem forte: que esse algo ou alguém esteja morto. De modo a que as suas glórias ou tibiezas, não o incomodem por demais no seu descanso, ao contrário do que se passou na vida, que, a merecer ser escrita, terá, forçosamente, que significar que esses momentos de engano e dor ora o absorviam por completo, ora o lançavam à superfície com violenta intenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei bem que esta posição levanta problemas indefensáveis. Também vos confesso que não os conseguiria defender, mas para lançar mais fogo no fogo que me arde dentro da cabeça quando começo a preencher estes espaços que dantes eram vazios, a verdadeira biografia, aquela que interessa e conta a verdade deve ser feita por mão própria. O que, em célebres casos, impede a condição da verdade e legitimação biográfica da morte e que limita o género da biografia a um género sem fim, puramente documental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero dizer com isto que se demitam os biógrafos. Admiro a tenacidade dos autorizados e o destemido olhar dos clandestinos. Afinal biografar é prestar homenagem, ou deveria ser, quanto mais não seja falando do que não se sabe, ou do que se lhe foi revelado ou descoberto, mas sempre falando do que, em algum momento, foi essencial para um grupo de um ou, se tudo correr bem, para um grupo de muitos que se interessaram pelo percurso do tema que levou à sua empalação biográfica. Esclarecendo, penso que a perspectiva cutânea de toda a verdade e sentimento melhor convém ao punho pessoal e se me atrai a ideia do respeito em se ser biografado, não posso ocultar o desejo imenso que é contar a própria história pelas palavras que nos são próprias&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro problema interessante é aquele das biografias que tem justificação pelo (mais ou menos) efectivo fim de algo ou alguém mas que não se conseguem limitar a ele, pelo carácter eterno do que está a ser biografado: tal é o caso da exemplar biografia dos Celtic Frost (uma absoluta referência), cunhado pelo punho talentoso e batalhador de Thomas Gabriel Fischer, outrora afamado Tom G.Warrior, afinal de contas o cérebro e sopro visível que animou, durante oito intensos anos, o percurso inimitável de uma das bandas que mudou o cenário da música pesada para sempre, e sobre a qual se assombra o parto complexo, a meio caminho da glória e da maldição, de toda a geração de gentes subterrâneas que tentou esticar a pele bem estreita do Heavy Metal tal como era conhecido até à descoberta da Geada Céltica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em boa hora li (agradeço o conselho do nosso ilustre director J.Rodrigues) e em que excelente contexto me encontrava para beber o sangue e alma com que estas páginas foram escritas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que torna este documento essencial como poucos outros é a facilidade com que ludibriou todos estes meus receios, filosóficos concedo, sobre biografias e biógrafos. Pois que raras vezes vi alguém contar uma história de realidade pura e dura com tanto misticismo; raras vezes vi alguém denunciar o eterno problema executivo da Arte e dos conflitos perpétuos entre criadores e gestores - que existem ao nível mais máximo e mais mínimo que se possa imaginar – com tanta elegância, enaltecendo o papel primordial do músico e de tudo a que este se propõe a passar pelo prazer simples e arrebatador de se representar influenciando; porque raras vezes me senti tão próximo de uma história que talvez tenha vindo a acabar mal como aconteceu com tantos outros génios que não soubemos ou quisemos acompanhar. Porque o final infeliz na história de um génio nunca passa de um pormenor, sendo este o caso, sem qualquer sombra de dúvida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo para os ávidos de episódios esta biografia contabiliza, com eficácia e equilíbrio, esse folclore típico, adicionando-lhe uma dimensão humana exemplar. Se eu aqui fosse relatar alguns todo este artigo perderia a substância que se lhe quis dar. Porque descontextualizar e  transplantar para aqui qualquer das suas linhas seria sempre trair o espírito e a letra de um livro e documento que por si só e em si só tem a força de uma lição de vida, a todos quanto, como eu, seguiram com devoção a carreira triunfal e arriscada dos suíços; ou todos aqueles cuja paixão são estes mares turbulentos; ou simplesmente todos aqueles cuja leitura de um livro pessoal e marcante os influenciará como poucos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mim resta-me esperar que, conforme já anunciado, esta “morte” seja sucedida de digna ressurreição. O Spectator lá estará na primeira fila quando retirarem a pedra deste túmulo. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;XVI&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Paper cuts/Cortes de papel&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Confesso que por razões que não são totalmente alheias a todos aqueles que confluem na minha superpovoada área mental, vulgo alma (cuja definição e presença me encanta, cada vez mais), voltei dos gelos e do Inverno de oito meses Finlandês um homem mudado, e, por feliz consequência, um Spectator mudado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez tudo isto ainda sejam resíduos de experimentar uma realidade diferente, muitas vezes para melhor, ou marcas indeléveis de documentar em apertado tempo algo com que se viveu, em consciência, durante mais de dois anos, não contando com todo o período de indecifrável sonho e medo que nos faz chegar perto dessa lonjura, tão próxima à pele da nossa alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A consequência, sendo ou não notada, será notória no seu egoísmo e, esperançosamente, na sua gémea comunicação, nunca deixando, no entanto, de ser secundária em tudo quanto influir ou em tudo quanto fale de volta e se constituía  enquanto influência. A parte visível será pouco mais que umas quantas promessas quebradas e frases quebradiças, mas, na ética possível do Spectator, o mínimo a fazer seria queimar umas linhas com um aviso genuíno e bem-intencionado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por essas terras do extremo Norte chegou-me às mãos (movido pelo novo ímpeto literário de um amigo bem próximo) uma biografia de Motley Crue, novíssima e que nunca vi à venda em Portugal (como se tal referência fosse necessária) chamado The Dirt e que, pelas citações habituais no seu exterior, prometia ser uma biografia reveladora, cruelmente detalhada e acidamente precisa na narrativa da história da banda que mais marcou o movimento Glam Rock nos anos 80, a nível mundial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar do livro pertencer ao inimitável Mike Storm, foi curiosa a sã disputa que o livro originava e, durante dias, nunca vi o livro  parar para descansar em cima de uma mesa, esquecido numa cadeira ou despercebido num canto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao meu primeiro contacto com aquela biografia em livro fui atacado sem piedade e, apesar de não ter passado de umas rápidas 60 páginas que li sem mastigar, por três vezes sangrei com cortes de papel, profundos à sua escala, e consegui mesmo assim, evitando a represália justíssima do dono da obra (afinal quem gosta de nódoas de sangue ou de outros alimentos nos seus livros? - eu  até gosto, feitas por mim, como sinais de vida), deixar o livro imaculado, se este alguma vez o conseguisse ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, enquanto escrevia mais este retalho, cheguei ao fim da história contada em Dirt, uma história que roça apenas o contacto com a música e visões provocadas, compensando, e de que maneira, em detalhes da vida pessoal dos quatros membros desta banda que, como curiosidade, começaram desde logo pelo fim de muitas outras bandas. Isto é antes de se conhecerem entre si e de se juntarem para fazer música, o sexo, as drogas e o rock and roll mais puro pela sua impureza, eram o seu quotidiano e a partir daí tudo foi permitido e o que não fosse permitir-se-ia com a dose certa de insistncia e loucura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, este livro é um excelente documento sobre a fragilidade humana, de como ela se camufla entre viagens induzidas e voltas propositadas aos infernos artificiais, não se poupando palavras e estilos na narrativa de tais epopeias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se bem que o Spectator arrisque a se tornar uma mera  coluna de sugestões literárias, ele reflecte apenas que quando a vida, como nós queremos, se encaminha numa direcção que não a nossa (mesmo que a desconheçamos) existem sempre as imitações da vida comprimidas em letras e em coisas que façam sentido e código. Afinal talvez só aquilo que lemos seja real, que os barulhos dos móveis que estalam à noite nas nossas casas sejam apenas produtos da nossa imaginação ou de ciências do calor. Talvez assim seja mais fácil alinharmos e pensar, só, naquilo que realmente interessa: o rasto que se deixa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Back for good,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;XVII&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Santa, santa Raiva.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que alguém ainda  se lembra daquela colecção de livros fantásticos, que se jogavam com dados, e que com dados se derrotavam monstros ou se acumulavam tesouros e poções, e que tinham fins alternativos, entre a morte certa e ficar com tudo (até com a vida), já para não falar nos seus nomes fantásticos que tinham sempre palavras como Profundezas, Masmorras, Encantadas, no título?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece-me que ainda tenho aí alguns, jogados ou por jogar, cheios (ou vazios!) de apagadelas de borracha, ou rabiscos de lápis nº2 (claro!), que testemunhavam as minhas tentativas de chegar ao fim, por cima de todas as mortes e, de vez em quando, até com segunda chances, auto-proclamadas, um pouquinho de batota mas a glória no fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é bom que se lembrem, muito bom para mim mesmo, pois eles me servem hoje de sustento para falar daquilo que toda a gente fala, e que não podia deixar de ser falado: a Santa Raiva dos Metallica, tão antecipada e tão fresca e fervente nas nossas mãos, neste dia que é hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada sabendo sobre isso, apenas o muito pouco que aprendi, penso que os Metallica (chamemos-lhe assim, apesar de nem todos terem sempre jogado ao mesmo tempo) eram como que o jogador desse livro e nós tudo o resto: os monstros, as poções, as vidas extra, as sortes e os caminhos errados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Metallica, a certa altura, começaram a jogar muito a sério e não emprestavam o livro a ninguém, nem a nós que começámos a prestar atenção, desde muito cedo, ao decorrer do jogo. Os Metallica, às tantas, não nos passavam o livro para as mãos e nem sequer nos deixavam espreitar e nós ficámos raivosos com isso e tentámos virar costas primeiro, rir dos progressos e das quedas que, como a toda a gente que jogou ao livro, aconteciam. Víamos as partes de um todo que não entendíamos e às vezes gostávamos e outras não. Mas nunca deixámos de prestar atenção ao jogo e, principalmente, a como ele era jogado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, uns mais maduros, outros a entrar e outros a apodrecer, vemos aonde o jogo chegou e sabemos que ele não irá ter fim ou sabemos ainda mais: que ele não terá aquele fim, como se fossemos nós a jogá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não fossem os Metallica o jogo teria ficado a metade. Isso seria bom? Se não fossem os Metallica não haveria tanta gente a ver e a aprender como se joga ou lê. Isso seria justo? Se não fossem os Metallica ainda hoje o jogo era assim como que para o clandestino. E era esse o plano?&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eles cá estão outra vez, como uma raiva que aperta, crua, o pescoço, por dentro e por fora. Eles cá estão, à frente de nós todos que os observamos, imitamos e comentamos, a provar que afinal para jogar basta ter sempre em mente uma coisa bem simples: gostar do jogo, saber ganhar e saber perder. Porque este jogo começa a todo o momento. E porque mesmo sem o saber e sem o querer, todos os jogamos a gosto ou a contra gosto.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;XVIII&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“Caro Spectator:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda bem que olhou para baixo, para a fresta da sua porta. Alguma coisa bloqueava a luz vinda do anonimato do seu prédio. Também lhe deve ter parecido que ouviu algum barulho. Tudo isso está certo. A minha carta fina era o suficiente para bloquear essa luz meio morta, a minha mão rápida o suficiente para fugir do ruído que provocou, sem querer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me procure, sou apenas uma mão que entregou e fugiu. Não tente reconstituir o meu percurso. Sabe tão bem como eu que os maiores inimigos de nós mesmos somos nós mesmos e é por saber isso que me atrevi a ir até onde ninguém sabe que você se esconde. Não me tente perseguir, nunca chegará ao homem que termina nesta mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É de noite, tal como ontem. Estou deitado na parte de trás de um carro, amordaçado e de mãos atadas, à espera que o tempo passe. A minha mordaça invisível é o não saber o que fazer. Mas olho pela janela para uma Lua grande e brilhante na sua metade. As nuvens do céu negro estão baixas, próximas e parece que seguram a Lua como uma coroa de um abismo. Correm uns poucos mais de quilómetros e as coisas mudam, a mesma Lua é a Coroa, mas o abismo espalha-se com o vento, multiplica-se em bastardos. Não consigo deixar de olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos meus ouvidos a música alta do rádio, cá atrás quase a distorcer. Quando tiro os olhos da Lua e do céu negro espalhado, vejo as silhuetas das costas de dois amigos a conversarem e a saberem que estou ali, embora em nada, isso afecte a forma como as coisas irão correr. Aos meus ouvidos chegam palavras sentidas entrecortadas com o gutural grande de ritmos de guitarra e bateria distante. A voz impressiona, é diferente de todas quantas já ouvi. É de um rouco alto, parece-me que muitas vozes numa só, e quando clama por algo, quase que salto para a auto estrada, que passa a 150 km por hora debaixo de mim, para procurar tudo o que ele pede e saciar a sua sede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No refrão a voz diz “Cause I want you´re giving”. Começo a reconstruir o caminho da voz até ao homem da qual ela sai. Ele está preso por fitas fortes a um helicóptero que roda, sem parar, como que descontrolado, entre montanhas altas e cobertas de branco. O homem que se define como escuro, negro, sem lei, inclina o seu cabelo selvagem para trás, e grita os seus pedidos, diz-se disponível, braços abertos, rodopiando, com o corpo em contracção, braços caídos, pernas pendentes, ao ritmo frenético das pás do helicóptero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensa numa mulher, alta, implacável, selvagem que desce uma rua longínqua, numa cidade que só deveria existir em filmes. É ela que causa o remoinho, para ela são as preces e ela existe muito para além da voz e do gutural distante e grande que sai das colunas berrantes do carro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olho outra vez para a lua. Estamos a chegar. E redescubro, sem teorias, nem discussões, porque ouço estes sons, porque os vejo dentro da minha cabeça, porque não o vêm outros assim. E tranquilizo-me, porque recebi a beleza no seu estado mais puro: o misturado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu.” &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;XIX&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Terrores de Verão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não sei se por regressar de um período que muitos encararam com a normalidade deste horrível e caloroso Verão incendiário, para mim passado muito mais a falar e a beber com estranhos, mas apetece-me o Outono. O frio subtil que já se infiltra na nossa pele, um cobertor na cama, mais um casaco fora do armário, a sensação do conforto de voltar para uma casa quente, um chá, um banho que ferva e nos estique a pele arrepiada. Digo-vos mais, os meus sentimentos e a guarda avançada da minha cabeça, já está em plena meia-estação, a recuperar das levezas do Verão, em que nem se ouve música, nem se lê com atenção, enfim de um bom par de meses, cada vez mais longo, em que nos procuramos entreter o mais que possamos, mas que, quando agora revemos a nossa rentrée, nos parece nada mais que o todo o gelo que depressa derretia dentro das nossas bebidas, vazio, misturado, rápido e que nada nos deixou de especial. Enfim, o Verão é o engano. Engano dos corpos com outros corpos que já não nos dizem nada, engano das mentes com o nada que havia para dizer ou escrever, engano das sensibilidades em festivais cada vez mais quentes, por não sabermos porque vamos ou ao que vamos. Simplesmente, vamos e o calor é isso, é ir sem o saber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felizmente, existem transições e retomamos controlo das nossas vidas e pensamentos ao menor sinal da purificadora corrente de ar gélido e dos casacos fora do armário. E neste regresso o que há a apontar, para além da confusão que já é regressar? Para mim dois sentimentos muito óbvios e que me fazem lembrar sempre esta altura: o amor e o medo. Explico:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se tenho passado muito tempo com escritores ou entre livros, e o facto de ter andado todo o Verão a falar de Arte e seu enquadramento (as tais conversas com estranhos e bebidas com os mesmos, leia-se tour de entrevistas com os diurnos Moonspell), só me faz ocorrer estas duas coisas, que tanto têm de isso mesmo, de coisas e, como tal, de desafios a compreender. E amor e medo foi o que senti agora que recebi, finalmente, o produto final do The Antidote, o nosso novo disco. Produto final é/são  a/as palavra/s feia/s para definir o álbum completo e pronto a comunicar na sua plenitude. Longe de o querer publicitar aqui, porque compreendo que tanto compra quem quer, como quem pode, e não me compete a mim, na pele de Spectator sugerir algo nessa decisão, tomo-o como um exemplo de amor e medo. Amor porque o arrepio que se sente e o olhar aguado é a alquimia do espírito a funcionar no corpo, medo porque lançar o que nos correu nas veias, nas correntes mesmerizantes do sangue para o e os desconhecidos também faz apertar o centro da alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até pensei em perguntar ao miúdo que viajava ao meu lado no avião o que achava de tudo isto, do amor e do medo, e de como objectos que contém pessoas que já foram objectos dentro dessas pessoas nos provocam tais frios e colapsos. Ainda o vejo de olhos fechados a responder, ao bom estilo Damien, que amor e medo são a violência do corpo, no sexo de corpos a baterem, na música veloz que ele sabia que eu ouvia e que lhe lembrava punções sexuais, mas que amor e medo também eram aqueles que respiravam, frio e pesado, atrás do nosso pescoço, aqueles que nos sussurram baixo e que estão levantados assim que nós nos deitamos e deixam essa vida de morte acontecer.&lt;br /&gt;Pois aqui estou de volta, com os meus medos e amores, frios e coisas fora do armário. Tinha saudades da desolação que faz aqui dentro, do gelo que nos conserva, criogenicamente, até à eternidade. E para o mês que vem vou-vos contar uma coisa bem diferente, cheia de veneninhos que andei por aí a recolher com uns amigos. Vão para dentro, faz frio!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;XX&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Encontro de irmãos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Numa das minhas raras saídas do meu laboratório/observatório/lugar algum, convidei o Inspektor 666 e o Buraco para uma noite de metálicas cervejas e conversas, e, com agrado meu, eles aceitaram e lá fomos perdermo-nos numa cidade qualquer, num bar qualquer que admitisse a entrada de um homem alto de chapéu e óculos de sol um pouco em desuso, de um senhor de bigode e olhos a deitarem raios vermelhos e de um outro, bem, de descrição mais complexa devido à simplicidade anal da sua figura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrámos e, para nosso espanto, fomos reconhecidos pelo dono e indicaram-nos a mesa do canto, onde podíamos falar à vontade, embora, estando o bar vazio, começámos logo a desconfiar de todo este zelo mas mantivTerrores de Verão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se por regressar de um período que muitos encararam com a normalidade deste horrível e caloroso Verão incendiário, para mim passado muito mais a falar e a beber com estranhos, mas apetece-me o Outono. O frio subtil que já se infiltra na nossa pele, um cobertor na cama, mais um casaco fora do armário, a sensação do conforto de voltar para uma casa quente, um chá, um banho que ferva e nos estique a pele arrepiada. Digo-vos mais, os meus sentimentos e a guarda avançada da minha cabeça, já está em plena meia-estação, a recuperar das levezas do Verão, em que nem se ouve música, nem se lê com atenção, enfim de um bom par de meses, cada vez mais longo, em que nos procuramos entreter o mais que possamos, mas que, quando agora revemos a nossa rentrée, nos parece nada mais que o todo o gelo que depressa derretia dentro das nossas bebidas, vazio, misturado, rápido e que nada nos deixou de especial. Enfim, o Verão é o engano. Engano dos corpos com outros corpos que já não nos dizem nada, engano das mentes com o nada que havia para dizer ou escrever, engano das sensibilidades em festivais cada vez mais quentes, por não sabermos porque vamos ou ao que vamos. Simplesmente, vamos e o calor é isso, é ir sem o saber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felizmente, existem transições e retomamos controlo das nossas vidas e pensamentos ao menor sinal da purificadora corrente de ar gélido e dos casacos fora do armário. E neste regresso o que há a apontar, para além da confusão que já é regressar? Para mim dois sentimentos muito óbvios e que me fazem lembrar sempre esta altura: o amor e o medo. Explico:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se tenho passado muito tempo com escritores ou entre livros, e o facto de ter andado todo o Verão a falar de Arte e seu enquadramento (as tais conversas com estranhos e bebidas com os mesmos, leia-se tour de entrevistas com os diurnos Moonspell), só me faz ocorrer estas duas coisas, que tanto têm de isso mesmo, de coisas e, como tal, de desafios a compreender. E amor e medo foi o que senti agora que recebi, finalmente, o produto final do The Antidote, o nosso novo disco. Produto final é/são  a/as palavra/s feia/s para definir o álbum completo e pronto a comunicar na sua plenitude. Longe de o querer publicitar aqui, porque compreendo que tanto compra quem quer, como quem pode, e não me compete a mim, na pele de Spectator sugerir algo nessa decisão, tomo-o como um exemplo de amor e medo. Amor porque o arrepio que se sente e o olhar aguado é a alquimia do espírito a funcionar no corpo, medo porque lançar o que nos correu nas veias, nas correntes mesmerizantes do sangue para o e os desconhecidos também faz apertar o centro da alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até pensei em perguntar ao miúdo que viajava ao meu lado no avião o que achava de tudo isto, do amor e do medo, e de como objectos que contém pessoas que já foram objectos dentro dessas pessoas nos provocam tais frios e colapsos. Ainda o vejo de olhos fechados a responder, ao bom estilo Damien, que amor e medo são a violência do corpo, no sexo de corpos a baterem, na música veloz que ele sabia que eu ouvia e que lhe lembrava punções sexuais, mas que amor e medo também eram aqueles que respiravam, frio e pesado, atrás do nosso pescoço, aqueles que nos sussurram baixo e que estão levantados assim que nós nos deitamos e deixam essa vida de morte acontecer.&lt;br /&gt;Pois aqui estou de volta, com os meus medos e amores, frios e coisas fora do armário. Tinha saudades da desolação que faz aqui dentro, do gelo que nos conserva, criogenicamente, até à eternidade. E para o mês que vem vou-vos contar uma coisa bem diferente, cheia de veneninhos que andei por aí a recolher com uns amigos. Vão para dentro, faz frio!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;XXI &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Intuição&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Por aqui. Permitam-me só um momento para me seguir a mim próprio. Sempre quero ver onde este pensamento vai, se vai atrás do outro que mesmo agora tive ou se este é um daqueles petulantes/corajosos e segue já pelo seu pé. Estou de volta e, genuinamente, não espero um comité de boas vindas, nem flores, nem sequer o assombro de um sorriso daqueles dados de lado. Juro pela minha lusitana honra. Tão verdade como não haver qualquer espécie de ironia camuflada nestas palavras. Gostava que nestas ficções mais ou menos ensaiadas hoje houvesse mais franqueza. E cada vez mais penso que a verdade, longe dos factos ou da disputa destes, é uma intuição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os que me conhecem melhor sabem que andei, durante longo tempo, por fora. Também saberão que esse privilégio/maldição não é impeditivo suficiente para me fazer parar de honrar esta coluna todos os meses. Afinal, já não vivemos na idade média das comunicações que foram os Anos Oitenta, e, entre nós, grande parte dos Noventa. Sei melhor que ninguém que esta coluna não poderia, nem deveria ser uma exposição dos meus dilemas pessoais (há de haver quem discorde) e que aqui teorias, histórias, episódios, críticas seriam, numa óptica perfeita, o substrato e a razão de existir da tomada deste espaço todos os meses, ou pelo menos nos que consigo cumprir com o prazer desta obrigação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que me fez estar longe, sem mais delongas, foi que achei que nada mais tinha a dizer, luto porque me perdi nas palavras e nos sentidos que descolam delas. Explico: sempre(por vezes de misteriosas maneiras) tentei relacionar de algum modo as minhas deambulações com o Metal, muitas vezes o nacional, por muito custoso que isso fosse para todos. Não nos podemos esquecer de que a Loud!, embora eclética, é uma revista de moldes bem definidos (o que se agradece). Pois bem e apesar de não negar ou achar como desperdício qualquer gota de tinta ou atenção provocada, esse sentido escapou-me e fiquei preso num dilema que só hoje, enquanto escrevo, desanuvia empurrado não por um vento daqueles das letras de Bathory mas por algo mais subtil, como que uma brisa que persiste até as nuvens abrirem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque vivendo o Heavy Metal todos os dias no palco, na estrada, nas lavandarias, nas lojas de disco, na Turquia, no Kansas, em Paris, em Montreal e na Covilhã, nos bem passados cinco últimos meses, percebi que esta música e esta vida é toda uma questão de intuição. Nada mais. E sobre isso tem que se aprender a escrever de novo. Ou não. A ver vamos. E para quem nada tinha a dizer chegar ao fundo da página e poder deixar a tabuinha/jangada e o mar para comer alguns frutos exóticos em terra firme é uma  verdadeira bênção (?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, só por intuição, poderia eu ter sido escolhido para ser o melhor músico de 2003&lt;br /&gt; nesta revista (e, realmente, curvo-me perante tal honra). É que o elogio é maior pois é feito puramente à intuição, acreditem. E é esta intuição que pressente que me faz ter um sorriso maligno nos lábios quando sinto (notem que evitem a palavra certa do pensar) o  novo disco dos The Temple prestes a arrebatar-nos a todos; a ressurreição dos novos e sempre vivos Thragedium; a mística guerreira dos Ironsword a espreitar-nos pela viseira do elmo; privilégios que só se conseguem porque mais que racionalizar e dramatizar passei a viver de e para a intuição. Espero só agora que a consiga prender na força fraca ou fraca força das palavras do vosso: Spectator.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;XXII&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt; A raiz&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Por muito que esperneiem é me difícil cair da montada veloz ou lazarenta, depende da estrutura dos dias, e mesmo quando os moinhos são feitos de vento, é esse mesmo ventos que impele as pás que fazem (este ainda irredutível) o pão das nossas mesas. Ah! E o Sol nasce para todos. Numa esplanada de quintal próprio ou na sombra de um prédio feio que o tapa. Feitos os aforismos, raiz é a tradução certa do nome de uma das minhas bandas preferidas (Root) e para muitos um enigma em forma de veio de ouro para descobrir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conheci Root nos tempos áureos em que um mero pacote de papel pardo contendo cassetes me elevava ao que penso ser a felicidade e me fazia faltar às aulas todo o dia, intrigando os meus colegas e deprimindo as minhas namoradas de então. Um amigo imaginário, real apenas nas palavras, de seu nome Jakub, fanático do Sparta de Praga e de Heavy Metal encheu uma fita magnética com bandas do seu país. Na volta do correio, com um esforço hercúleo, recebeu as demos de Thormenthor, as velhinhas gravações de Braindead e o épico inesquecível dos The Coven, tudo cronometrado ao segundo da qualidade e originalidade da sempre exótica (para os outros) cena Metal Portuguesa.Nessa cassete checa o meu Graal do Underground: o 7” de Root (que ainda falta na minha exemplar colecção) e a minha vontade de saber e ter mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1996, Brno, Rep.Checa, bem junto à Eslováquia. Muitos anos depois de versões falhadas e inspirações conseguidas, entra pela fábrica antiga de submarinos, uma figura baixa, de barba, cinquentas, de camisa digna dos 80 e sorriso afável. Big Boss, a voz e o espírito que navega a raiz, ladeado pelos meus conhecidos Pedro e Ricardo, acabadinhos de tomar banho na sua casa (os chuveiros da fábrica em mar seco tal como os submarinos que haviam produzido) no bom espírito subterrâneo que é bem mais do que vestir t-shirts com logos espinhados e calçar anéis grossos. Como no filme do filme do Kusturica: o começo de uma bela amizade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois anos depois. Numa sala antigamente utilizada pelo Partido para inutilidades políticas, the second coming. Moonspell a fechar a noite e uma cerveja no bar entre amigos. Big Boss puxa um cigarro e isqueiros rápidos de acólitos lançam-lhe o fogo do prazer do fumo. Uma cena de filme, lá está.&lt;br /&gt;Muito se diz desta personagem: que é o líder local da C.O.S. e que traduziu a sua bíblia para checo; que esteve preso por necrofilia; que os Root ensaiam nus para se conhecerem melhor; o que é facto é que nunca falámos disto e nem sequer me interessa. Os boateiros para mim são afundados aos quais devemos pisar a cabeça quando passamos por eles na rapidez de um olhar. O que me interessa é a indefinição e a dificuldade imensa de traduzir nas minhas amigas palavras o que esta banda significa para mim e para nós. O porque de um mero autocolante numa case minha provocar o olhar arregalado do Sharlee d’Angelo dos Arch Enemy/M. Fate. O porque do meu peito a explodir de orgulho quando ouvi a minha voz na canção Salamandra do disco Black Seal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No último e grande concerto na Rep.Checa dediquei uma canção à melhor banda do mundo, teria sido melhor dizer submundo se se quisesse poesia em vez de entusiasmo, e ao lado do palco o genial Big Boss, que momentos antes cantava no camarim canções em Grego para nós todos, o guitarrista Blackie uma estrela desconhecida do Underground sorriam um merecido sorriso.&lt;br /&gt;É que parece que a cortina de ferro ainda existe e que os Root em vez de dominarem o submundo e chegarem até quem os quer ver são apenas (o que é mais do que muitos) um luxo desconhecido do Underground, uma força telúrica que germinou valores e valores e que, graças às forças dos que caíram por sua vontade, continuam a dar-me a mim e aos escolhidos da raiz (escolhidos porque descobriram e seguiram a luz) novos discos, visões e personalidade, muita personalidade o que é raro hoje, raro como as histórias de luminosidade franca e aberta num submundo que outrora foi nosso mas que hoje pertence a brincalhões sentados em bares a lançarem bocas de cerveja em plástico à obra de outros enquanto que a sua apodrece na sua cabeça e na cabeça de amigos que a perderam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que o artigo não faz justiça a Root, nem o pretende, só a música no ouvido e na alma é capaz de alguma justiça, e não pretende designar nenhum mal. Tomem-no como um reconhecimento agradecido de um fã que ainda respira esses dias nos dias que vive hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Última nota de luz: discos de metal para requisição na Biblioteca Municipal de Beja e exemplares da Loud e outras publicações de Metal para requisitar e ler (serão assinantes?). Tive o prazer de lá estar e ser recebido com radiância e de ser espectador desta manifestação de respeito ao nosso estilo de vida e à sua banda sonora. Até mais breves luzes.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;XXIII&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Helljoy&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Se de nada mais servir pelo menos o título do artigo concerteza dará a muito boa gente um nick porreiro, quente, esperto e apropriado para esconder, mais ou menos, as nossas convicções nos fóruns e canais de conversa (a)fiada que são o quotidiano saudável e enfermo de tantos cansados das horas de trabalho ou de ócio. Este título, no entanto, é um dos temas do novo álbum de Unleashed (Swedish Death Metal mas daquele que eu gosto) que se bem que  por vezes não irá parecer, é o assunto que me traz de volta ao vosso convívio depois do Verão mergulhado de sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda a gente já sabe em plena consciência que a teoria das coisas virem em ciclos é realmente boa e tem uma capacidade de prova que convence os mais pragmáticos. As palavras são cíclicas, os assuntos e argumentos idem, nós próprios voltamos aos mesmos sítios em nós e o eterno retorno imita a vida que a Arte imita. Daí e na tentativa spectatoriana de metalizar assuntos, o Metal também navega essas ondas e se hoje a crista espuma demais com “metal” queixinhas de o meu pai tratava-me mal e não me comprou a BMX americana igual à do vizinho que deitava explosivos; ou “metal” (vivam as aspas!) vozinha sou tão famosa, livra-me Deus, por favor, de todo este dinheiro e maçada senão afogo-me na banheira do hotel; amanhã espumará com outras coisas e cabe-nos a nós e a mim que verdadeiramente estou entalado entre os dois lados, agarrar a periferia do círculo com as unhas da luta ou esperar sentado num monte de passado, presente e futuro que as águas me agradem. Todos nós passamos por isso e se por cada vez que as palavras vos batam e caíam incompreendidas no chão, espero que os sentimentos ora passados tenham caminho mais aberto. Afinal é Setembro que se torna em Outubro e não há assunto tão bom como falar de regresso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é de regresso que se fala, dos tais Unleashed que por pouco caiam do círculo deste artigo para não mais voltar. Das mãos habilidosas de um amigo e das redes da infernet que me custam os olhos da alma todos os dias chegou-me o disco ainda nem lançado na altura dos Unleashed e que comecei a ouvir enquanto a boca caía de espanto ao mesmo ritmo que os olhos subiam de prazer e as orelhas já eram torres lupinas a caçarem notas e ritmos e sensações e espíritos. Pois é e atenção que eu não escrevo críticas!!!, este Sworn Allegiance é o disco que, para mim, salva o Death Metal e onde se começa a desenhar o círculo outra vez. Só os bons saberiam pôr nas palavras os desígnios deste disco e eu não estou habituado a isso mas depois das teceduras louváveis dos Nile,do sempre musculado oculto dos Morbid Angel, do regresso aplaudido com as mãos em sangue dos Suffocation ou até daquela descarga dos Malevolent Creation no Ermal, cumpriram sempre (entre até boas novas tentativas ou a apropriação por vezes atroz do Death pelo Nu-queixinhas) a missão de estarem agarrados ao ciclo. Mas quando ouvi este novo disco penso e afirmo que nenhuma banda conseguiria, lá está, recriar o passado pelo novo como os Unleashed fizeram, sem discursos, sem tensões, sem polémica, pela calada e pela geada da noite com música de muito e muito poder da música! Agora soube que o David Vincent voltou a Morbid Angel e tudo isto me cheira a conspiração e me delicia as narinas fumegantes, conspiração do círculo do Metal mais genuíno dentro do Metal. Cá estarei. Aprendendo e apreendendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que urge regressar e ouvir e estar atento ao movimento das marés como penso que quem ainda lê e compra esta sobrevivente revista está e ouçam, ouçam muito Unleashed e sonhem com o regresso do Vincent aos Morbid Angel e façam outros discos ganhar pó agora que bem o merecem. Isso é que interessa e se ainda aqui estão a ler e a perder o movimento do ciclo à vossa volta fazem mal, já deviam estar a comprar Unleashed e a ouvirem bem alto nas boas lojas porque as más não o terão ofuscadas por números e lógicas que tem menos interesse absoluto que aquele growl gargantual que é o chamamento: fuckin’ helljoy!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltamos para o mês para mais crónica de falsos costumes, palavras complicadas e sentimentos simples. O Spectator é um artigo de opinião e as convicções aqui expressas representam na verdade as convicções momentâneas ou eternas do seu autor.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt; XXIV&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Stormbringer&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;São quase sete horas da tarde. Os transportes correm na direcção de casa. Um dia de trabalho passou e todos começamos a ser mais nós próprios, livres das obrigações e prontos, desde sempre, para a dedicação ao que gostamos de fazer. Subo as escadas, passando a mão leve pelo corrimão. O jantar ferve devagar ao lume ou aguarda ansioso no conforto selado do micro-ondas. O meu corpo chega agora onde a minha cabeça já estava desde manhã, quando deixei o computador ligado a fazer o download da demo de My Dying Bride, esgotada há que tempos na fita de crómio, mais cara na altura, mas que acabou por desaparecer engolida pelas ondas do tempo e da estática. Na sala, o ecrã sai da sua hibernação azul, digito a minha persona: Dawnfall, em baixo enchem-se  as barrinhas de verde ou outras cores enquanto me sento a contemplar e a organizar na lista de itens todo o meu passado importante, algum presente em discussão e o futuro que pertence, bem...ao futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é a realidade de muitas e de cada vez mais pessoas que fazem parte de núcleos tão diversos como, por exemplo, do Stormbringer (SB), que as pessoas do Metal em Portugal, não podem negar enquanto fenómeno que nos merece uma consideração atenta e positiva. Para os leigos, como eu, o SB é uma espécie de “servidor” que começou na primeira pessoa cujo nick identifica o núcleo. Dedica-se à partilha de ficheiros com um número selecto de pessoas que têm características específicas em termos de gosto e conhecimento do Metal, não olvidando o aspecto essencial de ter, na sua posse, um número considerável e interessante de ficheiros para partilhar. Existe ainda a possibilidade de conversar e discutir os novos e velhos assuntos de bandas e discos, paixão só mesmo ultrapassada na comunidade virtual pelo prazer da posse de este ou daquele registo de determinada banda. Esta conversação e toda a operação de trocas e admissões é controlada, como em qualquer outro canal, por operadores e pelo criador Stormbringer himself, que faz não raras aparições apaziguadoras dos ânimos sempre exaltados entre os conservadores e os adeptos de teoria da evolução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que enquanto músico posso e devo notificar aqui o efeito perverso, não exclusivo ao SB, mas a todas as partilhas online que ignoram o pagamento devido dos direitos de autor às bandas e que poderão, a longo prazo, fazer com que essas bandas se tornem apenas memórias, castradas na sua imposição na cena pela necessidade cruel de se vender discos, mas hoje prefiro avaliar dos aspectos bem interessantes e muito positivos deste “tempestuoso” servidor, porque estes são dignos de uma nota aprofundada:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Da primeira vez que tomei conhecimento do SB simpatizei, e muito, com a ideia de que este evoluiu para uma espécie de Torre do Tombo do Metal nacional, digitalizando e partilhando demos em cassete e álbuns que simplesmente saíram de circulação e que agora, sem saudosismos, fazem parte da nossa vida outra vez, a sua importância reconhecida postumamente, como acontece aos grandes. E ter num CD que não se vai perder ou consumir pela térmita da estática, demos como as de Braindead, Thormenthor, The Coven, só para citar excelentes exemplos, bem como V12 ao vivo no RRV ou o próprio e desaparecido em combate disco dos V12 ou Ibéria, é uma riqueza que não se pode ignorar. Daí que a capacidade de arquivo e o esforço desenvolvido por alguns membros do SB seja muito louvável e tenha um alcance notável para as gerações que continuam a passar e inverteram o efeito perverso da partilha em nome da segurança das nossas memórias ( e não vejo conceito mais importante no Metal que a memória).&lt;br /&gt;- Este arquivo também permite, em tempo real, embora um pouco tardio, dar a conhecer lá fora o que se produziu, desde sempre, em Portugal(que como se sabe é uma cena por demais desconhecida), porque os seus utilizadores também frequentam servidores estrangeiros fazendo com que a cena lusa toda ela agorade cara renovada, esteja a  postos a ser conhecida em poucos minutos por quem se interessar por ela. E nós por cá em formato digital, em carros, CD´s e noites SB (às Quintas, penso eu no Disorder ao Cais do Sodré) a desfrutar de Unleashed e Anathema vintage com aquele calor do ruído que agora sabemos nosso para todo o sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em conclusão, está chegado o novo Underground que espero que aprenda com o espírito do antigo e que use, em seu favor, esse mesmo espírito e dedicação para segurar uma tradição que sabemos essencial para muito do Metal que se aprecia hoje em dia. E, em vez de demos em formol e caixas e sacos cá em casa, posso ter tudo arrumadinho numa estante bonita, sem lhes mexer, enquanto que  pela maravilha perversa dos tempos as vou ouvindo na garantia digital dos meus aparelhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi comovente ver circular outra vez as listas com todos aqueles nomes e especificidades e agora só falta mesmo arranjar um substituto para golpear a companhia de telefones ou de cabo, no sabor de cola da rebelião antiga do return my stamps!, talvez um return my bytes! possa passar a ser uma expressão de absurdo contentamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um obrigado especial ao Without God por toda a informação e música!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até à próxima deambulação:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;XV&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Unsilent night&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma sensação estranha quando calhamos a encontrar amigos na esquina das palavras e vemos que falamos do mesmo, e que isso, com tantos caminhos que há a percorrer, se repete, aqui ou ali, restando-nos o ridículo do rebuscado e do inventar na cabeça até perdermos o oxigénio e desmaiarmos num artigo que não foi a lado algum. Já me aconteceu aqui algumas vezes mas para mim cair é um princípio do levantar e o desmaio uma outra forma de consciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E entre debates sobre o Metal e conversas que chegam ou não chegam para chegar a algum lado tive outra noite oportunidade de tomar o pulso à cena nacional, no Festirock do Montijo, onde estive a trabalhar no prazer supremo de tocar ao vivo com Moonspell. Mas, não se apoquentem, não é de mim que vou falar embora não tenha razões para não o fazer. Tantas vezes chegam ao meu ouvido sopros de brutais atrasos e bandas a tocarem a meia dúzia de minutos que restam ao seu set de uma hora que confesso que me assustei quando reparei que já havia público para o soundcheck dos Temple e que lhes respondia a preceito e comecei logo nas minhas diligências subtis para ver se se excomungava o fantasma dos minutos bem a mais. Para meu gáudio um bocadinho espantado os Shadowsphere entram em palco apenas 30 minutos após a hora que prometia arrastar-se bem mais. Primeiras simbioses felizes da noite. A nossa experiência de diálogo e uma excelente apetência para aprendermos uns com os outros estreava a noite com um concerto muito a sério dos Shadow..., a cativarem públicos num destilar de riffs “como se fazem lá fora” (ironia) e uma postura muito conseguida a encontrar eco num bom e já vasto público, que num misto de orgulho vizinho e participação merecida se despediu deles com braços no ar e lábios que moviam sómaisuma, vezes o suficiente para um sorriso aberto dos músicos que desciam dum palco finalmente à dimensão da dignidade de todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Temple são o segredo mais mal guardado da cena Portuguesa e sou muito suspeito para lhes fazer um elogio que lhes faça justiça. Preferi ver aquela máquina pulsante feita de cores bem humanas, letras profundamente sentidas, muita onda, daquela que não se diz nos jardins com os amigos, mas que se sente no vibrar do Rui que comanda a tribo com braçadas gigantes e faz com que, mesmo sem os Temple saberem, o pessoal, o bom do pessoal entre em transe de graves, de groove, de guitarras que explodem contra as têmporas e nos fazem pular por dentro, abanando o corpo como convém quando os sentidos são assaltados com esta força elegante. Os Temple, cá fora, lá dentro, são, e eles quase não desconfiam disso, uma força universal, um som da terra eléctrico, para cima para baixo, por dentro, por fora e grandes bandas têm esse mesmo futuro: serem grandes bandas assim mesmo porque tudo o resto é bom mas dotado de relatividade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Icon foram, para dizer a verdade, a banda importante que dividiu a noite. Porque os Icon acima de tudo sabem o que fazem num palco, são músicos de qualidade invejável e que sabem escrever canções e, fora do meu satanicamente correcto, são uma banda de riscos, leia-se, que arrisca. O glam em Portugal é muitas vezes votado como coisa de gente pouco séria e parece que esquecemos a nossa natureza ostensiva de latinos, em que a vaidade, na boa medida, nos enchia de cor, neste caso negro ou púrpura, e enchia as bocas dos personagens dos livros do Eça das memórias de Paris e das injúrias de Lisboa que se lia Portugal então, pouco habituados à sensibilidade que também pode ser dura e profunda de uma rosa. E, quanto a mim, isento de voto nas declarações de gosto que nunca deixam de ser isso mesmo, motor e travões da mesma viatura, acho que os Icon rubricaram um digno espectáculo, com envolvência de ouvido e olho e o rapaz de gravata rosa talvez ou parecido (o barulho das luzes...) na primeira fila faz-me ver que os Icon terão um luminoso futuro à frente deles, um futuro de identificação esteta, e de voz cada vez mais própria que eles sabem e conhecem e, como todas as bandas, precisam. Não sei se foi verdade se o Johnny Icon se fartou da pretensa apatia do público, se não, tudo é mito, lá diz o filósofo, eu teria ficado até lhes ver o branco dos olhos mas tudo se encaixa no seu lugar e o tempo leva e traz das margens tudo o que precisamos ou podemos deixar sossegado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para nós, depois foi fácil e não foi sómaisum...Assim que entrei, assim que saí, assim que tive um espaço livre na agenda ocupada da minha cabeça e pensei neste artigo achei, e corrijam-me os Shadowsphere, os Temple ou os Icon (and the black roses) se estiver errado, e também os cerca de mil que lá estavam, a primeira coisa que me ocorreu foi a de que se passou um belíssimo bocado de entrega, de qualidade, de empatia até na apatia, de, porque não, respeito e amizade, com bons e diferentes concertos provando que com as cartas certas e a perspicácia e inteligência reconhecidamente lusa se podem fazer noites destas em que, longe de me sentir um “padrinho” da cena, me senti apenas muito contente de assistir a bons concertos de bandas inteiramente portuguesas. Gosto de pensar que o facto de partilharmos o palco essa noite também ajudou à causa e à coisa, mas isso são as bolachinhas no leite, um mimo que dou à minha cabeça cansada nesta noite depois de mais um dia intenso de criação, nesta noite em que chove frio, luz e promessas de descanso a meros passos de chinelos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obrigado aos intervenientes neste artigo por me terem dado (belíssimo) assunto. Até à próxima...bem...mania...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;XVI&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Em 2005...&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Os lapsos temporais e pessoais de 2004, o ano que morreu para todos, menos para a nossa memória, só nos permitem ver para trás aquilo que deixámos e que queremos arrumar nas prateleiras das palavras, ocultas na mascarada da passagem das horas que nos conduzem, quietos, a números cada vez mais próximos do nosso fim que não sabemos quando, mesmo enquanto caminhamos para ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, hoje à noite, outra vez frio, prefiro falar do futuro que já entrou, excitado pelas primeiras águas, na nossa vida de sempre, vamos a isso:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2005 quem nos perceber irá continuar a perceber-nos.&lt;br /&gt;Em 2005 os invejosos continuarão a invejar.&lt;br /&gt;Em 2005 os que não vão a lugar nenhum chegarão aí mesmo.&lt;br /&gt;Em 2005 o anti-voto ganhará as eleições em Portugal.&lt;br /&gt;Em 2005 o buraco continuará tapado.&lt;br /&gt;Em 2005 falaremos todos demais e faremos todos de menos.&lt;br /&gt;Em 2005 quem não nos perceber não nos irá perceber&lt;br /&gt;Em 2005 os inspectores continuarão a inspeccionar&lt;br /&gt;Em 2005 o poster gigante da peça Confissões de Mulheres de 30 continuará a abrandar o trânsito em Carnide.&lt;br /&gt;Em 2005 continuaremos a ser o centro do universo.&lt;br /&gt;Em 2005 ainda não iremos descobrir isso.&lt;br /&gt;Em 2005 o que é nosso ficará intocável como sempre.&lt;br /&gt;Em 2005 ainda apitarão nervosos os condutores dos carros atrás de mim porque me recuso a ter uma morte pouco poética e ficar com chapa na pele.&lt;br /&gt;Em 2005 continuarão a escreverem-se coisas que não percebo porque umbilicais&lt;br /&gt;Em 2005 serei um ambíguo para muitos.&lt;br /&gt;Em 2005 estaremos todos optimistas por sentimento até à primeira contrariedade.&lt;br /&gt;Em 2005 continuarei a inventar artigos no meu laboratório.&lt;br /&gt;Em 2005 ainda se discutirão gostos.&lt;br /&gt;Em 2005 essa discussão terá a inutilidade de uma inevitabilidade.&lt;br /&gt;Em 2005 torceremos o nariz uns aos outros.&lt;br /&gt;Em 2005 vamos pensar-nos superiores aos outros.&lt;br /&gt;Em 2005 um homem sem nada a perder será ainda o mais perigoso dos seres.&lt;br /&gt;Em 2005 um homem sem nada a provar será ainda o mais perigoso dos seres.&lt;br /&gt;Em 2005 fecharemos os olhos ao deleite da música que gostamos.&lt;br /&gt;Em 2005 encontraremos a beleza.&lt;br /&gt;Em 2005 perderemos a beleza quando olharmos para o lado e perceber os segredos dos lábios em sopros.&lt;br /&gt;Em 2005 Portugal será belo e triste.&lt;br /&gt;Em 2005 os políticos terão sempre corpo de intrujice e bocas de mentira.&lt;br /&gt;Em 2005 ao fundo e para cima serão movimentos populares.&lt;br /&gt;Em 2005 ouviremos os nossos discos passados com um gosto irrepetível.&lt;br /&gt;Em 2005 ouviremos os nossos discos recentes em comparação sempre.&lt;br /&gt;Em 2005 o mundo terá um passo próprio.&lt;br /&gt;Em 2005 tentaremos acertar o nosso passo com ele.&lt;br /&gt;Em 2005 chegaremos atrasados ao nosso próprio ser.&lt;br /&gt;Em 2005 estaremos adiantados às nossas reais capacidades.&lt;br /&gt;Em 2005 compraremos coisas inúteis mas ainda bem.&lt;br /&gt;Em 2005 nos aparecerão, espontaneamente, momentos inesquecíveis da nossa vida.&lt;br /&gt;Em 2005 não farei outro artigo assim.&lt;br /&gt;Em 2005 continuarei a observar-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A observar-vos.&lt;br /&gt;A ser observado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2005 quero ter mais actos e menos palavras se bem que as palavras sejam os meus actos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2000 e sempre quererei de mim as coisas que sempre quis para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom ano, whatever it hurts (Tiamat)&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;XVII&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Solidão&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Estique-se até o ao fim o prazo, porque não? No fim surgirão imagens, talvez as melhores da nossa vida ou do nosso dia que ficou para trás e que já não volta. Bem, cá vamos nós outra vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevo os artigos da Loud, regra geral, à noite sem falsos romantismos só porque muitas vezes assim calha na ausência do tempo, do assunto, do com que vos entreter ou com que puramente encadear a matéria do desprezo que tanta falta nos faz a nós, portugueses, críticos que fazem melhor por natureza;  fazedores apenas, ou por sorte, ou por estrutura, ou por milagre (escondido e revelado), leprosos na dor do sucesso que encolhe os ombros e solta o suspiro ou a gargalhada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso, por analogia, num locutor de uma rádio pequena (já que nas grandes nem me apetece pensar), a estas horas faz um programa em que fala, fala muito, tal como eu aqui escrevo, escrevo muito. Surge então um convidado aquelas horas da noite para falar ainda mais com o primeiro e falam entre os dois nesse magnífico éter que talvez, cientificamente, transporte mesmo as ondas de som, não sei tenho de averiguar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem quem nos ouve, quem nos lê, quem se importa? Mas o silêncio é o que existe e as palavras estão para o silêncio como a vida está para a morte. No oposto valorizam os seus antónimos. Fazem com que tenhamos sequer oportunidade de os contemplar e de saber da sua existência. Tal como a música que ouvimos e se ouvimos música com densidade no ritmo e na palavra é porque, talvez, o silêncio também nos diga algo ou pelo medo que temos dele ou pela curiosidade em de vez em quando o ouvir (sem aspas de propósito).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há umas horas telefonou-me o nosso ilustre director que conheci há anos, numa altura em que eu era menos puto que ele, mas pouco (no melhor dos sentidos) em circunstâncias infernais mas inesquecíveis para ambos e hoje ao telefone o mesmo dilema se calhar com visões diferentes. Será que há alguém a ouvir? (Comigo não é a folha em branco que me assusta Zé, é o branco depois da folha preenchida.). Será que vale a pena fazer? (Comigo não é o que digo, é só aquela cena de eu não facilitar, sabem?, de ninguém perceber o que escrevo aqui, de eu ser o pseudo-filósofo a queimar espaço a bandas se calhar, aquele “traidor” que se passou para os góticos sim que esses fingem ler e por aí fora, bem onde a noite me leva...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dia fui ao cemitério do Alto de S.João assistir à cremação do pai do meu novo tio e por lá dei uma volta (gótica) a sentir curiosidade e medo e lendo palavras que sendo simples muito diziam da música, da vida, da ocupação do silêncio, lembram-se? Num topo de uma jazigo lia-se, em inspiração definitivamente teatral, FIM. Impressionante e revelador. Outros diziam outras coisas, um tinha uma estátua de uma mulher na porta com o dedo sobre os lábios a pedir e a representar o silêncio. Mas voltando atrás, que ainda posso, para que facilitar, para que tratar as pessoas como animaizinhos decibélicos que babam cerveja e lêem exclusivamente e com suores frios Tolkien? O que importa? Não percebo nem nunca irei perceber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas sei que o locutor da rádio pequena fica com um calor no peito quando acaba e desliga as luzes da casinha pré-fabricada, que o entrevistado também vai para casa e diz à namorada 
